Primeiro semestre de 2023 acumula queda de 28,4% na produção de ônibus no Brasil, diz Anfavea, nesta sexta (07)
Publicado em: 7 de julho de 2023
Os impactos da troca de tecnologia, falta de insumos, ano sem eleições, pouca efetividade do pacote de estímulo à indústria para o setor de pesados e altas taxas de juros ajudam a explicar
ADAMO BAZANI
Sem muitas surpresas para o mercado, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou nesta sexta-feira, 07 de julho de 2023, o balanço do primeiro semestre da indústria automotiva no Brasil.
No segmento de ônibus, a queda na produção foi de 28,4%, com 9.539 chassis saindo das linhas de montagem no acumulado entre janeiro e junho de 2023. No primeiro semestre de 2022, foram produzidos 13.331 chassis.
Alguns fatores ajudam a entender o resultado.
– Impactos da troca de tecnologia de redução de poluição pelos motores a diesel dos padrões Euro 5 para Euro 6, menos poluente, mas até 30% mais caros. Muitos empresários que puderam anteciparam as compras no ano passado para fugir dos preços maiores. Como há uma diferença de três a seis meses entre a compra dos ônibus e o emplacamento, é compreensível o fato de a produção de chassis estar em baixa, mas com filas nas encarroçadoras e alta nos emplacamentos. Muitos chassis do ano passado ainda estão recebendo as carrocerias e sendo emplacados;
– Falta de insumos, em especial semicondutores, problema que foi mais forte nos piores períodos da pandemia de covid-19 nos anos de 2021 e 2022, mas que ainda foi sentido no primeiro semestre de 2023;
– Ano sem eleições, o que interfere principalmente nos modelos urbanos, que respondem pela maior parte do mercado. Transportes são decisivos em eleições e entrega de ônibus novo, mesmo comprado pelas empesas, ajuda a dar voto;
– Altas taxas de juros, o que dificulta o acesso ao crédito, em especial para pequenas e médias empresas;
– Pouca efetividade do pacote de R$ 1,8 bilhão de estímulo à indústria automotiva para o setor de pesados. No caso de ônibus, dos R$ 300 milhões disponíveis, R$ 120 milhões foram captados até agora. A exigência de que o dinheiro só irá para quem colocar no ferro-velho ônibus com 20 anos ou mais para ter o desconto de até R$ 99,4 mil (valor teto é para rodoviários) deixou o programa desinteressante por vários fatores: 1) A maior parte da frota de ônibus tem menos de 20 anos no Brasil, 2) O desconto de até R$ 99,4 mil é pequeno diante de um ônibus que pode custar até R$ 1,8 milhão, 3) Quem tem um ônibus de 20 anos, dificilmente vai ter dinheiro para comprar um zero km, 4) Dependendo do modelo, um ônibus de 20 anos pode valer mais que R$ 99,4 mil
EXPORTAÇÕES:
As exportações de ônibus cresceram 4,8 % no período de janeiro a junho de 2023, com 2.249 unidades, ante às 2.146 do primeiro semestre de 2022.
Além do mercado internacional estar se recuperando em parte dos efeitos econômicos da pandemia de covid-19, o Brasil pode produzir para exportações, modelos de tecnologias mais poluentes, como Euro 3 e Euro 5.
MARCAS E LICENCIAMENTOS:
Como reflexo do tempo de até seis meses normalmente decorrido entre a compra, produção de chassis, encarroçamento e emplacamento, os licenciamentos de janeiro a junho de 2023, acumularam alta de 54,9 %.
No primeiro semestre de 2023, foram licenciados 11.322 ônibus.
Em semelhante período de 2022, foram emplacados no mercado nacional, 7.309 veículos de transporte coletivo de médio ou grande porte.
O ranking de licenciamentos de ônibus no acumulado do primeiro semestre é o seguinte:
1º Mercedes-Benz: 5.623 ônibus – alta de 53,8%
2º Volkswagen: 2.987 ônibus – alta de 60,7%
3º Agrale (inclui miniônibus Volare): 1.735 ônibus – alta de 26,4%
4º Volvo: 502 ônibus – alta de 130,3%
5º Iveco: 315 ônibus – alta de 266,3%
6º Scania: 123 ônibus – alta de 39,8%
7º Empresas que não são membros da Anfavea: 37 ônibus – alta de 27,6%
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


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