Paes anuncia intervenção no BRT do Rio e Bilhetagem. Nova licitação será feita

Ônibus do BRT Rio

Assim, prefeitura vai assumir operação e gestão. Na mensagem, prefeito disse que os atuais operadores serão retirados do sistema

ADAMO BAZANI

Colaboraram Willian Moreira e Jessica Marques

Por meio de redes sociais, o prefeito do Rio de Janeiro anunciou nesta quarta-feira, 03 de março de 2021, intervenção no sistema de BRT (ônibus de trânsito rápido) da capital.

Também será alvo da intervenção a bilhetagem eletrônica.

Até a conclusão da licitação, será utilizado o RioCard, mas com maior acompanhamento de perto por parte da prefeitura.

Assim, a gestão e operação dos serviços serão de responsabilidade da prefeitura.

Na mensagem, Eduardo Paes disse que os atuais operadores serão retirados do sistema.

“Na manhã de hoje tivemos uma reunião com as concessionárias do sistema de transportes da cidade do Rio de Janeiro.  Informamos a eles que serão retirados da concessão o sistema de Bilhetagem Eletrônica e o sistema de BRT.”

O prefeito também confirmou a realização de uma licitação e disse que haverá uma transição.

Ambos serão objetos de futura licitação a ser feita pela Prefeitura.  Estamos trabalhando a partir de hoje nos detalhes dessa transição.  Na bilhetagem, criando mecanismos de maior controle no sistema até que a nova concessionária assuma e no sistema BRT, preparando a intervenção por parte da prefeitura que fará a operação do sistema até também que se conclua nova licitação.  Os prazos para essas ações serão informados pelo município ao longo das próximas semanas.

O prefeito também disse que não haverá resultados em curto prazo, mas que este é o primeiro passo para a mudança.

Essas medidas não vão provocar provavelmente resultados no curtíssimo prazo mas esperamos que muito em breve o sistema de BRT possa voltar a funcionar com a qualidade que a população precisa e merece.  Depois de tanta destruição, vai levar ainda algum tempo mas podem ter a certeza de que vamos fazer o Rio voltar a dar certo!” disse Eduardo Paes.

Em entrevista coletiva no meio da tarde, o Eduardo Paes disse que a Bilhetagem Eletrônica é operada pelas empresas de ônibus e não há um controle com informações claras sobre a arrecadação.

Sobre a reunião na manhã desta quarta-feira (03), Paes falou que poderá ser feita uma solução amigável, sem judicialização ou encampação.

“Eu disse a eles[operadores do BRT] que faríamos de qualquer jeito e que isso poderia ser feiro de uma maneira pacífica ou de forma mais dura. Eu diria que a conversa foi boa, de certa maneira para minha surpresa” – afirmou

A transição deve durar entre quatro e cinco semanas.

O chefe do executivo municipal disse que não é a intenção “estatizar” o sistema de BRT e que a licitação deve ser internacional para a concessão à iniciativa privada.

Eduardo Paes explicou também que a intervenção de sua gestão será diferente da que foi realizada pela gestão do antecessor, Marcelo Crivella, que segundo o atual prefeito, na ocasião não passou de um ajuste para devolver aos atuais concessionárias.

Paes disse que o objeto é tirar o serviço das atuais empresas que tratam o passageiro como “gados”.

Deve ser feito um aditivo ao contrato de concessão para esta transição.

“Poderia ser um ato de Diário Oficial, um decreto, mas optamos por uma informação”- completou.

A principal notícia não é a intervenção, mas que os atuais concessionários estão perdendo a concessão e a intervenção é um meio para isso.

A prefeitura assume a gestão do sistema.

Procurado pelo Diário do Transporte, o BRT Rio disse que “neste momento não se pronunciará”.

NÃO É O MEIO DE TRANSPORTE:

Sistemas de BRT são considerados em todo o mundo soluções adequadas de mobilidade (obviamente junto com outras intervenções e sem substituir trilhos) e o caso específico do Rio de Janeiro não pode ser considerado parâmetro para críticas e avaliações a este tipo de meio de transporte já que existem problemas bem peculiares do sistema da capital fluminense, como erros na concepção de projetos (em alguns pontos nem compactação adequada de solo foi feita), na operação e a violência urbana.  No sistema já chegaram a ficar fechadas ao mesmo tempo cerca de 40 estações dos corredores por causa de atos de vandalismo e roubos ou furtos de equipamentos.

Veja a coletiva:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. carlos souza disse:

    Quem vai assumir de vez o território do Estado,ou seja,será extinto e incorporado a qual Estado?São Paulo ou Minas Gerais?O RJ é o estado mais criminoso,ilegal e sem legitimidade nenhuma do Brasil.Com criminosos como casal Garotinho, Cabral,Pezão,Witzel,tráfico,jogo do bicho,etc…P.dheo.E Crivella,Moreira Franco,etc…e esse Eduardo Paes é outro gângster,asiim como Eike Batista,Eduardo Cunha…

  2. Marcelo Leta disse:

    Finalmente uma luz no fim do túnel. Esses ônibus atuais do BRT além de sucateados estão completamente ultrapassados. Na cidade de São Paulo, ônibus superarticulados, modernos e confortáveis, circulam normalmente em todas as vias da cidade sem nenhum problema ou superlotação. Um exemplo para o transporte coletivo do Rio e não só para o ineficiente BRT. Que o prefeito seja bem sucedido nessa empreitada e que a ação sirva de modelo para a recuperação do vergonhoso e caótico sistema de transporte da cidade do Rio de Janeiro.

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