EM 1ª MÃO: Primeiro ônibus Euro 6 do pacote do Governo Federal para a Nova Itapemirim chega à garagem

Veículo de dois andares é configurado na versão leito-cama

ADAMO BAZANI

O primeiro ônibus adquirido pela Nova Itapemirim/Suzantur por meio do pacote de renovação de frota do Governo Federal chegou neste sábado, 21 de outubro de 2023, a uma das garagens do Grupo no Estado de São Paulo.

É um ônibus Volvo B 460 R Euro 6 (tecnologia de redução de poluição) com carroceria Marcopolo Paradiso 1800 DD, de dois andares, de configuração leito-cama.

São 60 ônibus rodoviários, 40 de dois andares. Além de 90 urbanos para a Suzantur.

Já há mais unidades prontas na Marcopolo que devem chegar às garagens do grupo já nos próximos dias.

Como mostrou o Diário do Transporte, em 14 de julho de 2023, a compra foi anunciada no âmbito do Programa de Renovação de Frota instituído pela Medida Provisória 1175/2023, para estimular a indústria automotiva. O evento foi na sede da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/07/14/grupo-suzantur-itapemirim-anuncia-a-compra-de-110-onibus-no-ambito-do-programa-de-renovacao-da-frota-do-governo-federal-nesta-sexta-14/

Tanto os modelos urbanos como os rodoviários seguem os padrões de redução de poluentes com base nas normas internacionais Euro 6, em vigor desde janeiro de 2023 no Brasil e que podem proporcionar queda de 75%, em média, na poluição atmosférica gerada durante a operação em relação à tecnologia anterior das normas Euro 5.

Os 90 ônibus urbanos são todos Mercedes-Benz OF 1721 L, com carroceria Marcopolo Torino.

Os 60 ônibus rodoviários serão divididos da seguinte forma: 40 ônibus de dois andares (carroceria Marcopolo Paradiso 1800 DD – Geração 8), sendo 20 Volvo e 20 Scania. As outras 20 unidades serão chassis Mercedes-Benz O-500 RSD (de três eixos) com carroceria Marcopolo Paradiso 1350, também da geração 8.

O modelo G 8 1350 será destinado principalmente para linhas que atendem ao Nordeste, em especial pela necessidade de maiores bagageiros por causa do perfil de viagens.

MP TEVE POUCA ADESÃO, MAS PODERÁ HAVER PROGRAMA PERMANENTE:

Por ser previsto em Medida Provisória, que teve seu prazo de renovação esgotado, o programa já acabou.

A adesão foi muito menor do que o Governo Federal previa.

Lançado, em 05 de junho, o Programa de Renovação da Frota do Governo Federal somente liberou R$ 270 milhões de R$ 1 bilhão para veículos de grande porte.

No caso de carros e comercias leves, os R$ 800 milhões disponíveis se esgotaram em cerca de um mês.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse em 22 de agosto de 2023, que o Governo Federal estuda criar um programa permanente com regras semelhantes.

O programa quase não estava tendo adesão porque donos de ônibus e caminhões com 20 anos ou mais não têm dinheiro para comprar estes veículos 0 km; cada ônibus ou caminhão novo pode chegar a R$ 2 milhões, dependendo do modelo e da configuração.

As maiores vendas começaram a acontecer quando o Governo Federal permitiu que donos de grandes empresas comprassem os veículos velhos de pequenos empresários e fizessem o descarte.

A Suzantur procurou no País inteiro ônibus rodoviários e urbanos com 20 anos ou mais de fabricação.

O dono do ônibus antigo vende para a Suzantur/Nova Itapemirim. Já a Suzantur/Nova Itapemirim pega este ônibus velho e pelo concessionário ou em desmanches legalizados, manda o coletivo para a sucata. Com o comprovante do descarte do ônibus, a Suzantur consegue o desconto.

LEITO-CAMA:

Cada veículo é configurado com oito poltronas que possibilitam reclinação total na parte inferior e 46 assentos no piso superior, do tipo semi-leito.

Na parte inferior, além de reclinação total nas poltronas, os passageiros vão contar com serviço diferenciado que oferece lanche, bebida não alcóolica, mantas, canais individuais para entretenimento por áudio e vídeo, iluminação especial entre outros itens de conforto.

Em ambos os andares, os ônibus oferecem nas poltronas itens como porta-copos, entradas do tipo USB para carregamento de baterias de celulares; notebooks e outros dispositivos móveis em casa assento; apoio para descanso de pernas; regulagens em diferentes posições de reclinação entre outros.

Geladeiras com água à vontade para os passageiros, sanitário, ar-condicionado com regulagem de saída individuais, iluminação para relaxamento visual, interfone para comunicação com o motorista também fazem parte do pacote presente no modelo dos ônibus para as duas categorias de serviço.

LINHAS EM OPERAÇÃO:

Somando as operações da Viação Itapemirim e da Viação Kaissara, que tiveram a falência decretada em 21 de setembro de 2022, o total é de 132 linhas interestaduais.

Por meio de arrendamento com autorização judicial, a Nova Itapemirim/Kaissara retomou até o momento as seguintes linhas:

São Paulo (SP) x Curitiba (PR)

São Paulo (SP) x Rio de Janeiro (RJ)

São Paulo (SP) x Nanuque (MG)

São Paulo (SP) x Ipatinga (MG)

São Paulo (SP) x Vitória (ES)

São Paulo (SP) x Vitória (ES) Via Campos

São Paulo (SP) x Afonso Cláudio (ES) via Cachoeiro de Itapemirim

São Paulo (SP) x Cachoeiro de Itapemirim (ES) via Itaperuna

São Paulo (SP) x Campina Grande (PB)

Rio de Janeiro (RJ) x Salvador (BA)

Volta Redonda (RJ) x Curitiba (PR)

Rio de Janeiro (RJ) x Vitória (ES)

Rio de Janeiro (RJ) x Aracajú (SE)

Rio de Janeiro (RJ) x Brasília (DF)

Belo Horizonte (MG) x Brasília (DF)

Belo Horizonte (MG) x Guarapari (ES)

Belo Horizonte (MG) x Serra (ES)

Salvador (BA) x Recife (PE)

Rio de Janeiro (RJ) x Brasília (DF)

São João da Barra (RJ) x Belo Horizonte (BH)

Campos dos Goytacazes (RJ) x Belo Horizonte (MG)

Vitória (ES) x Niterói (RJ)

Recife (PE) x Goiânia (GO)

Maceió (AL) x Brasília (DF)

Timbaúba (PE) x São Paulo (SP)

Caruaru (PE) x Brasília (DF)

Timbaúba (PE) x Rio de Janeiro (RJ)

Guarabira (PB) x Rio de Janeiro (RJ)

Guarabira (PB) x São Paulo (SP)

ENTENDA:

Contando tributos e débitos com fornecedores, bancos e trabalhadores, o Grupo Itapemirim, que estava em recuperação judicial desde março de 2016, tem dívidas que chegam a R$ 2,2 bilhões. Depois de ter o proprietário afastado, Sidnei Piva de Jesus, suspeito de crimes falimentares e gestão fraudulenta, envolvendo supostas transferências de recursos ilegais das empresas de ônibus para fundar a ITA (Itapemirim Transportes Aéreos), o Grupo Itapemirim teve a falência decretada pela Justiça em 21 de setembro de 2022.

Na decisão pela falência, o juiz João Oliveira Rodrigues Filho, do Tribunal de Justiça de São Paulo, autorizou o arrendamento de linhas e estruturas operacionais da Itapemirim e da Kaissara para a Suzantur, empresa que atuou no ramo de fretamento e opera ônibus urbanos em quatro cidades do ABC Paulista (Santo André, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires) e no município de São Carlos, no interior do Estado de São Paulo. A empresa atuava até 2020 no ramo de fretamento também (Relembre o fim da Suzantur no fretamento https://diariodotransporte.com.br/2020/06/29/exclusivo-grupo-comporte-da-breda-e-piracicabana-vai-assumir-servicos-e-onibus-da-suzantur-fretamento/  )

DÚVIDAS:

Confira algumas das principais questões, cujas respostas foram obtidas pelo Diário do Transporte junto ao TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo). Lembrando que como a situação engloba Justiça, não estão descartadas reviravoltas e decisões surpreendentes que podem mudar muitas destas respostas.

– A Suzantur terá de sair depois que vencerem os dois anos máximos do arrendamento?

A empresa poderá participar do leilão para eventual arremate de patrimônio (o que inclui frota antiga e imóveis), estruturas operacionais (linhas, inclusive) e marca. Outras interessadas podem participar também.

– A Suzantur terá preferência no leilão?

Sim, incluindo a possibilidade de descontos pelos investimentos realizados, como com a compra de ônibus novos ou seminovos e despesas para estruturar as operações. Tudo isso está na decisão da falência noticiada pelo Diário do Transporte

– Nova Itapemirim e Viação Itapemirim/Kaissara são a mesma coisa?

Não, a Nova Itapemirim foi constituída para as operações arrendadas para gerar dinheiro aos credores do Grupo Itapemirim, mas são empresas diferentes. Assim, a Nova Itapemirim/Suantur não tem responsabilidade sobre as dívidas do Grupo Itapemirim que, contando com impostos, estão em torno de R$ 2,2 bilhões.

– Caso a Suzantur “perca” o leilão, o que ocorre?

Eventualmente, as operações e patrimônios da “antiga” Itapemirim vão para outro grupo vencedor e a Suzantur pode, por exemplo, vender os ônibus e demais bens adquiridos no arrendamento.

– Quando vai ser o leilão?

Ainda não está definido, mas com o ritmo atual, a estimativa é a partir do primeiro trimestre de 2024. Isso porque a Justiça ainda vai analisar a proposta de unificar tudo em um leilão somente como sugeriu a administradora da falência, a EXM Partners, incluindo estruturas, imóveis, linhas e veículos. Depois da decisão, haverá um prazo de 90 dias para uma nova avaliação dos bens e da marca para atualizar os valores. Esta avaliação vai ser analisada pelos peritos judiciais e só depois disso, o leilão é homologado. Lembrando que é uma estimativa, podendo haver alterações.

– A Suzantur vai querer ficar com as operações da Itapemirim/Kaissara definitivamente?

Sim. Ao Diário do Transporte, o empresário Claudinei Brogliatto falou que o intuito é ficar e continuar com as operações, mesmo porque são grandes os investimentos realizados até o momento: cerca de 70 ônibus zero quilômetro de alto valor, além dos seminovos e reformas de guichês, aluguel de garagens, estruturação de mão-de-obra.

– A Suzantur vai ter de ficar com os ônibus antigos da Itapemirim?

Se a Justiça decidir que será leilão único, como sugere a EXM Partners, a Suzantur vai ter de arrematar os ônibus. Mas isso não significa que a empresa terá de operar com estes veículos. Aliás, o empresário Claudinei Brogliato disse ao Diário do Transporte que não pretende utilizar estes ônibus, que podem ser vendidos para outros operadores ou mesmo para a sucata, dependendo do estado de conservação. Há um programa de renovação de frota do Governo Federal que foi aderido pela Suzantur, mas até o leilão ocorrer, os recursos do programa já devem ter se esgotado. Além disso, o programa aceita a substituição de ônibus com 20 anos ou mais e, apesar do estado precário, muitos dos veículos têm menos de 20 anos no acervo da “antiga” Itapemirim.

– Alguém pode entrar na Justiça contra os termos do leilão e atrasar prazos e se extrapolar o tempo?

Sim, é direito Constitucional de qualquer pessoa física e empresa. Por isso que o leilão será marcado ainda faltando alguns meses para o fim do arrendamento, para dar tempo. Caso extrapole o prazo do fim do arrendamento, há meios jurídicos de a Suzantur continuar até a resolução de todas as impugnações para não haver descontinuidade e interrupção dos serviços. Mas isso por decisão da Justiça, não por pedido ou deliberação da Suzantur

– E os trabalhadores atuais da Nova Itapemirim, como ficam após o leilão?

Pode haver negociações para que continuem em caso de outra empresa vencedora. Na possibilidade de a Suzantur vencer o leilão, o processo de incorporação de trabalhadores será mais fácil.

O fim da Viação Itapemirim também envolveu o nome do fundador Camilo Cola em outra polêmica.

