Conselho de Patrimônio Histórico de São Paulo dá parecer favorável a adequações de acessibilidade da Estação da Luz da CPTM

Publicado em: 13 de julho de 2019

Estação da Luz é uma das mais imponentes estruturas paisagísticas da cidade de São Paulo. Foto: SampaOnLine

Local é tombado desde 1982 e qualquer obra deve ter aprovação dos órgãos oficiais de preservação de memória

ADAMO BAZANI

O colegiado do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – CONPRESP deu parecer favorável a um projeto executivo de obras que visam ampliar a acessibilidade da Estação da Luz, da CPTM, na região central de São Paulo.

Os membros do colegiado levaram em consideração o parecer do Departamento do Patrimônio Histórico da cidade, que fez ressalvas ao projeto em alguns itens que poderiam desconfigurar características originais da estação, mas que aprovou as linhas gerais do projeto.

Além de promover mais acessibilidade, as intervenções pretendem adequar a estação ao atual fluxo de passageiros.

A Estação da Luz hoje recebe as linhas 7 – Rubi (Luz – Francisco Morato – Jundiaí) e 11 Coral (Luz – Estudantes/Mogi das Cruzes) e os serviços Expresso Aeroporto da linha 13-Jade e Expresso 10+ da linha 10 – Turquesa, este último que só funciona aos sábados. A estação também abriga o Expresso Turístico da CPTM, que faz viagens em trem histórico entre a Estação da Luz e Paranapiacaba, Mogi das Cruzes e Jundiaí.

A Estação da Luz é a segunda mais movimentada da CPTM, com cerca de 150 mil passageiros por dia, ficando atrás apenas da Estação Brás, que registra em torno de 170 mil passageiros diários.

No despacho, entretanto, há o alerta que também serão necessários os posicionamentos dos órgãos de preservação histórica estadual e federal.

A decisão foi tomada na 698ª Reunião Extraordinária em 03 de julho de 2019, mas publicada neste sábado, 13 de julho de 2019.

A estação da Luz é tombada pelo Patrimônio Histórico desde maio de 1982 e qualquer obra, por menor que seja, deve ser aprovada por órgãos de preservação da memória.

A “primeira” Estação da Luz do inaugurada em 1867, com o início da linha Santos – Jundiaí (via Paranapiacaba), elaborada principalmente para escoar a produção de café do interior paulista para o Porto de Santos, facilitando as exportações do até então principal produto da economia brasileira. O projeto que era para servir o “Brasil Rural” acabou sendo um dos grandes impulsionadores da vida urbana, atraindo um número cada vez maior de pessoas e pequenos negócios para os arredores da estação, que com o tempo, ficara pequena.  Dez anos depois, a estação, até então uma estrutura simples, como as demais estações da linha, teve de passar por algumas ampliações, principalmente nas plataformas e coberturas.

Mas a cidade, graças à ferrovia e à imigração, não parava de crescer. E a “velha” Estação da Luz não correspondia mais às necessidades.

Assim, foi pensada uma “nova estação da Luz”, uma estrutura bem mais sofisticada e bem maior também.

Em 1901 era inaugurada a nova estação em uma área aproximada de 7.500 m², construída com material exclusivamente importado da Inglaterra. A empresa São Paulo Railway – SPR, com capital majoritário inglês, detinha a concessão dos serviços e estações. A SPR foi responsável por implantar a linha e as estações, com o traçado pensado pelo investidor Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, que se tornou um dos homens mais ricos da história do Brasil.

Apesar de ser uma estação ferroviária, a Luz também incentivou os transportes por ônibus.

As áreas ao redor da estação se valorizaram e se tornaram caras principalmente para a maior parte de migrantes e imigrantes que tentavam uma vida melhor em São Paulo. Essa grande massa populacional então ia morar em locais mais baratos e mais distantes.

Não havia condições técnicas e velocidade de implantação dos trilhos para estas regiões.

A rede de bondes também não acompanhou a velocidade deste crescimento.

Assim, principalmente depois do início da década de 1920, começaram a surgir linhas de ônibus (jardineiras à época), muitas vezes de proprietários de um veículo apenas, que dirigiam, cobravam, limpavam e consertaram os veículos.

Entre os anos de 1930 e 1960, vários donos destes veículos se estabeleceram em São Paulo, muitos dos quais imigrantes com poucos recursos também que, com o passar do tempo, se tornaram donos de grandes frotas de ônibus.

A maior parte dos destinos das linhas que partiam dos bairros mais afastados eram as estações de trem.

Assim, trilhos e ônibus davam uma dinâmica nova à cidade que se tornaria metrópole.

Resolução de 1982, de tombamento histórico da Estação da Luz

Em 06 de novembro de 1946, quando chegava ao fim da concessão da linha aos ingleses, a Estação da Luz foi atingida por um grande incêndio.

Nas obras de reconstrução, foi incluído mais um pavimento numa das alas do edifício principal.

Após restauração, a estação da Luz passou a abrigar também o Museu da Língua Portuguesa, que foi inaugurado em 20 de março de 2006.

No dia 21 de dezembro de 2015, entretanto, um incêndio destruiu o Museu da Língua Portuguesa.

O bombeiro civil Ronaldo Pereira da Cruz, que trabalhava para o Museu, morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Esse é o Jurássico Barsil.

    Pensem comigo:

    Precisa de parecer para isso.

    É lógico que tem de ser positivo, afinal a acessibilidade jamais afetará qualquer tipo de patrimônio histórico.

    Se preocupem em cuidar da prevenção de incêndio da Estação da Luz e do Museu da língua portuguesa isso sim.

    Quando haverá mais produtividade, eficiência e eficácia nesse Barsil.

    Trabalhem para o que não é óbvio.

    PODER PÚBLICO ATUALIZE-SE, MODERNIZE-SE E SAIA DO JURASSISMO.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Wellington disse:

    Perfeito comentário Paulo Gil

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