Viação Itapemirim: já faltam ônibus, investimentos não foram realizados e dívidas trabalhistas aumentaram

Vários veículos que eram alugados foram devolvidos. Passageiros e motoristas relatam falta de ônibus e cancelamento de viagens

Lote de ônibus foi devolvido para o Grupo JSL. Partidas têm sido canceladas. Sindicato diz que há mais de 200 ações trabalhistas apenas por meio da entidade em Cachoeiro e que há atrasos no pagamento de direitos e vales

ADAMO BAZANI

A Viação Itapemirim, que já foi uma das maiores empresas de ônibus da América Latina, sendo até chamada de Greyhound brasileira (em alusão à gigante norte-americana), agora tenta escapar de uma crise sem precedentes e, até mesmo, de seu final.

Quem vive no dia a dia da empresa diz que todos os anúncios de reestruturação e crescimento pelo novo grupo controlador, pelo menos até agora não passaram de marketing. Muitos funcionários, entretanto, aguardam com esperança.

“Não vi os ônibus novos que prometeram. Não recebo meu Vale-Alimentação há três meses. O pessoal da diretora sempre prometia que as coisas iam mudar. Agora estão quietos. Não podemos perder a fé, mas dá desamino, expor a vida nas estradas por uma empresa e sequer ter satisfação dela” – desabafou à reportagem do Diário do Transporte na manhã deste domingo, 26, um motorista em São Paulo.

“De repente, quando cheguei à garagem, cadê o ônibus que eu trabalhava? Foi tomado de volta pela empresa que alugou. Aí vi que a situação que era grave, piorou”, disse outro motorista no dia, durante evento de exposição de ônibus antigos e novos, na capital paulista.

Quando anunciou que assumiu o controle da Viação Itapemirim, a dupla de empresários Sidnei Piva de Jesus e Camila de Souza Valdívia, ao lado do também empresário Milton Rodrigues Junior, que veio do setor de transportes de cargas, prometeu uma série de investimentos. Em entrevista coletiva, no mês de abril, na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, sede operacional da empresa, Sidnei, Camila e Milton falaram de compra de ônibus zero quilômetro, ainda para 2017, de entrada no setor aéreo e até de hotelaria. Relembre:   https://diariodotransporte.com.br/2017/04/06/novos-proprietarios-da-itapemirim-anunciam-investimentos-e-falam-em-setores-aereo-e-de-imoveis/

Em junho, a sócia e diretora administrativa e financeira do Grupo, Camila de Souza Valdívia, disse ao jornal Gazeta de Vitória, do Espírito Santo, que iria investir R$ 200 milhões até o fim do ano para a compra de 400 ônibus novos. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/06/16/mesmo-com-dividas-nova-socia-da-viacao-itapemirim-anuncia-compra-de-400-onibus-ate-o-fim-do-ano/

Mas, até este dia 01º de dezembro de 2017, nenhum ônibus novo foi adquirido e, pior, funcionários denunciam cancelamentos de partidas por falta de veículos para operar.

Também no domingo, a reportagem teve acesso a uma tabela que trazia os cancelamentos entre sexta, 24, e domingo, 26. O motivo, segundo os funcionários: a Itapemirim e Kaissara não têm mais ônibus suficientes para atender a todos os horários

Em abril de 2017, o Diário do Transporte noticiou em primeira mão, que a Polícia Militar foi acionada após decisão judicial para cumprir reintegração de posse de ônibus usados pela Viação Itapemirim e Viação Kaissara, alugados pelo Grupo JSL (Júlio Simões). O motivo: falta de pagamento. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/04/07/policia-cumpre-mandados-de-reintegracao-de-posse-de-onibus-da-itapemirimkaissara-alugados-pela-jsl/

Em maio de 2016, a juíza Adriana Bertier Benedito, da 36ª Vara Cível – Foro Central Cível de São Paulo, determinou a reintegração de 170 ônibus alugados da JSL pela Kaissara. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2016/05/19/justica-determina-reintegracao-de-posse-para-jsl-de-170-onibus-usados-pela-kaissara/

A Itapemirim/Kaissara, alegando não ser vantajoso o modelo de locação de ônibus, decidiu devolver os veículos que ainda não tinham sido reintegrados.

