SPAL traz nova tecnologia de resfriamento de motores de ônibus para o Brasil

Em parceria com a Modine, testes já são realizados em garagens de operadoras no país. Empresa estará presente na próxima Transpúblico, de 29 a 31 de agosto

ALEXANDRE PELEGI*

Em tempos em que o excesso de emissão de poluentes pauta governos e empresas, levando-os a implementar políticas públicas ambientais e a discutir medidas práticas em prol da mitigação dos danosos efeitos causados pela má qualidade do ar para o planeta e a sociedade, o setor de transporte ganha proeminência.

Reconhecido como um dos maiores consumidores de energia, o setor de transporte tem focado seus esforços em todo o mundo em buscar fontes alternativas. No escopo das pesquisas estão não só o uso sustentável do ponto de vista ecológico e econômico, como a busca incessante por modelos mais eficientes, que reduzam o gasto de energia. Afinal, o gasto energético do setor de transporte representa atualmente 20% da energia mundial.

O Brasil terá que fazer sua lição de casa. E um conjunto de medidas em prol de uma maior eficiência do setor é a saída mais rápida e economicamente viável, enquanto soluções mais amplas e de médio e longo prazo são pesquisadas e comprovadas.

Quando se fala em aumentar a eficiência de um setor podemos lançar mão de uma analogia simples, usando a imagem de uma lente zoom, com um foco bem aumentado, dirigida a examinar cada parte de um sistema consumidor e irradiador de energia. A cada parte observada, uma pergunta deve ser feita: o que se pode melhorar aí para reduzir o gasto e o desperdício energético? É possível fazer isso de maneira economicamente equilibrada, tornando o sistema todo mais completo e eficiente, além de possível de ser implantado num curto prazo?

Essa analogia vale para o sistema de transporte coletivo urbano, onde grandes veículos são necessários para transportar massivas quantidades de pessoas, uma necessidade imperiosa para que o sistema econômico de uma cidade funcione de maneira eficiente.

É possível melhorar a eficiência energética de um ônibus? Afora alterar sua fonte de combustível, há outras maneiras de melhorar e incrementar seu desempenho ambiental?

VAMOS FALAR DE RESFRIAMENTO DE MOTORES:

Este artigo parte do princípio que grandes soluções não impedem que pequenas medidas pontuais possam contribuir para que se alcance o objetivo final. Ou, em outras palavras, pequenas alterações nos motores podem produzir um enorme impacto. Basta considerar toda a energia consumida por todos os sistemas de resfriamento dos ônibus que rodam no planeta. Isso se torna ainda mais importante quando consideramos países como o Brasil, onde os ônibus são o principal meio de transporte na maioria das cidades, em que operam a mais das vezes em condições climáticas extremas, o que nos leva a pensar que seria crucial a busca de um sistema ainda melhor.

Usando a lente zoom imaginária que criamos, vamos focar no sistema de resfriamento do motor de um ônibus. Ônibus são veículos que trabalham duro, com motores rodando a altas temperaturas com vistas a um melhor desempenho. A manutenção do motor na temperatura ideal de funcionamento é fator essencial, ainda mais em operações comerciais.

Manter o motor funcionando na temperatura ideal tem objetivos muito claros: afora dissipar o calor, o sistema auxilia na redução do consumo de combustível e das emissões de poluentes.

Imagine agora uma alternativa para o sistema de resfriamento do motor desse ônibus, que além de manter a temperatura ideal de funcionamento, ainda produza de imediato os seguintes efeitos: redução de 5 a 8% no consumo de combustível; menor ruído para o ambiente externo; baixo custo de manutenção; direção mais suave e, como consequência de tudo isso, uma solução ambientalmente correta.

Pois bem: já existe uma alternativa ecológica para o sistema de resfriamento dos motores de ônibus, que substitui a maneira tradicional, à base de ventiladores hidráulicos caros.

Conhecida como sistema “EEC” (Electric Engine Cooling – sistema de Resfriamento elétrico do motor), esta nova alternativa tem como diferencial a utilização de ventiladores elétricos, que trabalham independentemente do motor, ao contrário do sistema tradicional.

