Conselho de preservação histórica aprova mais escadas rolantes, elevadores e túnel na Estação da Luz

Publicado em: 8 de agosto de 2019

Obras são para melhorar fluxo na Estação da Luz. Foto: Vanapong (nov de 2018)/Trip Advisor – Clique para Ampliar

Túnel de 117 metros é para ligar trem a metrô. Por ser tombada, Luz precisa de análise dos órgãos de patrimônio histórico

ADAMO BAZANI

O Conpresp – Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo deu parecer favorável para a realização de obras de acessibilidade e aumento de fluidez de passageiros na Estação da Luz da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

A aprovação, por unanimidade, foi para intervenções como a construção de um túnel de 117 metros entre a CPTM e a Estação da Linha 4-Amarela do Metrô, além da implantação de novas escadas rolantes:

  • Execução de Túnel de 117m de extensão de Interligação da Estação CPTM e Estação do Metrô com o objetivo de otimizar o fluxo de passageiros tendo em vista a largura insuficiente do atual corredor que não suporta a demanda nos horários de pico;
  • Implantação de duas novas estacadas rolantes (em substituição às fixas) e duas novas escadas fixas para escoamento da plataforma central da Estação onde atualmente há acúmulo de passageiros. Prevê também a ampliação de interligação do Saguão 2 com a galeria existente para aumento da velocidade de escoamento dos passageiros;
  • Para adequação à Acessibilidade, além da reforma dos sanitários, prevê a implantação de dois elevadores no acesso da Casper Líbero, novo acesso na praça da Linha 4 do Metrô e remanejamento da escada fixa de acesso ao mezanino com substituição do acesso existente, com a finalidade de melhoria do fluxo de saída do Saguão 1.

Os conselheiros votaram com base na conclusão do DPH – Departamento de Patrimônio Histórico que já foi favorável às intervenções por entender que não haveria alterações nas características originais da Estação da Luz.

“O DPH conclui que as intervenções propostas para adequação à acessibilidade e ao fluxo de passageiros, atendem as orientações técnicas e visam minimizar qualquer impacto ao bem tombado. Neste sentido, endossamos o posicionamento favorável do DPH, manifestando nosso voto pela APROVAÇÃO do Projeto Executivo apresentado”

A reunião do conselho ocorreu no dia 03 de julho de 2019, mas a ata foi publicada somente nesta quinta-feira, 08 de agosto de 2019.

O extrato da decisão já tinha sido noticiado pelo Diário do Transporte no dia 13 de julho, mas o documento não trazia os detalhes das obras, na ocasião.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/07/13/conselho-de-patrimonio-historico-de-sao-paulo-da-parecer-favoravel-a-adequacoes-de-acessibilidade-da-estacao-da-luz-da-cptm/

A Estação da Luz hoje recebe as linhas 7 – Rubi (Luz – Francisco Morato – Jundiaí) e 11 Coral (Luz – Estudantes/Mogi das Cruzes) e os serviços Expresso Aeroporto da linha 13-Jade e Expresso 10+ da linha 10 – Turquesa, este último que só funciona aos sábados. A estação também abriga o Expresso Turístico da CPTM, que faz viagens em trem histórico entre a Estação da Luz e Paranapiacaba, Mogi das Cruzes e Jundiaí.

A Estação da Luz é a segunda mais movimentada da CPTM, com cerca de 150 mil passageiros por dia, ficando atrás apenas da Estação Brás, que registra em torno de 170 mil passageiros diários.

A “primeira” Estação da Luz do inaugurada em 1867, com o início da linha Santos – Jundiaí (via Paranapiacaba), elaborada principalmente para escoar a produção de café do interior paulista para o Porto de Santos, facilitando as exportações do até então principal produto da economia brasileira. O projeto que era para servir o “Brasil Rural” acabou sendo um dos grandes impulsionadores da vida urbana, atraindo um número cada vez maior de pessoas e pequenos negócios para os arredores da estação, que com o tempo, ficara pequena.  Dez anos depois, a estação, até então uma estrutura simples, como as demais estações da linha, teve de passar por algumas ampliações, principalmente nas plataformas e coberturas.

