Estouro de pneus do monotrilho foi real motivo de paralisação da linha 15-Prata no fim de semana, diz sindicato. SPTrans anuncia PAESE para segunda-feira, 02

Publicado em: 1 de março de 2020

Problema teria ocorrido nos pneus no monotrilho M20. Foto: Arquivo/SMT

Metrô havia informado que linha não funcionou devido a testes de sistema de controle de trens, mas passageiros estranharam anúncio somente na noite de sexta-feira, diferentemente de outras ocasiões de testes programados

ADAMO BAZANI

Colaboraram Jessica Marques e Willian Moreira

O monotrilho da linha 15-Prata, da zona Leste de São Paulo, não funcionou neste final de semana para verificação dos motivos de ao menos cinco pneus da composição M20 terem estourado, por volta de 6h40 da última quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020, quando saía da estação Jardim Planalto. Diferentemente dos trens do Metrô e da CPTM, o monotrilho possui rodas com pneus de borracha.

A informação chegou ao Sindicato dos Metroviários por funcionários da Companhia do Metrô, que é a responsável pela linha.

Segundo o coordenador-geral da entidade, Wagner Fajardo, em entrevista por telefone ao Diário do Transporte, no sábado, técnicos verificariam se haveria risco de mais pneus estourarem.

“A informação que nós temos é que vai ser feita a verificação de todos os pneus para ver se não tem risco de mais pneus estourarem e também descobrir os motivos pelos quais estes cinco estouraram” – disse.

O Diário do Transporte, acompanhando a operação do sistema, já tinha noticiado falhas consecutivas no monotrilho da linha 15-Prata na manhã de quinta-feira, 27, na mesma faixa horária em que teria ocorrido o estouro dos pneus do trem.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/02/27/linha-15-prata-do-monotrilho-regista-falhas-consecutivas-em-trens/

OUÇA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:

Nas redes sociais, passageiros relataram que o pneu de um dos trens havia se soltado na quinta-feira, em horário semelhante às informações recebidas pelo Sindicato dos Metroviários.

O relato foi postado na sexta-feira no Twitter e o Metrô respondeu ao passageiro que o trem teve um problema de tração, seguiu até a estação Sapopemba, no sentido São Mateus, onde foi esvaziado.

No sentido São Mateus, a estação Sapopemba fica imediatamente depois da estação Jardim Planalto. O relato foi sobre a mesma faixa horária, mesmo trecho e mesma direção que teria ocorrido o estouro dos pneus do trem, conforme informação recebida pelo sindicato.

Oficialmente, o Metrô avisou que o monotrilho não funcionou no fim de semana para testes num sistema de controle de trens chamado CBTC.

Entretanto, diferentemente do que ocorria nas vezes passadas de interrupção da linha 15, quando o aviso era feito com antecedência, o comunicado só veio a público na noite se sexta-feira, 28.

A forma de divulgação também chamou a atenção dos passageiros.

Nas redes sociais, usuários estranharam o fato de a interrupção das linhas ter sido avisada somente na noite da sexta-feira e de forma aparentemente improvisada.

Na estação Sapopemba, havia um cartaz feito à mão informando a suspensão dos serviços e o acionamento da operação PAESE – Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência, que, neste caso, consiste na colocação de ônibus para atender os passageiros do monotrilho.

Na tarde de sábado, 29 de janeiro de 2020, o Diário do Transporte entrou em contato com o Metrô e aguarda retorno.

Na entrevista ao Diário do Transporte, no mesmo dia, o coordenador-geral do Sindicato dos Metroviários, Wagner Fajardo, reiterou que a entidade sempre se colocou contra o modelo de monotrilho e defendeu que para as linhas 15-Prata (Vila Prudente/São Mateus) e 17-Ouro (região do Aeroporto de Congonhas) o modo de transporte mais indicado seria o Metrô de alta capacidade.

A entidade sustenta que monotrilho é um meio de transporte de média capacidade, para trajetos curtos, limitado, com características de estrutura e operação sem domínio brasileiro e mais sujeito a falhas crônicas.

“Isso já confirma as opiniões que o sindicato vem expondo desde o início da inauguração desse sistema. O sistema de monotrilho é inseguro, tem muitas falhas e que na realidade fizeram os trabalhadores e usuários de cobaias num sistema que não deveria ser este, mas Metrô para garantir um transporte de alta capacidade” – disse

Já a linha 18 Bronze, que deveria ligar parte do ABC à zona Sudeste de São Paulo, era projetada para ser um monotrilho, mas no ano passado, o governo decidiu trocar por um sistema de BRT – Bus Rapid Transit, que segundo os técnicos da SMT – Secretaria de Mobilidade e Transportes do Estado de São Paulo, tem maior capacidade e velocidade que um corredor comum de ônibus.

O secretário dos Transportes Metropolitanos da gestão do governador João Doria, Alexandre Baldy, prometeu que o projeto completo do BRT seria apresentado até o final de dezembro de 2019, mas até o início de março de 2020, não houve nenhum detalhamento.

