Eletromobilidade

IEMA: Meta de ônibus elétricos em SP ainda longe de ser cumprida; Frota diesel está menos poluente

Trólebus na capital paulista

Exigências de renovação dos ônibus foi congelada devido à pandemia; Velocidade média dos coletivos na capital paulista é de 19 km/h

ADAMO BAZANI

Colaborou Jessica Marques

O IEMA (Instituto de Energia e Meio Ambiente) divulgou nesta quarta-feira, 22 de setembro de 2021, a terceira edição do boletim do Monitor de Ônibus SP, que traz um acompanhamento geral da situação dos transportes na capital paulista abordando aspectos como ônibus disponíveis para a população, emissões de poluentes, metas de renovação da frota, quilometragem percorrida, entre outros.

De acordo com o levantamento, a meta de implantação de ônibus elétricos no sistema está bem longe de ser cumprida.

O IEMA lembra que de acordo com planos elaborados pelas viações e apresentados pela SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema, 2.620 ônibus elétricos estavam previstos para rodar em 2021 para cumprir metas de redução de emissões atmosféricas presentes em contratos assinados em 2019. Atualmente, circulam apenas 219 veículos movidos a eletricidade, sendo que 201, são trólebus.

A prefeitura de São Paulo apresentou um novo número por meio de seu programa de metas: 2.,6 mil ônibus elétricos novos deverão ser adicionados à frota até 2024

O Diário do Transporte mostrou que, em decorrência dos efeitos econômicos e logísticos da pandemia de covid-19, as exigências de troca de frota e o avanço da implantação da nova rede de transporte foram congeladas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/09/03/estudos-para-implantacao-de-nova-rede-de-onibus-em-sao-paulo-serao-retomados-apos-pandemia-diz-sptrans/

Com a entrada de novos fornecedores no mercado de ônibus elétricos e a recuperação econômica da crise da covid-19, a expectativa é de que a quantidade de ônibus elétricos comece a aumentar de forma mais substancial.

O Diário do Transporte noticiou que a Mercedes-Benz, que responde pela maior frota geral de coletivos da capital, lançou em 25 de agosto de 2021, o modelo elétrico a bateria, eO500U, que já segue o padrão da SPTrans (São Paulo Transporte).

O modelo vai ser fabricado em São Bernardo do Campo e a Mercedes-Benz estima que ao menos 150 unidades comecem a operar em 2022 na capital paulista.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/08/25/mercedes-benz-lanca-o-primeiro-chassi-eletrico-com-producao-no-brasil-eo500u/

Outras fabricantes estão de olho no sistema de São Paulo.

O Diário do Transporte também mostrou que nas próximas semanas devem começar os testes com o modelo CaetanoBus e.CC 100 C5845 E.E, de fabricação portuguesa.

Uma unidade já está com a carroceria Caio, fabricada em Botucatu, no interior paulista.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/09/20/em-semanas-eletrico-da-caetanobus-estara-nas-ruas-de-sp-e-millennium-v-so-do-2o-semestre-de-2022-para-frente/

Atualmente, os 201 trólebus são de tecnologia Eletra, de São Bernardo do Campo, no ABC, e os ônibus à bateria são da marca chinesa BYD, que tem planta na cidade de Campinas, no interior de São Paulo.

DIESEL MENOS POLUENTE:

Os ônibus a diesel em São Paulo estão poluindo menos por causa da renovação da frota, diz o IEMA.

Segundo o Instituto, em janeiro de 2021, 17% da frota paulistana era composta por veículos a diesel fabricados anteriormente a 2012 (Euro 3 para baixo), que poluem mais.

Em agosto de 2021, a proporção ônibus com data de fabricação anterior a 2012 caiu para 12%.

O impacto dessa renovação, de acordo com o Iema, pode ser sentido pelo aumento do número de viagens dos ônibus que não significou crescimento das emissões de poluentes na mesma proporção.

“Devido a essa renovação de frota e apesar da média de quilometragem em dias úteis do último mês de agosto ter sido 9% maior do que a observada em janeiro de 2021, a média de emissões de material particulado (MP), por exemplo, foi apenas 2% maior. Isso se deve aos ônibus menos poluentes. A média de emissão de material particulado por quilômetro rodado de um dia útil de agosto ficou 7% menor do que a de um dia útil de janeiro. Mesmo assim, a queda de emissões por quilômetro rodado da frota poderia ser ainda maior, inclusive também reduzindo emissões de CO2, com a adoção de tecnologias de zero emissão como ônibus elétricos.” – diz nota do instituto.

VELOCIDADE E FROTA:

Segundo o boletim, em 2021, o sistema de ônibus retornou a uma “certa estabilidade” em relação aos seus indicadores operacionais. A frota circulante em dias úteis, por exemplo, permaneceu em torno da média de 12.200 veículos, independentemente da fase da pandemia de covid-19.

O IEMA aponta ainda que a velocidade média diária também variou pouco, mantendo-se em torno de 19 km/h durante todo o ano. Já o número de passageiros, apesar de ainda estar cerca de 30% menor do que no período pré-pandemia, tem aumentado gradativamente.

“Em agosto, houve um aumento da quilometragem percorrida pelo sistema de ônibus paulistano, o que indica, em geral, que cada coletivo está fazendo mais viagens por dia, elevando a oferta de transporte.” – complementa.

Veja os principais dados:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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