PAESE no Monotrilho da linha 15-Prata; sem previsão de retorno: Bombardier e Metrô confirmam oficialmente rompimento de pneu

Publicado em: 2 de março de 2020
monotrilho

Monotrilho. Metrô diz que foi constatada a incidência de danos em outros pneus dos trens do monotrilho

Empresa canadense diz que recomendou Metrô a retirar 23 composições de operação. Metrô afirma que vai cobrar prejuízos

ADAMO BAZANI

Colaborou Jessica Marques

O meio de transporte coletivo dos usuários da linha 15-Prata do monotrilho é o ônibus no início dessa semana de 02 de março de 2020. São cerca de 50 coletivos em operação.

Isso porque, mais uma vez o sistema de trens leves com pneus sobre elevados de concreto apresentou problemas e está sem operar por tempo indeterminado.

A pedido da Companhia do Metrô, responsável pelo monotrilho, a SPTrans – São Paulo Transporte e as empresas de ônibus da região Sudeste colocaram em vigor a operação PAESE – Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência para fazer a mesma ligação do monotrilho, entre São Mateus e Vila Prudente, na zona Leste.

A empresa multinacional Bombardier e o Metrô de São Paulo confirmaram ao Diário do Transporte, por meio de nota, na tarde deste domingo, 01º de março de 2020, que houve na quinta-feira, 27 de fevereiro, o rompimento de um pneu de uma das composições do monotrilho da linha 15-Prata (Vila Prudente/São Mateus), que atende a Zona Leste de São Paulo.

Segundo a empresa canadense, foi apenas um composto que foi danificado.

A companhia do Metrô informou também que ao longo dos testes realizados na linha neste fim de semana, foi constatada “a incidência de danos em outros pneus dos trens do monotrilho”

O Metrô relatou ainda que dispositivos que ficam dentro dos pneus chamados “Run Flat” estão causando essa alteração

A empresa internacional acrescentou que “por excesso de cautela” recomentou à Companhia Metrô de São Paulo que retirasse 23 composições de circulação para que equipes do Canadá inspecionem os trens.

A Bombardier disse que quer devolver os trens o mais rapidamente possível, mas não informou um prazo para o reinício das operações.

O Metrô informou que está cobrando da Bombardier e do Consórcio CEML – que construiu a via – providências urgentes para a identificação da causa da ocorrência, a sua correção e que eles arquem com todos os prejuízos decorrentes desta paralisação junto ao Metrô de São Paulo.

A SPTrans – São Paulo Transporte, que gerencia os ônibus já havia informado na parte da manhã deste domingo que a pedido do Metrô vai disponibilizar por meio das viações da cidade coletivos gratuitos para toda a extensão do monotrilho.

Veja as notas na íntegra:

 

METRÔ:

 Na última quinta-feira (27) um único pneu de um jogo de pneus do Trem do monotrilho da Linha 15-Prata se rompeu e o mesmo foi recolhido imediatamente para a manutenção. Ao longo dos testes realizados na linha neste fim de semana, o Metrô constatou a incidência de danos em outros pneus dos trens do monotrilho.

 

A fabricante Bombardier foi acionada imediatamente e verificou que os dispositivos chamados “Run Flat” estão causando essa alteração. Esses dispositivos ficam nas rodas e garantem a movimentação do trem em casos de anormalidades, como pneus furados ou murchos.

 

Para evitar que falhas como esta causem problemas que comprometam o funcionamento normal da linha e em medida de precaução para os cidadãos, a operação da Linha 15-Prata continuará paralisada nesta segunda-feira (2).

 

O Metrô está cobrando da Bombardier e do Consórcio CEML – que construiu a via – providências urgentes para a identificação da causa da ocorrência, a sua correção e que eles arquem com todos os prejuízos decorrentes desta paralisação junto ao Metrô de São Paulo.

 

Toda a frota, vias e sistemas passarão por rigorosa inspeção nos próximos dias, com acompanhamento dos funcionários do Metrô, para uma imediata solução que permita a retomada da operação.

 

O Metrô lamenta o transtorno causado e para minimizá-lo está disponibilizando gratuitamente ônibus do sistema Paese, que durante o período de interdição, vão realizar o trajeto entre as estações São Mateus e Vila Prudente, das 4h40 à 0h.