Mensagens de leitores do Diário do Transporte alertavam para o esvaziamento da garagem da Itapemirim/Kaissara, da rodovia Presidente Dutra, em Guarulhos, uma das maiores da empresa no País, nesta última terça-feira, 28.

“Ontem dia 27/11/2017 passando pela rodovia presidente Dutra me deparei com veículos da JSL usados pela Itapemirim sendo recolhidos e hoje quando passei em frente à garagem da Itapemirim não tinha quase veículos” – diz trecho de mensagem de um dos leitores.

Ônibus contratados de empresas para fazerem as linhas da Itapemirim/Kaissara têm sido vistos em maior número e fora de época de grande demanda. É comum empresas contratarem ônibus de companhias de fretamento em feriados prolongados ou férias, quando habitualmente a procura por passagens rodoviárias aumenta.

Nesta quarta-feira, 29, por exemplo, um leitor de Curitiba mostrou um ônibus a serviço da Viação Kaissara, pertencente à Arca Turismo, com partida prevista para às 15h e tendo como destino a cidade de São Paulo.

Kaissara e Itapemirim, por falta de ônibus, começaram a alugar veículos de outras empresas, mesmo em dias de demanda baixa de passageiros

Sobre a devolução dos ônibus que eram usados pela Itapemirim e Kaissara, alugados pelo Grupo JSL (Júlio Simões Logística), procurado, o Grupo JSL disse, por meio da assessoria de imprensa, que não ia se pronunciar sobre o assunto.

Já a Viação Itapemirim, respondeu ao Diário do Transporte, alegando que a devolução foi espontânea porque a forma de locação dos ônibus não estava sendo vantajosa economicamente e que está realizando a renovação da frota, mas não informou a quantidade de veículos.

“O Grupo Itapemirim S/A, em recuperação judicial, informa que promoveu a devolução dos veículos arrendados à JSL S/A, cujo contrato firmado era extremamente oneroso e majorava ainda mais as dificuldades econômicas de uma empresa em processo recuperacional. Portanto, a medida espontânea e voluntária se procedeu de modo a atender as necessidades de preservação do Grupo. Em paralelo, registra que iniciou o processo de renovação da frota, a fim de efetivar a qualidade inerente à operação, gerando aumento da nossa receita”.

MAIS DE 200 AÇÕES SÓ PELO SINDICATO DE CACHOEIRO:

O Diário do Transporte também recebeu uma série de reclamações de funcionários e ex-funcionários da Viação Itapemirim e Viação Kaissara sobre atrasos de pagamentos de benefícios, encargos trabalhistas e dos depósitos do FGTS.

A reportagem então procurou o presidente do “Sindicato dos Motoristas, Ajudantes, Cobradores e Motoristas de Máquinas sobre Pneus do Sul do Estado do Espírito Santo”, Elias Brito Spoladore, que representa os trabalhadores da sede operacional da empresa, em Cachoeiro do Itapemirim.

Spoladore confirmou a maior parte das informações passadas pelos funcionários à reportagem.

“Os trabalhadores estão tendo problemas com o pagamento do adiantamento salarial, previsto na convenção coletiva, que deveria ser depositado todo dia 20 de cada mês. Há três meses, os trabalhadores não recebem o Vale-Alimentação e o plano de saúde foi suspenso pela companhia de ônibus” – relatou Spoladore.

O presidente do sindicato também relatou ao Diário do Transporte que apenas por meio do departamento jurídico da entidade, referentes tão somente aos trabalhadores da sede de Cachoeiro do Itapemirim, são cerca de 200 ações contra a empresa, movidas por funcionários demitidos. Há ainda ações na região movidas por escritórios particulares, além de ações de funcionários e ex-funcionários por todo o País.