Em 07 de março de 2016, o Grupo Itapemirim entrou com pedido de recuperação judicial, na época com uma dívida de mais de R$ 300 milhões, sendo que grande parte era de débitos trabalhistas, além de fornecedores e credores estrangeiros.

Em 17 de fevereiro de 2017, Camilo Cola dava entrevista à imprensa dizendo que a continuaria à frente da Viação Kaissara mas que havia vendido o Grupo Itapemirim para empresários de São Paulo, como mostrou o Diário do Transporte à época.

Em entrevista à Gazeta, do Espírito Santo, filiada à TV Globo, o fundador da empresa, Camilo Cola, hoje com 93 anos, disse que a Viação Itapemirim foi vendida, mas que a família continua no controle da Kaissara.

“Vendemos a Itapemirim. Quem comprou foi um grupo empresarial. Eles ficaram com a Itapemirim e nós ficamos com a Kaissara. Eles ficaram com as linhas curtas e nós, com as longas. Eles assumiram toda a dívida”, disse o empresário, que fundou a empresa em 1953, em Cachoeiro de Itapemirim.

De acordo com a reportagem, a Viação Itapemirim foi comprada pelos empresários de São Paulo, Sidnei Piva de Jesus, Milton Rodrigues Junior e Camila de Souza Valdívia – que foi nomeada presidente da companhia.

A compra ocorreu por meio das empresas Ssg Incorporação e Assessoria, de propriedade de Sidnei Piva de Jesus e a Csv Incorporação e Assessoria Empresarial, de Camila de Souza Valdívia, ambas localizadas em São Paulo.

O objeto social das duas empresas engloba atividades de consultoria e auditoria contábil e tributária e incorporação de empreendimentos imobiliários, de acordo com a Junta Comercial de São Paulo. A Csv também atua em consultoria em gestão empresarial e de publicidade.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/02/18/itapemirim-foi-vendida-para-grupo-de-sao-paulo-e-camilo-cola-continua-com-kaissara-diz-empresario-a-tv-do-espirito-santo/

Mas em 12 de maio de 2017, Camilo Cola vinha à imprensa de novo e disse que tinha sido vítima de um golpe e que, na verdade, não havia vendido a Itapemirim, mas que contratou o grupo de empresários para uma consultoria, como também mostrou o Diário do Transporte à época.

A FolhaES divulgou na sexta-feira, 12 de maio de 2017, uma entrevista atribuída à Camilo Cola, na qual o fundador da empresa, criada em 4 de julho de 1953, mas com origem em 1946,  diz que foi vítima de um golpe na recuperação judicial.

Camilo Cola afirmou que a família fundadora vai entrar na justiça contra os empresários Sidnei Piva de Jesus, Milton Rodrigues Junior e Camila de Souza Valdívia, nomeada presidente da companhia.

Segundo a entrevista, os atuais controladores foram contratados para ajudar a família fundadora nesse processo de recuperação judicial.

Camilo Cola diz que transferiu poderes dentro da Itapemirim ao novo grupo, o que resultou em sua própria destituição do comando. Cola era assessorado por um diretor de carreira na empresa, Anísio Fioresi, e pelo advogado e ex-juiz Rômulo Silveira, diretor jurídico do grupo com a administração antiga.

Na matéria, Camilo Cola fala em quebra de confiança.

Entre as supostas irregularidades apontadas pela família Cola e atribuídas ao novo grupo, está o desvio de recursos da empresa obtidos com as vendas de passagens para o pagamento de notas fiscais por serviços prestados por outras empresas dos atuais gestores.

Ainda de acordo com o Camilo Cola, na matéria, o interesse pela recuperação das empresas seria uma “fachada” para desvio de recursos e inviabilização total do Grupo Itapemirim, que retornaria à família fundadora, mas dilapidado.

“Fomos enganados de todas as maneiras e tivemos a nossa confiança traída por pessoas de nossa maior consideração. Foi uma articulação monstruosa e sem precedentes, que, infelizmente, só descobrimos há pouco tempo … Já demitiram inúmeros funcionários sem o pagamento de verbas rescisórias, multas e FGTS, como determina a legislação. Não irá demorar muito, como já identificamos em outras empresas onde aplicaram o mesmo golpe, para demitirem muitos outros funcionários, sem também efetuar o pagamento de direitos trabalhistas, denegrindo um grupo que se orgulha de sua história no Espírito Santo e no país. Não vamos deixar isso acontecer. Cachoeiro de Itapemirim e o Espírito Santo precisam saber quem é essa gente e nos ajudar a recolocar as empresas no caminho da recuperação”

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/05/13/camilo-cola-diz-que-itapemirim-foi-vitima-de-golpe-e-novo-grupo-afirma-que-contratou-auditoria/

O MP (Ministério Público) investigou se a venda da Itapemirim seria uma última manobra de Camilo Cola quanto às dívidas milionárias do grupo.

Ao longo da condução de Piva, foram apuradas diversas irregularidades, todas negadas pelo empresário.

Entre as quais, suspeitas de desvios de dinheiro de credores da empresa de ônibus para paraísos fiscais e de R$ 46 milhões para a constituição da ITA (Itapemirim Transportes Aéreos) em 2021, que voou apenas cerca de seis meses, parando de operar repentinamente em 17 de dezembro de 2021, pegando milhares de passageiros de surpresa.

A ITA teve a falência decretada em 11 de julho de 2023, como mostrou o Diário do Transporte em primeira mão.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/07/17/decisao-ita-itapemirim-transportes-aereos-tem-falencia-decretada-pela-justica-grupo-rodoviario-faliu-no-ano-passado/

Mas o desembargador Azuma Nishi, da 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial, do Tribunal de Justiça de São Paulo, atendeu recurso da ITA (Itapemirim Transportes Aéreos) e suspendeu a decisão em primeira instância que havia decretado a falência da empresa aérea fundada por Sidnei Piva de Jesus.

A decisão liminar é de 18 de agosto de 2023 e foi publicada no dia 22.

O despacho não se estende às empresas de ônibus (Grupo Itapemirim), que continuam com arrendamento de linhas pela companhia Suzantur, do ABC.

A ITA, que voou por cerca de seis meses e parou repentinamente em 17 de janeiro de 2021,  deixando mais de 131 mil passageiros sem transportem, alegou que a empresa autora da decretação da falência, a Travel Technology Interactive do Brasil Soluções em Software Ltda,  desistiu do pedido antes da decisão em primeira instância.

Além disso, a ITA alega que não foi citada no processo quanto ao pedido da falência, não podendo se defender.

Na decisão, o desembargador destacou que não foi analisado esta desistência do pedido de falência e que “há perigo imediato de dano irreparável e de difícil reparação decorrente do decreto de quebra da empresa agravante”.

A criação da ITA é investigada pelo MPF (Ministério Público Federal) que apura supostas fraudes cometidas pelo empresário Sidnei Piva de Jesus e desvios de cerca de R$ 46 milhões dos credores do grupo de ônibus para constituir a companhia aérea.

Piva nega as irregularidades.

O Grupo Itapemirim, que incluiu as empresas de ônibus, teve a falência decretada pela Justiça antes.

Contando tributos e débitos com fornecedores, bancos e trabalhadores, o Grupo Itapemirim, que estava em recuperação judicial desde março de 2016, tem dívidas que chegam a R$ 2,2 bilhões. Depois de ter o proprietário afastado, Sidnei Piva de Jesus, suspeito de crimes falimentares e gestão fraudulenta, envolvendo supostas transferências de recursos ilegais das empresas de ônibus para fundar a ITA (Itapemirim Transportes Aéreos), o Grupo Itapemirim teve a falência decretada pela Justiça em 21 de setembro de 2022.

Na decisão pela falência, o juiz João Oliveira Rodrigues Filho, do Tribunal de Justiça de São Paulo, autorizou o arrendamento de linhas e estruturas operacionais da Itapemirim e da Kaissara para a Suzantur, empresa que atuou no ramo de fretamento e opera ônibus urbanos em quatro cidades do ABC Paulista (Santo André, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires) e no município de São Carlos, no interior do Estado de São Paulo. A empresa atuava até 2020 no ramo de fretamento também (Relembre o fim da Suzantur no fretamento https://diariodotransporte.com.br/2020/06/29/exclusivo-grupo-comporte-da-breda-e-piracicabana-vai-assumir-servicos-e-onibus-da-suzantur-fretamento/  )

Contestaram o arrendamento das linhas para a Suzantur, a ANTT Agência Nacional de Transportes Terrestre (sargumentando, entre outros pontos, que linhas de ônibus pertencem ao poder público e não podem ser considerados ativos de uma empresa), a Viação Garcia (empresa de ônibus rodoviários do Sul do País que tinha interesse nas mesmas linhas e que alega que ofereceu propostas melhores) e o próprio Grupo Itapemirim (administrações Sidnei Piva – último dono –  e da Transconsult – que fez uma rápida intervenção nas companhias). A Associação dos Credores da Itapemirim, grupo que diz representar uma parte dos credores, também não queria que a Suzantur operasse as linhas.

O Grupo Itapemirim é formado pelas seguintes empresas:

– Viação Itapemirim S.A (CNPJ: 27.175.975/0001-07);

– Transportadora Itapemirim S.A (CNPJ:33.271.511/0001-05);

– ITA Itapemirim Transportes S.A.(CNPJ:34.537.845/0001-32);

– Imobiliária Bianca Ltda. (CNPJ: 31.814.965/0001-41);

– Cola Comercial e Distribuidora Ltda.(CNPJ: 31.719.032/0001-75);

– Flecha S.A.Turismo, Comércio e Indústria (CNPJ: 27.075.753/0001-12);

– Viação Caiçara Ltda.(CNPJ: 11.047.649/0001-84) – marca fantasia: Kaissara

A Suzantur, originária do setor de fretamento, tem como sócio principal o empresário Claudinei Brogliato.

Atualmente a empresa opera linhas urbanas nas seguintes cidades:

– Santo André (Grande São Paulo): Sistema tronco-alimentado de Vila Luzita – em caráter provisório desde 2016 porque a prefeitura ainda não lançou uma nova licitação para conceder este sistema que era operado pela Expresso Guarará. O sistema Vila Luzita, individualmente, atende a maior demanda de passageiros de Santo André;

– Diadema (Grande São Paulo): Todas as linhas municipais por concessão (aquisição das operações da Benfica e MobiBrasil);

– Mauá (Grande São Paulo): Todas as linhas municipais por concessão;

– Ribeirão Pires (Grande São Paulo): Todas as linhas municipais por concessão (aquisição das operações da Rigras);

– São Carlos (Interior de São Paulo): Todas as linhas depois de operações emergenciais com a saída da empresa Athenas Paulista em 2016. O Grupo Suzantur foi considerado vencedor na licitação do sistema em 1º de setembro de 2022, para assumir contrato de 10 anos prorrogáveis por mais 10 anos. O Grupo participou da concorrência com o nome da Rigras, de Ribeirão Pires. Em 1º de maio de 2023, entretanto, a empresa deixa de operar e assume as linhas a Sacentur (Santa Cecília Transportes e Turismo) – SOU.

O dia 04 de março de 2023, um sábado, marcou o retorno oficial da Itapemirim/Kaissara pela Suzantur por meio de arrendamento autorizado pela Justiça. A primeira viagem foi de São Paulo a Curitiba, saindo do Terminal Rodoviário do Tietê, na zona Norte de São Paulo às 7h. O Diário do Transporte acompanhou a saída do ônibus às 5h30 da garagem de Santo André, no ABC Paulista, que fica na Avenida Queirós dos Santos com a Rua Luís Pinto Fláquer, no centro, próximo da linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). O primeiro ônibus de prefixo 50126 é um Marcopolo Paradiso de dois andares, com categoria leito na parte inferior e semi-leito na parte superior. O Diário do Transporte conversou com o motorista Francisco Carlos Alves, que já trabalhou por 10 anos na viação Itapemirim, ainda na administração da família de Camilo Cola, e agora está neste retorno. O profissional também atuou em grandes empresas como Gontijo e Cometa.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/03/04/em-primeira-mao-video-confira-o-primeiro-onibus-e-o-primeiro-motorista-que-marcam-o-retorno-da-viacao-itapemirim-kaissara-sobre-arrendamento-da-suzantur/

OS PRIMEIROS EURO 6:

A Suzantur confirmou ao Diário do Transporte de forma oficial em 14 de abril de 2023, a compra para a Itapemirim/Kaissara das primeiras seis unidades de chassis de ônibus que seguem o padrão de motores Euro 6.

