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Quatro anos depois, Apucarana (PR) mostra o que muda quando a bilhetagem nasce digital

Sistema implantado em 2022 consolidou o aplicativo como principal canal de recarga, reduziu o uso de dinheiro nos ônibus para menos de 10% e abriu caminho para novas modalidades de integração tarifária

Primeira cidade do Brasil a operar uma bilhetagem 100% baseada em contas, o município do Paraná viu o aplicativo se tornar o canal de relacionamento da quase totalidade dos passageiros — e o dinheiro a bordo cair de quase metade dos pagamentos para menos de um décimo.

Apucarana (PR), agosto de 2026

Em 6 de fevereiro de 2022, Apucarana se tornou a primeira cidade do país a adotar uma bilhetagem 100% baseada em contas, com a plataforma digital da ONBOARD. Não foi a substituição de um cartão por outro: foi a troca de um sistema centrado no meio de pagamento por um sistema centrado no passageiro, em que cada usuário passa a ter uma conta, um histórico e um canal direto com o sistema de transporte.

Quatro anos e meio depois, os efeitos mais visíveis dessa escolha não estão na catraca — estão no relacionamento. O pagamento em dinheiro a bordo, que respondia por 45% das viagens antes da digitalização, hoje está abaixo de 10%. Segundo a Prefeitura, mais de 90% dos usuários já utilizam meios eletrônicos ou digitais de pagamento. O que a série histórica de Apucarana permite mostrar, com dados de fevereiro de 2022 a julho de 2026, é como esse deslocamento aconteceu: não pela eliminação do atendimento presencial, mas pela migração espontânea do passageiro para canais de autoatendimento.

1. O aplicativo deixou de ser uma alternativa e passou a ser o sistema

No primeiro mês completo de operação, o aplicativo Bipay já respondia por cerca de um terço das transações de recarga do sistema. Nos últimos doze meses encerrados em julho de 2026, o app concentrou cerca de 88% de todas as recargas realizadas em Apucarana, considerando todos os canais — aplicativo, loja física e vale-transporte corporativo.

A consolidação não foi um pico isolado. Em mais de 90% dos meses dos últimos dois anos, o aplicativo respondeu por 85% ou mais das transações de recarga, com máximo próximo de 90% no último trimestre de 2025. É um patamar de estabilidade que caracteriza um canal maduro, não uma novidade em teste.

Quando se olha apenas para os canais voltados ao passageiro final — aplicativo e loja física —, o contraste é ainda mais nítido: a participação do app subiu de cerca de 71% para 93% das transações e de aproximadamente 42% para 77% do volume recarregado, comparando os doze meses iniciais com os últimos doze meses.

2. A recarga deixou de ser um evento e virou hábito

O indicador mais revelador da digitalização do relacionamento não é a participação do canal, e sim a frequência de uso. A quantidade de recargas por cada 1000 embarques mais que dobrou entre os doze primeiros meses de operação e os últimos doze meses — alta de cerca de 129% no total do sistema, e de aproximadamente 221% quando se considera apenas o aplicativo.

Esse aumento não decorre de mais viagens — decorre de uma descoberta sobre como o passageiro decide.

3. Uma cidade inteira atendida por uma única loja

Desde a implantação, todo o atendimento presencial de recarga em Apucarana é feito em uma única loja física, nas proximidades do Terminal Urbano. Não é uma rede: é um ponto. No primeiro mês de operação, quando o aplicativo ainda respondia por menos de um décimo das recargas, a loja concentrava cerca de três quartos de todas as transações do sistema — a melhor aproximação disponível do cenário anterior à digitalização. Nos últimos doze meses, essa participação recuou para aproximadamente 6%.

Traduzido em carga operacional, o atendimento presencial de recarga ocupa hoje menos de três horas de balcão por dia. Aplicando o padrão de comportamento observado nesse canal a todo o volume de crédito do sistema — a hipótese que descreve um sistema de bilhetagem convencional, em que praticamente toda recarga é presencial —, o mesmo ponto precisaria operar da ordem de dezesseis a trinta e seis horas de balcão por dia. Ou seja: não se trata de economia marginal de atendimento. A bilhetagem baseada em contas é o que torna um único ponto de venda viável em uma cidade com cerca de 15 mil passageiros por dia.

Há um dado que fecha esse argumento. Cerca de 43% de todas as recargas do sistema acontecem fora do horário de funcionamento da loja — e, entre as recargas feitas pelo aplicativo, a proporção chega a quase metade. O ponto decisivo é que essa proporção é estável desde o primeiro ano de operação: por volta de metade das recargas pelo app sempre aconteceu com a loja fechada, e o crescimento do indicador agregado reflete apenas a migração de canal.

Ou seja: não é um hábito que a digitalização criou. É uma demanda que sempre existiu e que o atendimento presencial, por definição, não tinha como atender. Em um sistema convencional, essas recargas teriam apenas três destinos possíveis — dinheiro pago a bordo, viagem adiada, ou uma carga maior feita antes no balcão. Os três aparecem nos dados históricos de Apucarana, e os três recuaram.

O canal presencial também não virou resíduo. Cada atendimento na loja movimenta, em média, cerca de quatro vezes mais crédito que uma recarga pelo aplicativo, em passagens equivalentes — o perfil de quem recarrega com pouca frequência, em valores maiores. É um público distinto, e ele continua atendido.

4. Dois públicos, duas jornadas digitais

O canal de vale-transporte corporativo seguiu trajetória oposta e igualmente digital. Respondendo por cerca de 5% das transações, ele concentra aproximadamente 65% do valor recarregado no sistema — porque a compra é feita por empresas, em lote, via portal de autoatendimento de RH.

A leitura conjunta é o que importa: os canais digitais — aplicativo do passageiro e portal corporativo — respondem hoje por cerca de 94% de todas as transações de recarga do sistema, ante aproximadamente 74% nos doze meses iniciais. Uma mesma plataforma passou a atender, com jornadas distintas, o passageiro que recarrega R$ 10 no ponto de ônibus e o departamento pessoal que provisiona o benefício de centenas de funcionários.

O próximo capítulo

A partir de 10 de agosto de 2026, Apucarana colocou em operação o programa Apucarana Integrada, que permite a integração entre linhas em qualquer ponto da cidade, com pagamento de uma única tarifa e sem a obrigatoriedade de passar pelo Terminal Urbano. O benefício é exclusivo para quem utiliza o Cartão Passe Fácil ou o aplicativo Bipay.

É a demonstração prática do argumento central da bilhetagem baseada em contas: regras tarifárias sofisticadas só são possíveis quando existe uma conta que atravessa a viagem. Integração temporal, integração espacial, tarifa social, gratuidade auditável e políticas de fidelização deixam de depender do que está gravado no cartão e passam a depender do que a plataforma consegue calcular. Um sistema que já digitalizou quase 90% das suas recargas tem, por construção, a base sobre a qual esse tipo de política se sustenta.

“Apucarana provou uma tese que na época era contraintuitiva: a de que dava para começar direto pelo modelo baseado em contas, sem etapa intermediária, em uma cidade média brasileira. O que os dados de quatro anos mostram não é apenas que o dinheiro saiu do ônibus — é que o passageiro passou a interagir com o sistema de transporte três vezes mais do que interagia antes. Essa frequência é o ativo. É ela que permite integração tarifária, política de benefício, comunicação direta e, principalmente, uma operação que enxerga a demanda real em vez de estimá-la.”

Luiz Renato M. Mattos, CEO e cofundador da ONBOARD

Sobre a ONBOARD

A ONBOARD é uma empresa brasileira de tecnologia para mobilidade urbana, especializada em bilhetagem digital, monitoramento de frota e plataformas de relacionamento com o passageiro. Sua plataforma BDOS sustenta operações nos segmentos rodoviário, metroferroviário e aquaviário, atendendo operadores, concessionárias e órgãos gestores em todo o país. O aplicativo Bipay é o canal de relacionamento direto com o passageiro e o DBD (Dispositivo de Bilhetagem Digital) é o equipamento embarcado que dá suporte à validação em conta.

Contato para imprensa

Luiz Renato M. Mattos — CEO e cofundador — luiz@onboardmobility.com

Nota metodológica: os percentuais apresentados foram apurados sobre a base operacional do sistema de transporte coletivo de Apucarana entre fevereiro de 2022 e junho de 2026. Comparações de volume utilizam a métrica de “passagens equivalentes” (valor recarregado dividido pela tarifa vigente ponderada por dia), de modo a neutralizar o efeito dos reajustes tarifários de outubro de 2023 e janeiro de 2024. Fevereiro de 2022, julho de 2026 e agosto de 2026 foram excluídos por representarem períodos parciais.

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