Reorganização das linhas de ônibus em São Paulo está parada, sendo revisada e ainda não há data para ser colocada em prática
Publicado em: 12 de janeiro de 2023
Prevista em contratos assinados em setembro de 2019, alteração da rede de linhas tem o objetivo de deixar ônibus mais rápidos e reduzir os custos do sistema que a cada ano necessita de subsídios maiores
ADAMO BAZANI
Ainda não saiu do papel e não tem data para ser colocada em prática, a reorganização da rede de linhas de ônibus de São Paulo, prevista nos contratos assinados em setembro de 2019 com as viações e que deveria começar a ser colocada em prática gradativamente a partir de setembro de 2020.
Apenas mudanças pontuais estão sendo realizadas, mas não se trata da reorganização geral que está nos contratos.
Entre os objetivos da restruturação de rede atual, que ainda se baseia no modelo criado em 1978, com alterações em 1991, estão deixar os ônibus mais rápidos e reduzir os custos do sistema que a cada ano necessita de subsídios maiores.
Em 2022, com R$ 4,89 bilhões, os subsídios aos serviços de ônibus bateram recorde histórico. E, neste ano de 2023, com o congelamento das tarifas e a aquisição de ônibus elétricos que são três vezes mais caros que os modelos a diesel, os subsídios devem ser maiores ainda, apesar de a prefeitura ter reservado “apenas”, R$ 3,77 bilhões, o que deve ser insuficiente.
Nesta quarta-feira, 11 de janeiro de 2023, o Diário do Transporte questionou a SPTrans (São Paulo Transporte) sobre os planos para esta reorganização.
Segundo a gerenciadora, por causa da pandemia de covid-19, a demanda de passageiros nos ônibus caiu e o perfil de deslocamentos mudou, por isso, todo o plano está sendo revisto.
A SPTrans não informou o prazo para finalizar esta revisão.
Veja a nota na íntegra:
A Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, informa que a respeito da reorganização das linhas do transporte coletivo, está revisando o projeto, considerando a mudança de comportamento da cidade, que já é dinâmica em sua natureza, mas especialmente após a pandemia de coronavírus. A pandemia, a partir de 2020, alterou significativamente a rotina dos passageiros de ônibus.
Enquanto isso, os passageiros enfrentam ônibus lotados, longas esperas nos pontos, linhas que perderam o sentido de existir enquanto há brechas com falta de atendimento mais rápido e inadequação de frota em relação à região operada, por exemplo, com veículos muito grandes em vias que não os comportam e veículos pequenos em itinerários que exigem ônibus de maior capacidade.
Em 29 de abril de 2022, a prefeitura de São Paulo anunciou na reunião do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte – CMTT que a partir de setembro daquele ano, começariam as mudanças na rede de linhas de ônibus da cidade, justamente previstas nos contratos com as empresas de transporte assinados em setembro de 2019.
Veja em:
Seria a primeira etapa de três previstas que alterariam cerca de 600 linhas das 1447 existentes com mudanças como cortes de linhas, criação de trajetos, supressão de itinerários e novas baldeações. Entre os objetivos estão melhorar a velocidade dos ônibus, reduzir o problema de superlotação e deixar os custos mais racionais do sistema de transportes.
Estas alterações tinham sido congeladas por causa da pandemia de covid-19 e seus efeitos na demanda de passageiros e também por causa do processo eleitoral. Estas mudanças, pelos contratos originais, deveriam começar gradativamente em setembro de 2020, ou seja, um ano depois da assinatura.
As três etapas da reformulação da rede de transportes estavam previstas originalmente para ser concluídas até o fim de 2024.
Na ocasião, também foi anunciada a mudança dos códigos numéricos das linhas.
A administração municipal pretende fazer com que os códigos das linhas tenham quatro dígitos.
Estes códigos devem começar com a identificação numérica das áreas operacionais, que vão de 1 a 9.
Os atuais números complementares de cada código que identificam o tipo de serviço devem sumir, por exemplo,– 10 e- 21, depois dos números principais das linhas.
Esta extensão indica, inclusive, derivações do trajeto principal: 1701-10; 1701-21 e 1701-22
Serão mantidas as cores atuais que identificam as regiões atendidas.