Os veículos deste padrão emitem, em geral, 75% menos de poluição e conseguem ter um consumo menor de óleo diesel e um desempenho melhor em relação aos modelos da tecnologia anterior Euro 5. O novo padrão internacional se tornou obrigatório no Brasil em janeiro deste ano.

Os chassis já recebem na Marcopolo, em Caxias do Sul (RS), carrocerias do modelo Paradiso 1800 DD (de dois andares) G8 (oitava geração).

As linhas que receberão os novos ônibus ainda serão definidas.

De acordo com a companhia do ABC Paulista, as seis unidades são da marca Scania, modelo K 410 – 6X2 (três eixos, seis rodas com tração em duas delas).

A Suzantur, que possui sede em Santo André (SP), opera as linhas que eram de responsabilidade da Itapemirim/Kaissara, que faliram, por meio de arrendamento judicial.

EXCLUSIVO: Confira os novos ônibus “leito-cama” da Itapemirim que ainda estão em linha de produção na Marcopolo

Suzantur promete mais investimentos em veículos e infraestrutura e vai ampliar categoria de serviços com as unidades deste ano

ADAMO BAZANI

Colaboraram Willian Moreira e Alexandre Pelegi

A Suzantur vai ampliar ainda neste ano de 2023 os investimentos em mais veículos e infraestrutura para retomar as operações de linhas que eram autorizadas às Viações Itapemirim e Kaissara.

A informação é da própria empresa que, na manhã deste sábado, 08 de julho de 2023, divulgou com exclusividade ao Diário do Transporte, imagens dos ônibus de dois andares com categoria leito-cama. (A solicitação é que blogs e canais de Youtube creditem a informação ao Diário do Transporte em referências sobre o material).

Vale ressaltar que não são imagens “vazadas” ou feitas sem autorização. O material foi produzido pela empresa para o Diário do Transporte.

Neste lote, como já havia antecipado a reportagem, são seis veículos. Os ônibus vão oferecer aos passageiros a categoria leito-cama; Cada veículo é configurado com oito poltronas que possibilitam reclinação total na parte inferior e 46 assentos no piso superior, do tipo semi-leito.

Na parte inferior, além de reclinação total nas poltronas, os passageiros vão contar com serviço diferenciado que oferece lanche, bebida não alcóolica, mantas, canais individuais para entretenimento por áudio e vídeo, iluminação especial entre outros itens de conforto.

Em ambos os andares, os ônibus oferecem nas poltronas os seguintes itens: porta-copos, entradas do tipo USB para carregamento de baterias de celulares; notebooks e outros dispositivos móveis em casa assento; apoio para descanso de pernas; regulagens em diferentes posições de reclinação entre outros.

Geladeiras com água à vontade para os passageiros, sanitário, ar-condicionado com regulagem de saída individuais, iluminação para relaxamento visual, interfone para comunicação com o motorista também fazem parte do pacote presente no modelo dos ônibus para as duas categorias de serviço.

As carrocerias são produzidas pela Marcopolo em Caxias do Sul (RS) e o modelo é Paradiso 1800 DD (Double Decker) – Geração 8.

Os chassis foram produzidos pela Scania, em São Bernardo do Campo (SP), modelo K410 6×2 (três eixos), no padrão Euro 6 de motores a diesel, cuja produção no Brasil se tornou obrigatória em janeiro de 2023.  Este padrão internacional de emissões reduz a poluição em média em 75% em comparação com os modelos de geração anteriores Euro 5.

Este tipo de chassi, além de suspensão pneumática e controle individual de tração, oferece pacotes de segurança com atuação semiautônoma para redução de acidentes, porém, com comando total do motorist (veja mais detalhes mais abaixo)

“Ao longo de sua história, a Itapemirim sempre se destacou por oferecer serviços diferenciados, ampla gama de opções aos passageiros e viagens com conforto e segurança. Nesta nova fase da marca, tudo isso será retomado. A marca Itapemirim gradativamente vai voltar a ser uma das principais no transporte na América Latina e quem ganha com isso é o passageiro: mais serviços, mais opções e uma atuação saudável no mercardo” – promete a empresa.

As viações Itapemirim e Kaissara tiveram a falência decretada em 21 de setembro de 2022. Na mesma decisão, a Justiça de São Paulo autorizou que a Suzantur, do ABC Paulista, na Região Metropolitana de São Paulo, opere as linhas por meio de arrendamento por um ano renovável por mais outro.

A Suzantur diz que com os novos ônibus serão ampliadas as opções das categorias de serviços para os passageiros.

Mais ônibus zero quilômetro e seminovos serão incorporados à frota, mas as quantidades e modelos ainda terão divulgação oficial. Até lá, todas as supostas informações são especulações.

Segundo a empresa, as linhas de montagem da encarroçadora Marcopolo, na cidade de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, estão a todo vapor para atender a alta demanda do mercado, reflexo ainda de antecipações de compras do ano passado por outras empresas que ainda optaram por comprar chassis Euro 5.

O Diário do Transporte mostrou nesta sexta-feira, 07 de julho de 2023, que a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou o balanço da indústria automotiva referente ao primeiro semestre do ano.

No mercado de ônibus, há duas realidades: enquanto a produção caiu 28,4%, com 9.539 chassis saindo das linhas de montagem no acumulado entre janeiro e junho de 2023, os emplacamentos subiram 54,9 %. No primeiro semestre de 2023, foram licenciados 11.322 ônibus.

Como há uma diferença de três a seis meses entre a compra dos ônibus e o emplacamento, é compreensível o fato de a produção de chassis estar em baixa, mas com filas nas encarroçadoras e alta nos emplacamentos. Muitos chassis do ano passado ainda estão recebendo as carrocerias e sendo emplacados.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/07/07/primeiro-semestre-de-2023-acumula-queda-de-284-na-producao-de-onibus-no-brasil-diz-anfavea-nesta-sexta-07-2/

A Suzantur e a Marcopolo possuem uma parceria de longa data.

A maior parte da frota dos ônibus urbanos da empresa é da marca e, neste segmento, a companhia deve realizar neste ano de 2023 mais renovações também.

A Suzantur atualmente opera no ABC Paulista, atuando nas cidades de Santo André, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires, somente em sistemas municipais.

A empresa também foi a primeira a testar em campo o modelo Attivi Elétrico Padron de 12m, o inédito ônibus elétrico de produção integral da Marcopolo, ao fazer o trajeto de uma linha troncal em Santo André, entre um dos bairros mais populosos da cidade e a região central: TR 103 (Terminal Vila Luzita/Terminal Santo André) – via Coronel Alfredo Fláquer (Perimetral).

Veja mais fotos e vídeos dos novos ônibus leito-cama (Diário do Transporte):

ENTREVISTA: Incentivos à renovação de frota de ônibus e caminhões podem ser permanentes, diz Alckmin em encontro com Mercedes-Benz, Itapemirim/Suzantur e Marcopolo

MP não estava decolando para veículos pesados; Com 60 rodoviários para a Itapemirim e 90 urbanos para Suzantur pelo Programa, outros grandes empresários devem avaliar a possibilidade de compra de usados, espera Governo Federal

ADAMO BAZANI

OUÇA:

Os incentivos à renovação de frota de veículos comerciais pesados podem se tornar permanentes.

É o que disse na manhã desta sexta-feira, 14 de julho de 2023, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin em encontro com a fabricante de chassis e motores, Mercedes-Benz, com a produtora de carrocerias Marcopolo e com a operadora de ônibus urbanos e rodoviários, Suzantur/Itapemirim.

O evento ocorreu na fábrica da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e teve cobertura do Diário do Transporte.

Alckmin disse que, por enquanto, a possibilidade de uma política mais duradoura de incentivos não é pensada para veículos leves.

“No caso dos veículos leves, foi transitório mesmo. No momento em que os juros estão muito altos, as pessoas têm dificuldade de comprar o carro. Foi dado um apoio para tirar o estoque e as fábricas não pararem. Foi um sucesso, esgotaram os R$ 800 milhões em um mês praticamente. Nós tivemos um recorde histórico. No dia 30 de junho, foram quase sete mil veículos vendidos. No caso de caminhão e ônibus, nós estamos estudando fazer uma coisa mais permanente” – disse Alckmin ao reconhecer que mudança de tecnologia de motores encarece os veículos, deixando o mercado desaquecido na transição.

A tecnologia com base nas normas internacionais Euro 6 entraram em vigor no Brasil em janeiro deste ano. A redução de emissões é de cerca de 75%, mas os valores dos ônibus e caminhões subiram em até 30%.

Como mostrou o Diário do Transporte, em primeira mão, por meio do Programa de Renovação de Frota, instituído pela MP 1175/2023, o Grupo Suzantur/Itapemirim anunciou a compra de 150 ônibus zero quilômetro.

São 90 unidades Mercedes-Benz de urbanos (Marcopolo Torino/OF 1721 L – Euro 6) para a Suzantur operar em cidades do ABC Paulista (Santo André, Mauá, Diadema e Ribeirão Pires) e 60 ônibus rodoviários para a Nova Itapemirim operar em linhas interestaduais, sendo 20 Mercedes-Benz (carrocerias Marcopolo Paradiso 1350 – Geração 8), 20 Volvo (carrocerias Marcopolo Paradiso, de dois andares, 1800 DD – Geração 8) e 20 Scania (também carrocerias Marcopolo Paradiso, de dois andares, 1800 DD – Geração 8)

Segundo o empresário Claudinei Brogliato, dono da Suzantur/Nova Itapemirim, por causa da adesão ao programa, o volume de compra de ônibus novos para este ano de 2023 projeto por suas companhias, mais que dobrou.

“Tínhamos inicialmente, a intenção de compra de 60 ônibus para este ano [entre urbanos e rodoviários]. Com esta MP, obtivemos a chance de ampliar este plano, mais que dobramos. Serão 150 ônibus” – disse Brogliato.

O Grupo Suzantur/Itapemirim está fazendo uso de uma possibilidade prevista numa alteração da MP para ônibus e caminhões.

A troca direta pelo proprietário do ônibus e caminhão com 20 anos ou mais não estava sendo bem sucedida. Quem tem um veículo desta idade, não possui condições de comprar um zero quilômetro, já que o ônibus ou caminhão antigo precisam ser despachados para a sucata.

Com a possibilidade, donos de transportadoras de passageiros e cargas maiores podem comprar os veículos antigos dos empresários menores, despacharem para a sucata e ganharem o desconto que pode variar de R$ 33,6 mil para micro-ônibus e caminhões leves até R$ 99,4 mil para ônibus rodoviários de alto padrão e caminhões extrapesados, cujos valores podem chegar até R$ 1,8 milhão dependendo da configuração.

Além da indústria e os grandes empresários se beneficiarem, os pequenos empresários e empresas regulares de sucateamento agora devem ter vantagens.

– O pequeno empresário dificilmente conseguiria comprar um ônibus ou caminhão 0 km direto. Mas vendendo o veículo para um empresário maior, ele vai conseguir adquirir um modelo ao menos mais novo do que o que ele tinha.

– O “sucateiro” regular vai ter um volume de trabalho que não teria caso não houvesse esta possibilidade.

– O empresário maior pode encontrar no mercado, caminhões e ônibus com valores inferiores ao desconto. Logo, vai gastar um valor inferior na compra e despacho do veículo que o valor do desconto. Vai ter lucro.

– Não é necessário levar o ônibus ou caminhão para a região onde é a sede da empresa. É possível despachar o veículo antigo na região onde ele está. Assim, não há custo logístico para o transporte. A Suzantur/Itapemirim está comprando ônibus velhos em todo o País.

– A indústria se beneficia porque vai vender mais. No caso da Suzantur/Itapemirim, por exemplo, o plano de renovação de frota para este ano passou de 60 ônibus para 150, entre urbanos e rodoviários.

Para a Suzantur, os descontos vão variar entre R$ 70 mil (urbanos maiores) e R$ 99,4 mil (rodoviários de alto padrão).