SEGUNDA-FEIRA

A semana também vai começar sem operação do monotrilho nesta segunda-feira, 02 de março.

A SPTrans informou neste domingo que o Paese (Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência) foi solicitado pelo Metrô para esta segunda, entre as estações São Mateus e Vila Prudente, das 4h20 até o final da operação.

Para garantir o deslocamento dos usuários será implantada a linha especial Estação São Mateus – Estação Vila Prudente que irá operar com 50 veículos, conforme solicitação do Metrô que poderá solicitar a inclusão ou retirada dos ônibus em operação a qualquer momento.”

OUTRO LADO

A empresa multinacional Bombardier e o Metrô de São Paulo confirmaram ao Diário do Transporte, por meio de nota, na tarde deste domingo, 01º de março de 2020, que houve na quinta-feira, 27 de fevereiro, o rompimento de um pneu de uma das composições do monotrilho da linha 15-Prata (Vila Prudente/São Mateus), que atende a Zona Leste de São Paulo.

Veja as notas na íntegra: 

METRÔ:

 Na última quinta-feira (27) um único pneu de um jogo de pneus do Trem do monotrilho da Linha 15-Prata se rompeu e o mesmo foi recolhido imediatamente para a manutenção. Ao longo dos testes realizados na linha neste fim de semana, o Metrô constatou a incidência de danos em outros pneus dos trens do monotrilho.

 

A fabricante Bombardier foi acionada imediatamente e verificou que os dispositivos chamados “Run Flat” estão causando essa alteração. Esses dispositivos ficam nas rodas e garantem a movimentação do trem em casos de anormalidades, como pneus furados ou murchos.

 

Para evitar que falhas como esta causem problemas que comprometam o funcionamento normal da linha e em medida de precaução para os cidadãos, a operação da Linha 15-Prata continuará paralisada nesta segunda-feira (2).

 

O Metrô está cobrando da Bombardier e do Consórcio CEML – que construiu a via – providências urgentes para a identificação da causa da ocorrência, a sua correção e que eles arquem com todos os prejuízos decorrentes desta paralisação junto ao Metrô de São Paulo.

 

Toda a frota, vias e sistemas passarão por rigorosa inspeção nos próximos dias, com acompanhamento dos funcionários do Metrô, para uma imediata solução que permita a retomada da operação.

 

O Metrô lamenta o transtorno causado e para minimizá-lo está disponibilizando gratuitamente ônibus do sistema Paese, que durante o período de interdição, vão realizar o trajeto entre as estações São Mateus e Vila Prudente, das 4h40 à 0h.

 

BOMBARDIER

 

A Bombardier informa que na quinta-feira (27), um pneu de um dos seus trens se rompeu durante a operação no monotrilho de São Paulo.

 

Devido ao ocorrido, foram adotadas algumas medidas preventivas, conforme já planejado e previsto para essas situações no sistema Monotrilho: uma redução de velocidade foi imposta e o trem impactado foi retido quando chegou à próxima estação.

 

Por excesso de cautela, recomendamos que o Metrô de São Paulo removesse a frota de 23 trens de serviço para que nossa equipe de especialistas do Canadá, pudesse realizar as inspeções necessárias.

 

Juntamente com nossos fornecedores de rodas e pneus, estamos trabalhando 24 horas por dia para inspecionar os trens, determinar a causa do incidente, desenvolver uma solução e apresentar medidas corretivas ao Metrô de São Paulo.

 

Entendemos o impacto que isso terá na comunidade de São Paulo e pedimos desculpas pelo inconveniente necessário. Agradecemos sua compreensão e cooperação, pois nossas equipes trabalham dia e noite para corrigir a situação em tempo hábil.

 

Embora nosso objetivo seja devolver os trens aptos para operação o mais rápido possível, a segurança é nossa prioridade número um.

 

Gostaríamos de tranquilizar os passageiros de que os trens do monotrilho do Metrô de São Paulo têm transportado passageiros com segurança e confiabilidade desde que o sistema foi inaugurado em 2014.

Leia mais: https://diariodotransporte.com.br/2020/03/01/monotrilho-da-linha-15-prata-sem-previsao-de-retorno-bombardier-e-metro-confirmam-oficialmente-rompimento-de-pneu

HISTÓRICO DE PROBLEMAS:

O monotrilho da linha 15-Prata coleciona uma série de problemas, além do atraso na conclusão das obras, que deveriam ter sido entregues em 2014, ainda para a Copa do Mundo.

1º de janeiro de 2020: Um problema em equipamento de via nas proximidades da Estação São Lucas causou transtornos para os passageiros por, pelo menos, cinco dias consecutivos. O Metrô explicou que o problema foi ocasionado pelo “desgaste natural” de parafusos perto de um equipamento de mudança de via na região da Estação São Lucas .A estação foi inaugurada em 6 de abril de 2018. Em nota, a Companhia de Metrô disse que os parafusos precisaram ser trocados e que pela fixação ser em concreto, sendo necessário aguardar.

