Paes: Empresas do consócio BRT não voltarão mais; 241 ônibus vão operar até setembro e VLT deve ser estendido até o Gasômetro

Metas foram anunciadas pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, em detalhamento das ações de intervenção no BRT, que afirmou que um dos modelos estudados é separar a operação da aquisição dos veículos, mas licitação não sai este ano. Reativação das linhas e inclusão de mais estações no BRT Transbrasil também são promessas na área de transportes. PM e GCM de folga para fazer segurança nas estações

ADAMO BAZANI/WILLIAN MOREIRA

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ao apresentar detalhes das ações de intervenção no sistema de BRT, descartou a possibilidade de retorno às operações das empresas de ônibus da cidade que integram o Consórcio BRT.

Na manhã desta quarta-feira, 07 de abril de 2021, Paes admitiu que a licitação do sistema vai demorar a ser feita e que até a nova licitação, a prefeitura vai manter o sistema, o que mostra que a intervenção pode passar dos seis meses iniciais.

“Fazer uma licitação internacional, órgão de controle, processo licitatório, isso vai demorar. Sinceramente não acredito nesse processo licitatório concluído até o começo do ano que vem. Até implementar isso demora, então vem ai um trabalho grande para ser feito. Nós estamos analisando o melhor momento, o melhor modelo. O que lhe posso garantir é que no final de seis meses essa empresa do consórcio antigo não reassume o BRT. Nós vamos ficar mantendo o BRT fazendo ele funcionar até o dia que tivemos uma licitação nova, um consórcio novo, uma concessionária nova para assumir as obrigações” – disse Paes.

Ouça:

O prefeito ainda afirmou que um dos modelos estudados é separar a operação da aquisição dos veículos.

“Nós já estamos modelando a nova licitação, a nova concessão. Ela deve observar características diferentes da licitação feita pelo meu governo em 2010. Primeiro já retiramos a bilhetagem eletrônica, isto vai ter uma licitação separada, não vai ser mais controlada por quem operar o BRT. E nós provavelmente devemos medir operação de terminais, estações devem ser tocados por uma concessão e eventualmente até a gente pode ter concessões diferentes para a operação e para a aquisição de veículos. Então estes modelos estão sendo definidos pela Secretaria de Transportes também; não é um processo licitatório simples, não é algo que se termine em pouquíssimo tempo, vamos levar algum tempo para fazer isso, mas para buscar a construção de um modelo sólido, imune a prefeitos irresponsáveis e incompetentes que possam vir no futuro.”

VLT ATÉ O GASÔMETRO:

Paes também disse que a prefeitura estuda levar o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos)  até o terreno do Gasômetro, na Zona Portuária da capital.

A obra faria com que o VLT fosse integrado ao BRT Transbrasil.

Os técnicos da prefeitura acreditam que o prolongamento seria mais fácil do que levar o BRT Transbrasil até à região central, já que os dois meios de transportes são integrados.

R$ 134 MILHÕES PARA RECUPERAR:

Segundo Eduardo Paes, para restaurar o BRT, serão necessários em torno de R$ 134 milhões. O valor vai ser usado em consertos de ônibus, reforma de estações e melhorias de infraestrutura.

O prefeito vai enviar este dado à Câmara Municipal para que os vereadores aprovem que este recurso saia inicialmente dos cofres do município.

Como mostrou o Diário do Transporte, nesta terça-feira (06), os vereadores concordaram em só votar a permissão do uso dos recursos públicos se houvesse uma estimativa de valores.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/04/06/camara-do-rio-pautara-votacao-de-projeto-enviado-por-paes-para-uso-de-recursos-municipais-em-brt-somente-depois-que-prefeitura-detalhar-valores/

Pelo projeto da gestão Paes, tudo o que for investido na intervenção vai ser cobrado do Consórcio BRT.

O prefeito Eduardo Paes disse que o BRT do Rio tem um déficit operacional de R$ 5,6 milhões

MAIS ESTAÇÕES NO BRT TRANSBRASIL:

Na apresentação, a secretária Transportes da cidade, Maína Celidonio, disse que o projeto do BRT Transbrasil (Deodoro – Rodoviária), vai ter mudanças, como a inclusão novamente quatro estações entre Deodoro e o Trevo das Margaridas, a exemplo do que era a proposta original.

