Nova Itapemirim-Suzantur define horários das três linhas que estreiam nesse mês

Foto: Luciano Ferreira da Silva/Ônibus Brasil

O Diário do Transporte divulgou as datas de estreia em primeira mão e agora a companhia oficializa os horários

ADAMO BAZANI e GUILHERME STRABELLI

A Nova Itapemirim-Suzantur divulgou os horários das três linhas que devem retomar ainda neste mês de abril de 2024. O Diário do Transporte já havia antecipado as datas de início das operações e agora a empresa confirma os horários.

De acordo com a companhia, o esquema operacional será:

Recife (PE) X Feira De Santana (BA)  – Via Salvador (BA) / BR 101

  • Recife: as Quartas (19:30h) – 24/04
  • Feira: as Quintas (18:30h) – 18/04

São José Dos Campos (SP) X Teofilo Otoni (MG) > Via Ipatinga (MG)

  • São José: as Sextas (19:45h) – 19/04
  • Teofilo: aos Domingos (17:30h) 21/04

São Paulo (SP) X Iuna (ES) > Via Guaçui (ES)

  • São Paulo: as Sextas (18:30h) – 26/04
  • Iuna: aos Domingos (15:30h) – 21/04

ENTENDA:

Contando tributos e débitos com fornecedores, bancos e trabalhadores, o Grupo Itapemirim, que estava em recuperação judicial desde março de 2016, tem dívidas que chegam a R$ 2,2 bilhões. Depois de ter o proprietário afastado, Sidnei Piva de Jesus, suspeito de crimes falimentares e gestão fraudulenta, envolvendo supostas transferências de recursos ilegais das empresas de ônibus para fundar a ITA (Itapemirim Transportes Aéreos), o Grupo Itapemirim teve a falência decretada pela Justiça em 21 de setembro de 2022.

Na decisão pela falência, o juiz João Oliveira Rodrigues Filho, do Tribunal de Justiça de São Paulo, autorizou o arrendamento de linhas e estruturas operacionais da Itapemirim e da Kaissara para a Suzantur, empresa que atuou no ramo de fretamento e opera ônibus urbanos em quatro cidades do ABC Paulista (Santo André, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires) e no município de São Carlos, no interior do Estado de São Paulo. A empresa atuava até 2020 no ramo de fretamento também (Relembre o fim da Suzantur no fretamento https://diariodotransporte.com.br/2020/06/29/exclusivo-grupo-comporte-da-breda-e-piracicabana-vai-assumir-servicos-e-onibus-da-suzantur-fretamento/  )

DÚVIDAS:

Confira algumas das principais questões, cujas respostas foram obtidas pelo Diário do Transporte junto ao TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo). Lembrando que como a situação engloba Justiça, não estão descartadas reviravoltas e decisões surpreendentes que podem mudar muitas destas respostas.

– A Suzantur terá de sair depois que vencerem os dois anos máximos do arrendamento?

A empresa poderá participar do leilão para eventual arremate de patrimônio (o que inclui frota antiga e imóveis), estruturas operacionais (linhas, inclusive) e marca. Outras interessadas podem participar também.

– A Suzantur terá preferência no leilão?

Sim, incluindo a possibilidade de descontos pelos investimentos realizados, como com a compra de ônibus novos ou seminovos e despesas para estruturar as operações. Tudo isso está na decisão da falência noticiada pelo Diário do Transporte

– Nova Itapemirim e Viação Itapemirim/Kaissara são a mesma coisa?

Não, a Nova Itapemirim foi constituída para as operações arrendadas para gerar dinheiro aos credores do Grupo Itapemirim, mas são empresas diferentes. Assim, a Nova Itapemirim/Suantur não tem responsabilidade sobre as dívidas do Grupo Itapemirim que, contando com impostos, estão em torno de R$ 2,2 bilhões.

– Caso a Suzantur “perca” o leilão, o que ocorre?

Eventualmente, as operações e patrimônios da “antiga” Itapemirim vão para outro grupo vencedor e a Suzantur pode, por exemplo, vender os ônibus e demais bens adquiridos no arrendamento.

– Quando vai ser o leilão?

Ainda não está definido, mas com o ritmo atual, a estimativa é a partir do primeiro trimestre de 2024. Isso porque a Justiça ainda vai analisar a proposta de unificar tudo em um leilão somente como sugeriu a administradora da falência, a EXM Partners, incluindo estruturas, imóveis, linhas e veículos. Depois da decisão, haverá um prazo de 90 dias para uma nova avaliação dos bens e da marca para atualizar os valores. Esta avaliação vai ser analisada pelos peritos judiciais e só depois disso, o leilão é homologado. Lembrando que é uma estimativa, podendo haver alterações.

