Bombeiros autorizam implantação de novo sistema de combate a incêndio na Estação da Luz da CPTM

Estação da Luz é patrimônio histórico. Foto: Governo do Estado de São Paulo – Clique para ampliar

Novo modelo de bomba de água é mais eficiente, segundo pedido da CPTM. Órgãos de patrimônio histórico deram parecer favorável a adequações de acessibilidade e segurança

ADAMO BAZANI

O Corpo de Bombeiros de São Paulo autorizou a CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos a alterar parte do sistema de combate a incêndio da Estação da Luz, na região central da capital paulista.

A autorização se tornou pública nesta terça-feira, 13 de agosto de 2019.

A empresa de trens pediu para substituir “duas bombas principais de incêndio de instalação horizontal em sucção negativa, por uma bomba principal para instalação vertical com as mesmas características hidráulicas, que dispensa o tanque de escorva existente.”

Com isso, segundo a CPTM na solicitação, o novo sistema ficará mais eficiente já que pode “aumentar a confiabilidade do funcionamento do sistema de recalque da rede de hidrantes/chuveiros automáticos.”

A Estação da Luz já foi alvo de dois grandes incêndios.

O primeiro foi em 06 de novembro de 1946, quando chegava ao fim da concessão da linha aos ingleses que comandavam a empresa SPR – São Paulo Railway, responsável pela construção e operação da ligação entre Santos e Jundiaí, que começou a funcionar em 1867, sendo a primeira ferrovia do Estado de São Paulo. Hoje o trajeto é coberto em parte pela linha 7-Rubi da CPTM (Luz/Francisco Morato/Jundiaí) e linha 10-Turquesa (Brás/Santo André/Rio Grande da Serra). O trecho entre Rio Grande da Serra e Santos só recebe atualmente trens de carga, mas o Governo do Estado quer incluir a ligação até o litoral paulista num projeto de trem de passageiros, muito embora, a ligação deve ser a última a ser concretizada dentro das propostas para os serviços de TIC – Trem Intercidades.

O segundo grande incêndio foi mais recente.

No dia 21 de dezembro de 2015, as chamas destruíram o Museu da Língua Portuguesa, na área da estação.

O bombeiro civil Ronaldo Pereira da Cruz, que trabalhava para o Museu, morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

Como mostrou o Diário do Transporte, em primeira-mão, a CPTM quer fazer uma série de adequações e modernizações na Estação da Luz, mas a maior parte das intervenções requer aprovação de órgãos de preservação histórica porque a edificação é tombada.

Recentemente, o Conpresp – Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo deu parecer favorável para a realização de obras de acessibilidade e aumento de fluidez de passageiros na Estação da Luz da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

Entre as intervenções que receberam a aprovação do Conselho estão:

  • Execução de Túnel de 117m de extensão de Interligação da Estação CPTM e Estação do Metrô com o objetivo de otimizar o fluxo de passageiros tendo em vista a largura insuficiente do atual corredor que não suporta a demanda nos horários de pico;
  • Implantação de duas novas escadas rolantes (em substituição às fixas) e duas novas escadas fixas para escoamento da plataforma central da Estação onde atualmente há acúmulo de passageiros. Prevê também a ampliação de interligação do Saguão 2 com a galeria existente para aumento da velocidade de escoamento dos passageiros;
  • Para adequação à Acessibilidade, além da reforma dos sanitários, prevê a implantação de dois elevadores no acesso da Casper Líbero, novo acesso na praça da Linha 4 do Metrô e remanejamento da escada fixa de acesso ao mezanino com substituição do acesso existente, com a finalidade de melhoria do fluxo de saída do Saguão 1.

Relembre a matéria do Diário do Transporte:

https://diariodotransporte.com.br/2019/08/08/conselho-de-preservacao-historica-aprova-mais-escadas-rolantes-elevadores-e-tunel-na-estacao-da-luz/

A Estação da Luz é a segunda mais movimentada da CPTM, com cerca de 150 mil passageiros por dia, ficando atrás apenas da Estação Brás, que registra em torno de 170 mil passageiros diários.

A “primeira” Estação da Luz do inaugurada em 1867, com o início da linha Santos – Jundiaí (via Paranapiacaba), elaborada principalmente para escoar a produção de café do interior paulista para o Porto de Santos, facilitando as exportações do até então principal produto da economia brasileira. O projeto que era para servir o “Brasil Rural” acabou sendo um dos grandes impulsionadores da vida urbana, atraindo um número cada vez maior de pessoas e pequenos negócios para os arredores da estação, que com o tempo, ficara pequena.  Dez anos depois, a estação, até então uma estrutura simples, como as demais estações da linha, teve de passar por algumas ampliações, principalmente nas plataformas e coberturas.

