Prefeito de Porto Alegre volta a decretar fim da Carris
Publicado em: 8 de novembro de 2017
Em entrevista a rádio da capital gaúcha, Nelson Marchezan Júnior voltou a dizer que Carris está com os dias contados
ALEXANDRE PELEGI
O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, voltou a decretar o fim da Carris, a mais antiga empresa de transporte coletivo do país em atividade.
Como da outra vez, em entrevista concedida no dia 21 de setembro de 2017, Marchezan usou as ondas do rádio. Numa entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre, assim como naquele dia, na tarde desta terça-feira (dia 7) Marchezan voltou a afirmar que a principal empresa de transporte público da cidade que dirige está “com os dias contados”. O prefeito transmitiu sua entrevista ao vivo no Facebook.
Na entrevista anterior Marchezan afirmara que a Carris era “inviável”. Naquela entrevista, o prefeito afirmara então que, diante da crise financeira em que estava mergulhada a tradicional empresa de ônibus da capital gaúcha, a solução, segundo ele, seria a “privatização ou o fechamento”. Relembre:
Desta vez, alegando que uma análise financeira da Carris já foi feita, o prefeito tornou a repetir que a administração da companhia pela prefeitura é “inviável”. E explicou o motivo: a Carris consome R$ 60 milhões por ano de dinheiro público, “valor que é retirado da saúde e da educação”.
Mas se em setembro o prefeito afirmava que a solução para a Carris estaria entre o fechamento e a venda, ontem ele ainda não sabia dizer qual seria o destino final da empresa: “Se vai ser privatização, extinção, licitação das linhas… Enfim, vamos buscar o formato jurídico a partir de agora. A meta sempre foi o interesse público, e, do ponto de vista do interesse público, a administração pela máquina pública não é viável”, disse Marchezan, para quem não há como competir com o setor privado no setor de transporte público, já que os custos de operação, como pneus, peças, manutenção e despesas com pessoal são muito altos.
Alceu Weber, integrante do Conselho Municipal de Transporte Urbano (Comtu) de Porto Alegre, pensa diferente do prefeito. Para ele, a Carris é uma empresa viável.
Ouvido pela reportagem do Jornal do Comércio de Porto Alegre, edição desta quarta-feira (8), Weber afirma que o que torna a empresa inviável “é a forma de administrar”. Segundo ele, “a gestão atual é ineficiente, administrativamente falando. O prefeito não tem nada de bom gestor, é um bom politiqueiro apenas. Para que dê lucro, é preciso que tenha bons administradores”, alega.
A declaração de Marchezan, para Weber, se trata de uma defesa da questão. “Ele sabe que isso vai ter que passar pela Câmara (de Vereadores) e que não tem maioria lá.”
Apesar disso, o representante do Comtu acredita que é necessário repensar a administração da Carris. “Mesmo com toda a precarização e com toda a dificuldade operacional, a empresa ainda é considerada a melhor pelos usuários. O sistema de transporte tem de ser pensado de maneira macro. Ele está em colapso devido a uma série de atitudes, e não adianta correr por meio do preço da passagem, isso só vai espantar o usuário”.
CARRIS – QUASE 150 ANOS DE VIDA
Criada por um decreto assinado por Dom Pedro II em 19 de junho de 1872 (Decreto nº 4.985), a companhia Carris de Ferro Porto-Alegrense tem hoje quase 150 anos de vida.
Em agosto deste ano bem que a prefeitura de Porto Alegre tentou acabar com o benefício, mas perdeu na sequência para uma decisão liminar da Justiça, que manteve a isenção. Relembre:
SAIBA MAIS DA HISTÓRIA DA CARRIS
19/06/1872 – Fundação da Cia. Carris de Ferro Porto-Alegrense.
05/01/1873 – Primeira viagem de um bonde da Carris em Porto Alegre, na linha Menino Deus.
1874 – Fim da Revolta dos Muckers – Carris doa 100 mulas para exército.
15/01/1893 – Fundação da Carris Urbanus (linhas Moinhos, Floresta e Partenon).
24/03/1906 – Da fusão da Cia. Carris de Ferro Porto-Alegrense e da Carris Urbanus nasce a Companhia Força e Luz Porto-Alegrense.
10/03/1908 – Primeiro bonde elétrico entra em circulação.
1914 – Circula o último bonde puxado a mula.
1926 – Primeiro ônibus circula em Porto Alegre, de propriedade de Amador dos Santos Fernandes e Manoel Ramirez. A Cia Força e Luz Porto-Alegrense vende suas usinas para a CEERG, criada em 1923, de propriedade do grupo Electric Bond & Share e passa a se chamar Cia Carris Porto-Alegrense.
13/09/1928 – A Carris passa a ser administrada pela empresa norte-americana Electric Bond & Share, integrante do grupo liderado pela General Electric.
