Estudos para implantação de nova rede de ônibus em São Paulo serão retomados após pandemia, diz SPTrans

Publicado em: 3 de setembro de 2020

Linha 637J-10 (Vila São José – Pinheiros) foi transferida do lote E6 (estrutural, zona sul) para o Lote AR6 (articulação regional, zona sul) como medida de adequação operacional, segundo SPTrans

Após um ano da assinatura dos atuais contratos, prazo que vence em 06 de setembro, sistema terá 36 meses para ser adequado. Algumas linhas já mudaram de operação

ADAMO BAZANI

A pandemia de Covid-19 interferiu nos estudos para a estruturação de uma nova rede-referência de ônibus da cidade de São Paulo.

Segundo a SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema, em resposta aos questionamentos do Diário do Transporte, “os estudos para implantação da rede de referência serão retomados assim que superada a situação de calamidade pública decorrente da pandemia do novo coronavírus”.

Não significa que a nova rede não será implantada ou que necessariamente haverá atrasos no cronograma final, mas que há a possibilidade de após a pandemia, as mudanças terem de ser realizadas de forma mais acelerada para o cumprimento dos prazos previstos na concessão do sistema.

Fazem parte destas alterações para a nova rede, cortes e criações de linhas; mudanças de operações entre as empresas que atuam na cidade; implantação de tecnologia; de central de monitoramento e adequações de frota.

No próximo domingo, 06 de setembro de 2020, começa o prazo para a implantação desta nova rede que representa o maior sistema de ônibus da América Latina com aproximadamente 13 mil coletivos e mais de 3,3 milhões de pessoas transportadas por dia (o que equivale a aproximadamente 9,5 milhões de registros de passagens diários) – números sem considerar os efeitos da pandemia.

Os 32 contratos com as empresas de ônibus foram assinados em 06 de setembro de 2019 e, por 12 meses, houve uma espécie de prazo de transição, com a implantação gradativa de algumas mudanças. Mas, conforme a licitação, depois de 12 meses da assinatura destes contratos, passa a valer um período de 36 meses para a nova rede de ônibus ser definitivamente implantada.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/09/06/gestao-bruno-covas-assina-os-contratos-da-licitacao-dos-onibus-com-15-anos-de-duracao/

Com a licitação, o sistema de ônibus, que tinha dois tipos de serviço, foi dividido em três chamados subsistemas.

– Subsistema Estrutural: Operado por ônibus maiores, que unem centralidades das regiões a outras centralidades passando pela região central; que trafegam por grandes avenidas e ruas de grande movimento e por corredores e que fazem a ligações entre os terminais. Entre os tipos de ônibus estão os padrons (motor traseiro e piso baixo), articulados, “superarticulados” e biarticulados.

– Subsistema Local de Articulação Regional: É inédito na cidade, uma espécie de sistema intermediário. A operação se dá por ônibus médios e convencionais entre os bairros mais distantes e as centralidades regionais (por exemplo, Vila Constância e Santo Amaro) e entre regiões diferentes, mas sem passar pelo centro. Os ônibus são de modelos básicos, com motor na frente, e padrons.

– Subsistema Local de Distribuição: Operado por ônibus menores entre os bairros e os terminais, corredores de ônibus e estações do Metrô e da CPTM. Os ônibus são minis, mídis (micrões) e convencionais, dependendo da demanda e condições do viário.

Todos estes subsistemas já foram implantados, mas deve haver mais transferências de linhas entre eles para a consolidação dessa nova rede-referência.

Os contratos têm duração de 15 anos e trazem uma série de exigências, entre as quais a implantação de um centro de controle e de novas tecnologias de monitoramento da frota para melhorar a fiscalização dos serviços, o que ainda não ocorreu.

Outro ponto que preocupa é a implantação de uma frota menos poluente.

Com exceção de 16 ônibus elétricos da empresa Transwolff, da zona Sul de São Paulo, os novos coletivos que estão sendo colocados em circulação são do padrão diesel atual em vigor (EuroV), que são menos poluentes que os modelos mais antigos (padrão Euro III), porém incapazes de atender às metas de redução previstas no decorrer dos contatos.

Em 17 de janeiro de 2018, o então prefeito João Doria (hoje governador) promulgou a lei 16.802 que altera a Lei 14.933, de 2009, chamada de Lei de Mudanças Climáticas.

A “nova lei” determinou reduções de emissões de poluição pelos ônibus de São Paulo devem ser de acordo com o tipo de poluente em prazos de 10 anos e 20 anos. Assim, não será exigido um tipo de ônibus, muito embora ao fim dos 20 anos, na prática, somente os modelos elétricos, trólebus a hidrogênio poderão atender algumas exigências.

