Volvo confirma a entrega de 25 novos biarticulados para Curitiba em março

Ônibus biarticulados novos tiveram sistemas de tração e conforto modernizados, diz Volvo.

Modelo B340M – Gran Artic tem motor central e vai receber carroceria Marcopolo Viale

ADAMO BAZANI

A fabricante de ônibus Volvo confirmou na manhã desta quarta-feira, 27 de dezembro de 2017, que em março deve entregar os 25 novos veículos biarticulados para o sistema de Curitiba, no Paraná.

De acordo com a montadora, 100% do valor dos veículos foram financiados pelo banco ligado à empresa, Volvo Financial Services, e a produção começa em janeiro.

Os biarticulados são na versão de 28 metros do modelo Modelo B340M – Gran Artic., com capacidade para 270 passageiros, entre sentados, em pé e em cadeira de rodas ou com cão guia. A montadora também tem uma versão de 30 metros e de capacidade para 300 passageiros, que não deve ser usada, neste primeiro momento, em Curitiba.

Diante do interesse da rival Scania no sistema da capital paranaense, que testa um modelo de biarticulado com motor dianteiro, a Volvo diz que a solução que adota, com motor central sob o assoalho entre o primeiro e o segundo eixos, traz vantagens como melhor aproveitamento do espaço interno e menos calor e ruído.

 “Nossos veículos permitem aproveitamento total do espaço interno para transportar mais pessoas. Além disso, com o motor central o motorista não fica exposto diretamente a ruído e calor, que são um problema em veículos com motor grande como os biarticulados. O motor central é uma configuração que só a Volvo tem e que nos permitiu conquistar a confiança de todos os mercados que operam biarticulados na América Latina e em outros continentes”, disse em nota, o presidente da Volvo Buses Latin America, Fabiano Todeschini.

A renovação de frota ocorre após um acordo entre as empresas de ônibus e o prefeito Rafael Greca, que reajustou, seguindo determinação da Justiça, a tarifa técnica do sistema (o quanto as viações recebem por passageiro transportado, que é diferente da tarifa paga nas catracas). A administração municipal prometeu rever as projeções de demanda por parte da gerenciadora do sistema, a Urbs- Urbanização de Curitiba S.A., que interferem na remuneração das companhias de ônibus. Quanto maior a projeção de demanda, menor o valor por passageiro.

Mas empresas alegavam que a demanda projetada era superestimada e a diferença entre o que a Urbs remunerava e a quantidade de passageiros registrada nas catracas configurava prejuízo que impedia a renovação da frota.  As viações, amparadas em decisões judiciais, não renovavam de forma significativa a frota desde 2013.

No acordo, as empresas abriram mão das ações judiciais e a promessa é de 450 ônibus novos, o que representa 68% da frota, até 2020. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/11/14/curitiba-vai-receber-150-onibus-novos-por-ano-ate-2020/

Todos os 155 biarticulados do sistema de Curitiba são da Volvo, que até 2015, era a única a produzir este tipo de veículo no Brasil. O primeiro modelo, que começou a circular em 1991, foi desenvolvido justamente para Curitiba, um Volvo B58E, com carroceria Ciferal, de 25 metros de comprimento.

A empresa vendeu biarticulados também para outros países. Segundo a Volvo, são cerca de 700 veículos deste porte na América Latina. Há modelos circulando em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Bogotá, Cidade da Guatemala e Quito.

Os novos biarticulados de Curitiba deve receber carroceria Viale BRT, controle de velocidade programado à distância (dá para programar, com base em dados de GPS, velocidades-limites diferentes em cada ponto de linha), além de, segundo a Volvo, melhorias no espaço interno, iluminação.

CURIOSIDADES ÔNIBUS BIARTICULADOS:

  • Na Colômbia, foi apresentada uma versão do ônibus biarticulado da Scania com motor dianteiro, movida a gás natural, já com padrão de emissões Euro IV.
  • O primeiro biarticulado do Brasil foi para Curitiba, lançado em 1991. Era um Volvo B58E, com carroceria Ciferal, de 25 metros de comprimento.
  • Em 1995, era testado o primeiro biarticulado da cidade de São Paulo. O modelo foi um Torino LS. – Relembre história: https://diariodotransporte.com.br/2016/08/21/historia-torino-nome-forte-que-vence-as-decadas/
  • No ano de 2000, um trólebus especialmente encarroçado pela Marcopolo, com design totalmente diferente dos demais, chegou a circular sobre o Rio Tamanduateí na Avenida do Estado, por um período de quatro meses. O modelo, que começou a ser desenvolvido em 1997, era para o “Fura-Fila” um sistema de trólebus com guias laterais que circularia em elevados. Hoje, incompleto em relação ao projeto original, o sistema não é de trólebus e nem tem guias lateriais, sendo um corredor de ônibus BRT denominado Expresso Tiradentes. A continuação da linha deve ser de monotrilho, mas o projeto de trens leves com pneus sofre atrasos de mais de cinco anos, está 83% mais caro e só tem duas estações em operação num trecho de apenas 2,3 km . Relembre a história: https://diariodotransporte.com.br/2017/03/12/historia-10-anos-de-expresso-tiradentes/
  • A ideia de ônibus biarticulado surgiu em Gunnar Marden (Suécia), no ano de 1947, quando a Scania-Vabis testou um protótipo de ônibus para puxar três trailers.
  • Em 1981, a Mercedes-Benz lançou o O305GG, um trólebus bidirecional (como no metrô, há cabine de condutor nos dois extremos), com guias laterais. Relembre neste link: https://diariodotransporte.com.br/2017/06/18/historia-um-onibus-de-duas-caras/
  • Em 1982, o primeiro ônibus biarticulado com características convencionais era lançado pela MAN. O modelo MAN Sgg280H tinha 24 metros. Eram 73 assentos e o motor ficava na parte traseira e era horizontal.
  • Em 1983, a fabricante Jieke Ka Lu Sha lançou o primeiro biarticulado com motor dianteiro do mundo, que se tem conhecimento. O modelo de 22,5 metros operou por dois anos na cidade de Shenyang, mas não deu certo porque era de difícil manobra.
  • O primeiro ônibus de motor vertical (parecido com o brasileiro B9SALF ou B360S) que se tem registro foi lançado em 1986. Era o modelo GX237, depois batizado de Megabus. O veículo foi feito numa parceria entre a chinesa Heuliez e a francesa Renault. O motor Mack de 6 cilindros, 11 litros e 280 cv vertical era na traseira. Depois de três anos de testes, o modelo começou a operar comercialmente na cidade de Bordeaux, na França. Em 1989, foram encomendadas dez unidades para linhas regulares. A cidade passou a deter, na época, a maior frota de biarticulados do mundo e a Renault era a maior fabricante.
  • No ano de 1988, a húngara Ikarus lança um biarticulado que ditaria as regras do mercado, apesar de, curiosamente ter sido um fracasso. Com 22,5 metros de comprimento, o ônibus tinha uma mecânica extremamente simples, o que serviu de base para as outras fabricantes adotarem soluções semelhantes e baratearem a aquisição e a manutenção dos seus modelos. O veículo foi um dos primeiros a ditar tendência também de motores de biarticulados, na posição horizontal entre os primeiro e segundo eixo. O fracasso se deu porque o motor usado era subdimensionado para o porte do veículo. Com motor fraco demais, o modelo Ikarus 293 foi vendido usado em 1992 para Teerã, no Irã. Mas em terras iranianas, o fraco motor Ràba/MAN foi trocado por um MAN turbo cooler mais potente. Em 1990, o Ikarus 293 chegou a ser produzido também em Cuba, com o nome Giron 293.
