Itapemirim foi vendida para grupo de São Paulo e Camilo Cola continua com Kaissara, diz empresário à imprensa do Espírito Santo

Ainda a Itapemirim tem muito a esclarecer para o mercado

Entretanto, como já havia noticiado o Diário do Transporte, Kaissara foi incluída na recuperação judicial da Itapemirim

ADAMO BAZANI

A nebulosa e até o momento pouco transparente venda da Viação Itapemirim, que foi num passado não muito distante, uma das principais transportadoras de passageiros do país, parece aos poucos ser esclarecida, mas não totalmente ainda.

Em entrevista à Gazeta, do Espírito Santo, filiada à TV Globo, o fundador da empresa, Camilo Cola, hoje com 93 anos, disse que a Viação Itapemirim foi vendida, mas que a família continua no controle da Kaissara.

“Vendemos a Itapemirim. Quem comprou foi um grupo empresarial. Eles ficaram com a Itapemirim e nós ficamos com a Kaissara. Eles ficaram com as linhas curtas e nós, com as longas. Eles assumiram toda a dívida”, disse o empresário, que fundou a empresa em 1953, em Cachoeiro de Itapemirim.

De acordo com a reportagem, a Viação Itapemirim foi comprada pelos empresários de São Paulo, Sidnei Piva de Jesus, Milton Rodrigues Junior e Camila de Souza Valdívia – que foi nomeada presidente da companhia.

A compra ocorreu por meio das empresas Ssg Incorporação e Assessoria, de propriedade de Sidnei Piva de Jesus e a Csv Incorporação e Assessoria Empresarial, de Camila de Souza Valdívia, ambas localizadas em São Paulo.

O objeto social das duas empresas engloba atividades de consultoria e auditoria contábil e tributária e incorporação de empreendimentos imobiliários, de acordo com a Junta Comercial de São Paulo. A Csv também atua em consultoria em gestão empresarial e de publicidade.

Sidnei participa de 10 empresas e Camila, de oito. Os dois são sócios em comum em cinco empreendimentos, mas não são sócios oficialmente na Ssg Incorporação e Assessoria e na Csv Incorporação e Assessoria Empresarial.

Já Milton Rodrigues Júnior é sócio de 11 empresas e seu nome aparece ligado a Transportes Dalçoquio, empresa de transportes de carga que está em recuperação judicial.

A Dalçoquio diz que Milton Rodrigues Junior não faz parte do quadro societário da empresa e que ele atuou apenas como um intermediário na negociação da venda da companhia, tendo aproximado Augusto Dalçoquio e Laércio Tomé, que comprou a Dalçoquio.

A empresa acusa Milton de ter sacado R$ 4 milhões do caixa da companhia indevidamente e não ter devolvido o dinheiro, nenhum representante de Milton comentou a acusação.

MUITA COISA A ESCLARECER:

Apesar da apresentação dos nomes, muitos dos quais já divulgados, inclusive pelo Diário do Transporte, e da entrevista de Camilo Cola à Gazeta, ainda há muito a ser esclarecido em relação à Itapemirim. A reportagem tenta desde o final do ano passado explicações sobre o que vem de fato ocorrendo. A resposta de sempre é que haverá explicação da nova diretoria, o que até agora não ocorreu. A nova promessa é de esclarecimento à imprensa e mercado no início de março.

Apesar de a Kaissara, nas palavras de Camilo Cola, continuar com a família, a empresa foi colocada por ordem da Justiça na recuperação judicial do grupo da Itapemirim, que envolve a Viação Itapemirim, Transportadora Itapemirim, ITA – Itapemirim Transportes, Imobiliária Bianca, Cola Comercial e Distribuidora e Flecha Turismo Comércio e Indústria.

Em 4 de junho de 2015, 68 linhas, muitas das quais a grande demanda, da Itapemirim foram transferidas para Viação Kaissara. Para a mídia, a Kaissara apresentou-se como uma empresa independente, com gestores novos.

Mas de acordo com a Justiça e o Ministério Público, tudo não passou de um jogo de cena.

Pior para empresa, que tentou simular uma situação e agora acabou tendo de estar de frente com a realidade e teve a credibilidade abalada.