Mas a cidade, graças à ferrovia e à imigração, não parava de crescer. E a “velha” Estação da Luz não correspondia mais às necessidades.

Assim, foi pensada uma “nova estação da Luz”, uma estrutura bem mais sofisticada e bem maior também.

Em 1901 era inaugurada a nova estação em uma área aproximada de 7.500 m², construída com material exclusivamente importado da Inglaterra. A empresa São Paulo Railway – SPR, com capital majoritário inglês, detinha a concessão dos serviços e estações. A SPR foi responsável por implantar a linha e as estações, com o traçado pensado pelo investidor Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, que se tornou um dos homens mais ricos da história do Brasil.

Apesar de ser uma estação ferroviária, a Luz também incentivou os transportes por ônibus.

As áreas ao redor da estação se valorizaram e se tornaram caras principalmente para a maior parte de migrantes e imigrantes que tentavam uma vida melhor em São Paulo. Essa grande massa populacional então ia morar em locais mais baratos e mais distantes.

Não havia condições técnicas e velocidade de implantação dos trilhos para estas regiões.

A rede de bondes também não acompanhou a velocidade deste crescimento.

Assim, principalmente depois do início da década de 1920, começaram a surgir linhas de ônibus (jardineiras à época), muitas vezes de proprietários de um veículo apenas, que dirigiam, cobravam, limpavam e consertaram os veículos.

Entre os anos de 1930 e 1960, vários donos destes veículos se estabeleceram em São Paulo, muitos dos quais imigrantes com poucos recursos também que, com o passar do tempo, se tornaram donos de grandes frotas de ônibus.

A maior parte dos destinos das linhas que partiam dos bairros mais afastados eram as estações de trem.

Assim, trilhos e ônibus davam uma dinâmica nova à cidade que se tornaria metrópole.

Resolução de 1982, de tombamento histórico da Estação da Luz

Em 06 de novembro de 1946, quando chegava ao fim da concessão da linha aos ingleses, a Estação da Luz foi atingida por um grande incêndio.

Nas obras de reconstrução, foi incluído mais um pavimento numa das alas do edifício principal.

Após restauração, a estação da Luz passou a abrigar também o Museu da Língua Portuguesa, que foi inaugurado em 20 de março de 2006.

No dia 21 de dezembro de 2015, entretanto, um incêndio destruiu o Museu da Língua Portuguesa.

O bombeiro civil Ronaldo Pereira da Cruz, que trabalhava para o Museu, morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Lucas A. Santo disse:

    Seria uma ótima aprovar o túnel entre a Luz e a Júlio Prestes, Seria muito benéfico para ambas as estações e até mesmo para desafogar um pouco o fluxo da linha Vermelha do Metrô, fazendo com que usuários da linha 8 – Diamante, tenham que se deslocar para a Barra Funda para embarcar sentido Itapevi.

    Seria de grande ganho para a maioria das linhas da CPTM.

  2. Eis aí amigos o fato de não se poder emendar com a linha 10 Turquesa do ABC paulista. Aqui mesmo demonstra cabalmente que o fluxo está esgotado necessitando até de novas saidas e entradas. Imaginem então se a linha 10 terminasse na Luz? Como eu disse anteriormente não há razão para a linha 10 terminar na Luz…como muitos andreenses tanto pedem…seria massacre das pessoas, em hora de rush na manhã e à tarde.

  3. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Basta implodir os imóveis abandonados aos arredores da rua Mauá, Largo General Osório, Cracolândia e até o próprio Terminal Princesa Isabel e fazer uma nova estação da CPTM que sirva as linhas Diamante e Turqueza da CPTM.

    Deixando e preservando a Estação da Luz e a lindíssima Estação Julio Prestes como espaços culturais e passeios de trens turísticos.

    STM e CPTM, ACORDEM.

    PIUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

    Att,

    Paulo Gil

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