A via será segregada de fato e Eduardo Paes disse que não se repetirá o erro de aplicar asfalto em vez de concreto, como ocorreu em trechos do Transoeste.

Também foi prevista a reurbanização da região da Avenida Brasil

241 ARTICULADOS ATÉ SETEMBRO E REIMPLANTAÇÃO DE LINHAS:

Eduardo Paes disse ainda que meta até 10 de abril é ter 150 ônibus articulados BRTs operacionais.

Em maio, este número deve subir para 173; para 199 em junho; 220 entre julho e agosto até chegar, no mínimo a 241 ônibus articulados até setembro de 2021.

O balanço realizado pela intervenção deu conta que atualmente são 120 veículos em circulação.

A prefeitura constatou que de 297 articulados em três garagens na cidade, 56 estão inoperantes já canibalizados e, portanto, de difícil de demorada recuperação. Outros 94 veículos estão parados por falta de peças e com o devido investimento terãoum prazo de três meses para retornar as ruas. Já 27 articulados precisam de pequenos reparos e com um aporte financeiro menor, podem voltar a atender a população rapidamente, sendo para eles o foco inicial dos trabalhos de manutenção.

Ate fim de junho, devem ser feitos ajustes necessários para reativação de linhas que foram cortadas ou extintas.

REABERTURA DE ESTAÇÕES:

Já sobre as estações de BRT, 46 atualmente estão fechadas e com prazo de serem reabertas até o fim da primeira fase da intervenção, em setembro, com as 15 de maior demanda ou com uma distancia maior entre outras, definidas como prioritárias na sua recuperação. Um investimento de R$ 20 milhões neste processo é previsto.

PM E GCM DE FOLGA:

Paes, sem detalhar o programa, anunciou o BRT Presente, programa  que em breve será divulgado com todos os parâmetros definidos, mas consistem em uma ação voltada para a segurança pública com a contratação de Policiais Militares e Guardas Civis em seus dias de folga para atuar em um “bico oficial” nas estações para evitar crimes contra os passageiros e também atos de vandalismo como vários casos foram registrados nos últimos meses.

INVERVENÇÃO NO BRT

O Rio Ônibus, que representa as empresas de ônibus do Rio de Janeiro, incluindo o consórcio que estava responsável por operar o BRT antes da intervenção, se posicionou sobre o assunto por meio de nota nesta quarta.

Confira:

A necessidade de injeção de recursos anunciada pela Prefeitura para devolver qualidade operacional ao sistema BRT não foi surpresa para o Rio Ônibus. A conclusão do Município confirma tudo o que foi dito pelos operadores ao longo dos últimos anos, principalmente no período de pandemia, não apenas em relação ao BRT, mas, especialmente sobre os ônibus convencionais, que transportam 70% dos passageiros cariocas.
“Mantemos a premissa de encontrar soluções viáveis para o transporte rodoviário, reportando demandas necessárias e colaborando com a Prefeitura na busca por um serviço adequado ao deslocamento da população”, explica Paulo Valente, porta-voz do Rio Ônibus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes e Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Rezem para que está desordem não chegue por aqui no ABC (Corredor ABD-SM)….sei ao menos que aqui, há monitoramentos ao longo da linha, como o que a CPTM deveria começar a fazer colocando as câmeras de monitoramento. Antigamente haviam casas locadas à pessoas para conservar as vias-linha 10, inclusive, na época da SPR, pelos ingleses, acho. Algumas hoje foram leiloadas para quem gostaria de morar nelas, como em S. Caetano que é preservada,,,gostaria de ficar com a que está abandonada, ali entre Utinga e Prefeito Saladino, cheia de mato..na Lapa, em Mauá ainda tem algumas casas que eram de observadores das linhas…

  2. Eduardo disse:

    Algo que eu não entendo, e gostaria que alguém me explicasse, é como São Paulo tem cerca de 3.000 articulados e por lá não há essa celeuma que o Rio tem com menos de 300 desses ônibus?

  3. José Carlos disse:

    Saudade do Brizola que encampou todas as empresas e o serviço se espalhou pela cidade com baixo custo. Empresa privada é isso: lucro e exploração.

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