“Os trabalhadores demitidos no período até fevereiro de 2016, portanto, antes do início da recuperação judicial, ainda não viram um centavo de tudo que têm direito. Somente aqui em nossa base, são 450 trabalhadores nesta situação. Não houve, inclusive, recolhimentos do FGTS” – denuncia.

O líder sindical ainda disse ao Diário do Transporte que espera mais transparência do atual grupo controlador da Itapemirim/Kaissara.

“Quando eu tento pedir uma explicação e um posicionamento para dar aos trabalhadores, a empresa manda falar com um tal de William, de São Paulo, que se diz representante da Itapemirim. Ele nos fala que sobre os atrasos do FGTS, a empresa tenta resolver um problema com a Caixa Econômica Federal que impede a informação sobre os depósitos não realizados. A empresa só diz que busca aportes para sanar todos os problemas financeiros e resolver as pendência trabalhistas” – disse Spoladore que ouve dos funcionários mais antigos lamentações pela situação que vivem hoje, mas também pelo desgosto de ver a empresa que tanto gostavam estar na atual situação.

“Os funcionários mais antigos amam a história da Itapemirim e lamentam mesmo. Dá para perceber isso no rosto deles, na forma de falar. Em épocas áureas, os mais antigos dizem que somente aqui em Cachoeiro, chegou a ter 8 mil funcionários. Além da empresa de ônibus, tinha a transportadora de cargas que era muito forte e a fábrica de ônibus, que fez os famosos Tribus, também era outro destaque” – finalizou o presidente do “Sindicato dos Motoristas, Ajudantes, Cobradores e Motoristas de Máquinas sobre Pneus do Sul do Estado do Espírito Santo”, Elias Brito Spoladore.

Sobre a situação trabalhista, em nota, a Itapemirim diz que tem realizado os pagamentos das pendências.

[O Grupo Itapemirim S/A,] … informa, também, que vem efetuando os pagamentos e liquidação de eventuais pendências existentes, em consonância com a Coordenação Nacional de Negociação Coletiva da CNTTT, Sindicados e demais colaboradores. Foi esclarecido aos representantes da Coordenação Nacional de Negociação Coletiva da CNTTT e Sindicatos.

O Grupo Itapemirim está em recuperação judicial desde março de 2016. As dívidas trabalhistas e com fornecedores são de R$ 336,49 milhões e, relativas a impostos, chegam a R$ 1 bilhão.

Fazem parte da recuperação judicial a Viação Itapemirim S/A, Transportadora Itapemirim S/A, ITA – Itapemirim Transportes S/A, Imobiliária Branca Ltda, Cola Comercial e Distribuidora Ltda e Flexa S/A – Turismo Comércio e Indústria. A Viação Kaissara foi incluída posteriormente por ordem da Justiça.

No mesmo dia da publicação da matéria (01º de dezembro de 2017), após já divulgar na íntegra o posicionamento solicitado à Itapemirim no dia 29 de novembro e, enviado pela assessoria de imprensa no dia 30, o Diário do Transporte foi procurado pela mesma assessoria, pedindo a divulgação de um comunicado.

No documento, que traz os nomes de Sidnei Piva de Jesus e Camila Valdívia subscrevendo o texto, o Grupo Itapemirim se diz alvo de “conspiração”.

O texto ainda diz que “algumas pessoas” têm divulgado “informações sigilosas e privilegiadas” por meio de acesso às “dependências das empresas em Recuperação Judicial”.

O texto diz ainda que estas informações que classifica como sigilosas são divulgadas por estas pessoas para “jornais e meios de comunicação de pouca credibilidade que historicamente sempre atacaram o Grupo Itapemirim sem apuração da verdade dos fatos, em desatenção ao direito de resposta, publicam matérias e informativos deturpando a realidade dos fatos.”.  O comunicado não cita quais seriam tais jornais e outros meios, mas faz uma acusação pública e grave:

 “A intenção de tais meios de comunicação, que valem-se inclusive de ligações obscuras com terceiros já conhecidos, é de apenas e tão somente denegrir a imagem da atual administração e frustrar os negócios do Grupo Itapemirim.”