1929 – Primeiro Auto-ônibus da Carris entra em circulação, modelo Yellow Coach.
1939-1944 – Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou por vários períodos de racionamento de combustível. Os veículos que necessitavam de óleo e gasolina são obrigados a reduzir suas atividades. O transporte de bondes fica sobrecarregado e a Carris coloca 16 carros reserva em funcionamento, aumentando a frota de 85 para 101 veículos. É também durante o período da Segunda Guerra que grande parte das tripulações da companhia é requisitada pelo Exército. A Carris tenta então contratar mulheres para o serviço de condutor (cobrança de passagem) mas a medida é vetada pelo Ministério do Trabalho do governo Getúlio Vargas.
1952 – Sucessivas greves e o evidente desinteresse dos norte-americanos da Bond & Share em manter o transporte por bondes levam a Prefeitura a intervir na companhia. Assume como interventor José Antonio Aranha, irmão do ministro Oswaldo Aranha.
1953 – Durante uma greve no serviços de bondes da Carris, o músico Lupicínio Rodrigues – que havia trabalhado em 1930 na companhia como aprendiz de mecânico – inspira-se para compor o Hino do Grêmio, cujos versos iniciais se referem à falta do transporte para levar os torcedores até o estádio: “Até a pé nos iremos; para o que der e vier; Mas o certo é que nós estaremos; Com o Grêmio onde o Grêmio estiver”.
29/11/1953 – Após o período de intervenção, a Prefeitura, na gestão de Ildo Meneghetti, encampa a Carris, assumindo o controle acionário. Lei 1069, que determina a encampação, é aprovada por 17 votos a dois na Câmara de Vereadores.
1956 – Carris encerra o serviço de transporte por ônibus, transferindo seus veículos para o Departamento Autônomo de Transportes Coletivos (DATC).
1964 – Carris começa a operar sistema de troleibus (ônibus elétricos), inicialmente com cinco veículos e depois com mais quatro. No entanto, problemas de adaptação da voltagem na rede impedem o bom funcionamento do serviço
29/09/1966 –Companhia retoma o transporte por ônibus. Três bondes da Linha Duque são substituídos por ônibus a diesel, iniciando o processo que culminaria com o fim dos bondes elétricos.
19/05/1969 – Circula o último troleibus.
05/06/1969 – Bondes da Avenida Assis Brasil são substituídos por ônibus
26/10/1969 – Linhas Petrópolis e Gasômetro-Escola também trocam os bondes por ônibus
08/03/1970 – Circulam os últimos bondes elétricos nas linhas Partenon, Glória e Teresópolis. Houve solenidade de despedida, à qual compareceram o Prefeito e autoridades. Toda a população pôde viajar gratuitamente. Às 20h30, o último elétrico foi recolhido ao depósito de bondes.
1973 – Em fevereiro, a Carris transfere sua sede para a Rua Albion, na Zona Leste de Porto Alegre.
1974 – Empresa cria a Escola de Motoristas.
1976 – Início da operação das linhas transversais: T1, T2, T3 e T4.
1976-1979 – Implantação dos corredores de ônibus de Porto Alegre.
1977 – Implantação da linha Campus-Ipiranga, ligando o recém-inaugurado Campus do Vale da Ufrgs, com o Centro da cidade, passando também em frente da PUC.
13/10/1980 – Instituída a tarifa única em Porto Alegre. Linhas de ônibus são redistribuídas entre as operadoras do sistema.
1982 – Inicia o tráfego de duas linhas circulares no Centro.
1989 – Criada a linha T5 e a sala da Memória Carris, na sede da Companhia.
1990 – Em operação a linha T6.
1995 – Implantada a linha T1 Direta.
1997 – Começa a circular a linha T2A.
1998 – Inicia tráfego da T7.
1999 – Criada a linha T8.
2000 – Inauguradas as linhas T9, T9 IPA e T10.
2003 – Criação da Linha Turismo, com o roteiro Centro Histórico.
14/11/2006 – Carris começa a operar a linha T11 3ª Perimetral, que cruza toda a extensão da mais importante obra viária de Porto Alegre, do Aeroporto Salgado Filho, na Zona Norte, até o Bairro Teresópolis, na Zona Sul da cidade.
2007 – A frota da Carris passa a operar com o sistema de Bilhetagem Eletrônica.
09/08/2007 – Os ônibus da Carris começaram a circular abastecidos por Biodiesel, um combustível menos poluente.
21/06/2008 – Entrega oficial da sede de funcionários da Carris.
19/04/2009 – Instalação das primeiras televisões nos ônibus da Carris.
2010 – Criação de duas linhas sociais para atender grupos escolares e entidades sociais, adesivados com a linha do tempo da Carris.
2010 – Inauguração da linha social Territórios Negros. A linha realiza roteiro histórico sobre pontos da cidade representativos da cultura afro-brasileira.