– A Suzantur vai querer ficar com as operações da Itapemirim/Kaissara definitivamente?

Sim. Ao Diário do Transporte, o empresário Claudinei Brogliatto falou que o intuito é ficar e continuar com as operações, mesmo porque são grandes os investimentos realizados até o momento: cerca de 70 ônibus zero quilômetro de alto valor, além dos seminovos e reformas de guichês, aluguel de garagens, estruturação de mão-de-obra.

– A Suzantur vai ter de ficar com os ônibus antigos da Itapemirim?

Se a Justiça decidir que será leilão único, como sugere a EXM Partners, a Suzantur vai ter de arrematar os ônibus. Mas isso não significa que a empresa terá de operar com estes veículos. Aliás, o empresário Claudinei Brogliato disse ao Diário do Transporte que não pretende utilizar estes ônibus, que podem ser vendidos para outros operadores ou mesmo para a sucata, dependendo do estado de conservação. Há um programa de renovação de frota do Governo Federal que foi aderido pela Suzantur, mas até o leilão ocorrer, os recursos do programa já devem ter se esgotado. Além disso, o programa aceita a substituição de ônibus com 20 anos ou mais e, apesar do estado precário, muitos dos veículos têm menos de 20 anos no acervo da “antiga” Itapemirim.

– Alguém pode entrar na Justiça contra os termos do leilão e atrasar prazos e se extrapolar o tempo?

Sim, é direito Constitucional de qualquer pessoa física e empresa. Por isso que o leilão será marcado ainda faltando alguns meses para o fim do arrendamento, para dar tempo. Caso extrapole o prazo do fim do arrendamento, há meios jurídicos de a Suzantur continuar até a resolução de todas as impugnações para não haver descontinuidade e interrupção dos serviços. Mas isso por decisão da Justiça, não por pedido ou deliberação da Suzantur

– E os trabalhadores atuais da Nova Itapemirim, como ficam após o leilão?

Pode haver negociações para que continuem em caso de outra empresa vencedora. Na possibilidade de a Suzantur vencer o leilão, o processo de incorporação de trabalhadores será mais fácil.

O fim da Viação Itapemirim também envolveu o nome do fundador Camilo Cola em outra polêmica.

Em 07 de março de 2016, o Grupo Itapemirim entrou com pedido de recuperação judicial, na época com uma dívida de mais de R$ 300 milhões, sendo que grande parte era de débitos trabalhistas, além de fornecedores e credores estrangeiros.

Em 17 de fevereiro de 2017, Camilo Cola dava entrevista à imprensa dizendo que a continuaria à frente da Viação Kaissara mas que havia vendido o Grupo Itapemirim para empresários de São Paulo, como mostrou o Diário do Transporte à época.

Em entrevista à Gazeta, do Espírito Santo, filiada à TV Globo, o fundador da empresa, Camilo Cola, hoje com 93 anos, disse que a Viação Itapemirim foi vendida, mas que a família continua no controle da Kaissara.

“Vendemos a Itapemirim. Quem comprou foi um grupo empresarial. Eles ficaram com a Itapemirim e nós ficamos com a Kaissara. Eles ficaram com as linhas curtas e nós, com as longas. Eles assumiram toda a dívida”, disse o empresário, que fundou a empresa em 1953, em Cachoeiro de Itapemirim.

De acordo com a reportagem, a Viação Itapemirim foi comprada pelos empresários de São Paulo, Sidnei Piva de Jesus, Milton Rodrigues Junior e Camila de Souza Valdívia – que foi nomeada presidente da companhia.

A compra ocorreu por meio das empresas Ssg Incorporação e Assessoria, de propriedade de Sidnei Piva de Jesus e a Csv Incorporação e Assessoria Empresarial, de Camila de Souza Valdívia, ambas localizadas em São Paulo.