A Itapemirim diz que deve acionar judicialmente estas “algumas pessoas” que teriam divulgado as informações que considera sigilosas, mas, no texto, não relaciona o assunto a que possam ser referir tais informações.

“A administração tem a esclarecer que está tomando as medidas cabíveis para que estas pessoas sejam impedidas judicialmente de prosseguir com tal conduta.”

 

BREVE HISTÓRICO DO CASO:

– 07 de março de 2016: A Viação Itapemirim protocolou pedido de recuperação judicial na 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória. O pedido envolveu todas as empresas do grupo da família de Camilo Cola: Viação Itapemirim, Transportadora Itapemirim, ITA – Itapemirim Transportes, Imobiliária Bianca, Cola Comercial e Distribuidora e Flecha Turismo Comércio e Indústria. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2016/03/08/itapemirim-entra-com-pedido-de-recuperacao-judicial/

– 18 de março de 2016: A 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória, no Espírito Santo, aceitou o pedido de recuperação judicial da Itapemirim e de outras empresas do grupo: https://diariodotransporte.com.br/2016/03/21/itapemirim-tem-60-dias-para-apresentar-plano-de-recuperacao-senao-pode-ir-a-falencia/

– 07 de junho a 01º de julho de 2016: Funcionários de diversas bases da Itapemirim promovem paralisações pelo País contra demissões e atrasos em pagamentos de salários e benefícios:

https://diariodotransporte.com.br/2016/07/01/funcionarios-da-itapemirim-cruzam-os-bracos-novamente/

https://diariodotransporte.com.br/2016/06/21/funcionarios-da-viacao-itapemirim-cruzam-os-bracos-em-vitoria-da-conquista/

https://diariodotransporte.com.br/2016/06/07/contra-atrasos-nos-pagamentos-funcionarios-da-itapemirim-realizaram-paralisacao/

– 29 de dezembro de 2016: A assessoria de imprensa da Viação Itapemirim confirmou ao Diário do Transporte  que a empresa foi vendida a um grupo de investidores de São Paulo, juntamente com a Viação Kaissara.  Entre os investidores estão Sidnei Piva de Jesus, Milton Rodrigues Júnior e Camila de Souza Valdívia. Milton Rodrigues Júnior foi sócio da transportadora de cargas Dalcóquio. No mesmo dia, a imprensa da Itapemirim também confirmou ao Diário do Transporte, a compra de ônibus usados da Viação Cometa para baixar a idade média da frota.  Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2016/12/29/oficialmente-itapemirim-confirma-fusao-com-a-kaissara-e-venda-para-grupo-de-investidores/

– 30 de dezembro de 2016: Em parceria, o site de jornalismo de transportes, Diário do Transporte, e o site de imagens de ônibus, Ônibus Brasil, conseguiram com exclusividade a informação de que a 13ª Vara Cível de Vitória determinou a inclusão da Viação Kaissara (nome fantasia da Viação Caiçara Ltda) no processo de recuperação. A justiça verificou indícios de irregularidades na transferência de linhas da Itapemirim para a Kaissara, ainda sob a gestão de família Camilo Cola. A suspeita é que foram usados funcionários da Itapemirim como laranjas para a transação.  No dia 4 de junho de 2015, a Itapemirim repassou 68 linhas interestaduais para a Viação Kaissara entre as quais, trajetos de grande demanda, como São Paulo / Rio de Janeiro, São Paulo / Rio de Janeiro (via ABC Paulista), São Paulo / Curitiba, Rio de Janeiro / Curitiba, Salvador/ Rio de Janeiro, Brasília / Belo Horizonte, Rio de Janeiro / Curitiba. Em torno de 40% da frota que era operada pela Itapemirim foram assumidos pela Kaissara na ocasião.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2016/12/30/exclusivo-viacao-itapemirim-justica-ve-irregularidades-e-kaissara-entra-na-recuperacao-judicial-do-grupo/