Em 10 anos, as reduções de CO2 (gás carbônico) devem ser de 50% e de 100% em 20 anos. Já as reduções de MP (materiais particulados) devem ser de 90% em 10 anos e de 95% em 20 anos. As emissões de Óxidos de Nitrogênio devem ser de 80% em 10 anos e de 95% em 20 anos.

Entretanto, além destas exigências, os contratos trazem metas anuais.

Empresas de ônibus se queixam dos altos custos das novas tecnologias e o que alegam de falta de disponibilidade no mercado para atender às necessidades de renovação. No caso de ônibus elétricos, são dois fornecedores atuais: BYD e Eletra. No caso dos híbridos (um motor a combustão e outro elétrico no mesmo veículo), trabalham com a tecnologia a Eletra e a Volvo. Em relação ao Gás Natural, a fabricante é a Scania.

A Mercedes-Benz, maior fornecedora de ônibus da cidade de São Paulo, não fabrica modelos alternativos ao diesel no Brasil, mas tem sido propagadora do HVO – Hydrogenated Vegetable Oil, um biodiesel hidrogenado, que pode ser usado nos modelos atuais.

O HVO, entretanto, ainda não é fabricado e homologado no Brasil.

NOVOS PRAZOS PARA RENOVAÇÃO DE FROTA POR CAUSA DA PANDEMIA:

Como mostrou o Diário do Transporte, por meio de portaria de 24 de março de 2020, a SMT – Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes mudou ou suspendeu uma série de exigências às empresas de ônibus, além de alterar multas às viações e pontos da remuneração.

A idade média dos ônibus na cidade foi elevada dos atuais cinco anos previstos em contrato para sete anos até 30 de abril de 2022.

Foi definido um novo cronograma de substituição de ônibus:

De forma excepcional, o cronograma de renovação dos veículos fica estendido para:

  1. a) até 31 de dezembro de 2020, para aqueles que deveriam ser baixados até 30 de junho de 2020;
  2. b) até 31 de agosto de 2021, para aqueles que deveriam ser baixados até 31 de dezembro de 2020;
  3. c) até 30 de abril de 2022, para aqueles que deveriam ser baixados até 31 de dezembro de 2021.

MUDANÇAS RECENTES DE LINHAS:

Recentemente ocorreram mudanças de operação das linhas e transferências entre os subsistemas.

De acordo com a SPTrans, foram feitas alterações em especial na zona Sul de São Paulo (área do lote E – Estrutural e AR – Articulação Regional).

A gerenciadora diz que houve acréscimo de frota com a mudança e descartou mais alterações em curto prazo, mas o Diário do Transporte apurou que as empresas já se preparam para futuras alterações, inclusive planejando remanejamento de frotas e serviços entre elas .

Veja as respostas na íntegra da SPTrans ao Diário do Transporte:

Diário do Transporte: O prazo de transição de um ano se encerra mesmo no dia 06 de setembro ou por causa da pandemia houve postergação?

Resposta-SPTrans: A SPTrans informa que após 12 (doze) meses a partir da data de assinatura do contrato de concessão, o prazo de implantação da Rede de Referência será de até 36 (trinta e seis) meses.
Para manter a integridade do Sistema Municipal de Transporte Coletivo Público de Passageiros foram adotadas medidas contratuais e operacionais.

A Portaria SMT.GAB nº 081 de 24 de março de 2020, determinou a suspensão do cumprimento de obrigações contratuais, cujo prazo de execução esteja em andamento ou pendente de regularização junto à SPTrans, exceto as obrigações essenciais, conforme artigo 4º.

Por fim, os estudos para implantação da rede de referência serão retomados assim que superada a situação de calamidade pública decorrente da pandemia do Coronavírus.

Diário do Transporte:  Quantas linhas já mudaram entre empresas e quantas devem mudar?

Resposta-SPTrans: Desde o início da pandemia, a SPTrans vem realizando ajustes para adequar sua operação e vem mantendo a frota sempre acima da demanda.

Neste contexto, a linha 637J-10 (Vila São José – Pinheiros) foi transferida do lote E6 para o Lote AR6 como medida de adequação operacional que possibilitou a melhoria do nível de conforto ofertado em outras linhas vinculadas ao Lote E6, com o acréscimo de 12 veículos, conforme a seguir:

–       Linha 5362-23 Pq. Res. Cocaia / Vicente Rao, aumento de 2 veículos passando a operar com 35 veículos;

–       Linha 6091-10 Vargem Grande / Term. Sto. Amaro, aumento de 4 veículos passando a operar com 24 veículos;

–       Linha 695X-10 Term. Varginha / Metrô Jabaquara, aumento de 3 veículos passando a operar com 29 veículos; e

–       Linha 695Y-10 Term. Parelheiros / Metrô Vl. Mariana, aumento de 3 veículos passando a operar com 26 veículos.