O objeto social das duas empresas engloba atividades de consultoria e auditoria contábil e tributária e incorporação de empreendimentos imobiliários, de acordo com a Junta Comercial de São Paulo. A Csv também atua em consultoria em gestão empresarial e de publicidade.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/02/18/itapemirim-foi-vendida-para-grupo-de-sao-paulo-e-camilo-cola-continua-com-kaissara-diz-empresario-a-tv-do-espirito-santo/

Mas em 12 de maio de 2017, Camilo Cola vinha à imprensa de novo e disse que tinha sido vítima de um golpe e que, na verdade, não havia vendido a Itapemirim, mas que contratou o grupo de empresários para uma consultoria, como também mostrou o Diário do Transporte à época.

A FolhaES divulgou na sexta-feira, 12 de maio de 2017, uma entrevista atribuída à Camilo Cola, na qual o fundador da empresa, criada em 4 de julho de 1953, mas com origem em 1946,  diz que foi vítima de um golpe na recuperação judicial.

Camilo Cola afirmou que a família fundadora vai entrar na justiça contra os empresários Sidnei Piva de Jesus, Milton Rodrigues Junior e Camila de Souza Valdívia, nomeada presidente da companhia.

Segundo a entrevista, os atuais controladores foram contratados para ajudar a família fundadora nesse processo de recuperação judicial.

Camilo Cola diz que transferiu poderes dentro da Itapemirim ao novo grupo, o que resultou em sua própria destituição do comando. Cola era assessorado por um diretor de carreira na empresa, Anísio Fioresi, e pelo advogado e ex-juiz Rômulo Silveira, diretor jurídico do grupo com a administração antiga.

Na matéria, Camilo Cola fala em quebra de confiança.

Entre as supostas irregularidades apontadas pela família Cola e atribuídas ao novo grupo, está o desvio de recursos da empresa obtidos com as vendas de passagens para o pagamento de notas fiscais por serviços prestados por outras empresas dos atuais gestores.

Ainda de acordo com o Camilo Cola, na matéria, o interesse pela recuperação das empresas seria uma “fachada” para desvio de recursos e inviabilização total do Grupo Itapemirim, que retornaria à família fundadora, mas dilapidado.

“Fomos enganados de todas as maneiras e tivemos a nossa confiança traída por pessoas de nossa maior consideração. Foi uma articulação monstruosa e sem precedentes, que, infelizmente, só descobrimos há pouco tempo … Já demitiram inúmeros funcionários sem o pagamento de verbas rescisórias, multas e FGTS, como determina a legislação. Não irá demorar muito, como já identificamos em outras empresas onde aplicaram o mesmo golpe, para demitirem muitos outros funcionários, sem também efetuar o pagamento de direitos trabalhistas, denegrindo um grupo que se orgulha de sua história no Espírito Santo e no país. Não vamos deixar isso acontecer. Cachoeiro de Itapemirim e o Espírito Santo precisam saber quem é essa gente e nos ajudar a recolocar as empresas no caminho da recuperação”

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/05/13/camilo-cola-diz-que-itapemirim-foi-vitima-de-golpe-e-novo-grupo-afirma-que-contratou-auditoria/

O MP (Ministério Público) investigou se a venda da Itapemirim seria uma última manobra de Camilo Cola quanto às dívidas milionárias do grupo.

Ao longo da condução de Piva, foram apuradas diversas irregularidades, todas negadas pelo empresário.

Entre as quais, suspeitas de desvios de dinheiro de credores da empresa de ônibus para paraísos fiscais e de R$ 46 milhões para a constituição da ITA (Itapemirim Transportes Aéreos) em 2021, que voou apenas cerca de seis meses, parando de operar repentinamente em 17 de dezembro de 2021, pegando milhares de passageiros de surpresa.

A ITA teve a falência decretada em 11 de julho de 2023, como mostrou o Diário do Transporte em primeira mão.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/07/17/decisao-ita-itapemirim-transportes-aereos-tem-falencia-decretada-pela-justica-grupo-rodoviario-faliu-no-ano-passado/

Mas o desembargador Azuma Nishi, da 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial, do Tribunal de Justiça de São Paulo, atendeu recurso da ITA (Itapemirim Transportes Aéreos) e suspendeu a decisão em primeira instância que havia decretado a falência da empresa aérea fundada por Sidnei Piva de Jesus.

A decisão liminar é de 18 de agosto de 2023 e foi publicada no dia 22.

O despacho não se estende às empresas de ônibus (Grupo Itapemirim), que continuam com arrendamento de linhas pela companhia Suzantur, do ABC.

A ITA, que voou por cerca de seis meses e parou repentinamente em 17 de janeiro de 2021,  deixando mais de 131 mil passageiros sem transportem, alegou que a empresa autora da decretação da falência, a Travel Technology Interactive do Brasil Soluções em Software Ltda,  desistiu do pedido antes da decisão em primeira instância.