– 11 de janeiro de 2017: Em parecer, o juiz Paulino José Lourenço, da 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória, foi enfático ao classificar a existência de desvio de patrimônio na transferência das linhas da Itapemirim para a Kaissara (nome fantasia da Viação Caiçara Ltda – fundada em 2009) que ocorreu em dia 4 de junho de 2015. O magistrado também apontou indícios de uso de “laranjas”, já que a Kaissara tinha como sócios dois funcionários do grupo que não teriam condições, ainda segundo o juiz, de assumir um negócio de tamanha magnitude.  “Analisando detidamente toda a documentação é de fácil constatação que as pessoas físicas que compõem o quadro societário da Viação Caiçara Ltda não possuem condições econômicas de constituir o patrimônio societário, avaliado em mais de R$ 100 milhões, levando em consideração a cessão de linhas/itinerários em número de 68; aquisição de frota e imóveis. Para chegar a esta conclusão destaco que ambos os sócios são empregados de empresas que compõem o grupo econômico Itapemirim …Alio a este meu pensar, como destacou o ilustre representante do MPF, que a Kaissara para conseguir operacionalizar o negócio ‘utiliza a mesma frota, a mesma estrutura operacional (escritórios, agências, postos de venda de passagens, estruturas de apoio, garagens, linhas telefônicas, telemarketing, etc…), empregados e – até, a mesma cor de ônibus’, além dos funcionários da Viação Caiçara Ltda terem o pagamento de seus salários efetuados pela Viação Itapemirim … Não me resta dúvida que a Kaissara é empresa do mesmo grupo econômico com personalidade jurídica própria, sendo que a venda/cessão das linhas se mostrou verdadeiro artifício para desviar patrimônio” – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/01/11/juiz-e-enfatico-e-ve-desvio-de-patrimonio-e-uso-de-laranjas-no-caso-itapemirimkaissara/

– 20 de março de 2017: A Itapemirim passou a ser investigada por suspeitas de desvios de recursos ao exterior. O juiz Paulino José Lourenço, da 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, remeteu ao Ministério Público um fato novo: a administradora judicial Saraiva e Alves Advogados Associados, responsável pelo processo de recuperação da Itapemirim e empresas ligadas encontrou comprovantes de remessas de recursos para o exterior, contratos de câmbio, planilhas de pagamentos, dólares e equipamentos de emissão de bilhetagem eletrônica que estavam escondidos na unidade principal do Rio de Janeiro. Todo o material não havia sido informado no processo de recuperação judicial e para os novos investidores. O fato aumentou as desconfianças da Justiça e do Ministério Público em relação à postura dos antigos controladores do Grupo da Itapemirim, de Camilo Cola e família. No início de 2017,  o mesmo juiz foi enfático ao dizer que há indícios de graves irregularidades na Viação Kaissara. Quando a Kaissara assumiu linhas da Itapemirim, se apresentou como uma empresa independente. O discurso foi desmontado na Justiça. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/04/02/itapemirim-agora-e-investigada-por-suspeitas-de-desvios-de-recursos-ao-exterior/

– 06 de abril de 2017: Os novos controladores da Itapemirim, Sidnei Piva de Jesus, Milton Rodrigues Junior e Camila de Souza Valdívia, nomeada presidente, concederam uma entrevista coletiva na qual prometeram investimentos na empresa e a criação da marca Tour Itapemirim. Na ocasião, os empresários também anunciaram investimentos nos ramos de hotelaria e aviação:

https://diariodotransporte.com.br/2017/04/06/novos-proprietarios-da-itapemirim-anunciam-investimentos-e-falam-em-setores-aereo-e-de-imoveis/

– 07 de abril de 2017: Viação Itapemirim não paga aluguéis atrasados para o Grupo JSL (Júlio Simões) e Polícia Militar cumpre por determinação judicial reintegração de posse dos veículos: https://diariodotransporte.com.br/2017/04/07/policia-cumpre-mandados-de-reintegracao-de-posse-de-onibus-da-itapemirimkaissara-alugados-pela-jsl/

