Consórcio da CCR é o único a apresentar proposta em leilão da linha 15-Prata de Monotrilho

Publicado em: 11 de março de 2019

A operação será suspensa das 4h40 às 14 horas, no sábado, 7, e no domingo, 8 de julho, para testes no sistema de sinalização e controle de trens. Foto: Guilherme Lara Campos

Lance foi de R$ 160 milhões, ágio de apenas 0,59% em relação ao valor inicial de outorga. Com mais este leilão, CCR ultrapassa a Companhia do Metrô em tamanho da rede. Nos próximos minutos, após análise da documentação, resultado será definido

ALEXANDRE PELEGI

O Consórcio Viamobilidade 15, do Grupo CCR, foi o único a apresentar proposta para o leilão da Linha 15-Prata de Monotrilho.

A sessão pública prossegue com a análise dos documentos, e a concorrência será definida pelo critério de maior oferta pela outorga fixa da concessão, com o lance mínimo de R$ 159 milhões. O Estado investiu na estrutura do Monotrilho até hoje R$ 5,2 bilhões.

Como a CCR foi a única proponente, a decisão agora depende somente da análise documental.

Caso o Consórcio seja efetivado como vencedor do certame, a CCR ultrapassará a Companhia do Metrô em tamanho da Rede.

Após três adiamentos, o governo de São Paulo conseguiu finalmente realizar nesta segunda-feira, 11 de março de 2019, o leilão da Linha da rede metroviária paulista. O certame teve início às 14 horas na sede da B3, Bolsa de Valores de São Paulo.

Como mostrou o Diário do Transporte, por causa do grande número de questionamentos, a concorrência que deveria ter inicialmente a abertura dos envelopes com as propostas em 26 de junho de 2018, foi adiada duas vezes: primeiramente para 21 de julho, posteriormente para 22 de novembro e finalmente para 11 de março de 2019.

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LINHA 15-PRATA: HISTÓRICO

O monotrilho da linha 15-Prata teve as obras iniciadas em 2011 e a previsão inicial era de que todo o traçado de 26,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Ipiranga e Hospital Cidade Tiradentes, fosse entregue em 2014 ao custo R$ 3,5 bilhões. Depois, a estimativa em junho de 2015 passou para R$ 4,6 bilhões para um trecho menor; de 15,3 km e 11 estações.

Agora, a estimativa de custo é de R$ 5,2 bilhões, com a entrega da estação Jardim Colonial prevista somente em 2021, segundo o mais recente relatório de empreendimentos da Companhia do Metrô de janeiro deste ano.

Estão com os projetos congelados, sem previsão de obras, o trecho entre Vila Prudente e Ipiranga e o trecho que compreende as estações Jequiriçá, Jacú-Pêssego, ligação com o pátio Ragueb Choffi, Érico Semer, Cidade Tiradentes e Hospital Cidade Tiradentes.

O trecho de 2,3 km, entre as estações Vila Prudente e Oratório, começou a operar com horário reduzido em 30 de agosto de 2014. A cobrança de passagem, mas com horário reduzido ainda, começou em 10 de agosto de 2015.

Somente em 26 de outubro de 2016 é que o trecho passou a funcionar no horário integral das linhas de metrô, das 4h40 à meia noite.

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No dia 6 de abril de 2018, o então secretário Clodoaldo Pelissioni e o ex-governador Geraldo Alckmin, em seu último dia à frente do Executivo Paulista, antes de tentar a presidência da República, entregaram quatro estações da Linha 15-Prata: São Lucas, Camilo Haddad, Vila Tolstói e Vila União. O trecho possui 5,5 km de extensão. As operações começaram sem cobrança de tarifa e em horário reduzido, das 9h à 16h, somente de segunda a sexta-feira. Apenas em 1º de dezembro de 2018, começou a cobrança de passagem e o horário foi ampliado, mas ainda não integral da rede de trilhos. O monotrilho na linha 15-Prata neste trecho então passou a operar todos os dias da semana das 6h às 20h. Relembre:

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No dia 01º de novembro de 2018, o Metrô de São Paulo notificou a Azevedo & Travassos, responsável pelas obras, da rescisão de dois contratos que mantinha com a empresa para o acabamento das quatro estações restantes da linha 15-Prata. Além disso, o Metrô aplicou multas que ultrapassam R$ 7,7 milhões.

O Metrô chamou a segunda colocada da licitação realizada em 2016 para concluir as obras, mas a empresa não demonstrou interesse.

No dia 20 de dezembro de 2018, a Companhia do Metrô publicou o aviso de licitação para o término das obras. A previsão de conclusão que era para o final de 2018, agora passou para a partir de outubro de 2019.

No dia 12 de janeiro de 2019, as estações São Lucas, Camilo Haddad, Vila Tolstói e Vila União, que formam o mais novo trecho da linha 15-Prata de monotrilho, passaram a operar no mesmo horário integral da rede de metrô.

SINDICATO DOS METROVIÁRIOS TENTOU IMPEDIR LEILÃO

Como noticiou o Diário do Transporte, o Sindicato dos Metroviários tentou impedir a concessão da linha 15-Prata do monotrilho, sustentando que o edital traz vantagens ao ente privado que vão trazer prejuízos aos cofres públicos.

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O diretor do sindicato, Wagner Fajardo, admitiu que seria difícil conseguir uma decisão favorável, mas que o processo era para alertar para o que considera de temeridades da concessão.

A CCR vinha sendo considerada grande favorita para vencer a disputa, o que foi reforçado por uma declaração do presidente do grupo, Leonardo Vianna, que assumiu o interesse no projeto. A Linha 15-Prata, segundo o executivo, tem perfil semelhante ao das Linhas 5 e 17 do Metrô, que foram assumidas em leilão pela companhia em janeiro de 2018. Na ocasião, o sindicato dos metroviários, com os mesmos argumentos, tentou barrar a concessão, mas foi derrotado na Justiça.

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Em 19 de janeiro de 2018, oferecendo um lance de R$ 553,88 milhões, segundo o Metrô com um ágio de 185% em relação ao valor inicial de outorga, o Consórcio ViaMobilidade arrematou as linhas.

A ViaMobilidade tem predominância do Grupo CCR com participação do Grupo RuasInvest, da família que tradicionalmente controla parcela significativa das linhas de ônibus da capital paulista.

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Havia expectativa de que outros grupos participassem do certame, como a CS Brasil, empresa da JSL, em parceria com a Seoul Metro,e a chinesa BYD, que recentemente assumiu um projeto de parceria público privada para construção e operação do monotrilho de Salvador. No entanto, apenas a CCR apresentou proposta.

A Mitusi, que possui participação na ViaQuatro (Linha 4 do Metrô de São Paulo) e recentemente assumiu o controle acionário da SuperVia, concessionária de trens urbanos do Rio de Janeiro, também estava cotada.

Alexandre Pelegi, jornalistas especializados em transportes

Comentários

  1. Gilberto disse:

    Na boa, seria bom privatizar todas as linhas.

  2. Diabo Mandando a Real disse:

    A real é que a CCR foi intimada a oferecer uma oferta pela linha, pois ninguém a queria (nem ela), sob ameaça de não participar de mais nenhuma safadeza estadual. Tô vendo tudo.

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