Além disso, a ITA alega que não foi citada no processo quanto ao pedido da falência, não podendo se defender.

Na decisão, o desembargador destacou que não foi analisado esta desistência do pedido de falência e que “há perigo imediato de dano irreparável e de difícil reparação decorrente do decreto de quebra da empresa agravante”.

A criação da ITA é investigada pelo MPF (Ministério Público Federal) que apura supostas fraudes cometidas pelo empresário Sidnei Piva de Jesus e desvios de cerca de R$ 46 milhões dos credores do grupo de ônibus para constituir a companhia aérea.

Piva nega as irregularidades.

O Grupo Itapemirim, que incluiu as empresas de ônibus, teve a falência decretada pela Justiça antes.

Contando tributos e débitos com fornecedores, bancos e trabalhadores, o Grupo Itapemirim, que estava em recuperação judicial desde março de 2016, tem dívidas que chegam a R$ 2,2 bilhões. Depois de ter o proprietário afastado, Sidnei Piva de Jesus, suspeito de crimes falimentares e gestão fraudulenta, envolvendo supostas transferências de recursos ilegais das empresas de ônibus para fundar a ITA (Itapemirim Transportes Aéreos), o Grupo Itapemirim teve a falência decretada pela Justiça em 21 de setembro de 2022.

Na decisão pela falência, o juiz João Oliveira Rodrigues Filho, do Tribunal de Justiça de São Paulo, autorizou o arrendamento de linhas e estruturas operacionais da Itapemirim e da Kaissara para a Suzantur, empresa que atuou no ramo de fretamento e opera ônibus urbanos em quatro cidades do ABC Paulista (Santo André, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires) e no município de São Carlos, no interior do Estado de São Paulo. A empresa atuava até 2020 no ramo de fretamento também (Relembre o fim da Suzantur no fretamento https://diariodotransporte.com.br/2020/06/29/exclusivo-grupo-comporte-da-breda-e-piracicabana-vai-assumir-servicos-e-onibus-da-suzantur-fretamento/  )

Contestaram o arrendamento das linhas para a Suzantur, a ANTT Agência Nacional de Transportes Terrestre (sargumentando, entre outros pontos, que linhas de ônibus pertencem ao poder público e não podem ser considerados ativos de uma empresa), a Viação Garcia (empresa de ônibus rodoviários do Sul do País que tinha interesse nas mesmas linhas e que alega que ofereceu propostas melhores) e o próprio Grupo Itapemirim (administrações Sidnei Piva – último dono –  e da Transconsult – que fez uma rápida intervenção nas companhias). A Associação dos Credores da Itapemirim, grupo que diz representar uma parte dos credores, também não queria que a Suzantur operasse as linhas.

O Grupo Itapemirim é formado pelas seguintes empresas:

– Viação Itapemirim S.A (CNPJ: 27.175.975/0001-07);

– Transportadora Itapemirim S.A (CNPJ:33.271.511/0001-05);

– ITA Itapemirim Transportes S.A.(CNPJ:34.537.845/0001-32);

– Imobiliária Bianca Ltda. (CNPJ: 31.814.965/0001-41);

– Cola Comercial e Distribuidora Ltda.(CNPJ: 31.719.032/0001-75);

– Flecha S.A.Turismo, Comércio e Indústria (CNPJ: 27.075.753/0001-12);

– Viação Caiçara Ltda.(CNPJ: 11.047.649/0001-84) – marca fantasia: Kaissara

A Suzantur, originária do setor de fretamento, tem como sócio principal o empresário Claudinei Brogliato.

Atualmente a empresa opera linhas urbanas nas seguintes cidades:

– Santo André (Grande São Paulo): Sistema tronco-alimentado de Vila Luzita – em caráter provisório desde 2016 porque a prefeitura ainda não lançou uma nova licitação para conceder este sistema que era operado pela Expresso Guarará. O sistema Vila Luzita, individualmente, atende a maior demanda de passageiros de Santo André;

– Diadema (Grande São Paulo): Todas as linhas municipais por concessão (aquisição das operações da Benfica e MobiBrasil);

– Mauá (Grande São Paulo): Todas as linhas municipais por concessão;

– Ribeirão Pires (Grande São Paulo): Todas as linhas municipais por concessão (aquisição das operações da Rigras);

– São Carlos (Interior de São Paulo): Todas as linhas depois de operações emergenciais com a saída da empresa Athenas Paulista em 2016. O Grupo Suzantur foi considerado vencedor na licitação do sistema em 1º de setembro de 2022, para assumir contrato de 10 anos prorrogáveis por mais 10 anos. O Grupo participou da concorrência com o nome da Rigras, de Ribeirão Pires. Em 1º de maio de 2023, entretanto, a empresa deixa de operar e assume as linhas a Sacentur (Santa Cecília Transportes e Turismo) – SOU.