– 08 de abril de 2017: O Diário do Transporte revela com exclusividade a imagem de 34 ônibus retomados da Itapemirim em um dos pátios do Grupo JSL:

https://diariodotransporte.com.br/2017/04/08/onibus-usados-pela-itapemirimkaissara-ja-estao-no-patio-da-jsl-apos-mandados-de-reintegracao-de-posse/

– 12 de maio de 2017: Camilo Cola, ex dono e fundador da Itapemirim diz que foi “vítima de golpe” dos atuais controladores. Cola disse que os atuais controladores foram contratados para ajudar a família fundadora no processo de recuperação judicial. O fundador também afirmou que transferiu poderes dentro da Itapemirim ao novo grupo, o que resultou em sua própria destituição do comando, ou seja, não era para os três empresários se tornarem donos da Itapemirim, segundo o fundador. Cola era assessorado por um diretor de carreira na empresa, Anísio Fioresi, e pelo advogado e ex-juiz Rômulo Silveira, diretor jurídico do grupo com a administração antiga. Camilo Cola falou em quebra de confiança. Fomos enganados de todas as maneiras e tivemos a nossa confiança traída por pessoas de nossa maior consideração. Foi uma articulação monstruosa e sem precedentes, que, infelizmente, só descobrimos há pouco tempo … Já demitiram inúmeros funcionários sem o pagamento de verbas rescisórias, multas e FGTS, como determina a legislação. Não irá demorar muito, como já identificamos em outras empresas onde aplicaram o mesmo golpe, para demitirem muitos outros funcionários, sem também efetuar o pagamento de direitos trabalhistas, denegrindo um grupo que se orgulha de sua história no Espírito Santo e no país. Não vamos deixar isso acontecer. Cachoeiro de Itapemirim e o Espírito Santo precisam saber quem é essa gente e nos ajudar a recolocar as empresas no caminho da recuperação” – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/05/13/camilo-cola-diz-que-itapemirim-foi-vitima-de-golpe-e-novo-grupo-afirma-que-contratou-auditoria/

– 18 de maio de 2016: A juíza Adriana Bertier Benedito, da 36ª Vara Cível – Foro Central Cível de São Paulo, determinou a reintegração de 170 ônibus alugados da JSL pela Kaissara. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2016/05/19/justica-determina-reintegracao-de-posse-para-jsl-de-170-onibus-usados-pela-kaissara/

– 16 de junho de 2017: Apesar de dívidas de mais de R$ 330 milhões e reclamações de atrasos em salários e benefícios dos funcionários, a presidente do novo grupo da Itapemirim, Camila Valdívia, anunciou a compra de  400 novos ônibus, com investimentos totais de R$ 200 milhões. Até dezembro, nenhum ônibus zero quilômetro havia sido comprado pelo grupo.   https://diariodotransporte.com.br/2017/06/16/mesmo-com-dividas-nova-socia-da-viacao-itapemirim-anuncia-compra-de-400-onibus-ate-o-fim-do-ano/

– 3 de julho de 2017: A Passaredo Linhas Aéreas anunciou para imprensa, inclusive ao Diário do Transporte,  que foi comprada pelo grupo que controla a Viação Itapemirim, que atua em transportes de cargas e passageiros. Durante dois meses, haveria uma gestão compartilhada. Com isso, contando as linhas de ônibus e as 20 cidades onde a Passaredo opera em 9 estados, a integração entre as malhas aérea e rodoviária deveria atingir a 2,5 mil cidades brasileiras, segundo divulgação da época. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/07/03/passaredo-linhas-aereas-e-vendida-para-grupo-da-viacao-itapemirim/

