Viação Santa Brígida testa tecnologia de resfriamento de motores que economiza 5% de diesel

O que aparentemente pode ser mais um veículo na frota, carro 1 1324 da Santa Brígida tem sistema inédito que economiza combustível e, consequentemente, reduz poluentes.

Cruzamos a experiência da garagem com os testes de laboratório da Modine

ALEXANDRE PELEGI

Olhando de fora é simplesmente mais um ônibus dentre os vários que a Santa Brígida faz circular diariamente pelas ruas de São Paulo. Fabricado pela Mercedes-Benz, tecnologia Euro-3, estamos falando de um modelo O500-U.

Quando falamos com Jefferson Oliboni, gerente de manutenção da garagem Mangalot, na zona noroeste da capital, ele começa a listar o que este ônibus tem de diferente dos demais.

Ele tem o motor mais silencioso, e quando encosta para a manutenção de rotina gastamos menos tempo com ele, cerca de umas 4 horas. Ele consome em média 4 a 5% menos combustível, e os profissionais que o dirigem relatam que além de mais macio, eles sentem que tem mais potência nas rodas”.

RETROFIT_descricao_imgO que diferencia o ônibus prefixo 1 1324 dos demais do mesmo modelo está no sistema de arrefecimento do motor. Desde outubro de 2016 a Santa Brígida testa o veículo com um equipamento diferente dos demais, um retrofit desenvolvido pela Modine em parceria com a SPAL que substitui o sistema de arrefecimento convencional.

Diferentemente dos tradicionais sistemas de resfriamento do motor, a solução da Modine dispensa o uso da hélice do radiador, que normalmente é acionada diretamente pelo próprio motor do ônibus. A tecnologia representa uma carga de trabalho a menos. Menos trabalho para o motor, mais energia que pode ser utilizada para movimentar o veículo. Daí a sensação dos motoristas de que mais cavalos de potência estão disponíveis nas rodas.

O ganho de potência foi calculado após vários testes pelos engenheiros da Modine. Fernando Rodrigues, Gerente sênior de engenharia da empresa, relata que os testes realizados demonstraram este ganho. “Medimos a potência disponível no motor de um Mercedes modelo O500U, Euro 3, com o sistema de arrefecimento tradicional. E depois repetimos o teste no mesmo modelo, mas com o sistema Efan Modine/SPAL. O ganho de potência apurado foi de 21 CV”.

modine_potencia

Quando o ônibus chegou à garagem, já com o retrofit, os mecânicos observaram que uma série de peças haviam sido retiradas do motor tradicional: a hélice e o suporte, com as polias e a correia, além da embreagem viscosa e a polia do motor. “O espaço do motor ficou bem mais livre”, conta Jefferson.

O resultado, segundo o gerente da manutenção da garagem, foi percebido quando o ônibus foi para sua primeira manutenção de rotina. “Como não precisamos desmontar todo o sistema de arrefecimento para limpar, ganhamos umas 4 horas”. A limpeza se resume a apertar um simples botão, que faz os ventiladores elétricos giraram em sentido oposto, em função reversa. O vídeo abaixo mostra a diferença nos dois motores: primeiro no ônibus com o retrofit, e depois no ônibus com o sistema convencional.

Jefferson diz que o ruído é menor graças ao sistema de ventiladores. O gerente de engenharia da Modine atesta isso, e conta que os ventiladores fabricados pela SPAL Automotive, trabalhando a plena força, emitem um nível de ruído de 73dB. “Uma redução de 21 dB, o que é possível perceber facilmente”, ele diz.

modine_ruido

Quanto à redução de consumo, Jefferson nos diz que ela ocorreu de fato. Um comparativo de rodagem durante um mês entre o ônibus com o retrofit e outro utilizado como espelho para a experiência, mostra uma redução de 1,8% na quilometragem, o que indica um gasto menor de combustível em torno de 4%.

Os engenheiros da Modine afirmam que nos testes realizados em bancada a economia é de mais de 5% de diesel, no mesmo modelo que está rodando na Santa Brígida.

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Fernando Rodrigues conta que este sistema já está consagrado no mercado americano, onde mais de 3.000 módulos foram vendidos para aplicações de ônibus urbanos.

Num momento em que as empresas de ônibus no Brasil precisam reduzir gastos, diante da queda de passageiros e do congelamento de tarifas em importantes cidades, uma solução como esta pode ser um fator importante de análise. “Você não altera nada nos ônibus, apenas instala o retrofit”, diz o engenheiro da Modine.

Quando pergunto a ele qual o motivo então das próprias fabricantes de ônibus não incorporarem este sistema direto na produção de novos veículos, ele se cala e sorri como se soubesse de algo. É esperar pra ver…


NTU_BannerTranspublicoCONFIRA NA TRANSPÚBLICO

O módulo desenvolvido em parceria entre a Modine e a SPAL pode ser visto a partir desta terça-feira (29) no estande das empresas na Transpúblico. A tradicional feira começa no dia 29 e se estende até o dia 31 de agosto, no Transamerica ExpoCenter – Av. Dr. Mário Vilas Boas Rodrigues, 387 – Santo Amaro, São Paulo – SP.

Veja aqui matéria com mais informações sobre o sistema de resfriamento, com informações fornecidas pela SPAL AUTOMOTIVE DO BRASIL:

https://diariodotransporte.com.br/2017/08/08/spal-traz-nova-tecnologia-de-resfriamento-de-motores-de-onibus-para-o-brasil/

Vídeo do retrofit instalado no ônibus Mercedes da Santa Brígida:

Vídeo institucional produzido pela SPAL Automotive que será apresentado na Transpúblico:

 

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

 

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Ufa! BOAS NOVAS!

    Parabéns a todos envolvidos no projeto e nos testes.

    Isto dá muita alegria a todos nós.

    Qual linha opera o 1 1324 ??

    Vou ver se consigo dar uma volta nele como passageiro.

    Um motor traseiro com mais força, isto é sensacional.

    Já está disponível para o micro motor traseiro também ???

    Parabéns!

    Att,

    Paulo Gil

    1. Zé Tros disse:

      Paulo Gil, boa noite, os chassis de motor traseiro já são mais fortes que os chassis de motor dianteiro. Vou citar dois exemplos:

      motor dianteiro: OF-1724 – 238 cv de potência/850 Nm de torque
      O-500 M – 256 cv de potência/900 Nm de torque

      motor traseiro: 17.260 OD- 256 cv de potência/900 Nm de torque
      18.280 OT- 277 cv de potência/1050 Nm de torque

      Quanto a essa solução, se for isso mesmo, ela é genial. Faltou citar na reportagem, o valor dos ventiladores e o custo de instalação deles.

      Outra pergunta é se daria pra instalar os ventiladores em chassis com motor dianteiro?.

  2. E pouco mais já e alguma coisa.

  3. Roberto Dias disse:

    Realmente, esta empresa (assim como muitas outras) investe alto em máquinas e treinamentos para melhoria do desempenho, economia e maior lucratividade. No entanto, quando o assunto é investimento em QVT. (qualidade de vida do trabalhador), quando se trata de valorizar a máquina humana, fica muito aquém do desejável! Inclusive todos eles nos acham INDÍGNOS E DESMERECEDORES de Receber uma Participação nos Lucros e Resultados (PLR), Isto é mui lamentável e revoltante!

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