O Governo Federal admite que a compra pelo Grupo Suzantur/Itapemirim vai ajudar na promoção do programa, que até agora não deslanchou para veículos pesados.

Desde a publicação da MP em 05 de junho de 2023, nem 20% dos R$ 700 milhões disponíveis para os caminhões foram utilizados, de acordo com dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). No caso dos ônibus, menos da metade dos R$ 300 milhões foram utilizados. Em relação aos carros, para os quais não havia exigência de sucateamento, os R$ 800 milhões disponíveis se esgotaram em 07 de julho de 2023.

O CEO da Marcopolo, James Bellini, disse no evento que teve cobertura do Diário do Transporte que a indústria espera uma ampliação do programa e que os primeiros a serem beneficiados são os trabalhadores.

“O segmento de veículos comerciais é muito ligado a aspectos sociais e todo incentivo a este setor tem um reflexo muito direto no dia a dia da população. Esperamos uma política além de uma medida provisória, que, claro, não se pode negar que neste momento, é muito importante” – disse.

O diretor de vendas e marketing ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, Walter Barbosa, disse que há vários caminhos para que o Governo seja convencido dos benefícios da criação de uma política permanente de incentivo a veículos pesados.

“Eu vejo vários caminhos. Um deles é promover mais eventos como este de hoje, com a presença de autoridades públicas. Além disso, envolver a Anfavea, que representa toda a indústria. Com isso, mostrar para o Governo Federal a importância de um programa permanente e evitar que mais para frente ocorra uma retração de demanda, com investidores esperando um novo programa para que haja uma renovação. Tudo que é provisório, do ponto de vista de incentivos, achamos que pode ser melhorado. Se virar permanente, o Brasil vai viabilizar mais investimentos e programar melhor estes investimos” – disse.

O vice-presidente de Vendas e Marketing Caminhões e Ônibus da Mercedes-Benz, Roberto Leoncini, disse acreditar que após o exemplo da Suzantur/Itapemirim, mais empresários maiores devem procurar os menores.

O que a Suzantur/Itapemirim está fazendo é um exemplo para o mercado. Se houver uma extensão do programa, isso pode virar uma cultura permanente muito positiva. Teremos nas ruas e estradas, ônibus e caminhões mais novos, mais eficientes, mais seguros e menos poluentes. Até para a redução de acidentes nas estradas haverá um benefício muito grande” – disse.

VEJA TAMBÉM AS SEGUINTES REPORTAGENS DO DIÁRIO DO TRANSPORTE SOBRE O TEMA:

*ENTREVISTA – ITAPEMIRIM: Claudinei Brogliato detalha compra de 60 rodoviários, fala de novas linhas, modelos, mais veículos seminovos e diz: Suzantur veio para ficar no setor interestadual*

_Serão 90 urbanos também.; *Diário do Transporte* participou de evento na Mercedes-Benz e indústria diz que incentivo à renovação de frota precisa ser programa permanente_

*ADAMO BAZANI*

*Colaboraram Arthur Ferrari e Willian Moreira*

https://diariodotransporte.com.br/2023/07/14/entrevista-itapemirim-claudinei-brogliato-detalha-compra-de-60-rodoviarios-fala-de-novas-linhas-modelos-mais-veiculos-seminovos-e-diz-suzantur-veio-para-ficar-no-setor-interestadual/

Grupo Suzantur/Itapemirim anuncia a compra de 150 ônibus no âmbito do Programa de Renovação da Frota do Governo Federal nesta sexta (14)

Segundo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, é a primeira grande aquisição de veículos comerciais pesados no pacote

ADAMO BAZANI

https://diariodotransporte.com.br/2023/07/14/grupo-suzantur-itapemirim-anuncia-a-compra-de-110-onibus-no-ambito-do-programa-de-renovacao-da-frota-do-governo-federal-nesta-sexta-14/

NOVA GARAGEM

EXCLUSIVO – Conheça a nova garagem da Itapemirim na zona Norte da Capital Paulista que começou a funcionar neste sábado (15)

“De acordo com empresa, espaço facilita a logística, além de melhorar a infraestrutura para os funcionários, já que possui alojamentos

ADAMO BAZANI

Colaborou Willian Moreira

A Suzantur/Nova Itapemirim enviou com exclusividade para o Diário do Transporte imagens da nova garagem que começou a funcionar neste sábado, 15 de julho de 2023.

Como havia anunciado a reportagem, o local possui cerca de cinco mil metros quadrados e mais espaço para a frota que será ampliada em comparação à garagem que funcionava na cidade de Santo André, no ABC Paulista.

Como mostrou o Diário do Transporte, nesta sexta-feira (14), o empresário Claudinei Brogliato disse que estima até o fim do ano cerca de 140 ônibus em operação, com crescimento ainda maior da quantidade em 2024.  A declaração foi feita durante o anúncio da compra de 150 ônibus 0 km dentro do programa de estímulo do Governo Federal de renovação de frota previso pela MP (Medida Provisória 1175). São 90 veículos urbanos para a Suzantur e 60 rodoviários para a Itapemirim. Ainda serão incluídos mais 20 ônibus seminovos. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/07/14/entrevista-itapemirim-claudinei-brogliato-detalha-compra-de-60-rodoviarios-fala-de-novas-linhas-modelos-mais-veiculos-seminovos-e-diz-suzantur-veio-para-ficar-no-setor-interestadual/

Segundo a empresa, o espaço facilita a logística, além de melhorar a infraestrutura para os funcionários, já que possui alojamentos para os motoristas descansarem. Refeitório e área de descanso rápido também são destinados aos funcionários, que contarão com sanitários e chuveiros.

A garagem, que é alugada e ocupa o espaço que era utilizado pela empresa Reunidas Caçador, de transportes rodoviários também, fica a 7 km do Terminal Rodoviário do Tietê. O pátio de Santo André estava a 23,5 km.

Ainda de acordo com a Nova Itapemirim, o novo espaço já é adaptado para empresa de transporte de passageiros, mas estão sendo feitos ajustes e implantadas reformas, incluindo pintura.

Áreas específicas para manutenção mecânica, manutenção elétrica, funilaria, lavação, áreas administrativas, alojamento para os motoristas e demais funcionários compõem o novo endereço.

O espaço também é mais protegido em relação à garagem de Santo André, que tinha apenas cercas laterais, e possui uma recepção e portarias mais estruturadas para dar maior segurança a funcionários, visitantes e ao patrimônio.

Sistemas de câmeras e monitoramento em tempo real e remoto ampliam a segurança e o controle dos acessos.

A área de manobra é maior também, o que reduz eventuais acidentes com pequenos danos, como riscos em lataria e quebra de retrovisores.

A empresa explicou que toda a estrutura ainda está em mudança, por isso, a garagem ainda não está como o planejado, o que vai ser finalizado nas próximas semanas.

O endereço da nova sede é: R. Nélson Francisco, 66, no bairro do Limão.

Veja mais imagens:

(Não são fotos vazadas ou feitas por funcionários sem autorização da diretoria)

VEJA TAMBÉM AS SEGUINTES REPORTAGENS DO DIÁRIO DO TRANSPORTE SOBRE O TEMA:

*ENTREVISTA – ITAPEMIRIM: Claudinei Brogliato detalha compra de 60 rodoviários, fala de novas linhas, modelos, mais veículos seminovos e diz: Suzantur veio para ficar no setor interestadual*

_Serão 90 urbanos também.; *Diário do Transporte* participou de evento na Mercedes-Benz e indústria diz que incentivo à renovação de frota precisa ser programa permanente_

*ADAMO BAZANI*

*Colaboraram Arthur Ferrari e Willian Moreira*

https://diariodotransporte.com.br/2023/07/14/entrevista-itapemirim-claudinei-brogliato-detalha-compra-de-60-rodoviarios-fala-de-novas-linhas-modelos-mais-veiculos-seminovos-e-diz-suzantur-veio-para-ficar-no-setor-interestadual/

Grupo Suzantur/Itapemirim anuncia a compra de 150 ônibus no âmbito do Programa de Renovação da Frota do Governo Federal nesta sexta (14)

Segundo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, é a primeira grande aquisição de veículos comerciais pesados no pacote

ADAMO BAZANI

https://diariodotransporte.com.br/2023/07/14/grupo-suzantur-itapemirim-anuncia-a-compra-de-110-onibus-no-ambito-do-programa-de-renovacao-da-frota-do-governo-federal-nesta-sexta-14/

 

VÍDEO (com detalhes e entrevistas) e VÁRIAS FOTOS

Saiba como foi parecer do Ministério Público em processo da ANTT contra o arrendamento das linhas da Itapemirim/Kaissara para a Suzantur

Órgão citou caso da Varig que teve linhas assumidas pela VGR (classificada como “Nova Varig”) e depois arrematadas pela GOL

ADAMO BAZANI

Em manifestação num processo que a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) moveu contra o arrendamento das linhas das empresas rodoviárias falidas Itapemirim e Caiçara (Kaissara) para a Suzantur, o MPSP (Ministério Público de São Paulo) não se opôs a esta transferência.

O parecer é de 21 de abril de 2023 e o Diário do Transporte teve acesso na íntegra nesta quinta-feira, 27 de julho de 2023.

O processo ainda não foi encerrado.

O Grupo Itapemirim teve a falência decretada em 21 de setembro de 2022 e, na mesma decisão, a Justiça de São Paulo autorizou a Suzantur, empresa de ônibus do ABC Paulista, a operar as linhas em forma de arrendamento. Após uma queda de braço com a ANTT na Justiça, a Suzantur começou a operar em 04 de março de 2023 e ainda está assumindo gradativamente os serviços.

A ANTT sustentou que as linhas não deveriam ser arrendadas à Suzantur e para ninguém, uma vez que linhas de ônibus interestaduais são autorizadas às empresas pela União e não pertencem à nenhuma companhia. Ou seja, são do Estado.

Para a ANTT, uma vez que determinada a falência de qualquer empresa, suas linhas devem ser extintas.

A Suzantur, por sua vez, alegou que as operações das linhas gerariam recursos aos credores do Grupo Itapemirim e apontou que a ANTT estava criando obstáculos para o início na época, classificando a postura dos servidores da agência como “resistência injustificada”

No parecer, a procuradora de Justiça Maria Cristina Pera João Moreira Viegas criticou os termos usados contra a ANTT e disse que não se pode impedir que uma agência atue em seu trabalho de regular um serviço a todos os operadores rodoviários, porém, não se opôs às operações por arrendamento.

De fato, não cabe aqui analisar se as linhas anteriormente operadas pelo Grupo Itapemirim constituem ou não ativo da massa falida, posto que a decisão agravada nada dispõe a esse respeito, restringindo-se a determinar que a ANTT dê cumprimento ao arrendamento autorizado pelo juízo, impondo penalidades em caso de descumprimento. Nesse sentido, a própria agravante destaca que vem adotando todas as medidas ao seu alcance para assegurar o cumprimento do comando jurisdicional, na forma da legislação federal e regulatória aplicável a todos os operadores do transporte rodoviário interestadual.

A procuradora, entretanto, destacou que o assunto das operações gera dúvidas e citou caso da Varig que teve linhas assumidas pela VGR (que foi classificada como “Nova Varig”). A procuradora ainda salientou que operar linhas de uma empresa falida não significa sucessão empresarial ou assunção de dívidas, já que tratam-se de companhias diferentes.

O tema é bastante tormentoso e, desde logo, se destaca que decisões pretéritas sobre os slots das companhias aéreas falidas, que muito se assemelham às linhas das transportadoras de passageiros, foram transferidos aos adquirentes.

Confira-se enxerto do RECURSO ESPECIAL Nº 1.542.442 – SP, rel. LUIS FELIPE SALOMÃO, j. 04.04.2020.

(…)

No caso, figura como devedor a empresa “S.A. VIAÇÃO AÉREA RIO GRANDENSE” (massa falida) que é completamente distinta da empresa “GOL – Linhas Aéreas Inteligentes S.A.”.

Não há como se reconhecer a existência de sucessão porque aquela continua tendo existência própria.

É verdade que muito se discute sobre o tema, havendo entendimento em sentido contrário, fruto mais de confusão.