A vantagem deste sistema permite que o motor do ônibus funcione na temperatura correta, resultando em ganhos já comprovados em testes: melhor eficiência de combustível, custos operacionais mais baratos e uma vida prolongada para o motor.

De uma maneira resumida estas são as principais vantagens do EEC:

= Redução do consumo de combustível entre 5% e 8% (Motor trabalha mais leve);

= Uso mais eficiente da energia graças ao melhor controle da velocidade do ventilador;

= Níveis menores de ruído;

= Possibilidade de integrar os ventiladores com o sistema CAN ou PWM, para que possam otimizar as operações antecipando situações de maior demanda de resfriamento;

= Motores 30 kg mais leves;

= Dispensa de refrigerador de óleo – necessitando de 20% menos fluxo de ar;

= Uso de ventiladores múltiplos, o que permite que o fluxo de ar seja distribuído de maneira mais uniforme em todo o radiador, aumentando o tempo de vida do equipamento.

modine

NOVIDADE NO BRASIL:

Como o Diário do Transporte já anunciou em primeira mão em novembro de 2016, esse sistema de resfriamento de motores de ônibus por eletroventiladores já foi apresentado pela empresa SPAL na FetransRio, em parceria com a Modine, fabricante de radiadores. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2016/11/21/sistema-de-resfriamento-de-motores-que-economiza-5-do-combustivel-sera-destaque-na-fetransrio/

Como informamos naquela ocasião, a utilização de eletroventiladores com motores eletrônicos e selados assegura a melhor eficiência no resfriamento do motor, motivo pelo qual é largamente usada na tecnologia de restrição a emissões Euro 6, já em vigor na Europa. Uma informação importante para o mercado brasileiro é a de que essa tecnologia de resfriamento pode ser usada também em veículos mais antigos, como Euro 3, e os atuais Euro 5 no Brasil.

Veja o vídeo produzido para o mercado asiático:

Este sistema de resfriamento, novidade no país, já está em testes em alguns ônibus. Na próxima matéria sobre este tema traremos dados e depoimentos técnicos a respeito de uma experiência em curso na garagem Mangalot, da Viação Santa Brígida, em São Paulo.

Veja abaixo imagens obtidas na garagem:

SAIBA MAIS SOBRE O SISTEMA ‘EEC’:

VANTAGENS

• Design inteligente: mais espaço para passageiros

Os ventiladores elétricos podem ser instalados separadamente no radiador e no CAC (intercooler). Isso dá aos projetistas de ônibus a liberdade de desmembrar o radiador e o CAC (Intercooler) e instalarem o sistema de resfriamento do motor onde preferirem, permitindo reduzir o espaço do motor e possibilitando maior capacidade de passageiros.

• Limpeza fácil do radiador e CAC (Intercooler)

Outra característica inteligente dos ventiladores elétricos do EEC é sua utilização para limpar o radiador e o CAC (Intercooler) através de uma função reversa. O motorista ou o mecânico podem executar a tarefa manualmente, com o simples toque de um botão. Esta ação pode ainda ser programada para ocorrer automaticamente.

• Redução do consumo de combustível – apenas o começo

Ao usar ventiladores elétricos, que funcionam de forma independente – não precisam estar ligados à polia do motor para funcionarem -, o motor roda mais leve. Além disso o EEC funciona apenas quando necessário, em oposição a um ventilador tradicional com correia, que na maioria dos casos inicia o processo de resfriamento do motor a partir do momento em que o ônibus começa a rodar. Logo, o sistema tradicional não só desperdiça energia, como aumenta os custos operacionais. Utilizando sensores de temperatura e controlador que regula a velocidade dos ventiladores ou diretamente pelo sistema CAM do ônibus, consegue-se manter a temperatura de operação do motor na melhor faixa para fornecer desempenho máximo do motor. Conclusão: o sistema EEC torna qualquer ônibus mais limpo e mais sustentável ecologicamente, proporcionando economias significativas de combustível, além de ampliar a vida útil do motor. Como já observado em testes, as linhas convencionais de ônibus a diesel registraram economia significativa de combustível simplesmente mudando o sistema de resfriamento para ventiladores elétricos.