  • A belga Van Hool lançou em 1995, o modelo Agg300 de 25 metros, considerado o primeiro biarticulado com piso baixo total, igual aos usados em São Paulo. O motor era DAF turbo de 290cv, que ficava na posição vertical entre o primeiro e segundo eixos. Inicialmente, o modelo não fez sucesso e foi vendido para Luanda, na Angola.
  • Em agosto 2012, em Dresden, na Alemanha, é apresentado um ônibus biarticulado de 30 metros elétrico híbrido, o AutoTram Extra Grand. O projeto foi uma parceria da Goeppel Bus GmbH com o Instituto Fraunhofer. A tração vem por dois motores elétricos Wittur de 160kW (214cv) em conjunto com um motor Iveco 5 diesel Euro5 de 9 litros (295 cv) e com energia secundária de um pacote gerador de 235kW (315cv) , desenvolvido com motor diesel Mercedes-Benz de 4 litros. Com peso bruto de 44,7 toneladas, o biarticulado híbrido conta com baterias de íon e supercondensadores de descarga rápida.
  • Em junho de 2015, foi apresentado nas Filipinas um “quadriarticulado” . É um ônibus de 40 metros de comprimento, capacidade para mais de 300 passageiros, com quatro articulações e cinco “carros”. Chamado de Hybrid Road Train, espécie de trem da estrada, o projeto foi desenvolvido pelo DOST – Departament of Science e Technology’s das Filipinas. Relembre e veja vídeo acessando este link: https://diariodotransporte.com.br/2016/01/22/onibus-de-40-metros-de-comprimento-pode-ser-alternativa-para-sistemas-de-maior-capacidade/
  • Em 01º de novembro de 2016, a Volvo anuncia no Brasil o lançamento de um biarticulado de 30 metros de comprimento e capacidade para 300 passageiros. Com o nome comercial de Gran Artic 300, foi pensado inicialmente para os BRTs do Rio de Janeiro e tem a mesma mecânica do ônibus de 28 metros, mas a capacidade técnica aumentou de 40,5 toneladas para 45,3 toneladas. O Diário do Transporte foi o primeiro órgão feito por jornalistas a divulgar a novidade. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2016/11/01/volvo-divulga-imagem-de-biarticulado-com-30-metros-e-confirma-lancamento/
  • Quebrando mitos, as configurações trólebus e biarticulado se uniram e demonstraram ser o transporte do futuro, mais uma vez. Na 24ª edição da Busworld Europe, a maior e mais importante exposição e conferência mundial da indústria do ônibus, em outubro de 2017, na cidade de Kortrijk, na Bélgica, a Van Hool apresentou seu novo trólebus biarticulado de 24 metros para o sistema de Linz, na Áustria. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/10/30/corredor-trolebus-piso-baixo-e-conectividade-sao-tendencias-para-melhorar-transportes-nas-cidades-dizem-especialistas-internacionais/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

2 comentários em Volvo confirma a entrega de 25 novos biarticulados para Curitiba em março

  1. Itamar Moreira do Carmo // 28 de dezembro de 2017 às 12:54 // Responder

    Gostaria de saber se o respeito aos passageiros vai chegar ao ponto de :os assentos terão a largura e comprimento, para que ae as pernas dos passageiros, se acomodam bem, ou se ainda vão ser aqueles assentos onde até mesmo os magros ficam desconfortáveis. E tambem meia dúzia de assentos e duzentos e cinquenta em pé, no Brasil o que não presta é permitido pra ganhar dinheiro! Ônibus carros somos sem conforto nenhum.
    Mas eu também posso boicotar, deixei de comprar um caminhão volvo 750, só por causa do desrespeito das empresas e do governo pelo povo!

  2. SDTConsultoria em Transportes // 28 de dezembro de 2017 às 15:20 // Responder

    A configuração interna dos ônibus em Curitiba e na RIT é definida pela URBS e as empresas pouco ou nada podem fazer em relação às suas observações. Se os novos veículos não estiverem em conformidade com o caderno de especificações da URBS não são liberados para operação .

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