Com efeito, como acontece muitas vezes ou sempre com bancos em situação financeira difícil, a parte “boa” da VARIG foi vendida em leilão e adquirida pelo fundo de investimento americano “Marin Paterson”, daí resultando o nascimento da empresa “VRG Linhas Aéreas” que ficou com o direito aos “slots” da VARIG, ou seja, direitos de pouso e decolagens nos aeroportos.

O modelo atual rodoviário se assemelha ao já aplicado há mais tempo no setor aéreo, com linhas liberadas por modelo de autorização e permissão para a realização de embarques e desembarques e vendas de passagens.

CASO VARIG:

Criada em 07 de maio de 1927, a Varig (Viação Aérea Rio-Grandense), após estar mergulhada numa grave crise financeira que teve início na década dos anos de 1990, deixou de operar com a formação societária em 2006. Com dívidas à época de R$ 5,7 bilhões, teve a recuperação judicial decretada em 22 de junho de 2005.

Em novembro de 2005, a empresa aérea TAP Portugal com investidores brasileiros, arrematou o que se chamava de “parte boa da Varig”, comprando a Varig Log e a Varig Engenharia e Manutenção.

Houve contestação do negócio por parte de credores.

Foi criada em agosto de 2006 a VRG Linhas Aéreas, conhecida como Nova Varig que começou a operar no mesmo ano as linhas que eram da Varig.

A Nova Varig foi então vendida para Volo do Brasil, que era uma sociedade de empresários brasileiros com um fundo americano que havia comprado a subsidiária de cargas

Em 2007, a VRG foi vendida para a GOL Linhas Aéreas, com as operações.

Até 2008 eram empresas diferentes, mas a VRG foi incorporada no fim daquele ano.

A falência da Varig “original” foi decretada em 20 de agosto de 2010.

Não foi reconhecida a sucessão empresarial da Varig pela GOL, não sendo então a GOL responsabilizada pelos débitos da Varig.

CAMILO COLA

Se estivesse vivo, no último dia 26 de julho de 2023, o empresário Camilo Cola completaria 100 anos de idade. E por pouco, não completou seu centenário em vida.

Camilo Cola morreu em 29 de maio de 2021, aos 97 anos, na cidade de Cachoeiro do Itapemirim (ES), de causas naturais.

Sua morte gerou comoção no estado e despertou lembranças no mundo rodoviário de passageiros, onde mais se destacou.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/05/30/camilo-cola-fundador-da-itapemirim-morre-aos-97-anos/

No setor de transportes de passageiros, Camilo Cola é sinônimo de empreendedorismo e inovação.

Na realidade, o filho dos imigrantes italianos Pedro Cola e Virgínia Sossai, que chegaram ao Sul do Espírito Santo por volta 1888, foi mais que um empresário de ônibus.

Cola contribuiu para criar inovações ou dar escala a soluções  que mudaram de vez o transporte rodoviário de passageiros como os ônibus Tribus (de três eixos), diferentes categorias de serviços de ônibus numa mesma linha, rotas de grande abrangência, a diversificação para os setores de cargas e aéreo, e o uso das pinturas nos veículos com o intuito de passar a imagem de um serviço exclusivo e para criar uma identidade com o público.

O empresário também criou indústrias de carrocerias e chassis de ônibus.

Além disso, o atual modelo de operações rodoviárias interestaduais por autorizações linha por linha tem muito da participação de Camilo Cola que se colocou frontalmente contra às tentativas de licitação dos serviços pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) entre os anos de 2008 e 2015. A agência chamou as tentativas de licitação e reordenamento da malha rodoviária de ProPass Brasil.

Um dos porta-vozes da família Cola contra a licitação foi o executivo Hugo de Faveri, diretor à época da Viação Itapemirim, empresa fundada por Camilo Cola.

No dia 16 de dezembro de 2013, Hugo de Faveri concedeu uma entrevista sobre o tema ao Diário do Transporte, à época chamado Blog Ponto de Ônibus juntamente com a Rádio CBN de São Paulo, na qual ressaltava o modelo de autorizações individuais por linhas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2013/12/16/especial-alternativas-para-a-licitacao-das-linhas-rodoviarias-pela-antt/

Antes de entrar para o segmento de transportes, Cola foi combatente da FEB (Força Expedicionária Brasileira) na Segunda Guerra Mundial. O jovem, que havia se alistado no Exército anda com 18 anos, integrou o pelotão que expulsou os alemães de Monte Castello, no Norte da Itália, em 1945.

No Brasil, Camilo Cola fundou a empresa que chegou a ser a maior companhia de ônibus da América Latina e uma das maiores do mundo: a Viação Itapemirim.

Foi dono também de outra empresa icônica: Nossa Senhora da Penha.

A venda da Penha para o grupo do empresário Constantino de Oliveira, no ano de 2007, também rendeu uma polêmica jurídica, como mostrou o Diário do Transporte.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/07/12/exclusivo-justica-condena-familia-cola-a-pagar-r-36-milhoes-por-corretagem-de-transferencia-da-penha-para-a-familia-constantino/

A Viação Itapemirim foi criada em 04 de julho de 1953, mas Cola antes disso já atuava no segmento de transportes.

Em 1946, ao retornar da Segunda Guerra Mundial para Cachoeiro do Itapemirim (ES), Camilo Cola juntou o dinheiro que recebeu do Exército e o que conseguiu vendendo cigarros para seus colegas de farda e comprou um caminhão Ford Hercules e passou a transportar cargas e passageiros.

No pós-guerra, as nações que não foram palco do conflito apresentavam potencial de crescimento, principalmente urbano com o início de uma nova era da industrialização. Assim, o transporte de mercadorias e pessoas se tornava cada vez mais importante.

Camilo Cola entendeu e aproveitou o movimento.

Em 1948, após ser transportador de cargas em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, Camilo Cola se associou a comerciantes locais dando origem a ETA – Empresa de Transportes Autos, que com apenas um ônibus ligava os municípios de Castelo e Cachoeiro do Itapemirim. A ETA, que crescia junto com a elevação do número de passageiros, era o embrião da Viação Itapemirim, criada oficialmente em 4 de julho de 1953.

Todas as inovações, que você leu no início da reportagem, ocorreram no comando da Viação Itapemirim.

Mas Camilo Cola não teve apenas uma vida de empresário. O capixaba também se envolveu na política, sendo deputado federal por diferentes legislaturas, e como representante de classe.

A Câmara dos Deputados destacou as principais atividades de Cola na vida pública:

Mandatos (na Câmara dos Deputados):

Deputado(a) Federal – 2007-2011, ES, PMDB, Dt. Posse: 01/02/2007; Deputado(a) Federal – 2011-2015, ES, PMDB, Dt. Posse: 08/02/2011.

Atividades Profissionais e Cargos Públicos:

Fundador, Viação Itapemirim S.A.; Fundador, Flecha S.A. Turismo Comércio e Indústria; Fundador, São Mateus Diesel Serviços e Autos Ltda.; Fundador, Estação Rodoviária Cachoeira do Itapemirim S.A.; Fundador, Construções e Participações Sociais Ltda.; Fundador, Itabira Administradora e Corretora de Seguros Ltda.; Fundador, Tecnobus Serviços Comércio e Indústria Ltda.; Ex-Administrador, Cola Representações Indústria e Comércio Ltda.; Fundador, MC Massad Cola Empreendimentos e Participações Ltda.; Fundador, Massad Cola Marketing e Comunicação Ltda.; Fundador, Cola Comercial e Distribuidora Ltda.; Fundador, Gráfica e Editora Itabira Ltda.; Fundador, Itapemirim Turismo Agência de Viagens e Despachos Ltda.; Fundador, Complexo Agroindustrial Pindobras Ltda.; Fundador, Imobiliária Bianca Ltda.; Fundador, Itapemirim Informática Ltda.; Fundador, Marbrasa Mámores e Granitos do Brasil Ltda..

Atividades Sindicais Representativas de Classe Associativas e Conselhos:

Sócio Fundador, Associação Comunitária do Espírito Santo (ACES), 1984; Presidente, CNTT, 1987-1990.; Presidente, Conselho Diretor da ACES, 1984-1985; Vice-Presidente, Conselho Diretor da ACES, 1985-2006.

POLÊMICAS:

Fazenda e Suspeita de Trabalho Escravo:

Uma das páginas que levaram o nome de Cola à polêmica foi da Fazenda Pindobas.

Uma apuração do Ministério Público do Trabalho em 2011 constatou que na propriedade de Cola que atuava na área florestal, com a produção de eucaliptos, diversos trabalhadores eram submetidos a condição análoga à escravidão.

O Ministério do Trabalho chegou a colocar o nome do Grupo Itapemirim na lista-suja de trabalho escravo.

Cola, entretanto, se defendeu dizendo que desconhecia as irregularidades e que os trabalhadores foram contratados por uma empresa terceirizada.

Kaissara

Outra polêmica se refere à criação da marca Viação Kaissara, em 2009, da Viação Caiçara

Como mostrou o Diário do Transporte, em 04 de junho de 2015, a Viação Kaissara assumiu 68 linhas que eram da Itapemirim, correspondendo a 40% das operações, contanto as linhas mais lucrativas, como de São Paulo ao Rio de Janeiro e a Curitiba.

A Itapemirim já estava altamente endividada.

Na época, chegou até a dar entrevistas, inclusive para o Diário do Transporte, Fernando Santos, que se apresentava como diretor de operações da Kaissara.

Sua narrativa inicial era tentar demonstrar que a Kaissara era desvinculada da Itapemirim, mas Santos não informava quem seria então o dono da empresa. Fernando Santos só se limitava a dizer que a Kaissara era de um grupo de empresários do Espírito Santo.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2015/06/12/exclusivo-diretor-da-kaissara-itapemirim-adamo/

A narrativa não se sustentava.

Em 11 de outubro de 2015, com salários atrasados e sem direitos pagos, os trabalhadores das Viações Itapemirim e Kaissara entraram em greve e denunciaram que a transferência das linhas para a Kaissara seria uma manobra da família Cola para colocar os serviços mais lucrativos no nome de uma empresa que teria menos problemas judiciais e financeiros, nos quais a Itapemirim se afundava mais a cada ano.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2015/10/11/greve-coloca-em-duvidas-declaracao-de-diretor-da-kaissara-sobre-independencia-da-itapemirim/

Já na recuperação judicial da Itapemirim, em janeiro de 2017, a 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória, que até então era responsável pelo processo antes da transferência para a Justiça de São Paulo, incluiu a Kaissara na recuperação da Itapemirim.

Para a Justiça, apesar das tentativas de se mascarar e criar uma falsa independência entre as duas empresas, havia sérios indícios do uso de “laranjas”, sendo comprovado que Itapemirim e Kaissara eram do mesmo grupo empresarial.

“Analisando detidamente toda a documentação é de fácil constatação que as pessoas físicas que compõem o quadro societário da Viação Caiçara Ltda não possuem condições econômicas de constituir o patrimônio societário, avaliado em mais de R$ 100 milhões, levando em consideração a cessão de linhas/itinerários em número de 68; aquisição de frota e imóveis. Para chegar a esta conclusão destaco que ambos os sócios são empregados de empresas que compõem o grupo econômico Itapemirim”, mostrou à época a 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória.

Fim da Itapemirim:

O fim da Viação Itapemirim também envolve o nome de Camilo Cola em outra polêmica.

Em 07 de março de 2016, o Grupo Itapemirim entrou com pedido de recuperação judicial, na época com uma dívida de mais de R$ 300 milhões, sendo que grande parte era de débitos trabalhistas, além de fornecedores e credores estrangeiros.

Em 17 de fevereiro de 2017, Camilo Cola dava entrevista à imprensa dizendo que a continuaria à frente da Viação Kaissara mas que havia vendido o Grupo Itapemirim para empresários de São Paulo, como mostrou o Diário do Transporte à época.

Em entrevista à Gazeta, do Espírito Santo, filiada à TV Globo, o fundador da empresa, Camilo Cola, hoje com 93 anos, disse que a Viação Itapemirim foi vendida, mas que a família continua no controle da Kaissara.

“Vendemos a Itapemirim. Quem comprou foi um grupo empresarial. Eles ficaram com a Itapemirim e nós ficamos com a Kaissara. Eles ficaram com as linhas curtas e nós, com as longas. Eles assumiram toda a dívida”, disse o empresário, que fundou a empresa em 1953, em Cachoeiro de Itapemirim.