No dia 11 de janeiro de 2017, o Diário do Transporte noticiou que “Juiz é enfático e vê “desvio de patrimônio” e uso de “laranjas” no caso Itapemirim/Kaissara”

Ao incluir a Viação Kaissara na recuperação judicial da Itapemirim, um dos maiores grupos de transporte rodoviário de passageiros do País, o juiz Paulino José Lourenço, da 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória, foi enfático ao classificar a existência de desvio de patrimônio na transferência das linhas da Itapemirim para a Kaissara (nome fantasia da Viação Caiçara Ltda – fundada em 2009) que ocorreu em dia 4 de junho de 2015. O magistrado também apontou indícios de uso de “laranjas”, já que a Kaissara tinha como sócios dois funcionários do grupo que não teriam condições, ainda segundo o juiz, de assumir um negócio de tamanha magnitude.

Na ocasião, foram transferidas 68 linhas interestaduais entre as quais, as de maior demanda que eram de responsabilidade operacional da Itapemirim, como São Paulo / Rio de Janeiro, São Paulo / Rio de Janeiro (via ABC Paulista), São Paulo / Curitiba, Rio de Janeiro / Curitiba, Salvador/ Rio de Janeiro, Brasília / Belo Horizonte, Rio de Janeiro / Curitiba. Em torno de 40% da frota que era operada pela Itapemirim foram assumidos pela Kaissara na ocasião.

Praticamente da noite para o dia, uma empresa com seis anos na ocasião, se tornou uma das maiores viações da América Latina. Já a Itapemirim foi fundada em 4 de julho de 1953, no município de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo por Camilo Cola.

A inclusão da Kaissara na recuperação judicial do Grupo da Itapemirim, que tem dívidas de R$ 336,49 milhões, já havia sido noticiada pelo Diário do Transporte, no dia 30 de dezembro, e ocorreu no dia 13 daquele mês.

Na ocasião, o Diário do Transporte teve acesso a um comunicado interno do grupo avisando aos diretores sobre a determinação judicial. Relembre neste link:

https://diariodotransporte.com.br/2016/12/30/exclusivo-viacao-itapemirim-justica-ve-irregularidades-e-kaissara-entra-na-recuperacao-judicial-do-grupo/

Mas agora, com a decisão à tona, fica claro que o juiz além de acatar manifestação do Ministério Público Federal e do Ministério Público Federal do Trabalho, que investigam o caso, entende que os indícios de uso de “laranjas” são fortes. Leia alguns trechos:

“Analisando detidamente toda a documentação é de fácil constatação que as pessoas físicas que compõem o quadro societário da Viação Caiçara Ltda não possuem condições econômicas de constituir o patrimônio societário, avaliado em mais de R$ 100 milhões, levando em consideração a cessão de linhas/itinerários em número de 68; aquisição de frota e imóveis. Para chegar a esta conclusão destaco que ambos os sócios são empregados de empresas que compõem o grupo econômico Itapemirim …

… Alio a este meu pensar, como destacou o ilustre representante do MPF, que a Kaissara para conseguir operacionalizar o negócio ‘utiliza a mesma frota, a mesma estrutura operacional (escritórios, agências, postos de venda de passagens, estruturas de apoio, garagens, linhas telefônicas, telemarketing, etc…), empregados e – até, a mesma cor de ônibus’, além dos funcionários da Viação Caiçara Ltdaterem o pagamento de seus salários efetuados pela Viação Itapemirim …

… Não me resta dúvida que a Kaissara é empresa do mesmo grupo econômico com personalidade jurídica própria, sendo que a venda/cessão das linhas se mostrou verdadeiro artifício para desviar patrimônio”.

O juiz ainda determinou a retirada de Mário Sérgio Pereira Jussim e Izaias Alves Lima, que na verdade não passavam de empregados do grupo, da sociedade empresarial, e repassou controle aos novos acionistas da Itapemirim: SSG Incorporação e Assessoria EIRELE e CSV Incorporação e Assessoria Empresarial EIRELI.

Linhas, ônibus e bens da Kaissara voltam para a Itapemirim.