Todas estas alterações deveriam ter começado em setembro de 2020, um ano depois da assinatura dos contratos, mas como mostrou o Diário do Transporte, o procedimento foi suspenso por causa da pandemia de covid-19.
Relembre:
As mudanças vão se dar em três etapas, de acordo com a complexidade das alterações.
Haverá também, segundo a apresentação, transferências de linhas entre as atuais empresas operadoras para a adequação ao mapa desenhado para o sistema e também para compatibilizar os itinerários de acordo com o tipo de frota de cada viação.
A segunda e terceira etapas também vão levar em conta a necessidade de infraestrutura para as linhas, inclusive com novos terminais e corredores.
A prefeitura pretende não mexer com 875 linhas, que não devem ter mudanças.
O sistema de ônibus da cidade foi dividido na última licitação em três subsistemas, de acordo com o tipo de serviço, trajeto e frota.
– Subsistema Estrutural: Operado por ônibus maiores, que unem centralidades das regiões a outras centralidades passando pela região central; que trafegam por grandes avenidas e ruas de grande movimento e por corredores e que fazem a ligações entre os terminais. Entre os tipos de ônibus estão os padrons (motor traseiro e piso baixo), articulados, “superarticulados” e biarticulados.
– Subsistema Local de Articulação Regional: É inédito na cidade, uma espécie de sistema intermediário. A operação se dá por ônibus médios e convencionais entre os bairros mais distantes e as centralidades regionais (por exemplo, Vila Constância e Santo Amaro) e entre regiões diferentes, mas sem passar pelo centro. Os ônibus são de modelos básicos, com motor na frente, e padrons.
– Subsistema Local de Distribuição: Operado por ônibus menores entre os bairros e os terminais, corredores de ônibus e estações do Metrô e da CPTM. Os ônibus são minis, mídis (micrões) e convencionais, dependendo da demanda e condições do viário.







Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Bom dia!
Aproveitando o questionamentos que vcs do diário do transporte fizeram a SPTRANS,gostaria de sugerir a vcs um questionamento e uma possível reportagem sobre fraudes no bilhete único de SP.
Há uma quantidade considerável de pessoas utilizando bilhete único de terceiros e até alugando cartões de gratuidade.
Os terminais de ônibus da capital estão cheios de bilheteiros passando cartões com gratuidades e vendendo integrações.
Outra observação são as câmeras instaladas nos ônibus,na maioria dos veículos estão desligadas,isso favorece as fraudes…. obrigado e espero uma posição por parte de vcs!
Obrigado pela sugestão
Vamos verificar
Eu acredito que não haverá melhora nenhuma e já começa pelo fato de que realizarão cortes de linhas.. Depois do que fizeram na região 5 sudeste de tirar praticamente todas as linhas que vinham dos bairros e tinham destino ao parque dom pedro ii e praça da República e forçar o cidadão a descer no terminal para depois tomar outra linha, eu nunca mais consegui entrar num busão nos horários de pico, eu evito a todo custo estar no terminal sacomã no horário das 16h as 19h, é um caos. Não seria mais óbvio criar as linhas que vão somente até o sacoma porém manter as que vão direto para o centro e simplesmente reorganizar a quantidade de carros? E esse é só um exemplo, o mesmo ocorreu em todas as regiões, cortaram linhas que iam direto para forçar o usuário a ir para o terminal ou metrô. Os únicos beneficiado dessas mudanças são os empresários e a SPTrans já que abarrotar todo mundo num lugar só diminui custo.
A muleta da fraudemia ainda vai servir para muitas desculpas esfarrapadas nos próximos ano. E quanto mais demora essa reorganização, melhor para as empresas e as máfias do transporte que podem amealhar cada vez mais dinheiro dos pagadores de impostos em troca de serviços pífios.
Linhas criadas antes da implantação do bilhete único que nos dias atuais não são mais necessárias pelo longo trajeto percorrido.
Linhas que demoram 4 horas para realizar uma viagem (ida e volta ao ponto de origem),cruzando as regiões da cidade e se afundando nos extremos da cidade. Já não se fazem necessárias.
Falta coragem ao poder público para reduzir os custos e diminuir o lucro dos empresários.