De acordo com a reportagem, a Viação Itapemirim foi comprada pelos empresários de São Paulo, Sidnei Piva de Jesus, Milton Rodrigues Junior e Camila de Souza Valdívia – que foi nomeada presidente da companhia.

A compra ocorreu por meio das empresas Ssg Incorporação e Assessoria, de propriedade de Sidnei Piva de Jesus e a Csv Incorporação e Assessoria Empresarial, de Camila de Souza Valdívia, ambas localizadas em São Paulo.

O objeto social das duas empresas engloba atividades de consultoria e auditoria contábil e tributária e incorporação de empreendimentos imobiliários, de acordo com a Junta Comercial de São Paulo. A Csv também atua em consultoria em gestão empresarial e de publicidade.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/02/18/itapemirim-foi-vendida-para-grupo-de-sao-paulo-e-camilo-cola-continua-com-kaissara-diz-empresario-a-tv-do-espirito-santo/

Mas em 12 de maio de 2017, Camilo Cola vinha à imprensa de novo e disse que tinha sido vítima de um golpe e que, na verdade, não havia vendido a Itapemirim, mas que contratou o grupo de empresários para uma consultoria, como também mostrou o Diário do Transporte à época.

A FolhaES divulgou na sexta-feira, 12 de maio de 2017, uma entrevista atribuída à Camilo Cola, na qual o fundador da empresa, criada em 4 de julho de 1953, mas com origem em 1946,  diz que foi vítima de um golpe na recuperação judicial.

Camilo Cola afirmou que a família fundadora vai entrar na justiça contra os empresários Sidnei Piva de Jesus, Milton Rodrigues Junior e Camila de Souza Valdívia, nomeada presidente da companhia.

Segundo a entrevista, os atuais controladores foram contratados para ajudar a família fundadora nesse processo de recuperação judicial.

Camilo Cola diz que transferiu poderes dentro da Itapemirim ao novo grupo, o que resultou em sua própria destituição do comando. Cola era assessorado por um diretor de carreira na empresa, Anísio Fioresi, e pelo advogado e ex-juiz Rômulo Silveira, diretor jurídico do grupo com a administração antiga.

Na matéria, Camilo Cola fala em quebra de confiança.

Entre as supostas irregularidades apontadas pela família Cola e atribuídas ao novo grupo, está o desvio de recursos da empresa obtidos com as vendas de passagens para o pagamento de notas fiscais por serviços prestados por outras empresas dos atuais gestores.

Ainda de acordo com o Camilo Cola, na matéria, o interesse pela recuperação das empresas seria uma “fachada” para desvio de recursos e inviabilização total do Grupo Itapemirim, que retornaria à família fundadora, mas dilapidado.

“Fomos enganados de todas as maneiras e tivemos a nossa confiança traída por pessoas de nossa maior consideração. Foi uma articulação monstruosa e sem precedentes, que, infelizmente, só descobrimos há pouco tempo … Já demitiram inúmeros funcionários sem o pagamento de verbas rescisórias, multas e FGTS, como determina a legislação. Não irá demorar muito, como já identificamos em outras empresas onde aplicaram o mesmo golpe, para demitirem muitos outros funcionários, sem também efetuar o pagamento de direitos trabalhistas, denegrindo um grupo que se orgulha de sua história no Espírito Santo e no país. Não vamos deixar isso acontecer. Cachoeiro de Itapemirim e o Espírito Santo precisam saber quem é essa gente e nos ajudar a recolocar as empresas no caminho da recuperação”

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/05/13/camilo-cola-diz-que-itapemirim-foi-vitima-de-golpe-e-novo-grupo-afirma-que-contratou-auditoria/

O MP (Ministério Público) investigou se a venda da Itapemirim seria uma última manobra de Camilo Cola quanto às dívidas milionárias do grupo.

O fato é que a gestão dos últimos anos de Itapemirim foi polêmica e considerada desastrosa.

Milton Rodrigues Junior chegou a posar para a foto “oficial” de aquisição do Grupo, como mostrou o Diário do Transporte em 06 de abril de 2017.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/04/06/novos-proprietarios-da-itapemirim-anunciam-investimentos-e-falam-em-setores-aereo-e-de-imoveis/

Milton Rodrigues Junior também participava das reuniões de credores e frequentava as dependências da Viação Itapemirim.

Mas depois de tudo isso, negou ser sócio do empreendimento.

Sidnei Piva e Camila Valdívia entraram ao longo da sociedade em rota de colisão.

Em 19 de dezembro de 2019, o desembargador Azuma Nishi, da 1ª Câmara de Direito Empresarial do TJSP – Tribunal de Justiça de São Paulo, destituiu Camila de Souza Valdívia do comando das empresas do Grupo da Viação Itapemirim.

O magistrado aceitou a argumentação de Sidnei num agravo de instrumento. O empresário alegou que havia irregularidades na gestão de Camila que descumpriam pontos do Plano de Recuperação Judicial.

Relator do processo, Azuma escreveu que há uma “grave animosidade” entre os sócios que pode prejudicar as empresas.

“Tal medida se torna necessária, como dito, diante da grave animosidade entre os sócios, sendo impossível e contraproducente, a prejudicar as empresas e ao plano de recuperação, a manutenção da gestão compartilhada entre Sidnei e Camila” – diz trecho da decisão.

Camila continuou como sócia, mas sem poder de decisão.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/12/20/justica-destitui-camila-de-souza-valdivia-do-comando-da-itapemirim/

Posteriormente, Piva compraria a parte de Camila Valdívia na Itapemirim por R$ 4,8 milhões, o que foi questionado pela Justiça, como mostrou o Diário do Transporte em 1º de julho de 2020.

O juiz João de Oliveira Rodrigues Filho, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais questionou a aquisição da parte de antiga sócia, Camila de Souza Valdívia por R$ 4,8 milhões sendo que a empresa alegava dificuldades financeiras. De R$ 11,5 milhões devidos (R$ 11.556.092,53) devidos, o grupo da Itapemirim pediu a destinação de R$ 9,2 milhões (R$ 9.244.874,00) para usar em prol de sua manutenção.

Ora, perfeitamente possível o questionamento das escolhas promovidas pelos controladores das recuperandas. Qual a razoabilidade em se destinar R$ 4.800.000,00 para a aquisição das cotas e ações da sócia Camila e imediatamente depois requerer ao Juízo o levantamento de R$ 9.244.874,00 para manutenção da atividade em detrimento dos credores, sobretudo da classe trabalhista, flexibilizando o plano de recuperação judicial?

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/07/01/tj-determina-mudanca-no-plano-de-recuperacao-da-viacao-itapemirim-e-questiona-compra-da-parte-de-camila-e-remuneracao-de-piva/

Ao longo da condução de Piva, foram apuradas diversas irregularidades, todas negadas pelo empresário.

Entre as quais, suspeitas de desvios de dinheiro de credores da empresa de ônibus para paraísos fiscais e de R$ 46 milhões para a constituição da ITA (Itapemirim Transportes Aéreos) em 2021, que voou apenas cerca de seis meses, parando de operar repentinamente em 17 de dezembro de 2021, pegando milhares de passageiros de surpresa.

A ITA teve a falência decretada em 11 de julho de 2023, como mostrou o Diário do Transporte em primeira mão.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/07/17/decisao-ita-itapemirim-transportes-aereos-tem-falencia-decretada-pela-justica-grupo-rodoviario-faliu-no-ano-passado/

O Grupo Itapemirim, que incluiu as empresas de ônibus, teve a falência decretada pela Justiça antes.

Contando tributos e débitos com fornecedores, bancos e trabalhadores, o Grupo Itapemirim, que estava em recuperação judicial desde março de 2016, tem dívidas que chegam a R$ 2,2 bilhões. Depois de ter o proprietário afastado, Sidnei Piva de Jesus, suspeito de crimes falimentares e gestão fraudulenta, envolvendo supostas transferências de recursos ilegais das empresas de ônibus para fundar a ITA (Itapemirim Transportes Aéreos), o Grupo Itapemirim teve a falência decretada pela Justiça em 21 de setembro de 2022.

Na decisão pela falência, o juiz João Oliveira Rodrigues Filho, do Tribunal de Justiça de São Paulo, autorizou o arrendamento de linhas e estruturas operacionais da Itapemirim e da Kaissara para a Suzantur, empresa que atuou no ramo de fretamento e opera ônibus urbanos em quatro cidades do ABC Paulista (Santo André, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires) e no município de São Carlos, no interior do Estado de São Paulo. A empresa atuava até 2020 no ramo de fretamento também (Relembre o fim da Suzantur no fretamento https://diariodotransporte.com.br/2020/06/29/exclusivo-grupo-comporte-da-breda-e-piracicabana-vai-assumir-servicos-e-onibus-da-suzantur-fretamento/  )

VALOR QUE NÃO PODE SER APAGADO:

Apesar de todas estas polêmicas, muitas das quais que pararam na seara da investigação, o fato é que o valor de Camilo Cola como empreendedor e como um desenvolvimentista para o transporte rodoviário brasileiro não pode ser apagado.

Quem trabalhou com Camilo Cola relata que ele era firme, austero, mas educado, humilde, simples e que ouvia todos nas garagens.

Foi um empresário mão na massa, que mesmo depois de grande, fazia questão de estar no pátio, entre os trabalhadores, acompanhando de perto como ocorriam as operações e manutenção.

No ano em que Cola completaria 100 anos, a fundação da Itapemirim chegava aos 70 anos.

A Nova Itapemirim/Suzantur, para homenagear a Cola e a Viação Itapemirim, estilizou um ônibus contemporâneo com uma das pinturas mais tradicionais da empresa, que marcou o auge da Itapemirim entre os anos de 1960 e de 1980, com as cores bege, branco e amarelo.

A empresa do ABC Paulista está retomando aos poucos as operações que eram da Itapemirim e reveza o ônibus comemorativo em diferentes linhas.

VÍDEO: Nova Itapemirim faz apresentação de novos ônibus de dois andares leito-cama e promete deixar mercado mais competitivo beneficiando passageiros

Diário do Transporte fez uma volta de demonstração em um dos veículos até a vila histórica de Paranapiacaba, o berço da ferrovia e da urbanização na Grande São Paulo

ADAMO BAZANI

Colaboraram Luana Coutinho, Alexandre Pelegi e Willian Moreira

Apoio Técnico: Robson Kresse

VEJA VÍDEO, LEIA ABAIXO O TEXTO E MAIS ABAIXO VÁRIAS FOTOS:

A marca Itapemirim está voltando às estradas brasileiras, mas com novos ônibus e outra direção, que promete deixar mercado mais competitivo beneficiando passageiros.

Foi no dia 18 de julho de 2022 que, em primeira mão, o Diário do Transporte noticiou que o Grupo Suzantur, responsável por linhas de ônibus urbanos na região do ABC Paulista, propôs operar por meio de arrendamento os serviços que eram autorizados às empresas Viação Itapemirim e Viação Kaissara pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/07/18/exm-pede-na-justica-falencia-da-itapemirim-e-suzantur-quer-arrendar-imoveis-e-guiches/

Em 21 de setembro de 2022, o juiz João Oliveira Rodrigues Filho, do Tribunal de Justiça de São Paulo, decretou a falência do Grupo Itapemirim e atendeu ao pedido do Grupo Suzantur para permitir o arrendamento de linhas, guichês e estruturas por um ano, renovável por mais um ano até o leilão de todo o patrimônio e marca da Itapemirim.

Desde então, o mercado rodoviário se questionava sobre o futuro da Itapemirim e sobre realmente a que veio a Suzantur.

A desconfiança era grande. A empresa do ABC Paulista constituiu a Nova Itapemirim no arrendamento que não engloba as dívidas de quase R$ 2,5 bilhões do Grupo Itapemirim, mas tem o objetivo de gerar recursos para pagar credores, em especial, trabalhadores, muitos dos quais, há anos se receber os direitos.

Quase completando um ano da decisão que permitiu o arrendamento, o Diário do Transporte foi convidado pela Nova Itapemirim para neste sábado, 12 de agosto de 2023, conhecer os novos ônibus de alto padrão de dois andares com tecnologia Euro 6 para redução de poluição.

