Eletromobilidade

Paes apresenta projeto de requalificação do BRT-Rio, prometendo nova frota até 2023, sendo 62 elétricos e 20 biarticulados

 Sistema diferenciado de remuneração às empresas, terrenos públicos para abrir garagens, 515 novos ônibus, subsídios estão entre as propostas

WILLIAN MOREIRA/ADAMO BAZANI

A prefeitura do Rio de Janeiro apresentou na manhã desta segunda-feira, 08 de novembro de 2021, o novo projeto de requalificação do sistema de BRT na cidade, propondo uma série de novidades em relação ao atual modo de operação, alvo de críticas da população pela baixa qualidade dos serviços.

Até 2023, o sistema deve ter 515 novos coletivos, dos quais 159 articulados a diesel/biodiesel, 62 padrons elétricos, 20 biarticulados a diesel/biodiesel, entre outros (veja abaixo o cronograma).

O projeto desta requalificação passa por diferentes ações e aéreas além da licitação, e incluem a conclusão da construção e melhoria nos corredores de BRT, estações, sistema de bilhetagem digital e novos veículos.

Foram tomados como exemplo os sistemas de Bogotá, na Colômbia; e Santiago, no Chile; que em sua operacionalização separam o operador do transporte, do proprietário da frota.

Na visão da gestão do prefeito Eduardo Paes, o modelo atual é ruim porque um único responsável fica a cargo de tudo, cuidando da bilhetagem, da gestão da frota, gestão das estações e corredores, gestão de garagens, operador da frota e dono da frota, causando um declínio na qualidade.

O procedimento para a nova licitação será lançado ainda neste mês de novembro, com a audiência pública na Câmara Municipal. Em janeiro de 2022, deve ocorrer a publicação do edital da operação do BRT.

No novo método proposto, operadoras de fora da cidade poderão competir no certame mesmo sem possuir terrenos para guardar os ônibus, com a prefeitura possuindo quatro terrenos que serão cedidos às empresas vencedoras.

A propriedade pública dos locais será mantida para, numa licitação futura, permitir que os mesmos locais sejam repassados a outros operadores e assim em diante.

A nova frota será locada (alugada) de fabricantes, encarroçadoras, concessionários que ficam com a supervisão da manutenção dos veículos e a propriedade dos ônibus, cabendo às viações de fato a operar o sistema.

Essa manutenção será compartilhada de maneira saudável entre o locador e o operador. O locador vai supervisionar e aprovar a frota. Veículo aprovado será pago pela prefeitura, caso existir veículos não aprovados, não haverá o pagamento do aluguel.

O poder público pagará diretamente para manter o transporte circulando. Veja abaixo:

O contrato será de cinco anos, renovável por mais cinco anos, trocando o modelo de remuneração atual em que os ônibus são “incentivados” a ficar lotados, pois se recebe por passageiro, trocando por um custo por quilometro rodado, descontando penalidades em caso de frota menor que o determinado ou atrasos, com a adição de um pagamento por passageiro transportado. Isto deve eliminar o chamado “sistema perverso”.

O certame terá três lotes, diminuindo o risco de descontinuidade e possuindo três operadores diferentes, onde a redundância permitirá que em caso um destes estiver com dificuldades, os outros dois possam fazer a assunção do outro lote.

É esperada uma diminuição na pressão da tarifa e um maior controle do serviço nas mãos da prefeitura, ao mesmo tempo em que as empresas seguindo as normas vão prestar o serviço de transporte.

Pra evitar acidentes no BRT, novas tecnologias serão embarcadas, com os novos ônibus possuindo limitadores de velocidade, bloqueador de portas abertas, telemetria, monitoramento do condutor para verificar se segue as normas de segurança e um dispositivo de piloto automático, evitando a colisão com outro veículo.

Durante o seu discurso, o prefeito Eduardo Paes, listou as melhorias já realizadas pela intervenção da prefeitura no BRT que ocorre desde março, criticou a gestão anterior de Marcelo Crivella pela degradação do sistema e disse esperar que as fabricantes de veículos no país disputem a licitação para ofertar o melhor ônibus, citando inclusive a Mercedes, a Volvo e a Scania.

“Por favor fabricantes, briguem !” disse o prefeito.

REFORMA E CONCLUSÃO DOS CORREDORES COM NOVOS ÔNIBUS

Com a reformulação de cinco estações na Transoeste, as paradas de Santa Cruz, Pingo D’Água,  Magarça, Mato Alto e Curral Falso vão passar a ser terminais, contando inclusive com bicicletários.

O Terminal Intermodal da Gentileza será implantado e acompanhará uma integração com o corredor da Transolímpica, conectado com o corredor Transbrasil que será concluído e contará com 18 estações e quatro terminais.

Já no corredor Transoeste será feita uma repavimentação completa das pistas e uma conexão com a Transolímpica.

Os ônibus serão formados por uma frota diversificada, com cinco lotes de locação divididos em veículos com três modelos de articulados de 18 metros, 21 metros e 23 metros, um bi-articulado diesel de 28 metros e ônibus elétricos.

Serão 62 veículos elétricos que vão colocar a cidade do Rio de Janeiro como a maior operadora de ônibus elétricos do país.

No cronograma visto abaixo, é listado como será feita essa renovação, com 212 novos ônibus chegando no próximo ano e 303 no ano de 2022, totalizando 515 novos coletivos.

Veja abaixo a tabela:

Como mostrou o Diário do Transporte, a prefeitura promove uma melhoria gradual durante a intervenção do sistema, onde passou de 120 veículos inicialmente, número insuficiente para atender a demanda, chegando aos atuais 400 ônibus em atendimento.

Em março deste 2021, no anuncio do início da intervenção pública, a decisão foi tomada depois de uma série de problemas que causaram acidentes com mortes, atrasos, falta de pontualidade e outras falhas na operação.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2021/03/03/paes-anuncia-intervencao-no-brt-do-rio-e-bilhetagem-nova-licitacao-sera-feita/

Veja os principais pontos da apresentação:

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte e Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. carlos souza disse:

    Sim,pagando propina e com acordos ilegais até com o crime organizado.Com esse sistema criminoso e ilegal e nos países do crime(99% do mundo,o que inclui o Brasil) só funciona assim.Se fosse possível esse mundo só teria uma saída:bases espaciais e com passagem só de ida,sem volta,jamais,Em outras palavras:mudar de galáxia,porque essa não tem mais condições morais pra pôh@ nenhumíssima.

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