Diário do Transporte: Quais serão as alterações mais próximas?

Resposta-SPTrans: Não há programação sobre as próximas alterações.

Diário do Transporte: Para o passageiro, qual a mudança na prática?

Resposta-SPTrans: Conforme detalhado no item 2, os usuários das linhas diretamente afetadas foram beneficiados com o aumento de frota e viagens e, consequentemente, com a redução da ocupação e melhoria do nível de serviço.

DIVISÃO DO SISTEMA E EMPRESAS:

Linhas Estruturais:

E 1 – (Área Operacional Noroeste) –  Consórcio Bandeirante de Mobilidade  (Viação Santa Brígida Ltda  e Viação Gato Preto Ltda );

E 2 –  (Área Operacional Norte) –  Sambaíba Transportes Urbanos Ltda;

E 3 (Área Operacional Leste)  – Viação Metrópole Paulista S.A. (originada da V.I.P- Transportes Urbanos);

E 4 (Área Operacional Sudeste) – Via Sudeste Transportes S.A. (originada da Via Sul);

E 5 (Área Operacional Sul 1) – MobiBrasil Transporte São Paulo Ltda;

E 6 (Área Operacional Sul 2) – Viação Grajaú S.A. (originada da Viação Cidade Dutra);

E 7 (Área Operacional Sudoeste 1) –Viação Metrópole Paulista S.A. (originada da V.I.P- Transportes Urbanos);

E 8  (Área Operacional Sudoeste 2) – Consórcio TransVida (Ambiental Transportes Urbanos S.A., Transppass- Transporte de Passageiro Ltda  e RVTrans Transporte Urbano S.A.– originada da Ambiental Transportes Urbanos);

E 9 (Área Operacional Oeste) – Viação Gatusa Transportes Urbanos Ltda

Linhas de Articulação Regional:

AR 1  (Área Operacional Noroeste) – Consórcio Bandeirante de Mobilidade  (Viação Santa Brígida e Viação Gato Preto);

AR 2 (Área Operacional Norte)  – Sambaíba Transportes Urbanos Ltda;

AR 3 (Área Operacional Nordeste)  – Viação Metrópole Paulista S.A. (originada da V.I.P- Transportes Urbanos);

AR 4 (Área Operacional Leste) – Express Transportes Urbanos Ltda;

AR 5 (Área Operacional Sudeste) – Via Sudeste Transportes S.A. (originada da Via Sul);

AR 6 (Área Operacional Sul)  – MobiBrasil Transporte São Paulo Ltda.;

AR 7 (Área Operacional Sudoeste 1)  – Consórcio KBPX (KBPX Administração e Participação Ltda e Kuba Transportes Gerais);

AR 8 (Área Operacional Oeste)  – Viação Gato Preto Ltda;

AR 9  (Área Operacional Sudoeste 2) – Consórcio TransVida (Ambiental Transportes Urbanos S.A., Transppass- Transporte de Passageiro Ltda  e RVTrans Transporte Urbano S.A.– originada da AmbientalTransportes Urbanos);

AR 0 –  Não tem área operacional específica, em razão de sua vinculação com a rede aérea de alimentação elétrica) – Consórcio TransVida (Ambiental Transportes Urbanos S.A., Transppass- Transporte de Passageiro Ltda  e RVTrans Transporte Urbano S.A.– originada da Ambiental Transportes Urbanos)

Linhas Locais de Distribuição:

D 1 (Área Operacional Noroeste) – Consórcio TransNoroeste (Norte Buss Transpores S.A – originada da Transcooper e Spencer Transportes Ltda – originada da Cooper Fênix);

D 2  (Área Operacional Norte) – Consórcio TransNoroeste (Norte Buss Transpores S.A.- originada da Transcooper e Spencer Transportes Ltda – originada da Cooper Fênix);

D 3 (Área Operacional Nordeste 1) – Transunião Transportes S.A – originada da garagem 3 da cooperativa Associação Paulistana. ;

D 4 (Área Operacional Nordeste 2) – UPBus Qualidade em Transportes S.A – chegou a se chamar Qualibus, originária da garagem 2 da Associação Paulistana.;

D 5 (Área Operacional Leste 1) – Pêssego Transportes Ltda – originária da antiga Transcooper Leste;

D 6 (Área Operacional Leste 2)– Allibus Transportes Ltda – originária da garagem 1 da Associação Paulistana;

D 7  (Área Operacional Sudeste 1) – Transunião Transportes S.A, originária da antiga garagem 3 da Associação Paulistana