 

BOMBARDIER

 

A Bombardier informa que na quinta-feira (27), um pneu de um dos seus trens se rompeu durante a operação no monotrilho de São Paulo.

 

Devido ao ocorrido, foram adotadas algumas medidas preventivas, conforme já planejado e previsto para essas situações no sistema Monotrilho: uma redução de velocidade foi imposta e o trem impactado foi retido quando chegou à próxima estação.

 

Por excesso de cautela, recomendamos que o Metrô de São Paulo removesse a frota de 23 trens de serviço para que nossa equipe de especialistas do Canadá, pudesse realizar as inspeções necessárias.

 

Juntamente com nossos fornecedores de rodas e pneus, estamos trabalhando 24 horas por dia para inspecionar os trens, determinar a causa do incidente, desenvolver uma solução e apresentar medidas corretivas ao Metrô de São Paulo.

 

Entendemos o impacto que isso terá na comunidade de São Paulo e pedimos desculpas pelo inconveniente necessário. Agradecemos sua compreensão e cooperação, pois nossas equipes trabalham dia e noite para corrigir a situação em tempo hábil.

 

Embora nosso objetivo seja devolver os trens aptos para operação o mais rápido possível, a segurança é nossa prioridade número um.

 

Gostaríamos de tranquilizar os passageiros de que os trens do monotrilho do Metrô de São Paulo têm transportado passageiros com segurança e confiabilidade desde que o sistema foi inaugurado em 2014.

 

ESTOURO DE PNEU

A primeira informação chegou ao Sindicato dos Metroviários por funcionários da Companhia do Metrô e dava conta de cinco pneus da composição M20 terem estourado, por volta de 6h40 da última quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020, quando saía da estação Jardim Planalto. Diferentemente dos trens do Metrô e da CPTM, o monotrilho possui rodas com pneus de borracha.

Segundo o coordenador-geral da entidade, Wagner Fajardo, em entrevista por telefone ao Diário do Transporte, no sábado, técnicos verificariam se haveria risco de mais pneus estourarem.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2020/03/01/estouro-de-pneus-do-monotrilho-foi-real-motivo-de-paralisacao-da-linha-15-prata-no-fim-de-semana-diz-sindicato-sptrans-anuncia-paese-para-segunda-feira-02/

O Diário do Transporte, acompanhando a operação do sistema, já tinha noticiado falhas consecutivas no monotrilho da linha 15-Prata na manhã de quinta-feira, 27, na mesma faixa horária em que teria ocorrido o estouro dos pneus do trem.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/02/27/linha-15-prata-do-monotrilho-regista-falhas-consecutivas-em-trens/

Nas redes sociais, passageiros relataram que o pneu de um dos trens havia se soltado na quinta-feira, em horário semelhante às informações recebidas pelo Sindicato dos Metroviários.

O relato foi postado na sexta-feira no Twitter e o Metrô respondeu ao passageiro que o trem teve um problema de tração, seguiu até a estação Sapopemba, no sentido São Mateus, onde foi esvaziado.

No sentido São Mateus, a estação Sapopemba fica imediatamente depois da estação Jardim Planalto. O relato foi sobre a mesma faixa horária, mesmo trecho e mesma direção que teria ocorrido o estouro dos pneus do trem, conforme informação recebida pelo sindicato.

Oficialmente, o Metrô avisou que o monotrilho não funcionou no fim de semana para testes num sistema de controle de trens chamado CBTC.

Entretanto, diferentemente do que ocorria nas vezes passadas de interrupção da linha 15, quando o aviso era feito com antecedência, o comunicado só veio a público na noite se sexta-feira, 28.

A forma de divulgação também chamou a atenção dos passageiros.

Nas redes sociais, usuários estranharam o fato de a interrupção das linhas ter sido avisada somente na noite da sexta-feira e de forma aparentemente improvisada.

Na estação Sapopemba, havia um cartaz feito à mão informando a suspensão dos serviços e o acionamento da operação PAESE – Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência, que, neste caso, consiste na colocação de ônibus para atender os passageiros do monotrilho.

HISTÓRICO DE PROBLEMAS:

O monotrilho da linha 15-Prata coleciona uma série de problemas, além do atraso na conclusão das obras, que deveriam ter sido entregues em 2014, ainda para a Copa do Mundo.