O dia 04 de março de 2023, um sábado, marcou o retorno oficial da Itapemirim/Kaissara pela Suzantur por meio de arrendamento autorizado pela Justiça. A primeira viagem foi de São Paulo a Curitiba, saindo do Terminal Rodoviário do Tietê, na zona Norte de São Paulo às 7h. O Diário do Transporte acompanhou a saída do ônibus às 5h30 da garagem de Santo André, no ABC Paulista, que fica na Avenida Queirós dos Santos com a Rua Luís Pinto Fláquer, no centro, próximo da linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). O primeiro ônibus de prefixo 50126 é um Marcopolo Paradiso de dois andares, com categoria leito na parte inferior e semi-leito na parte superior. O Diário do Transporte conversou com o motorista Francisco Carlos Alves, que já trabalhou por 10 anos na viação Itapemirim, ainda na administração da família de Camilo Cola, e agora está neste retorno. O profissional também atuou em grandes empresas como Gontijo e Cometa.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/03/04/em-primeira-mao-video-confira-o-primeiro-onibus-e-o-primeiro-motorista-que-marcam-o-retorno-da-viacao-itapemirim-kaissara-sobre-arrendamento-da-suzantur/

OS PRIMEIROS EURO 6:

A Suzantur confirmou ao Diário do Transporte de forma oficial em 14 de abril de 2023, a compra para a Itapemirim/Kaissara das primeiras seis unidades de chassis de ônibus que seguem o padrão de motores Euro 6.

Os veículos deste padrão emitem, em geral, 75% menos de poluição e conseguem ter um consumo menor de óleo diesel e um desempenho melhor em relação aos modelos da tecnologia anterior Euro 5. O novo padrão internacional se tornou obrigatório no Brasil em janeiro deste ano.

Os chassis já recebem na Marcopolo, em Caxias do Sul (RS), carrocerias do modelo Paradiso 1800 DD (de dois andares) G8 (oitava geração).

As linhas que receberão os novos ônibus ainda serão definidas.

De acordo com a companhia do ABC Paulista, as seis unidades são da marca Scania, modelo K 410 – 6X2 (três eixos, seis rodas com tração em duas delas).

A Suzantur, que possui sede em Santo André (SP), opera as linhas que eram de responsabilidade da Itapemirim/Kaissara, que faliram, por meio de arrendamento judicial.

EXCLUSIVO: Confira os novos ônibus “leito-cama” da Itapemirim que ainda estão em linha de produção na Marcopolo

Suzantur promete mais investimentos em veículos e infraestrutura e vai ampliar categoria de serviços com as unidades deste ano

ADAMO BAZANI

Colaboraram Willian Moreira e Alexandre Pelegi

A Suzantur vai ampliar ainda neste ano de 2023 os investimentos em mais veículos e infraestrutura para retomar as operações de linhas que eram autorizadas às Viações Itapemirim e Kaissara.

A informação é da própria empresa que, na manhã deste sábado, 08 de julho de 2023, divulgou com exclusividade ao Diário do Transporte, imagens dos ônibus de dois andares com categoria leito-cama. (A solicitação é que blogs e canais de Youtube creditem a informação ao Diário do Transporte em referências sobre o material).

Vale ressaltar que não são imagens “vazadas” ou feitas sem autorização. O material foi produzido pela empresa para o Diário do Transporte.

Neste lote, como já havia antecipado a reportagem, são seis veículos. Os ônibus vão oferecer aos passageiros a categoria leito-cama; Cada veículo é configurado com oito poltronas que possibilitam reclinação total na parte inferior e 46 assentos no piso superior, do tipo semi-leito.

Na parte inferior, além de reclinação total nas poltronas, os passageiros vão contar com serviço diferenciado que oferece lanche, bebida não alcóolica, mantas, canais individuais para entretenimento por áudio e vídeo, iluminação especial entre outros itens de conforto.