Mas a cidade, graças à ferrovia e à imigração, não parava de crescer. E a “velha” Estação da Luz não correspondia mais às necessidades.

Assim, foi pensada uma “nova estação da Luz”, uma estrutura bem mais sofisticada e bem maior também.

Em 1901 era inaugurada a nova estação em uma área aproximada de 7.500 m², construída com material exclusivamente importado da Inglaterra. A empresa São Paulo Railway – SPR, com capital majoritário inglês, detinha a concessão dos serviços e estações. A SPR foi responsável por implantar a linha e as estações, com o traçado pensado pelo investidor Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, que se tornou um dos homens mais ricos da história do Brasil.

Apesar de ser uma estação ferroviária, a Luz também incentivou os transportes por ônibus.

As áreas ao redor da estação se valorizaram e se tornaram caras principalmente para a maior parte de migrantes e imigrantes que tentavam uma vida melhor em São Paulo. Essa grande massa populacional então ia morar em locais mais baratos e mais distantes.

Não havia condições técnicas e velocidade de implantação dos trilhos para estas regiões.

A rede de bondes também não acompanhou a velocidade deste crescimento.

Assim, principalmente depois do início da década de 1920, começaram a surgir linhas de ônibus (jardineiras à época), muitas vezes de proprietários de um veículo apenas, que dirigiam, cobravam, limpavam e consertaram os veículos.

Entre os anos de 1930 e 1960, vários donos destes veículos se estabeleceram em São Paulo, muitos dos quais imigrantes com poucos recursos também que, com o passar do tempo, se tornaram donos de grandes frotas de ônibus.

A maior parte dos destinos das linhas que partiam dos bairros mais afastados eram as estações de trem.

Assim, trilhos e ônibus davam uma dinâmica nova à cidade que se tornaria metrópole.

Resolução de 1982, de tombamento histórico da Estação da Luz

Em 06 de novembro de 1946, quando chegava ao fim da concessão da linha aos ingleses, a Estação da Luz foi atingida por um grande incêndio.

Nas obras de reconstrução, foi incluído mais um pavimento numa das alas do edifício principal.

Após restauração, a estação da Luz passou a abrigar também o Museu da Língua Portuguesa, que foi inaugurado em 20 de março de 2006.

No dia 21 de dezembro de 2015, entretanto, um incêndio destruiu o Museu da Língua Portuguesa.

O bombeiro civil Ronaldo Pereira da Cruz, que trabalhava para o Museu, morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

O Diário do Transporte mostrou em primeira mão que em julho de 2019, o Conpresp – Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo deu parecer favorável para a realização de obras de acessibilidade e aumento de fluidez de passageiros na Estação da Luz da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

Entre as intervenções que receberam a aprovação do Conselho estão:

  • Execução de Túnel de 117m de extensão de Interligação da Estação CPTM e Estação do Metrô com o objetivo de otimizar o fluxo de passageiros tendo em vista a largura insuficiente do atual corredor que não suporta a demanda nos horários de pico;
  • Implantação de duas novas escadas rolantes (em substituição às fixas) e duas novas escadas fixas para escoamento da plataforma central da Estação onde atualmente há acúmulo de passageiros. Prevê também a ampliação de interligação do Saguão 2 com a galeria existente para aumento da velocidade de escoamento dos passageiros;
  • Para adequação à Acessibilidade, além da reforma dos sanitários, prevê a implantação de dois elevadores no acesso da Casper Líbero, novo acesso na praça da Linha 4 do Metrô e remanejamento da escada fixa de acesso ao mezanino com substituição do acesso existente, com a finalidade de melhoria do fluxo de saída do Saguão 1.

Relembre a matéria do Diário do Transporte:

https://diariodotransporte.com.br/2019/08/08/conselho-de-preservacao-historica-aprova-mais-escadas-rolantes-elevadores-e-tunel-na-estacao-da-luz/

Também em primeira mão, o Diário do Transporte mostrou que em 13 de agosto de 2019, o Corpo de Bombeiros de São Paulo publicou a autorização para a CPTM alterar parte do sistema de combate a incêndio da Estação da Luz.

A empresa de trens pediu para substituir “duas bombas principais de incêndio de instalação horizontal em sucção negativa, por uma bomba principal para instalação vertical com as mesmas características hidráulicas, que dispensa o tanque de escorva existente.”

Com isso, segundo a CPTM na solicitação, o novo sistema ficará mais eficiente já que pode “aumentar a confiabilidade do funcionamento do sistema de recalque da rede de hidrantes/chuveiros automáticos.”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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