27 de fevereiro de 2020: Um jogo de pneus da composição M20 estorou nno dia 27 de fevereiro de 2020, uma quinta-feira. O Metrô paralisou a linha no fim de semsna e“a incidência de danos em outros pneus dos trens do monotrilho”, suspendendo assim as operações por tempo indeterminado. O Metrô disse quwe cobrou da Bombardier e do Consórcio CEML – que construiu a via – providências urgentes para a identificação da causa da ocorrência, a sua correção e que eles arquem com todos os prejuízos decorrentes desta paralisação junto ao Metrô de São Paulo.  A Bombardier disse, por sua vez, que recomendou a paralisação de toda a linha por execesso de cautela para as análises.  Ônibus atenderam aos passageiros do monotrilho.

1º de janeiro de 2020: Um problema em equipamento de via nas proximidades da Estação São Lucas causou transtornos para os passageiros por, pelo menos, cinco dias consecutivos. O Metrô explicou que o problema foi ocasionado pelo “desgaste natural” de parafusos perto de um equipamento de mudança de via na região da Estação São Lucas .A estação foi inaugurada em 6 de abril de 2018. Em nota, a Companhia de Metrô disse que os parafusos precisaram ser trocados e que pela fixação ser em concreto, sendo necessário aguardar.

15 de maio de 2019: A composição M 11 do monotrilho da linha 15-Prata, da zona Leste, se deslocou de uma viga no pátio Oratório no início das operações. O incidente ocorreu num equipamento de mudança de via. Ninguém se feriu.

29 de janeiro de 2019: No final da noite do dia 29 de janeiro de 2019, duas composições M22 e M23 bateram na região da estação Jardim Planalto, na zona leste da capital paulista. Ninguém se feriu gravemente. A estação não recebia passageiros. Um laudo do Metrô, divulgado em 05 de fevereiro de 2019, trouxe a conclusão de que “não houve qualquer falha do sistema de sinalização e sim erro humano” .

Mas o resultado foi contestado pelo Sindicato dos Metroviários que sustenta que há uma lacuna no sistema que controla os trens do monotrilho.

Segundo a entidade sindical, o sistema de controle da Linha 15-Prata não permite que um trem identifique o outro quando um deles está desligado. “Ao se desligar o trem, ele desaparece para o sistema” – sustentou o sindicato.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/02/07/sindicato-dos-metroviarios-diz-que-acidente-com-monotrilho-foi-causado-por-ausencia-de-sistema-de-comunicacao/

Também no dia 29, uma peça do sistema elétrico do monotrilho da Linha 15-Prata se soltou da via no trecho entre as estações São Lucas e Vila União, mas por haver grades que retém quedas de objetos, a avenida professor Luís Inácio de Anhaia Melo, que passa embaixo, não foi atingida.

https://diariodotransporte.com.br/2019/01/29/metro-confirma-que-peca-de-sistema-eletrico-de-monotrilho-se-soltou-mas-diz-que-linha-15-possui-telas-que-evitam-queda-de-objetos-na-rua/

10 de outubro de 2016: No dia 10 de outubro de 2016, uma composição do monotrilho, que trafega em vias elevadas com cerca de 15 metros de altura, partiu da estação Oratório com as portas abertas, conforme mostram as imagens do circuito do Metrô:

Especialistas criticam modelo de monotrilho para São Paulo e cidades vizinhas

Alto custo, capacidade limitada e maior necessidade de procedimentos de segurança estão entre os problemas deste tipo de transporte. Nos anos 1960, trabalho internacional contratado pela prefeitura já descartava monotrilho pelo atendimento limitado do modal

ADAMO BAZANI

Especialistas em mobilidade criticam o monotrilho como meio de transporte para São Paulo e cidades vizinhas na região Metropolitana.

Segundo os técnicos e acadêmicos consultados pela reportagem do Diário do Transporte, linhas como 15-Prata (São Mateus/Vila Prudente) e 17-Ouro (Congonhas/Morumbi) deveriam ser atendidas por um modal de alta capacidade, como metrô e trens e não por um meio de média capacidade, como monotrilho.

A linha 18-Bronze (São Bernardo do Campo/Tamanduateí) vai ser substituída por um sistema chamado BRT – Bus Rapid Transit, que consiste em corredores de ônibus com mais capacidade e velocidade maior que os corredores de ônibus comuns, mas com atendimento menor que de um metrô.