D 8 (Área Operacional Sudeste 2) – Move Buss Soluções em Mobilidade Urbana – antigo Consórcio Aliança Cooperpeople – Garagem Coopertranse Ltda;

D 9 (Área Operacional Sul 1) – A2 Transportes Ltda – originária da CooperLíder;

D 10 (Área Operacional Sul 2) – Transwolff Transportes e Turismo Ltda – originária da Cooper Pam ;

D 11  (Área Operacional Sudoeste 1) – Transwolff Transportes e Turismo Ltda – – originária da Cooper Pam ;

D 12 (Área Operacional Sudoeste 2) – Auto Viação Transcap Ltda – originária da Unicoopers;

D 13 (Área Operacional Oeste)  – Alfa Rodobus Transportes S.A. –  originária da Cooper Alfa;

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Bruno Nascimento disse:

    Outra mudança que não foi noticiada por ninguém foi a criação da linha 1023/10 que já está operando desde o dia 29/08.

  2. William Santos disse:

    Acho que se é pra mudar que seja agora. Aproveita que a demanda tá baixa, ja faz as mudanças, que quando a pandemia acabar será muito mais fácil de aceitar as mudanças., Não adianta nada sair mudando as linhas na correria

  3. JOSE LUIZ VILLAR COEDO disse:

    Verdade!

  4. JOSE LUIZ VILLAR COEDO disse:

    CONCORDO PLENAMENTE! Tem muitas LINHAS LOCAIS QUE HJ SÃO “D…” E “AR…” SENDO OPERADAS MAL E PORCAMENTE NA ÁREA 2 PELA SAMBAIBA! Linhas 1778/10 e 1765/10… NÃO QUEREM… REPASSEM PARA NORTEBUSS OU SPENCER!

  5. Heloisa Damkauskas Martinez disse:

    Antes de mudarem qualquer linha deveria se fazer uma pesquisa com a população que pega todo o dia e saber o quanto vai enpactar na vida das pessoas , uma linha boa que tiraram foi o 675x fazia de te terminal a terminal e colocaram como circular AACD , ficou simplesmente uma M. essa mudança .

  6. Marcos ZL disse:

    Acredito que além das mudanças de empresas, devem verificar a frota que roda em cada linha, aqui no meu bairro tem a 4015, que roda com convencionais, e mesmo não tendo uma demanda tão alta assim, consegue passar abarrotada em alguns horarios, graças aos intervalos que chegam a 20 minutos nos horarios de pico, isso porque quando ela passa já passaram 2,3 até 4 3023/3098 (que fazem o mesmo caminho), entao ela leva apenas o que sobra, será que não seria melhor colocar midis mais curtos a cada 10 minutos nos picos? Deixando assim os passageiros menos tempo esperando os onibus tanto nos terminais quanto nos pontos, Além disso, temos linhas rodando absurdamente vazias, como a 4735 – aqui na zona leste, por exemplo, enquanto outras que saem de 5/5 minutos e passam tortas de gente (vide 407G, 407E, dentre outras).
    Deveriam verificar melhor também a alimentação a algumas estações de metro/CPTM, as estações da L15 que não tem terminais tem uma pessima alimentação dos onibus, assim como várias outras como Ipiranga, que poderia ter linhas subindo de lá para a regiao da Mooca e Cambuci, Mooca L10, que poderia ter linhas para a faculdade são judas (no mesmo esquema da 372F, mas com frequencia menor) e da propria regiao do belém, Mooca, dentre outros bairros. Digo o mesmo para estações como Tamanduatei L2/L10, santos-imigrantes na L2, Vila União na linha 15 (poderia até rolar uma Vila União x Utinga CPTM da EMTU, assim como uma Sapopemba x CPTM Capuava),dentre outras estações que acabam sendo menos aproveitadas (tamanduatei mesmo só tem demanda tão alta por ser intergração).

  7. WILLIAM DE JESUS SANTOS disse:

    Ma teoria seria um sonho, mas a SPTrams só leva uma coisa em consideração: lucro! Essa proposta que vc fez de colocar mídia e diminuir o intervalo esbarra na necessidade contratar mais motoristas, ter mais ônibus, etc. Se abarrotar gente em uma linha da lucro, tenha certeza que é isso que farão

  8. WILLIAM DE JESUS SANTOS disse:

    concordo! A mudança da 675X até hoje não me entra na cabeça. Eu entenderia se isso fosse feito com a 695Y, até pelo longo trajeto, mas pegaram uma linha excelente e literalmente a mataram!

  9. WILLIAM DE JESUS SANTOS disse:

    alias, pensando melhor aqui, já sei o que fizeram: a intenção foi simplesmente obrigar os usuários da 675X a migrar para CPTM, e baldear na linha 5

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