– 10 de julho de 2017: O Diário do Transporte revela que salários e benefícios trabalhistas ainda não tinham sido pagos plenamente em consonância às convenções e acordo com os sindicatos. A matéria também mostrou que a família Cola entrou com ações na 13ª Vara Civil Especializada Empresarial de Recuperação Judicial e Falência de Vitória (ES) para anular a transferência de controle da companhia e bloquear a venda de ativos da empresa.

https://diariodotransporte.com.br/2017/07/10/enquanto-novo-grupo-da-itapemirim-anuncia-compras-funcionarios-reclamam-de-atrasos-nos-salarios-e-beneficios/

– 11 de setembro de 2017: A Passaredo linhas aéreas, também em recuperação judicial,  anuncia que foi desfeito o negócio com a Itapemirim. Segundo a companhia, o Grupo da Itapemirim não cumpriu cláusulas previstas na negociação. “Diante do não cumprimento das condições precedentes estabelecidas em contrato, os compradores foram notificados pela Passaredo na data de hoje, 11 de setembro de 2017, sobre o encerramento formal do negócio”. As obrigações impostas aos empresários da Itapemirim, como plano de operação e pagamento das primeiras parcelas, não foram cumpridas num prazo de 60 dias estipulado no acordo. Em nota sobre o negócio desfeito, a Itapemirim disse que o rompimento foi consensual. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/09/12/passaredo-linhas-aereas-desfaz-negocio-com-itapemirim/

– 01º  de novembro de 2017: Outro negócio é desfeito. As empresas Rápido Marajó e Transbrasiliana, também em recuperação judicial, se separam da Itapemirim. As companhias de ônibus, a exemplo da Passaredo Linhas Aéreas, acusaram os controladores da Itapemirim de não cumprir cláusulas do acordo. Já a Itapemirim alegou que o negócio foi desfeito por consenso. “Tratam-se de duas recuperações judiciais distintas. Para que possa haver recuperações judiciais mais eficazes e mais transparentes, a decisão foi por separar as empresas e fazer as prestações de contas de maneira mais precisa” Gradativamente, estruturas, garagens e operações realizadas em conjunto serão separadas, garantiu.

https://diariodotransporte.com.br/2017/11/01/itapemirim-atribui-as-recuperacoes-judiciais-separacao-da-rapido-marajo/

– 13 de novembro de 2017 e 28 de novembro de 2017: Recuperação judicial do Grupo da Itapemirim sofre reveses. No dia 13, o juiz Marcos Horacio Miranda, da 13ª Vara Cível Empresarial de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, destituiu a administradora judicial Saraiva e Alves Advogados Associados, representada no processo por João Manuel de Souza Saraiva. A destituição atendeu a parecer do Ministério Público do Estado do Espírito Santo que apontou eventuais erros e ineficiência de atuação da Alves Advogados Associados. O juiz designou a Official Prime Serviços Empresariais, de Chapecó (SC), para ser administradora. Já no dia 28, o juiz Paulino José Lourenço, titular da 13ª Vara Cível Empresarial de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, responsável pelo julgamento do processo de recuperação judicial da Viação Itapemirim e das empresas coligadas, se afastou do caso após representação movida pelo fundador e ex-dono da empresa, Camilo Cola. Na reclamação disciplinar protocolada no Conselho Nacional de Justiça – CNJ, Camilo Cola sugere a existência de uma espécie de conluio entre o juiz José Lourenço e o juiz aposentado e ex-assessor jurídico da empresa, Rômulo Barros Silveira, que poderia resultar em benefícios ao atual grupo controlador da Itapemirim. Rômulo Silveira se desligou do cargo de assessor jurídico da Itapemirim no último dia 05 de novembro de 2017. Também fariam parte deste suposto conluio, segundo a petição inicial movida por Camilo Cola, o ex- administrador judicial, Jerry Edwin Ricaldi Rocha, apelidado de Boliviano. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/11/29/juiz-do-caso-itapemirim-se-afasta-do-processo-apos-reclamacao-de-camilo-cola-junto-ao-cnj/