2011 – Entrega do primeiro ônibus para a linha social Bicho Amigo. Através de parceria com a Secretaria Especial dos Direitos dos Animais. O veículo funciona como clínica itinerante para esterilizações.
2011 – Entrega de mais um veículo para a linha Bicho Amigo. O ônibus transporta animais de famílias em vulnerabilidade social.
11/04/2011 – Institucionalização da Unidade de Documentação e Memória da Carris (UDM).
16/12/2011 – Início da operação da Linha C4 balada segura.
03/09/2012 – Início da operação da Linha T11A.
11/01/2013 – A Carris entrega 13 novos ônibus articulados à comunidade.
26/09/2013 – Carris investe na qualidade de trabalho de seus funcionários e inaugura o terminal T3 e T4 Sul.
22/08/2014 – Carris reforça segurança nos ônibus com a instalação de 1.484 câmeras.
26/11/2014 – A Companhia Carris Porto-alegrense recebe a certificação de Empresa Cidadã, do Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro.
09/03/2015 – Carris entrega 50 novos ônibus (35 convencionais e 15 articulados) à população de Porto Alegre.
22/02/2016 – Carris inicia operação das linhas transversais T12, T12.1, T12A e T13.
Fonte: prefeitura de Porto Alegre
Alexandre Pelegi, jornalistas especializado em transportes


Carris uma farsa
Ao longo dos muitos anos que estou nesse mercado essa empresa se é que podemos assim chama-la sempre foi uma farsa
Uma empresa aonde o poder público (políticos) utilizavam a mesma para promover a si próprio e enganar aos munícipes pregando ser essa uma empresa eficiente.
Hoje com a administração política do Prefeito N Marchezan ao qual sempre desde Dep Fed sempre combateu as regalias e a hipocrisia da classe política, a verdade sobre a Carris finalmente vem a público.
Empresa estatal inchada em seu quadro de funcionários com altos salários utilizada pelas gestões anteriores para fazer seus apadrinhamentos políticos e dar cargos e funções que em nenhuma empresa privada existe.
E triste quando vejo alguém ainda defender esse tipo de gestão, mas é claro que os que defendem serão os principais atingidos com o fim da empresa.
Vejamos os demais casos que já tivemos nesse País exemplo (CMTC, CSTC, CIA Araraquara, a empresa pública do RJ, Recife….) fora as que não me lembro ou até mesmo não tenho conhecimento.
CIA CARRIS, graças a Deus já vai tarde.!!!
João Luis, boa noite.
Só complementando.
Enquanto existir o artigo 37 da Constituição Federal /88 os cargos em comissionamento são legais e isso está longe do fim.
Independentemente de quem seja nomeado ou mesmo os concursados, entendo que a falha ai é dos órgãos de controle ( MPE, MPF, PF, TCM, TCE, TCU, corregedorias, ouvidorias e todos outros se houver) que permitiram a Carris chegar a este ponto e pior ainda não responsabilizaram ninguém, incluindo ai as outras citadas por você.
Pois mesmo comissionados tem responsabilidades funcionais e da administração pública, pois todos são NOMEADOS OFICIALMENTE.
Aqui em Sampa o fim da CMTC, na minha opinião, foi fabricado e beneficiou muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiita gente, mais do que se tivessem deixado a CMTC aberta até hoje.
O prejuízo com o fechamento é incalculável.
Você vai ver os desdobramentos que seguirão se for de fato fechada a Carris.
Aguarde e verás, depois você nos conta, se quiser.
** Só não tem jeito pra morte.
PREVISÍVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL
Att,
Paulo Gil
Por que será que não funciona Em grandes cidades onde a gestão é da iniciativa privada o transporte funciona com algumas deficiências mas está atendendo … Será que isto não nos ensina alguma coisa ? Que os governos municipais e estaduais licitem as linhas conofrme a necessidade da população , que criem os órgãos fiscalizadores ( Ver ex. URBS , SPTRANS ,BHTRANS … ) TRANSMILENIUM EM BOGOTÁ , TRANS SANTIAGO NO CHILE . Este serviço é para atender a população e não aos interesses políticos…
SDTConsultoria em Transportes, boa noite.
Um dos grandes males do buzão do Barsil são órgãos fiscalizadores.
O buzão do Barsil precisa de GESTORES com G e não com J como temos por ai.
E o mais importante de tudo que estes GESTORES sejam DINÂMICOS como o buzão e como os passageiros.
Caso contrário continuaremos com a mesma ladainha que todos nós já conhecemos de A a Z’.
Abçs,
Paulo Gil
Amigos, boa noite.
$orte de quem tem capital e vai poder $aborear e$$e Filet Mignon ao ponto.
Mas o puuuuuuuuuder vai cria uma Jestora, que dará continuidade a mesma ineficiência de sempre, não se animem não.
Quem sabe a POAtrans ????
Att,
Paulo Gil