As promessas de que as linhas de monotrilho deveriam ser bem mais baratas que do Metrô e de implantação mais rápida não se concretizaram. Todas as linhas deveriam estar funcionando desde 2014, pelo menos, e com preço bem inferior ao Metrô, mas somente a linha 15-Prata opera e constantemente tem registrado falhas graves que comprometem a operação e a rotina dos passageiros. O custo de implantação vai superar R$ 5 bilhões.

Desde o final de semana, mais uma vez os passageiros do monotrilho só contam com ônibus como transporte coletivo porque o monotrilho não funciona.

O problema agora é com os pneus dos trens.

Diferentemente dos trens de alta capacidade do Metrô e da CPTM, que têm rodas de ferro, os trens de média capacidade do monotrilho têm pneus.

Como mostrou o Diário do Transporte, o estouro do pneu do trem M20, quando saía da estação Jardim Planalto, por volta de 6h30 da quinta-feira passada, 27 de fevereiro, colocou em alerta o Metrô e a empresa Bombardier, que suspenderam as operações de 23 composições.

O consultou de transporte, Peter Alouche, disse que monotrilho é sujeito a este tipo de problema e que alertava para as limitações do modal.

“Já alertava para este tipo de problema desde o início da escolha. Registrei meu descontentamento através de muitos artigos técnicos. A possibilidade de estouro de pneus é real neste meio de transporte” – disse o especialista Peter Alouche, que participou ativamente da implantação do Metrô de São Paulo

Já nos anos 1960, o monotrilho tinha sido descartado para a capital e cidades vizinhas.

Em 1966, o então prefeito de São Paulo, Faria Lima, criou o Grupo Executivo Metropolitano – GEM que antecedeu a fundação da Companhia do Metropolitano. Segundo nota na área de Governança Corporativa no site do Metrô, esse grupo contratou um consórcio de duas empresas alemãs (Hochtief e Deconsult), que se fundiu com a brasileira Montreal, formando uma nova empresa, a HMD.

Foi a HMD que realizou a primeira “Pesquisa Origem e Destino”, em 1967, por meio da qual foram projetadas as linhas básicas do Metrô para a cidade de São Paulo, elaborados os primeiros estudos econômicos e o pré-projeto de engenharia, segundo a explicação no site do Metrô.

Assim, o consórcio internacional projetou demandas, que agora se realizaram, para as quais o monotrilho não tem capacidade de atender.

Segundo o arquiteto e urbanista, consultor de transporte, Flaminio Fichmann, em conversa com o Diário do Transporte nesta segunda-feira, 02 de março de 2020, a linha 15-Prata paga por ser laboratório de um monotrilho que a fabricante não possuía.

“Investimos na tecnologia da Bombardier, empresa canadense, que não tinha o “produto” para implantar e atender a demanda da Linha 15 do monotrilho. Ou seja, estamos pagando o desenvolvimento de um novo tipo de monotrilho para uma empresa estrangeira, que está falhando na operação e colocando as pessoas em risco. Hoje podemos afirmar com segurança que eles não cumprirão as especificações do projeto para atender a demanda prevista.”

Fichmann também cita problemas na linha 17-Ouro, que ainda está em construção, em relação a fabricante de trem.

“A Linha 17 Ouro não concluiu o primeiro trecho e não entrou em operação porque a Scomi, outra empresa estrangeira, faliu e não existe previsão para a implantação da linha até o Morumbi, prometida para o início da Copa em 2014. Já gastamos bilhões de reais de modo irresponsável com essa tecnologia.” – disse

Após o rompimento do contrato com o antigo consórcio, o Metrô abriu um novo processo de licitação para o fornecimento de trens de média capacidade e equipamentos e habilitou a chinesa BYD  (Consórcio BYD SKYRAIL São Paulo, formado pelas chinesas BYD do Brasil Ltda; BYD Auto Industry Company Limited e BYD Signal & Communication Company Limited.) para a linha 17, muito embora, o Consórcio Signalling, composto por duas empresas nacionais – Ttrans e Bom Sinal – e uma empresa suíça, a Molinari, tenha oferecido o menor preço.

