Setor de ônibus do Rio reduz emissões e economiza mais de 800 milhões de litros de água, aponta Semove
Publicado em: 6 de junho de 2026
Relatório de sustentabilidade destaca queda de poluentes, renovação da frota e avanço de programas ambientais nas empresas de transporte coletivo
YURI SENA
O setor de transporte coletivo por ônibus no Estado do Rio de Janeiro deixou de emitir mais de 2,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) desde o início do monitoramento ambiental da frota, segundo dados divulgados pela Associação das Empresas de Mobilidade Urbana do Estado do Rio de Janeiro (Semove) por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho.
As informações integram o mais recente Relatório de Sustentabilidade da entidade, que reúne indicadores ambientais relacionados às 174 empresas responsáveis pela operação de mais de duas mil linhas municipais e intermunicipais e pelo transporte diário de aproximadamente 5 milhões de passageiros.
De acordo com o levantamento, somente em 2024 foram evitadas emissões de cerca de 53 mil toneladas de CO₂ e de 1,2 mil toneladas de material particulado. Desde o início do programa de controle de emissões, em 1997, o setor também deixou de lançar na atmosfera mais de 61 mil toneladas de partículas poluentes.
O acompanhamento ambiental é realizado em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), por meio de inspeções periódicas em mais de 15 mil ônibus. Ao longo do programa, foram contabilizadas mais de 30 mil visitas técnicas às garagens e mais de 1,4 milhão de avaliações veiculares, resultando também em uma economia superior a 1 bilhão de litros de diesel.
Segundo a Semove, a redução das emissões foi impulsionada pela modernização gradual da frota, adoção de motores com tecnologia Euro 6, programas de eficiência energética e ampliação do uso de biodiesel, que atualmente representa 15% da mistura utilizada nos veículos.
Os dados apontam ainda que, entre 2011 e 2024, houve redução expressiva na emissão de outros poluentes. As quedas chegaram a 81,5% para monóxido de carbono, 84,6% para óxidos de nitrogênio, 91,7% para hidrocarbonetos e 90,6% para material particulado.
Além das ações voltadas à qualidade do ar, o relatório destaca iniciativas de uso racional da água. Desde a implantação dos primeiros sistemas de reaproveitamento, há 14 anos, as empresas do setor economizaram aproximadamente 808 milhões de litros de água. Em algumas operadoras, os sistemas de reuso permitiram reduzir em mais de 60% o consumo do recurso nas atividades de lavagem e manutenção da frota.
A diretora de Mobilidade da Semove, Richele Cabral, afirmou que os resultados demonstram o compromisso do setor com a redução dos impactos ambientais, mas ressaltou a importância da valorização do transporte coletivo para ampliar os benefícios ambientais.
Segundo ela, a perda de passageiros registrada na última década representa um desafio para a sustentabilidade do sistema. A entidade destaca que a emissão de gases de efeito estufa por passageiro no transporte individual é significativamente superior à observada no transporte coletivo, reforçando a importância da migração para modos mais eficientes de deslocamento urbano.
Yuri Sena, para o Diário do Transporte

