Rio Ônibus diz que intervenção pode melhorar BRT, mas linhas comuns preocupam

Ônibus do BRT do Rio de Janeiro

Eduardo Paes anunciou que vai tirar concessão do BRT dos atuais operadores e prefeitura vai assumir as linhas até nova licitação

ADAMO BAZANI

Um dia após o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciar que vai tirar a concessão do sistema de BRT (ônibus rápidos em corredores) dos atuais operadores com a prefeitura assumindo as linhas até nova licitação, o Rio Ônibus, que reúne os empresários de ônibus da cidade, disse em nota nesta quinta-feira, 04 de março de 2021, que acredita que a injeção dos recursos públicos deve melhorar o desempenho dos corredores.

Entretanto, segundo as companhias, a preocupação ainda é com as linhas comuns, muitas das quais, alimentam o BRT.

Na nota, o Rio Ônibus diz que estas operações necessitam de subsídios, o que não tem ocorrido. Segundo as empresas de ônibus, os complementos tarifários são “urgentes” para “manter a operação”

Veja na íntegra:

Embora enfrente queda de 50% no volume de passageiros desde o início da pandemia, o sistema carioca de transportes por ônibus carrega diariamente 1,8 milhão de pessoas, das quais, 180 mil se deslocam por BRT. Com possível injeção de investimentos a partir do início das operações do sistema pela Prefeitura, o transporte por BRT poderá ter melhor performance, porém, o Rio Ônibus reafirma sua preocupação com o restante das linhas circulares, que, assim como o BRT, sinalizam urgente necessidade de subsídios para se manter em operação.

Como mostrou o Diário do Transporte, o prefeito anunciou nesta quarta-feira, 03 de março de 2021, intervenção no sistema de BRT (ônibus de trânsito rápido) da capital.

Também será alvo da intervenção a bilhetagem eletrônica.

Até a conclusão da licitação, será utilizado o RioCard, mas com maior acompanhamento de perto por parte da prefeitura.

Assim, a gestão e operação dos serviços serão de responsabilidade da prefeitura.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/03/03/paes-anuncia-intervencao-no-brt-do-rio-e-bilhetagem-nova-licitacao-sera-feita/

EDUARDO PAES X EMPRESAS DE ÔNIBUS:

Logo nos primeiros meses de 2021, o prefeito do Rio de Janeiro e as empresas de ônibus da cidade protagonizaram trocas de farpas e debates pela mídia.

Menos da Metade da Frota:

– Em 04 de fevereiro de 2021, a prefeitura divulgou que uma fiscalização da Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro constatou que menos da metade da frota determinada do BRT Rio estava em operação no sistema formado por três corredores: Transcarioca, Transoeste e Transolímpica.

Fiscais da SMTR (Secretaria Municipal de Transportes) fizeram vistorias em 136 estações de BRT e nas garagens dos ônibus articulados.

“Foram encontrados apenas 199 veículos, em vez dos 413 estipulados na frota determinada, conforme previsto em contrato”.

A redução não se trata de ajuste de frota por causa da queda de demanda em decorrência à pandemia de covid-19.

 

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/02/04/frota-do-brt-rio-corresponde-a-menos-da-metade-da-determinada-diz-prefeitura/

Paes e o BRT “Porcaria”:

Em 19 de fevereiro de 2021, Paes chegou a chamar o BRT do Rio de “porcaria” durante uma entrevista coletiva ao comentar sobre a  “irresponsabilidade” dos moradores das áreas nobres diante da pandemia de Covid-19. “… olha só que absurdo isso aqui, as áreas mais nobres da cidade, que supostamente tem carro para se deslocar, que tem mais condições para manter a vida, aguentar o tempo da pandemia, é justamente a área que continua com o risco mais alto (…) O sujeito que pega a porcaria do BRT lotado do jeito que está, que pega o trem, entrando no risco moderado”.

O Consórcio BRT Rio rebateu a declaração em nota e alegou que o projeto e seus erros são da gestão anterior de Paes frente ao executivo municipal.

“O prefeito deveria levar em conta que muitos dos problemas que hoje prejudicam a operação do BRT são consequência de pistas inadequadas para a circulação dos ônibus articulados e estações subdimensionadas, entre outras falhas de concepção que causam graves prejuízos aos passageiros e ao operador do sistema. É um projeto que foi concebido pelo próprio Prefeito em seu primeiro mandato e que tinha tudo para dar certo, mas por conta dos problemas acima e dos impactos da pandemia (queda brutal no número de passageiros pagantes), da falta de fiscalização sobre o transporte clandestino e sobre o transporte por aplicativos – que circulam pela cidade sem que haja qualquer regulamentação sobre esse serviço -, além do congelamento da tarifa por mais de dois anos, dentre outros, chegou ao atual estado de degradação.”, conforme nota do consórcio.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/02/19/eduardo-paes-diz-que-brt-rio-e-porcaria-e-empresas-de-onibus-lembram-que-sistema-foi-concebido-por-ele/

Fim de isenção tributária para viações:

– Em 01º de março de 2021, a gestão Eduardo Paes anunciou um pacote fiscal que atingiria em cheio as empresas de ônibus.

Entre as propostas, foi colocado o fim da isenção do ISS sobre as tarifas. A lei 5223, de 2010, reduziu alíquota do ISS de 2% para 0,01% às empresas de ônibus.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/03/01/empresas-de-onibus-do-rio-de-janeiro-podem-perder-isencao-do-iss-em-proposta-de-reforma-fiscal-de-r-83-bilhoes-de-eduardo-paes/

No mesmo dia, o Rio Ônibus, sindicato que representa as viações, disse que “caso o imposto volte a vigorar, o percentual de isenção de 2% poderá doer no bolso do cidadão, que pagaria média de R$ 0,10 a mais em cada passagem”.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/03/01/fim-da-isencao-fiscal-as-empresas-de-onibus-do-rio-de-janeiro-elevara-em-r-010-o-custo-da-tarifa-diz-rio-onibus/

Perda de concessão e passageiro sendo transportado como gado:

– Em 03 de março de 2021, o prefeito Eduardo Paes anunciou intervenção no sistema de BRT (ônibus de trânsito rápido) da capital e o início da retirada de concessão dos operadores.

Também foi definida como alvo da intervenção a bilhetagem eletrônica.

Até a conclusão da licitação, o RioCard continuaria, mas com maior acompanhamento de perto por parte da prefeitura.

Assim, pelo o anúncio, a gestão e operação dos serviços seriam de responsabilidade da prefeitura e as atuais empresas perderiam a concessão.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/03/03/paes-anuncia-intervencao-no-brt-do-rio-e-bilhetagem-nova-licitacao-sera-feita/

Um dia após o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciar que iria tirar a concessão do sistema de BRT (ônibus rápidos em corredores) dos atuais operadores com a prefeitura assumindo as linhas até nova licitação, o Rio Ônibus, que reúne os empresários de ônibus da cidade, disse em que acredita que a injeção dos recursos públicos deve melhorar o desempenho dos corredores.

Entretanto, segundo as companhias, a preocupação ainda é com as linhas comuns, muitas das quais, alimentam o BRT.

Na nota, o Rio Ônibus diz que estas operações necessitam de subsídios, o que não tem ocorrido. Segundo as empresas de ônibus, os complementos tarifários são “urgentes” para “manter a operação”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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