• Proteger contra danos

Os ventiladores inteligentes do sistema EEC desligam automaticamente no caso da fonte de alimentação sofrer uma tensão muito alta ou se houver um bloqueio mecânico do ventilador. E reiniciarão automaticamente assim que a fonte de alimentação for ajustada ou quando o bloqueio for removido. Essa função protege o ventilador contra danos adicionais, como incêndios ocasionais.

• Maior eficiência

O radiador normalmente trabalha com uma temperatura maior que a do CAC
(Intercooler). Como nos sistemas convencionais o radiador e o intercooler são montados em sistema sandwich (pacote) o balanço térmico acaba sendo menos eficiente. No sistema EEC permite-se montar o radiador separado do CAC (intercooler). Como os ventiladores elétricos do EEC são independentes, eles funcionam conforme a exigência térmica do radiador e do CAC (intercooler), obtendo assim um melhor balanço térmico do motor. Isso se traduz diretamente na lucratividade para o operador: um melhor desempenho significa maiores economias.

• O ônibus nunca ficará parado

Os ventiladores tradicionais com correia podem deixar um ônibus parado, o que provoca perda de tempo na viagem, além de desconforto aos passageiros, que têm de aguardar a chegada da ajuda. Esse problema não acontece com o sistema EEC. No caso de um dos ventiladores do sistema parar de funcionar por qualquer motivo, a função “ventilador com falha” envia um sinal aos demais ventiladores do conjunto, permitindo que eles façam a compensação, o que permite que o ônibus continue rodando até a garagem para realizar a manutenção.

Menor ruído para maior conforto

Menos barulho é essencial em cidades que procuram reduzir a poluição sonora. Com o sistema EEC os ventiladores podem ser ajustados para um início de rotação lenta, reduzindo o ruído de saída. Independente da velocidade do ônibus, os ventiladores elétricos entrarão em operação quando forem necessários, trabalhando com rotação variável conforme a necessidade térmica do motor. Mais: não há necessidade de abrir a parte de trás do ônibus para resfriar o motor em um dia quente. Os ventiladores elétricos têm alta vazão de ar e mesmo quando exigidos à máxima rotação ainda assim são extremamente silenciosos.

• Maior vida útil do motor

Os ventiladores tradicionais com correia sopram ar frio desde o momento em que são iniciados. O sistema EEC só sopra ar frio quando necessário. A conclusão é lógica: o motor nunca funciona sobrecarregado, mantém sempre a temperatura do motor na melhor condição de operação, o que consequentemente estende a vida útil do motor.

Diagnóstico do funcionamento do ventilador

Mais tempo na garagem significa menos tempo em operação, o que representa prejuízo operacional. Com o sistema EEC os ventiladores elétricos podem ser programados através de um sinal de saída de falha para informar o motorista se e quando um ventilador não está funcionando corretamente. Isso permite que o motorista do ônibus, no retorno à garagem, possa informar a anomalia ao mecânico.

FUNÇÕES:

Os motores dos ventiladores são 100% selados:
• Fluxo de ar completo a 95 °C, podendo funcionar até 120°C

• Vida útil – 40.000 horas

• Grau de proteção IP68 e IP6K9K

• Vibração 6 G

• Função reversa para limpar o radiador e CAC (intercooler)

• Proteção de segurança do motor do ventilador

• Saída de falha para notificar motorista se houver um problema

* Redação de Alexandre Pelegi, com informações fornecidas pela SPAL AUTOMOTIVE DO BRASIL

1 comentário em SPAL traz nova tecnologia de resfriamento de motores de ônibus para o Brasil

  1. Amigos, bom dia.

    Parabéns muito legal é mais tecnologia “embarcando” no buzão.

    E a Santa Brígida já a frente participando dos testes, é isso ai sempre a frente..

    Poxa será que isso pode ser aplicado nas Kombis a Diesel e nos motores do nossos carros, pois o atual sistema de arreficiamento não tá com nada, vai bem só até os 35.000 Km, depois começa abaixar o líquido.

    Por isso eu adoro motor refrigerado a ar.

    Att,

    Paulo Gil

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: