Câmara de Salvador (BA) aprova subsídio de R$ 80 milhões para ônibus e mantém tarifa em R$ 5,90
Publicado em: 17 de junho de 2026
Recursos serão destinados ao sistema convencional e ao transporte complementar; projeto foi aprovado em meio a críticas da oposição sobre a falta de transparência na aplicação dos valores
YURI SENA
A Câmara Municipal de Salvador aprovou nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, durante a última sessão ordinária antes do recesso parlamentar, o projeto de lei que autoriza a Prefeitura a destinar R$ 80 milhões ao sistema de transporte coletivo da capital baiana. A medida, proposta pelo Executivo, tem como objetivo preservar o equilíbrio econômico-financeiro da operação e evitar reajustes na tarifa, atualmente fixada em R$ 5,90.
Conforme noticiado anteriormente pelo Diário do Transporte, a proposta foi encaminhada à Câmara Municipal pelo prefeito Bruno Reis e previa a concessão de R$ 80 milhões em subsídios às empresas responsáveis pela operação do transporte coletivo da capital baiana.
Relembre:
O Projeto de Lei nº 172/2026 foi aprovado por maioria dos vereadores. Do total autorizado, R$ 75 milhões serão direcionados ao sistema convencional de ônibus e outros R$ 5 milhões ao Subsistema de Transporte Especial Complementar (STEC).
Segundo a justificativa apresentada pela Prefeitura, os recursos visam garantir a continuidade do serviço, manter a modicidade tarifária e minimizar os impactos provocados pelo aumento dos custos operacionais do setor, em consonância com as diretrizes da política municipal de mobilidade urbana.
Durante a votação, parlamentares da oposição questionaram a tramitação em regime de urgência e cobraram maior transparência sobre a aplicação dos recursos. A vereadora Marta Rodrigues (PT) lembrou que o sistema já havia recebido aportes anteriores e criticou a ausência de informações detalhadas sobre a destinação do novo subsídio.
A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) também criticou a qualidade do serviço prestado, apontando problemas como a retirada de linhas, a ausência de ar-condicionado em parte da frota e a circulação de veículos em condições consideradas precárias.
Em defesa da proposta, o líder do governo na Câmara, Kiki Bispo (União Brasil), afirmou que subsídios ao transporte são uma prática comum e argumentou que o aporte busca evitar um agravamento da situação do sistema, preservando os usuários de eventuais aumentos tarifários.
O presidente da Câmara, Carlos Muniz (PSDB), reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo transporte público da capital e afirmou que os R$ 80 milhões não representam uma solução definitiva para o setor, mas podem contribuir para amenizar os problemas enquanto alternativas estruturais são discutidas.
Além do subsídio ao transporte coletivo, os vereadores aprovaram a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027, que prevê receita de R$ 15 bilhões e inclui investimentos em projetos como a renovação da frota de ônibus com a aquisição de 110 veículos, a terceira fase do programa Salvador Social, o projeto Salvador Capital Afro e a implantação do teleférico da capital baiana.
Yuri Sena, para o Diário do Transporte