Foi possível perceber, pelo discurso e postura da equipe que recebeu a reportagem numa das garagens do Grupo, em Ribeirão Pires, no ABC Paulista, que estes veículos, muito mais que uma compra de frota obrigatória para a retomada das linhas, se tornaram o símbolo de um recado claro ao passageiro e ao mercado em geral de um objetivo considerado prioritário entre os funcionários e diretoria:  o nome Itapemirim voltar a ser um dos mais importantes do setor rodoviário brasileiro, como foi à época em que o fundador Camilo Cola estava em plena atividade.

Como mostrou o Diário do Transporte, os ônibus são de um lote de seis unidades do padrão Euro 6. Outros 40 ônibus de dois andares e mais 20 de um anda apenas, mas de bagageiros amplos, foram comprados e começaram a ser produzidos e foram adquiridos por meio do Programa de Renovação da Frota do Governo Federal.

ITENS DE CONFORTO:

Cada veículo de dois andares é configurado com oito poltronas que possibilitam reclinação total na parte inferior e 46 assentos no piso superior, do tipo semi-leito.

Na parte inferior, além de reclinação total nas poltronas, os passageiros contam com serviço diferenciado que oferece lanche, bebida não alcóolica, mantas, iluminação especial entre outros itens de conforto.

No lado direito há uma fileira de poltronas individuais e, do lado esquerdo, os assentos são em dupla.

Cada uma destas poltronas possui apoios para as laterais da cabeça que permitem tirar o desconforto no pescoço após longas horas de viagem.

A parte superior do primeiro andar ainda possui uma luz azulada que dá a sensação de requinte.

Cortinas separam os assentos, ampliando a individualidade.

Em ambos os andares, os ônibus oferecem nas poltronas os seguintes itens: porta-copos, entradas do tipo USB para carregamento de baterias de celulares; notebooks e outros dispositivos móveis em cada assento; apoio para descanso de pernas; regulagens em diferentes posições de reclinação entre outros.

Geladeiras com água à vontade para os passageiros, sanitário, ar-condicionado com regulagem de saída individuais, iluminação para relaxamento visual, interfone para comunicação com o motorista também fazem parte do pacote presente no modelo dos ônibus para as duas categorias de serviço.

O sanitário fica no piso superior.

Deixar os vidros “limpos”, sem adesivos que atrapalhem a paisagem: A Nova Itapemirim/Suzantur optou por deixar os vidros mais livres de interferências possível, com poucos adesivos e decalques.

Na parte superior, há apenas o “I” estilizado que é símbolo da companhia no vidro da frente e uma inscrição “semi-leito” nas laterais mais para a frente da área envidraçada

Nas laterais da parte inferior, a inscrição “leito-cama” também é discreta, mas posicionada mais à traseira da área envidraçada.

A empresa diz que quem viaja de ônibus quer ver a paisagem, não um outdoor ambulante.

ÔNIBUS SÃO SÍMBOLO E RECADO AOS PASSAGEIROS E MERCADO:

Na garagem de Ribeirão Pires, havia cinco unidades, todas já com prefixos. A primeira deste padrão Euro 6 que chegou à empresa está na garagem do bairro do Limão, na zona Norte de São Paulo. O espaço foi alugado para ser exclusivamente dedicado às operações rodoviárias da Nova Itapemirim e conta com alojamentos tipo hotelaria para os motoristas. As garagens do ABC abrigam os ônibus urbanos.

O amarelo forte dos veículos, que estavam lado a lado quando o Diário do Transporte chegou à garagem, realçava o design da carroceria, a mais moderna em produção atualmente da fabricante gaúcha Marcopolo.

A estética, entretanto, é só um dos aspectos, segundo o gerente de manutenção da Nova Itapemirim/Suzantur, Marcos Antônio da Silva, que garantiu que os veículos possuem alta tecnologia para conforto e segurança dos passageiros.

“Um ônibus desse polui menos que um carro de passeio, proporcionalmente. É muita tecnologia embarcada. Na parte de força é um K-410 [modelo de chassis da Scania]. É um ônibus automático, reduzindo desgaste dos motoristas e ampliando o conforto para os passageiros. Quanto à segurança, estes ônibus possuem sistema antitombamento, freios ABS e EBS [que aumentam a precisão e segurança nas frenagens]. Vamos investir em câmeras e sensores anti-fadiga para aumentar ainda mais a garantia de segurança a passageiros e condutores” – disse.

Dirigir um ônibus de grande porte deste tipo requer treinamento e experiência.

Um dos motoristas especializados nestes veículos chamados pelo mercado de DD (Double Decker) é André Gustavo Moreira.

O condutor diz que em relação às tecnologias anteriores, o veículo está com trocas de marchas de forma automática mais “sutis e macias”.

“A dirigibilidade nesta tecnologia é muito melhor do que a anterior. A gente sente segurança em curvas. A Scania aprimorou um contexto geral para que tanto o motorista como o passageiro tenham maior conforto. Vemos isso na dirigibilidade e na sensação do passageiro, que sente menos a troca de marcha, com o novo retarder. O conforto é praticamente absoluto. Somadas à configuração leito-cama estas características têm o objetivo de fazer com que o passageio se sinta o mais próximo possível de estar em sua cama, em casa, só que em viagem” -disse o motorista.

DEMONSTRAÇÃO ATÉ PARANAPIACABA:

O Diário do Transporte foi convidado a dar uma volta de demonstração entre a garagem de Ribeirão Pires, passando pela estrada Velha de Santos, em São Bernardo do Campo, até chegar à vila histórica de Paranapiacaba, pertencente à cidade de Santo André.

A vila, conhecida por ser o berço da urbanização e da ferrovia da Grande São Paulo com fundação em 1867, está na parte alta da Serra do Mar, encravada na Mata Altântica. O clima em geral é ameno e marcado pela intensa neblina.

Para chegar até o local, o ônibus de dois andares passou por rodovias em boas condições, mas estreitas, com várias curvas e muitas subidas e descidas.

A reportagem viajou nas primeiras poltronas da parte superior, de onde é possível ter uma visão panorâmica do percurso.

O conforto foi um dos destaques. Havia poucos ruídos, com exceção de partes plásticas e de equipamentos da carroceria.

As subidas e descidas quase não eram percebidas da parte de cima, a não ser pelo visual montanhoso.

As trocas de marchas foram pouco sentidas ao longo do trajeto, mesmo quando a inclinação da via mudava e isso ocorreu bastante durante o trajeto.

O ônibus trafegou pela Rodovia Antônio Adib Chammas (SP-122), que corta o alto da Serra do Mar, cheia de subidas e descidas também. Não houve dificuldades aparentes para a transposição deste relevo.

O veículo teve de fazer manobras em áreas de difícil acesso e muito estreitas, como para retornar próximo ao Clube e Pousada dos Pescadores (SP-148, Km 36 – São Bernardo do Campo) e na parte alta de Paranapiacaba, igreja Bom Jesus (SP-122 – Santo André).

O esterçamento foi bom, assim como as retomadas do alinhamento e da marcha à frente.

O ÔNIBUS:

Carroceria: Marcopolo – Modelo: Paradiso 1800 DD (Double Decker) – G8 (Geração Oito)

Chassi: Scania – Modelo: K 410 6×2/2 -Euro 6 (norma atual de redução de poluição)

Configuração: Oito poltronas que possibilitam reclinação total na parte inferior (leito-cama) e 46 assentos no piso superior, do tipo semi-leito.

Itens de segurança: Freios ABS/EBS, sistema antitombamento, câmeras internas e externas, detector de fadiga, entre outros

Itens de conforto:

– iluminação especial,

– porta-copos,

– entradas do tipo USB para carregamento de baterias de celulares;

– notebooks e outros dispositivos móveis em cada assento;

– apoio para descanso de pernas;

– regulagens de poltronas em diferentes posições de reclinação;

– geladeiras com água à vontade para os passageiros;

– sanitário no piso superior;

– ar-condicionado com regulagem de saída individuais;

– iluminação para relaxamento visual;

– interfone para comunicação com o motorista

VEJA VÁRIAS FOTOS

BBF 2023: Ônibus em homenagem aos 70 anos de fundação da Viação Itapemirim foi considerado sucesso com filas de fãs e carta da diretoria

Além de brindes, como miniaturas de papel, quem conferiu o veículo recebeu a carta aberta assinada pela direção da Nova Itapemirim que fala sobre a responsabilidade de retomar as operações de umas marcas mais importantes da história dos transportes rodoviários

ADAMO BAZANI

A BBF (BusBrasil Fest), realizada neste sábado, 26 de agosto de 2023, foi uma oportunidade para admiradores e pesquisadores de transportes de passageiros conhecerem de perto as raízes da mobilidade, com ônibus antigos de diferentes épocas, e a evolução, pelos novos modelos dotados de alta tecnologia e conforto.

Todos os ônibus e participantes foram importantes de igual maneira, pois compuseram uma ação global em prol da preservação da memória e do destaque à importância atual dos ônibus nas cidades e, acima de tudo, nas vidas das pessoas.

Entretanto, alguns veículos chamaram a atenção e tiveram alta procura dos visitantes, mostrando a força de algumas marcas no setor de transportes de passageiros.

É o caso do ônibus prefixo 70000, da Nova Itapemirim/Suzantur pintado com um dos designs mais marcantes da Viação Itapemirim, dos anos de 1970 e 1980, auge da expansão da empresa em todo o país.

As cores bege, amarelo e branco, com o nome Itapemirim na cor preta, o símbolo das letras V. I. (de Viação Itapemirim) estilizado e o prefixo na parte superior ainda trafegam pela memória de muitos brasileiros.

A Itapemirim representou para muita gente o caminho para oportunidades de uma vida de melhor. Foram milhares de pessoas que saíram dos sertões do Brasil e vieram para a vida urbana: dura, de luta, mas de chances de conquistas e de vitórias.

Muitos pegaram um Itapemirim, vieram para as cidades mais desenvolvidas e conquistaram.

Alguns, tiveram de pegar o caminho de volta, mas também venceram porque ganharam conhecimentos e experiência.

O ônibus em homenagem aos 70 anos de fundação da Viação Itapemirim é um modelo contemporâneo: um Marcopolo da Geração 7.

As cores tradicionais num veículo atual deram um contraste e a mensagem de que “as ações do presente sempre devem um tributo à história, às raízes ao passado”.

Atualmente, os ônibus com a marca Itapemirim são todos na cor amarela, um padrão que começou a ser adotado em 1989 com o Tribus III, modelo feito pela Tecnobus, empresa produtora de carrocerias que a Itapemirim tinha. Foi em 2003, quando a Itapemirim completava 50 anos, que o padrão todo amarelo foi definitivamente adotado.

O veículo 7000 na BBF teve filas de curiosos e admiradores da marca Itapemirim que queriam conhecer de perto o trabalho artístico da recriação da pintura.

Além de brindes, como miniaturas de papel, foi distribuída uma carta assinada pela equipe da Nova Itapemirim, empresa criada pelo Grupo Suzantur do ABC Paulista, para operar por meio de arrendamento com autorização judicial as linhas que eram de responsabilidade das empresas Itapemirim/Kaissara, que tiveram a falência decretada em 21 de setembro de 2023.

A mensagem tem idealização do diretor-presidente do Grupo Suzantur, Claudinei Brogliato.

“Todo este sucesso do veículo mostra a força da marca Itapemirim na vida das pessoas, de todas as idades, e a importância de sua presença em grande parte do território nacional ao longo destes 70 anos. Mostra também o reconhecimento pelos esforços do Grupo Suzantur para que esta história continue e o passageiro sempre seja o foco principal de nosso trabalho”, disse o diretor operacional da Nova Itapemirim, Júlio Cézar de Assis, que fez questão de pessoalmente distribuir exemplares da carta.

“Seguindo os princípios de seus fundadores, daremos vida novamente ao maior orgulho do transporte rodoviário brasileiro. Faremos a história de uma nova Itapemirim, atendendo às suas mais altas exigências e à nova realidade do mercado. Nossa equipe está capacitada e comprometida para que o brilho dos amarelinhos volte às estradas brasileiras, levando você com responsabilidade e modernidade”. – diz um trecho da carta de Brogliato.

 

Diretor operacional da Nova Itapemirim, Júlio Cézar de Assis, distribuindo os brindes e a carta que demonstra o desafio da empresa

EXCLUSIVO: Em 2ª instância, Justiça nega argumentos da ANTT contra arrendamento das linhas da Itapemirim/Kaissara para a Suzantur e decide pela manutenção da empresa do ABC

Único atendimento à demanda da ANTT foi não classificar como atitude procrastinatória por parte da agência ao liberar as operações pela empresa do ABC Paulista somente depois de meses da decisão pelo arrendamento; Colegiado entendeu vantajosidade nas operações arrendadas

ADAMO BAZANI

Colaborou Arthur Ferrari

A 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo negou os argumentos da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) contra o arrendamento à Suzantur das linhas que eram operadas pelas viações Itapemirim e Kaissara.

A decisão é de quinta-feira, 31 de agosto de 2023, mas entrou no sistema da Justiça nesta sexta-feira, 1º de setembro de 2023, e é trazida de forma exclusiva pelo Diário do Transporte, diretamente por fontes do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo).

A relatoria é do desembargador Azuma Nishi.

Com isso, a empresa do ABC Paulista continua operando as linhas, podendo assumir mais serviços, mas agora, com uma segurança jurídica a mais, visto que a decisão é de segunda instância. Há ainda outras ações contra a operação, como a que foi movida pela Viação Garcia, do Sul do País, que quer operar as linhas que eram correspondentes aos serviços da Kaissara.

Em resumo, a ANTT alegava que linhas não são ativos de empresas e sim, pertencem ao poder público e que não deveriam, portanto, ser arrendadas.  Além disso, a agência disse que a Suzantur tinha apenas o TAR (Termo de Autorização), mas não a LOP (Licença de Operação) para o serviço regular de linhas interestaduais de ônibus.

O órgão julgador deu provimento parcial ao recurso da agência, atendendo apenas ao argumento da ANTT para afastar a classificação da conduta dos agentes como resistência injustificada, no limite de ato de improbidade, constrangendo o órgão técnico com as penas de representação.

Isso porque, a decisão que permitiu as operações pela Suzantur (Transportadora Turística Suzano Ltda) foi em 21 de setembro de 2022, mas a primeira linha só começou a ser operada em 03 de março de 2023.  A Suzantur alegou que a ANTT estava de má fé procrastinando o início das operações, mas a Justiça entendeu que não foi o caso e que a agência estava apenas tomando os cuidados necessários por ser um órgão gestor.

REQUISITOS TÉCNICOS DA SUZANTUR:

De acordo com a decisão, a Suzantur atende aos requisitos técnicos para prestar as linhas que eram operadas pela Itapemirim e Kaissara, que faliram. O Termo de Autorização operacional, válido até 2025, contempla o período do arrendamento de linhas e estruturas que é de dpos anos, um ano podendo ser renovado por outro.

Já o fato de a Suzantur usar a LOP (Licença de Operação) da Itapemirim e Kaissara, no entender do acórdão, não pode significar nenhum impedimento.

Observando a documentação necessária para exploração do serviço de transporte rodoviário interestadual, verifica-se que, na espécie, a Transportadora Turística Suzano Ltda. renovou sua habilitação perante a ANTT, possuindo TAR válido até 25/10/2025, ou seja, prazo suficiente para cumprimento integral do contrato de arrendamento homologado em primeiro grau de jurisdição.

A arrendatária também cumpre os demais requisitos da Resolução n. 4.770/2015, com regularidade fiscal, financeira, trabalhista, com cadastro de frotas e motoristas.

No tocante à LOP, a despeito da SUZANO não a deter, está operando com a licença pertencente à Viação Itapemirim S/A e Viação Caiçara Ltda., por ordem do juízo falimentar, sem qualquer contratempo até o presente momento.

Nesse contexto, inexiste impedimento para o cumprimento do contrato de arrendamento nesse aspecto.

BENEFÍCIOS DA CONCORRÊNCIA:

Para a Justiça, o fato de haver mais uma operadora na malha interestadual de ônibus aumenta a concorrência e beneficia os passageiros.

Um cenário concorrencial induz uma série de benefícios socioeconômicos, propiciando uma melhor eficiência alocativa, reduzindo a possibilidade de um agente abusar de seu poder econômico, eliminando preços arbitrários, bem como fornecendo uma pluralidade de escolhas para o usuário, ou seja, fatores relevantes que atendem ao modelo de Estado Social.

Ainda de acordo com o despacho, a solução de arrendamento permite a continuidade de oferta em rotas de importância no setor rodoviário

Como se não bastasse, referida contratação possibilitará a operação das linhas em solução de continuidade, em trechos importantes do território nacional, tais como: São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Curitiba, Volta Redonda, Guarapari, Belo Horizonte e Nanuque, atendendo, sob outro ponto de vista, o interesse público de grande relevância social e econômica.

VANTAJOSIDADE DA PROPOSTA DA SUZANTUR:

O acórdão ainda destaca que é mais vantajosa a proposta do arrendamento feita pela Suzantur, já que garantiu o pagamento mínimo de R$ 200 mil por mês à massa falida.

Importante lembrar que a proposta da Suzano foi a única que estabeleceu pagamento mínimo mensal de R$ 200.000,00, de forma que, mesmo com a dificuldade inicial da exploração das linhas rodoviárias, foi depositado nos autos principais o montante acordado, cumprindo a empresa o quanto disposto no contrato homologado.

DE ACORDO COM ENTENDIMENTO DO SUPREMO:

A decisão entende ainda que manter as operações pela Suzantur, mesmo em regime de arrendamento, não fere decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que se posicionou pela constitucionalidade do modelo de autorizações das linhas, sem necessidade de precedência de licitação.

Importante mencionar que referido tema foi objeto de discussão em duas ações diretas de inconstitucionalidades (ADI 6270/DF e ADI 5549/DF), julgadas pelo C. Supremo Tribunal Federal em sessão realizada em 29/03/2023, deliberando sobre a constitucionalidade do regime de autorização para serviços regulares de transporte interestadual de passageiros.

Dessa forma, sendo a regra de livre mercado e desde que preenchidos os requisitos exigidos pela agência reguladora, todas as interessadas podem apresentar requerimento diretamente à ANTT a fim de obter autorização regular para prestação desse serviço.

EXCLUSIVO: Justiça nega recurso da Viação Garcia contra a Suzantur e mantém arrendamento de linhas da Itapemirim/Kaissara para empresa do ABC Paulista

Companhia do Sul alegava que proposta que apresentou era mais vantajosa, mas Justiça entendeu que condições apresentadas pela Suzantur são melhores

ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari

O Diário do Transporte traz de forma exclusiva nesta quinta-feira, 07 de setembro de 2023, decisão da 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial, segunda instância da Justiça Paulista, que negou o recurso da Viação Garcia, do Paraná (SP), para concessão de tutela antecipada contra o arrendamento das linhas que eram operadas pelas empresas falidas Itapemirim/Kaissara, de Cachoeiro do Itapemirim (ES), para a Transportadora Turística Ltda – Suzantur, de Santo André (SP).

O mérito do processo ainda prossegue em análise.

Primeiro, a Garcia pediu para operar as linhas:

Cumulativamente, a concessão da antecipação de tutela recursal, para determinar que a operação das linhas de transporte da falida passe a ser gerida pela recorrente, ante sua proposta mais vantajosa, sua experiência em gestão de linhas de transporte interestadual e, ainda, pela situação emergencial vivenciada, nos termos da fundamentação exposta.

Aí depois do período de arrendamento, pelo pedido da Viação Garcia, as linhas seriam disputadas em uma espécie de licitação.

Sucessivamente ao pedido anterior, a concessão da antecipação de tutela recursal, para determinar a imediata realização de processo competitivo para permitir a ampla disputa das interessadas na operação das linhas de transporte da falida, visando dar amparo, no prazo mais exíguo possível, aos credores do grupo falido, nos termos expostos

A decisão que negou os pedidos da Viação Garcia é em acórdão, ou seja, em turma, tomada por mais de um juiz.

Além do desembargador-relator, Azuma Nishi, participaram do julgamento os desembargadores Fortes Barbosa (Presidente) E J. B. Franco de Godoi.

O resultado foi de unanimidade.

O despacho é de 30 de agosto de 2023, sendo publicado na noite desta quarta-feira, 06 de setembro de 2023, e noticiado em primeira mão pelo Diário do Transporte nesta quinta-feira (07).

Com a decisão, as operações em forma de arrendamento por até dois anos pela Suzantur, que criou a empresa Nova Itapemirim para os serviços, continuam normalmente.

Como mostrou o Diário do Transporte, a 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo, já havia negado os argumentos da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) contra o arrendamento à Suzantur das linhas que eram operadas pelas viações Itapemirim e Kaissara.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/09/01/exclusivo-em-segunda-instancia-justica-nega-argumentos-da-antt-contra-arrendamento-das-linhas-da-itapemirim-kaissara-para-a-suzantur-e-decide-pela-manutencao-da-empresa-do-abc/

O Grupo Itapemirim teve a falência decretada em 21 de setembro de 2022, pelo juiz de primeira instância, João de Oliveira Rodrigues Filho, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Na mesma decisão, o magistrado atendeu pedido da Suzantur para operar em forma de arrendamento por um ano, prorrogável por mais um ano, as linhas que eram autorizadas pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) às empresas Viação Itapemirim e Viação Caiçara (Kaissara).

A Viação Garcia tinha proposto também, inicialmente, operar todas as 132 linhas que eram de responsabilidade da Itapemirim e Kaissara. Depois, ao longo do processo, mudou a proposta para só operar as 68 linhas que eram autorizadas à Kaissara, se concentrando em eixos no Sul e no Sudeste, com destaque para as linhas São Paulo – Rio de Janeiro e São Paulo – Curitiba, por exemplo.

As propostas da Suzantur e Garcia são diferentes.

A Suzantur ofereceu 1,5% de repasse sobre a receita líquida para a massa falida do Grupo Itapemirim de todas as vendas das passagens, com uma garantia mínima mensal de R$ 200 mil. Ou seja, mesmo se não vendesse R$ 200 mil em passagens, por mês este valor já estaria garantido na conta. Vendendo mais, entraria o valor maior.

A Viação Garcia, por sua vez, ofereceu um percentual maior de repasse sobre a receita líquida, 1,65%. Mas a empresa do Sul não apresentou nenhuma garantia de valor mínimo para repasse. A Garcia hoje é um dos maiores conglomerados rodoviários do Brasil e usou este argumento para convencer a Justiça de que teria mais condições de operar as linhas, já com uma frota consolidada, pontos de apoio e estruturas, enquanto que a Suzantur até então operava apenas linhas de ônibus urbanos no ABC Paulista, não tendo experiência rodoviária.

Na petição, a Viação Garcia chegou a usar postagens de Facebook feitas por busólogos (fãs de ônibus), mas a Justiça não entendeu haver credibilidade neste tipo de material.

De acordo com entendimento da câmara julgadora, o arrendamento para a Suzantur não traz nenhum prejuízo ao setor rodoviário.

Portanto, também sob esse aspecto, não se verifica qualquer prejuízo financeiro e/ou operacional para as empresas rodoviárias insurgentes atuantes no ramo, pontuando que inexiste nos autos qualquer notícia de restrição de ordem técnica para novas outorgas.

No acórdão, os desembargadores entenderam que justamente por causa da garantia de depósito mensal de R$ 200 mil pela Suzantur, a proposta é mais vantajosa para os credores.

Em que pese a diferença dos percentuais sobre a receita liquida da venda de passagens, fato é que a empresa Suzano foi a única a garantir um pagamento mínimo mensal, no valor de R$ 200.000,00, ou seja, independente dos resultados e riscos da operação, será revertido para a massa considerável valor para fazer frente às obrigações.

O despacho traz também os mesmos entendimentos usados para negar os pedidos da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) contra o arrendamento para a Suzantur a respeito de a empresa ter seu TAR (Termo de Autorização) válido até 25 de outubro de 2025 e poder fazer uso das LOPs (Licenças de Operação) da Itapemirim/Kaissara.

Ainda sobre a utilização das LOPs pela Suzantur, o despacho destaca decisão de primeiro grau que foi mantida que entende que não há problemas neste fato, porque as LOPs da Itapemirim e Kaissara que faliram não foram canceladas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes01

 

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