Cobradores e motoristas protestam em Curitiba contra projeto da prefeitura
Publicado em: 13 de novembro de 2018
Categoria quer impedir aprovação de proposta que pode significar o fim dos cobradores na capital paranaense
ALEXANDRE PELEGI
Um protesto reunindo cobradores e motoristas de ônibus de Curitiba movimentou a capital paranaense na tarde desta terça-feira, dia 23 de novembro de 2018.
Em passeata que saiu da sede do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), no Centro da cidade, os rodoviários seguiram até a Prefeitura, onde se manifestaram contra um projeto de lei, em tramitação na Câmara, que pode levar a bilhetagem no transporte público local a ser exclusivamente eletrônica. Isso significaria, na prática, a extinção dos cobradores, alegam os trabalhadores.
Relembre: Projeto da prefeitura de Curitiba aponta para extinção progressiva da função de cobrador
O Projeto de Lei, enviado pela Prefeitura no dia 25 de outubro de 2018, propõe expandir o sistema de Bilhetagem Eletrônica nos pontos de acesso ao transporte coletivo. Na prática, trata-se de eliminar o dinheiro em espécie como forma de pagamento no interior dos ônibus da cidade.
O Projeto, segundo justifica o Executivo, teria dois objetivos principais: atender “aos anseios da coletividade como forma de preservação da dignidade da pessoa humana” e, por fim, zelar “pelo bem estar dos funcionários que atuam no transporte coletivo buscando seu desenvolvimento profissional, inclusive com a oportunidade de requalificação destes cobradores mediante cursos de formação de motoristas”.
O segundo ponto deixa claro que a proposta implicará diretamente na extinção da função de cobrador. Tanto que, na sequência da justificativa, o PL afirma que, com a requalificação profissional, os cobradores poderão “ser realocados para serviços de natureza administração e operacional dentro das concessionárias”.
A prefeitura de Curitiba alega que 60% dos usuários dos ônibus das linhas urbanas da capital usam o cartão-transporte. A bilhetagem eletrônica já substitui o pagamento em dinheiro nas linhas que operam com micro-ônibus desde 2014.
Em nota assinada pelo presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira, o PL é chamado de “Lei do Desemprego”. Isso porque, segundo alega o sindicato, seis mil trabalhadores podem ser demitidos.
“Não podemos, em hipótese alguma, permitir uma medida dessa gravidade. Seis mil trabalhadores é um número equivalente a três montadoras de veículos”, diz a nota do Sindimoc.
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Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


