Comissão de Intervenção do BRT do Rio derruba beiral em estação para evitar ação de caloteiros

Publicado em: 26 de março de 2019

Foto: captação de imagem TV Globo

Fora da área de embarque, beiral é usado para acessar os ônibus sem pagar a tarifa. Para o Consórcio BRT, ‘segurança dos usuários pode estar ameaçada’

ALEXANDRE PELEGI

Com 74 mil calotes diários nas estações do BRT do Rio de Janeiro, que resultam em um prejuízo de R$ 300 mil para o sistema, o interventor Luiz Alfredo Salomão decidiu testar uma medida de engenharia para coibir a evasão.

Assim como em Curitiba, onde a área de Tecnologia do Transporte da Urbs decidiu eliminar a rampa da porta dos veículos, aproximando mais os ônibus da plataforma de embarque e desembarque de passageiros, no Rio de Janeiro a Comissão de Intervenção do BRT decidiu demolir o beiral, de aproximadamente 40 centímetros, que liga a estação aos ônibus articulados. Relembre: Urbs testa mudança no sistema de embarque e desembarque nas estações-tubo de Curitiba

Em nota, a Comissão de Intervenção do BRT alega que uma das maiores ameaças à sustentabilidade do modal BRT é o alto índice de calotes no sistema. Em decorrência da decisão do prefeito Marcelo Crivella, que “decidiu enfrentar este e outros problemas de infraestrutura e operação do sistema, a intervenção no BRT, decretada pelo prefeito Marcelo Crivella em 29 de janeiro, mobilizou diversos órgãos da Prefeitura, entre eles a Secretaria de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma), que realiza obras de um projeto piloto na plataforma do módulo parador da Estação de Mato Alto”.

A estrutura, cuja finalidade é proteger os passageiros, tem sido usada de forma recorrente por quem quer fraudar o sistema, e não pagar a tarifa. Fora da área de embarque, o beiral é usado pelos caloteiros para acessar os ônibus.

A nota da Comissão de Intervenção explica que as obras em Mato Alto “são mais um esforço no combate à invasão das estações por pessoas que, além de não pagar a passagem, tomam a frente dos pagantes, esperando o ônibus do lado de fora da porta da estação. Este comportamento retira do sistema recursos necessários à melhoria da operação, como a manutenção e a compra de veículos articulados para reduzir a superlotação. Por isso é tão importante combater a evasão e o vandalismo”.

A primeira fase do projeto piloto, explica a Comissão, é a demolição do beiral que liga a estação ao ônibus, onde fica parte dos caloteiros. “É importante ressaltar que, nesta fase da obra, os passageiros estão utilizando temporariamente outra plataforma para embarque ou desembarque”.

A Comissão explica que a media faz parte de um conjunto de ações voltadas à coibir a evasão do sistema. “Não há previsão para o fim dos esforços no combate aos calotes. Eles envolvem também uma ação intensa das secretarias de Ordem Pública e de Fazenda, além da Guarda Municipal e da Polícia Militar. Nesta terça-feira, a Seconserma deve concluir as obras de demolição, passando, em seguida, à de sinalização para orientar os motoristas. A previsão para o término desta etapa é sexta-feira, 29, quando serão decididos os próximos passos”, explica a nota.

Com a retirada do beiral o ônibus acaba ficando distante da plataforma, criando um vão entre o veículo e a estação. Essa é uma questão que deverá ser observada pela prefeitura: impedir que a luta contra o calote cause um problema adicional de segurança para os usuários do sistema.

DISPUTA JUDICIAL

A administração do BRT é alvo de uma intensa disputa judicial há quase dois meses.

A prefeitura decidiu intervir no sistema, em ato do prefeito Crivella no dia 29 de janeiro de 2019, por um prazo de seis meses. A intervenção, nos argumentos da prefeitura, se deve à baixa qualidade na prestação do serviço e em cumprimento ao que está previsto no contrato, que dá ao poder concedente a possibilidade de intervir caso o serviço não seja prestado com eficiência. Relembre: Em ofícios sobre intervenção no BRT, prefeitura do Rio diz que Consórcios perderam a capacidade de operar o sistema

Foi nomeado para assumir a administração do consórcio, Luis Alfredo Salomão, graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Salomão foi deputado federal pelo Rio de Janeiro.

No dia 23 de fevereiro, afirmando que “o ato administrativo de afastamento do presidente do Consórcio não trouxe elemento determinante de sua validade, qual seja, a adequada motivação”, a juíza Alessandra Tufvesson, da 8ª Vara da Fazenda Pública, derrubou liminarmente o ato que afastou o presidente do sistema BRT do Rio de Janeiro. A medida atendeu a pedido da defesa do consórcio. A intervenção, entretanto, foi mantida.

Poucos dias depois, no entanto, a própria juíza Alessandra Tufvesson reviu sua decisão, e confirmou o afastamento do executivo Jorge Dias da presidência do Consórcio BRT do Rio de Janeiro. A magistrada afirmou na nova decisão que a autoridade do interventor, o engenheiro e professor Luiz Alfredo Salomão, deve ser reconhecida sobre a “gestão do consórcio, de forma exclusiva”, durante os cinco meses que faltam para o término da intervenção.

No dia 13 de março a prefeitura do Rio de Janeiro informou que as três concessionárias de ônibus que constituem o Consórcio BRT – Internorte, Santa Cruz e Transcarioca – decidiram que não iriam reconhecer a decisão judicial que manteve o afastamento do executivo Jorge Dias da presidência do Consórcio.

Logo no dia seguinte, 14 de março, o Consórcio BRT Rio publicou nota questionando medidas tomadas pelo interventor do sistema. Entre principais críticas estavam a ausência de resultados efetivos e de um cronograma de ações com prazos definidos, o que foi rebatido pelo interventor também por meio de nota no dia 15 de março.

No dia 19 de março o interventor Luiz Alfredo Salomão informou a nomeação de novos representantes legais para o consórcio.

CONSÓRCIO BRT QUESTIONA MEDIDA NA ESTAÇÃO DO MATO ALTO

O Advogado de defesa do Consórcio Operacional BRT, Bernard Fonseca, criticou a decisão da prefeitura de retirar o beiral, segundo declaração ao jornal O Globo. Segundo ele, a segurança dos usuários pode estar ameaçada. “Eles estão fazendo laboratório, com o sistema funcionando. É a vida das pessoas que está em risco. Não se faz isso com um sistema complexo e tão importante para o carioca”.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

  1. Bruno disse:

    Alto índice de evasao mesmo! ! Mas pudera as estações não tem a figura do segurança pra coibir o calote nem.de fiscais tais quais no VLT que aleatoriamente confere num.dispositivo se o usuário pagou ou não a passagem Só câmaras de segurança e avisos sonoros já tá provado que não é solução.

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