A gestão deve ser comandada por Sidnei Piva de Jesus e Camila de Souza Valdívia, os “interventores judiciais”.

Com a decisão, o processo de recuperação judicial também deve ser alterado.

A Viação Caiçara (Kaissara) entra na recuperação judicial da Itapemirim, junto com outras empresas do grupo: Viação Itapemirim, Transportadora Itapemirim, ITA – Itapemirim Transportes, Imobiliária Bianca, Cola Comercial e Distribuidora e Flecha Turismo Comércio e Indústria.

NOVOS EMPRESÁRIOS ASSUMIRAM AS DÍVIDAS:

Ainda à Gazeta, o representante da administradora judicial da Itapemirim, João Manuel de Sousa Saraiva, disse que os novos donos assumiram todo o passivo do grupo que, até a decisão judicial, era comandado por Camilo Cola Filho:

“A empresa que entra assume as dívidas e já fez alguns investimentos: compraram cerca de 50 ônibus, peças de reposição, já está pagando salários em dia e seguros e IPVA em atraso, além de reformar os ônibus que estavam no pátio de Cachoeiro”.

Os débitos do grupo da Itapemirim são de R$ 336,49 milhões.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

12 comentários em Itapemirim foi vendida para grupo de São Paulo e Camilo Cola continua com Kaissara, diz empresário à imprensa do Espírito Santo

  1. Vagner Alexandre Abreu // 18 de fevereiro de 2017 às 09:02 // Responder

    Do jeito que ocorre, ou é porque a família Cola não tem mais dinheiro e tenta fazer alguma manobra para recuperar a Itapemirim (e Kaissara), ou é porque não tem mais nada em mente o que fazer, já que investir em transporte no Brasil hoje é bem arriscado.

  2. Os Cola não inventaram a roda, eles apenas copiaram vários empresários, dentre eles o Constantino que, para disputar a licitação do DF, transferiu a Piracicabana para 2 funcionários que tinham 0,0001% das ações da empresa

  3. Eu acho que deveria autoriza e existi essas 2 viações de donos diferentes nas mesmas linhas da itapemirim e kaissara, e assim o governo federal acumula mais impostos de mais empresas concorrentes, e o mesmo se outros empresarios cria nova viação pra as linhas existentes.

    Que com monopolio de uma e poucas viações utilizando tal cada linha e sendo pouca viação operando e menos dinheiro entrando nos impostos do governo.

    Que acho com muita concorrência de empresas de onibus e com imposto pouco mais barato cobrado das mais de 5, 6 viações disponiveis ao cliente escolhe qualque um das empressas de onibus, e talvez as passagens de onibus seria mais baratas e por isso muita gente teria mais intesse de viaja por tá preço econômico, que até pessoas que gasta mais de carro passeando sozinho com pedagio e combustivel e seria mais vantagem em menos custo de pega o onibus turismo.

    • A empresa quebrando e você defende mais impostos? Vai ser filha da puta lá no raio que o parta. Estadismo é um câncer. Você é doente.

  4. Excelente reportagem, Adamo!

    Realmente o buraco no caso Itapemirim é mais embaixo e estao jogando granito em cima.

    A grande verdade é que os herdeiros Cola nao querem cuidar da empresa e seu Camilo esta se sentindo perdido. Como perder uma empresa que ja foi a maior da america latina, e aos 92 anos de idade ja sem muita esperança passar o poder pra quem?

    Agora é esperar o findar dessa historia.

  5. LUIZ CARLOS DE SOUSA // 20 de fevereiro de 2017 às 18:51 // Responder

    O QUE EU LUIZ CARLOS DE SOUSA SEI DA VIAÇÃO ITAPEMIRIM FOI UMA GRANDE EMPRESA FUNDADA POR SR: CAMILO COM MUITO TRABALHO E SAGRIFICIO, É UM GRANDE HOMEM, TIVE O PRAZER DE TRABALHAR NESTA EMPRESA, É DE MUITA TRISTEZA A EMPRESA CHEGAR NESTA SITUAÇÃO. E NÓS MOTORISTA ERA MUITO RESPEITADO POR SR: CAMILO. FOI A MELHOR EMPRESA QUE TRABALHEI.