Na decisão que é alvo de recurso, o Metrô entendeu que o Consórcio Signalling não atendeu o critério de “Patrimônio Líquido”.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/02/01/metro-habilita-chinesa-byd-para-fornecer-trens-do-monotrilho-da-linha-17/

Mesmo sem fazer uma defesa do BRT, o arquiteto e urbanista, consultor de transporte, Flaminio Fichmann, diz que foi uma boa decisão do Governo do Estado em descartar o monotrilho para a ligação entre o ABC Paulista e a capital na linha 18.

“Muitos irresponsáveis e mentirosos os que estavam apresentando o Monotrilho do ABC como Metrô, tentando enganar a população. Felizmente esse processo foi sepultado e o ABC poderá se abrir para soluções de transporte mais eficientes, seguras e confiáveis.” – completou Flaminio.

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo foi a primeira entidade a divulgar que a interrupção do funcionamento do monotrilho ocorreu por causa de estouro em pneu.

O coordenador-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Fajardo, explicou ao Diário do Transporte que a entidade sustenta que monotrilho é um meio de transporte de média capacidade, para trajetos curtos, limitado, com características de estrutura e operação sem domínio brasileiro e mais sujeito a falhas crônicas.

“Isso já confirma as opiniões que o sindicato vem expondo desde o início da inauguração desse sistema. O sistema de monotrilho é inseguro, tem muitas falhas e, na realidade, fizeram os trabalhadores e usuários de cobaias num sistema que não deveria ser este, mas metrô para garantir um transporte de alta capacidade” – disse

Os especialistas ainda foram unânimes em defender que a prioridade dos investimentos deve ser a ferrovia de alta capacidade conjugada com uma rede de alimentação por ônibus qualificada, formado por BRTs, corredores comuns e faixas, de acordo com a demanda e as condições de infraestrutura de cada região.

Em nota oficial emitida neste domingo sobre o problema de estouro de pneu, a empresa Bombardier diz que técnicos do Canadá foram enviados para o Brasil com o objetivo de verificar o problema e que quer “tranquilizar os passageiros de que os trens do monotrilho do Metrô de São Paulo têm transportado passageiros com segurança e confiabilidade desde que o sistema foi inaugurado em 2014.”

A empresa ainda pediu “desculpas pelo inconveniente necessário.”, ou seja, a retirada de 23 trens de circulação para a análise.

INTERRUPÇÃO DA LINHA 15-PRATA NÃO ERA TESTE DE CONTROLE DE TRENS

Inicialmente, o Metrô dizia que a suspensão da operação se deu por causa de “testes do sistema de controle de trens”, mas o verdadeiro motivo da paralisação da linha 15-Prata, trazido à tona pelo Diário do Transporte e pelo Sindicato dos Metroviários foi o problema com os pneus dos trens.

Segundo o Metrô, ao longo dos testes realizados na linha neste fim de semana, foi constatada “a incidência de danos em outros pneus dos trens do monotrilho”

O Metrô relatou ainda que partes dos pneus chamadas “Run Flat” estão causando essa alteração. Esses dispositivos ficam nas rodas e garantem a movimentação do trem em casos de anormalidades, como pneus furados ou murchos.

A estatal disse, por meio de nota, que está cobrando da Bombardier e do Consórcio CEML – que construiu a via – providências urgentes para a identificação da causa da ocorrência, a sua correção e que eles arquem com todos os prejuízos decorrentes desta paralisação junto ao Metrô de São Paulo.

HISTÓRICO DE PROBLEMAS:

O monotrilho da linha 15-Prata coleciona uma série de problemas, além do atraso na conclusão das obras, que deveriam ter sido entregues em 2014, ainda para a Copa do Mundo.

27 de fevereiro de 2020: Um jogo de pneus da composição M20 estorou nno dia 27 de fevereiro de 2020, uma quinta-feira. O Metrô paralisou a linha no fim de semsna e“a incidência de danos em outros pneus dos trens do monotrilho”, suspendendo assim as operações por tempo indeterminado. O Metrô disse quwe cobrou da Bombardier e do Consórcio CEML – que construiu a via – providências urgentes para a identificação da causa da ocorrência, a sua correção e que eles arquem com todos os prejuízos decorrentes desta paralisação junto ao Metrô de São Paulo. A Bombardier disse, por sua vez, que recomendou a paralisação de toda a linha por execesso de cautela para as análises. Ônibus atenderam aos passageiros do monotrilho.