Em ambos os andares, os ônibus oferecem nas poltronas os seguintes itens: porta-copos, entradas do tipo USB para carregamento de baterias de celulares; notebooks e outros dispositivos móveis em casa assento; apoio para descanso de pernas; regulagens em diferentes posições de reclinação entre outros.

Geladeiras com água à vontade para os passageiros, sanitário, ar-condicionado com regulagem de saída individuais, iluminação para relaxamento visual, interfone para comunicação com o motorista também fazem parte do pacote presente no modelo dos ônibus para as duas categorias de serviço.

As carrocerias são produzidas pela Marcopolo em Caxias do Sul (RS) e o modelo é Paradiso 1800 DD (Double Decker) – Geração 8.

Os chassis foram produzidos pela Scania, em São Bernardo do Campo (SP), modelo K410 6×2 (três eixos), no padrão Euro 6 de motores a diesel, cuja produção no Brasil se tornou obrigatória em janeiro de 2023.  Este padrão internacional de emissões reduz a poluição em média em 75% em comparação com os modelos de geração anteriores Euro 5.

Este tipo de chassi, além de suspensão pneumática e controle individual de tração, oferece pacotes de segurança com atuação semiautônoma para redução de acidentes, porém, com comando total do motorist (veja mais detalhes mais abaixo)

“Ao longo de sua história, a Itapemirim sempre se destacou por oferecer serviços diferenciados, ampla gama de opções aos passageiros e viagens com conforto e segurança. Nesta nova fase da marca, tudo isso será retomado. A marca Itapemirim gradativamente vai voltar a ser uma das principais no transporte na América Latina e quem ganha com isso é o passageiro: mais serviços, mais opções e uma atuação saudável no mercardo” – promete a empresa.

As viações Itapemirim e Kaissara tiveram a falência decretada em 21 de setembro de 2022. Na mesma decisão, a Justiça de São Paulo autorizou que a Suzantur, do ABC Paulista, na Região Metropolitana de São Paulo, opere as linhas por meio de arrendamento por um ano renovável por mais outro.

A Suzantur diz que com os novos ônibus serão ampliadas as opções das categorias de serviços para os passageiros.

Mais ônibus zero quilômetro e seminovos serão incorporados à frota, mas as quantidades e modelos ainda terão divulgação oficial. Até lá, todas as supostas informações são especulações.

Segundo a empresa, as linhas de montagem da encarroçadora Marcopolo, na cidade de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, estão a todo vapor para atender a alta demanda do mercado, reflexo ainda de antecipações de compras do ano passado por outras empresas que ainda optaram por comprar chassis Euro 5.

O Diário do Transporte mostrou nesta sexta-feira, 07 de julho de 2023, que a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou o balanço da indústria automotiva referente ao primeiro semestre do ano.

No mercado de ônibus, há duas realidades: enquanto a produção caiu 28,4%, com 9.539 chassis saindo das linhas de montagem no acumulado entre janeiro e junho de 2023, os emplacamentos subiram 54,9 %. No primeiro semestre de 2023, foram licenciados 11.322 ônibus.

Como há uma diferença de três a seis meses entre a compra dos ônibus e o emplacamento, é compreensível o fato de a produção de chassis estar em baixa, mas com filas nas encarroçadoras e alta nos emplacamentos. Muitos chassis do ano passado ainda estão recebendo as carrocerias e sendo emplacados.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2023/07/07/primeiro-semestre-de-2023-acumula-queda-de-284-na-producao-de-onibus-no-brasil-diz-anfavea-nesta-sexta-07-2/

A Suzantur e a Marcopolo possuem uma parceria de longa data.

A maior parte da frota dos ônibus urbanos da empresa é da marca e, neste segmento, a companhia deve realizar neste ano de 2023 mais renovações também.

A Suzantur atualmente opera no ABC Paulista, atuando nas cidades de Santo André, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires, somente em sistemas municipais.

A empresa também foi a primeira a testar em campo o modelo Attivi Elétrico Padron de 12m, o inédito ônibus elétrico de produção integral da Marcopolo, ao fazer o trajeto de uma linha troncal em Santo André, entre um dos bairros mais populosos da cidade e a região central: TR 103 (Terminal Vila Luzita/Terminal Santo André) – via Coronel Alfredo Fláquer (Perimetral).

Adamo Bazani, jornalista especializado em transporte

Guilherme Strabelli, para o Diário do Transporte

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