  6. PARA MIM ESTE CAMILO COLA DEVERIA TER SUA HISTORIA DIVULGADA NAS ESCOLAS E UNIVERCIDADES DE TODO O ESPIRITO SANTO,POIS FOI UM HOMEM QUE LUTOU NA 2 GUERRA FUNDOU A ITAPEMIRIM FOI DEPUTADO ENTRE OUTRAS COISAS.EU ME PERGUNTO PORQUE NAO SE MOSTRA NAS ESCOLAS BONS EXEMPLOS PARA TANTOS JOVENS QUE ESTAO PERDIDOS NAS DROGAS E NA VIOLENCIA E SO TEM COMO EXEMPLO BANDIDOS?
    CAMILO COLA PODERIA SER UMA GRANDE REFERECIA E EXEMPLO PARA OS JOVENS DE HOJE DE HOMEM TRABALHADOR QUE SEMPRE LUTOU E AINDA LUTA AOS 93 ANOS DE IDADE E ANTES QUE ALGUEM VENHA A DIZER ELE ISSO E AQUILO, EU ESTOU FALANDO SOBRE AS QUALIDADES, DEVEMOS FALAR E EXALTAR AS QUALIDADES E CAMILO COLA TEVE E TEM MUITAS ASSIM COMO MEU FALECIDO PAI MANUEL SEMPRE TEVE QUANDO ERA VIVO SERVINDO E TRABALHANDO AQUI NA PREFEITURA DE VITORIA POR MUITOS ANOS, E OUTRA PERFEITO E SO NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

  7. Esses empresarios que assumiram a itapemirim, são muito conhecido aqui no Estado de são Paulo, eles
    compram empresa falidas, depois dá o goupe, vai demitindo os colaboradores faz acordo e não pagam, na maioria das vezes diz que so pagam na justiça, Empresa que assumiram em são paulo: Marizaria e estamparia Morillo, Grampos e Aços, Alpitec, todas do segmento automotivo.
    Eles se presentam assim: Eles tem varias empresas, que todos volte a trabalhar que dinheiro para eles não e problema, no comerço coloca os pagamentos em dias, e que vai pagar PLR, e se o FGTS tiver atrasado eles comerçam depositar…….Não acredite neles, Sidnei Piva e Camila de Sousa Vadivia, o outro sócio não e do meu conhecimento. Conheço varios funcionário das empresas citada acima, que tinham 5, 10, 15 anos foram demitido até agora nem o salario do mês receberam…… Essa informações são verdadeira, sou ex. funcionário da empresa MORRILLO.

  8. A justiça está agindo em cima do negócio, parabéns, mas alguém parou para pensar como essa transferência de linhas foi possível?
    Na época que tomei conhecimento da transferência, por curiosidade, entrei no site da Receita Federal para saber quem eram os novos proprietários e levei susto ao ver um capital social de R$500.000,00 (quinhentos mil reais). Achei estranho também o endereço da empresa ser na mesma cidade, mas é o menor dos problemas.
    O que deve ser observado também é que, pelas regras da ANTT, uma empresa com mais de 50 ônibus para operar uma linha interestadual deve ter um capital social de 15 milhões. (Resolução ANTT 4770). Minha pergunta então é:
    Como autorizaram a transferência?

  9. Senhores juízes reporter..esta dupla que comprou a empresa são dois golpistas de primeira.merecem uma investigação de polícia federal porque o que fazem e a pior atitude que seres humanos podem fazer com pai de família e outros fornecedores que vendem o produto é não recebem .tem muita gente querendo ver o final de TD isto Deus está acima disto é de qualquer outra situação.

  10. EMILIO MARTINS MENES // 5 de junho de 2017 às 14:50 // Responder

    Realmente são bandidos de marca maior, até agora recuperaram o que? Se compraram pra recuperar e sabiam do tamanho da encrenca porque compraram? Pra acabar com o resto, só pode.

  11. O Brasil e ocupado d deixar uma grande Impresa acabar .colo vc ajudou muitas pessoas parabéns.

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