1º de janeiro de 2020: Um problema em equipamento de via nas proximidades da Estação São Lucas causou transtornos para os passageiros por, pelo menos, cinco dias consecutivos. O Metrô explicou que o problema foi ocasionado pelo “desgaste natural” de parafusos perto de um equipamento de mudança de via na região da Estação São Lucas .A estação foi inaugurada em 6 de abril de 2018. Em nota, a Companhia de Metrô disse que os parafusos precisaram ser trocados e que pela fixação ser em concreto, sendo necessário aguardar.

15 de maio de 2019: A composição M 11 do monotrilho da linha 15-Prata, da zona Leste, se deslocou de uma viga no pátio Oratório no início das operações. O incidente ocorreu num equipamento de mudança de via. Ninguém se feriu.

29 de janeiro de 2019: No final da noite do dia 29 de janeiro de 2019, duas composições M22 e M23 bateram na região da estação Jardim Planalto, na zona leste da capital paulista. Ninguém se feriu gravemente. A estação não recebia passageiros. Um laudo do Metrô, divulgado em 05 de fevereiro de 2019, trouxe a conclusão de que “não houve qualquer falha do sistema de sinalização e sim erro humano” .

Mas o resultado foi contestado pelo Sindicato dos Metroviários que sustenta que há uma lacuna no sistema que controla os trens do monotrilho.

Segundo a entidade sindical, o sistema de controle da Linha 15-Prata não permite que um trem identifique o outro quando um deles está desligado. “Ao se desligar o trem, ele desaparece para o sistema” – sustentou o sindicato.

Relembre:

Sindicato dos Metroviários diz que acidente com monotrilho foi causado por ausência de sistema de comunicação

Também no dia 29, uma peça do sistema elétrico do monotrilho da Linha 15-Prata se soltou da via no trecho entre as estações São Lucas e Vila União, mas por haver grades que retém quedas de objetos, a avenida professor Luís Inácio de Anhaia Melo, que passa embaixo, não foi atingida.

Metrô confirma que peça de sistema elétrico de monotrilho se soltou, mas diz que Linha 15 possui telas que evitam queda de objetos na rua

10 de outubro de 2016: No dia 10 de outubro de 2016, uma composição do monotrilho, que trafega em vias elevadas com cerca de 15 metros de altura, partiu da estação Oratório com as portas abertas, conforme mostram as imagens do circuito do Metrô:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:

Comentários

  1. Manoel Camargo disse:

    Isso é uma vergonha porque não foi pensado que esses problemas aconteceriam. Transporte caro, composições cheias ar condicionado ruim
    .quem sofre somos nós.

  2. Marcia BG disse:

    O monotrilho não foi projetado para transporte de massa. Assim que o metrô inaugurou todas as estações os problemas começaram e, pelo visto, estão ficando cada vez mais graves, comprometendo a segurança dos usuários.
    Com a promessa de uma obra menos cara e mais rápida o governo de São Paulo entregou a obra com anos de atraso e gastou muito mais que o orçado, mas tudo bem, o dinheiro público já está acostumado a parar no ralo ou nos bolsos das autoridades.

    Importante mesmo é que tenha 3 finais de semana de carnaval… viva o Brasil

  3. Boa noite,
    Lembramos, que essas rodas de pneus maciços não existe fabricantes no Brasil o custo é altíssimo se não tiverem no estoque vai ser uma importação demorada e não vão tentar recalchutar não aguenta a temperatura tornando-se perigoso paa o usuário.
    Que bela encrenca!

  4. Roberson disse:

    Manoel,
    Vergonha é pouco, esse modelo de transporte, na minha opinião foi um dos maiores micos construído pelo governo do PSDB

  5. Rodrigo Zika! disse:

    Uma vergonha essa linha, cada dia pior.

  6. Cicero luiz Tavares Filho disse:

    É a herança maldita da esquerda juntamente com os não menos corruptos partidos do centrão entre eles o PSDB do falastrão Dória!

  7. João Roberto Macedo disse:

    Muitas pessoas tem dúvidas quanto à segurança desse transporte chamado monotrilho demorou tanto tempo pra ser concluído é está apresentando muitos problemas com pouco tempo de uso esse tipo de transporte será realmente seguro? Todos gostaríamos de um esclarecimento por parte do governo de São Paulo ???

Deixe uma resposta