01º de dezembro de 2017: Matéria especial do Diário do Transporte releva que após retomada dos ônibus da Itapemirim/Kaissara, começaram a faltar veículos nas linhas. Várias partidas passaram a ser canceladas. Os problemas trabalhistas se agravaram. Itapemirim não negou cancelamento de horários e falta de ônibus e disse apenas que renovaria frota, mas não informou quantidade de veículos. Sobre agravamento de problemas trabalhistas, novo grupo diz que cumpre convenções:

Viação Itapemirim: já faltam ônibus, investimentos não foram realizados e dívidas trabalhistas aumentaram

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes  

12 comentários em Viação Itapemirim: já faltam ônibus, investimentos não foram realizados e dívidas trabalhistas aumentaram

  1. muito triste ver esta situação da itapemirim

  2. Na minha opinião essa empresa não vai longe. Esse novo grupo que assumiu a empresa vão levar a Itapemirim na sua total falência.

  3. EMILIO MARTINS MENES // 1 de dezembro de 2017 às 14:49 // Responder

    Adamo, parabéns pela matéria, a mesma está completíssima. Esse grupo entrou para acabar com o resto da empresa, as promessas de investimento foi uma farsa, alegaram que tinham dinheiro e nada fizeram, uma pena.

  4. essa direção da Itapemirim e uma graça, devolveu os ônibus por vontade própria rsrsrs, porque o JSL precisou entra justiça e acionar as Pm para rever os veículos, essa direção e igual a nossos políticos pensa samos besta, ela deveria ficar calada e não mandar uma carta dessa

  5. Eu filmei um grande movimento de ônibus da Itapemirim indo pra ser da jsl na terça e quarta, não só foram os ônibus alugados, mas também ônibus próprios da empresa (como os G6 1200HD)

    • Uma vergonha tbm para jsl q deveria deixar passar o movimento de fim de ano e férias. Mas pegam os carros no momento q as pessoas os passageiros mais precisam ! Como se diz querem acabar com a outra empresa mesmo! Não se importam com os trabalhadores e pessoas que precisam da empresa pra fazer suas viagens. Eles poderiam pegar esses carros depois do movimento. Mas so pensam em dinheiro e destruir a outra e quem sabe ocupar seu espaço. Como ja aconteceu com a Ita cargas q tbm era à maior no setor de cargas! Agora muitos querem o fim da de passageiros para tbm ocupar seu espaço. Só mesmo uma intervenção divina de Deus para salvar a Itapemirim! Para dar a ela o lugar que sempre teve gerando empregos para milhares de vidas…

  6. Poxa uma empresa linda de nome é muito antiga está passando por esta situação é de doer o coração!!! Deveria fazer a recuperação com mais responsabilidade!!! Uma empresa de grande nome é de muitos anos não pode ir a falência !!!

  7. “GAME OVER”

  8. Essa empresa foi a mais importante para os nordestinos que foram para São Paulo tenta a vida em décadas passadas na minha cidade Limoeiro PE tinha um guichê de vendas de passagens para rotas em direção ao sul do pais alem da empresa ter 3 áreas de embarque e desembarque exclusiva da Itapemirim ela era o sonho de consumo para os motoristas da viação 1002 e Borborema que tentavam entrar na viação Progresso para enfim migrarem para Itapemirim essa empresa é a história do Brasil ele foi importante pára alguns famosos de hoje em dia serem o que são por exemplo Franqui Aguiar cantor famoso que saiu de sua cidade em direção a São Paulo na Itapemirim vai fazer falta antes era tanto ônibus da Itapemirim em Limoeiro agora é uma raridade ver um

  9. Muito Triste a situação, mas torço pela volta da gigante “Itapemirim” como nos bons tempos. Sucesso.

  10. Muita irresponsabilidade desses sócios abutres que estão acabando com a Itapemirim.

  11. Ontem, 02/12/17, a maioria dos horários de Curitiba para São Paulo foram realizadas pela Viação Cometa.

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  1. Funcionários da Itapemirim fazem manifestação e bloqueiam saída de ônibus em Guarapari – Diário do Transporte

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