Sindimoc fará assembleia para decidir se haverá greve de ônibus em Curitiba
Publicado em: 3 de novembro de 2018
Entidade é contra projeto de lei enviado pela gestão Greca à Câmara que pode acabar com a função dos cobradores
ADAMO BAZANI
O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana – Sindimoc anunciou que vai realizar uma assembleia na próxima quinta-feira, 08 de novembro de 2018, para decidir se haverá uma greve geral de ônibus na capital paranaense e cidades vizinhas.
A entidade quer que a administração do prefeito Rafael Greca volte atrás em um projeto que enviou para a Câmara Municipal e que pode extinguir a função dos cobradores.
O projeto abre espaço para implantação de bilhetagem em todo o sistema, o que hoje é proibido, segundo o sindicato.
A entidade contesta a alegação da prefeitura, autora do projeto, e da URBS – Urbanização de Curitiba S.A., gerenciadora do sistema, que “trabalhadores serão reaproveitados”.
“Nas outras cidades em que isso foi implantado, foi a mesa conversa, mas depois demitiram todos. É sempre assim. E a tarifa, eles baixam um pouco no começo, para adoçar a opinião pública, e depois o preço sobe até mais, para compensar. Não vamos aceitar! No Brasil com 14 milhões de desempregados, essa medida é inadmissível”, disse, em nota, o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira.
Como mostrou o Diário do Transporte, o projeto de lei do Executivo quer da uma nova redação para o artigo 2º de uma lei municipal de 2001 (nª 10.333).
Na justificativa do projeto, a gestão Greca cita a questão da segurança pública como fator motivador principal para a proposta e deixa claro que a função dos cobradores vai acabar sendo necessária a recolocação destes profissionais em outras funções.
Relembre:
Prefeitura e empresas de ônibus ainda falam em modernização do sistema.
Em nota durante a semana, o Setransp (Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana), que representa as viações, informou que está em negociação com a Fecomercio e o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) para ampliar a oferta de cursos de requalificação para os cobradores.
“Tendo em vista que a adoção dessa nova bilhetagem poderá diminuir postos de trabalho de cobradores, o Setransp, preocupado com essa situação, assinou a Convenção Coletiva de Trabalho 2018/2019 com o Sindimoc (Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana) garantindo a estabilidade de cobradores por 12 meses e oferecendo a oportunidade de requalificação desses profissionais, o que já vem fazendo em parceria com o Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte)”, anunciou a entidade patronal no comunicado à imprensa.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Será? O ex-cobrador vai ter 12 meses de estabilidade para se adequar a uma nova ocupação; se ele “não agradar” nessa nova ocupação, ele vai ser demitido sumariamente…
A função de cobrador está em extinção, é uma ida sem volta. Estes dias peguei um ônibus em que em 20 minutos a cobradora não cobrou nenhuma passagem (só passaram cartão) e ela não saia do celular, logo, pagar uma pessoa pra ficar jogando ou no watts do celular durante boa parte do expediente é complicado… Com a modernização e informatização muitas profissões tendem a desaparecer, mas por outro lado, novas oportunidades e funções devem surgir, para tanto, é necessário qualificação e treino.