15 de maio de 2019: A composição M 11 do monotrilho da linha 15-Prata, da zona Leste, se deslocou de uma viga no pátio Oratório no início das operações. O incidente ocorreu num equipamento de mudança de via. Ninguém se feriu.

29 de janeiro de 2019: No final da noite do dia 29 de janeiro de 2019, duas composições M22 e M23 bateram na região da estação Jardim Planalto, na zona leste da capital paulista. Ninguém se feriu gravemente. A estação não recebia passageiros. Um laudo do Metrô, divulgado em 05 de fevereiro de 2019, trouxe a conclusão de que “não houve qualquer falha do sistema de sinalização e sim erro humano” .

Mas o resultado foi contestado pelo Sindicato dos Metroviários que sustenta que há uma lacuna no sistema que controla os trens do monotrilho.

Segundo a entidade sindical, o sistema de controle da Linha 15-Prata não permite que um trem identifique o outro quando um deles está desligado. “Ao se desligar o trem, ele desaparece para o sistema” – sustentou o sindicato.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/02/07/sindicato-dos-metroviarios-diz-que-acidente-com-monotrilho-foi-causado-por-ausencia-de-sistema-de-comunicacao/

Também no dia 29, uma peça do sistema elétrico do monotrilho da Linha 15-Prata se soltou da via no trecho entre as estações São Lucas e Vila União, mas por haver grades que retém quedas de objetos, a avenida professor Luís Inácio de Anhaia Melo, que passa embaixo, não foi atingida.

https://diariodotransporte.com.br/2019/01/29/metro-confirma-que-peca-de-sistema-eletrico-de-monotrilho-se-soltou-mas-diz-que-linha-15-possui-telas-que-evitam-queda-de-objetos-na-rua/

10 de outubro de 2016: No dia 10 de outubro de 2016, uma composição do monotrilho, que trafega em vias elevadas com cerca de 15 metros de altura, partiu da estação Oratório com as portas abertas, conforme mostram as imagens do circuito do Metrô:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Tiago disse:

    Rapaaaaz…o ministério público vai esperar morrer alguém pra fazer alguma coisa?

  2. Roberson disse:

    MP não investiga obras feitas pelo PSDB

  3. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa tarde.

    Basta utilizar esse Aerotrem para perceber que ele trabalha forçado.

    Quando ele sai da Vila Prudente sentido Vila Ema (ou bairro) é nítido que há um desalinhamento na viga na qual ele trafega e em todo o trajeto que eu já andei, é patente que ele não roda suave.

    Portanto…

    Esse Aerotrem se colocar ele para operar 100% é obvio que ele explode ou espana.

    PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Impçosão já, antes que a conta para ao contribuinte pagar aumente mais ainda.

    Se implodir, pelo menos o prejuízo congelará.

    MUDA BARSILei.

    Att,

    Paulo Gil

  4. Regis Campos disse:

    Um pneu, ok. Dois, é um problema, agora cinco? Sabotagem…

  5. Fabio Almeida disse:

    E eu continuo batendo na tecla de que esse monotrilho precisa ser demolido e colocar o fura-fila no lugar

  6. JOSE LUIZ VILLAR COEDO disse:

    É por causa da falta de conhecimento e DE informação e excesso de deslumbramento do nosso povo mais humilde e simples… e até bem simplório… que o Lula, Dilma, Temer, Serra, Alckmin e Kassab e o Haddad … se ajuntaram com nossos discos trocados de Impostos… para criar essa coisa que so da dor – de – cabeça ! Se tivessem continuado com o BRT Expresso Tiradentes ate la mesmo, Cidade Tiradentes! Isso aí não aconteceria e teria sido muitíssimo mais barato! Uma das desculpas para esquecer a continuidade do tal BRT ate a Cid. Tiradentes…era a INDEFINIÇÃO E A BAGUNÇA QUE POR MUITO TEMPO IMPERARAM NA AREA-4 da SPTrans – VERMELHA – ZONA LESTE DA CAPITAL ENVOLVENDO A TAL DE SPBUS, HIMALAIA, VIAÇÃO ITAQUERA E NOVO HORIZONTE E ETC. … Desde a última Licitação do tempo da Marta… até antes da Copa do Mundo FIFA – BRASIL 2.014! Agora o povão das Areas 5 e 4 e do ABC e etc… pagam o preço de mais esse desvario!

  7. JOSE LUIZ VILLAR COEDO disse:

    A palavra “discos” no meu cimentario acima saiu sem querer.. por causa do teclado do meu Cel. SAMSUNG…foi mal !

  8. JOSE LUIZ VILLAR COEDO disse:

    Concordo! BRT JÁ!

  9. O sistema opera realmente sobre pneus (com ar comprimido) ou são rodas de borracha maciça? É apenas curiosidade sobre o sistema!

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