Metrô adia recebimento de propostas para concessão do monotrilho da linha 15-Prata

Medida se deu por causa de questionamentos sobre o edital

ADAMO BAZANI

O Metrô de São Paulo adiou para o dia 31 de julho de 2018 a data de entrega das propostas para a concessão do monotrilho da linha 15-Prata, da zona Leste de São Paulo.

A data originalmente prevista era dia 26 de junho.

O Diário do Transporte apurou que a mudança de datas se deu em razão do número de questionamentos sobre o edital, que foi lançado em 28 de março.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/03/29/confira-o-edital-de-concessao-do-monotrilho-da-linha-15/

As propostas devem ser entregues na B3, antiga Bolsa de Valores de São Paulo.

A concessão será por 20 anos e o critério para que a empresa ou consórcio seja considera vencedor é o maior valor de outorga. O lance mínimo para outorga é de R$ 153,3 milhões.

O monotrilho da linha 15, assim como outras linhas deste modal, sofre atrasos em relação às primeiras previsões e vai ficar menor e mais caro que os projetos originais.

Atualmente estão em operação apenas seis das 11 estações previstas já após a mudança dos planos para o sistema de pequenos trens que trafegam em elevados. Originalmente o projeto teria 18 estações e, em 2012, o custo projetado para todas elas era de R$ 3,5 bilhões.

Agora, as 11 estações previstas, incluindo 15,3 km de vias, que vão da Vila Prudente à Jardim Colonial, devem custar R$ 5,2 bilhões com previsão de entrega total até 2021.

Em agosto de 2014, começou a operar em testes o trecho de 2,3 km entre as estações Vila Prudente e Oratório. A operação comercial teve início somente em 10 de agosto de 2015. Outras quatros estações foram inauguradas para testes somente em 06 de abril de 2018: São Lucas, Camilo Haddad, Vila Tolstói e Vila União.

Foram descartados, sem previsão de retomada nos planos do Estado, os trechos entre Hospital Cidade Tiradentes e Iguatemi e Vila Prudente-Ipiranga.

Reportagem do Diário do Transporte  de junho de 2016 já mostrava que o modal ficou até 83% mais caro para a realidade das operações em São Paulo. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2016/06/03/monotrilhos-de-sao-paulo-ja-estao-ate-83-mais-caros-e-custo-do-quilometro-se-aproxima-do-metro/

TODOS ATRASADOS:

O Governo de São Paulo prometeu entregar entre 2012 e 2015, um total de 59,7 quilômetros de monotrilhos em três linhas. Duas linhas, a 15- Prata e a 17 – Ouro, em construção, somam 44 quilômetros, sendo que 21,9 quilômetros foram descartados dos cronogramas iniciais.

Na linha 15-Prata são 16 quilômetros e sete estações a menos. A linha 17-Ouro perdeu 10 quilômetros e 11 estações. Confira abaixo:

A linha 15 Prata deveria ter 26,7 quilômetros de extensão, 18 estações entre Ipiranga e Hospital Cidade Tiradentes ao custo R$ 3,5 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Em 2015, orçamento ficou 105% mais alto, com o valor de R$ 7,2 bilhões. O custo por quilômetro sairia em 2010 por R$ 209 milhões, em 2015 por R$ 260 milhões e, no primeiro semestre de 2016, subiu para R$ 354 milhões. Foi descartado o trecho entre Hospital Cidade Tiradentes e Iguatemi e Vila Prudente-Ipiranga. Agora, as 11 estações previstas, incluindo 15,3 km de vias, que vão da Vila Prudente à Jardim Colonial, devem custar R$ 5,2 bilhões com previsão de entrega total até 2021. Em agosto de 2014, começou a operar em testes o trecho de 2,3 km entre as estações Vila Prudente e Oratório. A operação comercial teve início somente em 10 de agosto de 2015. Outras quatros estações foram inauguradas para testes somente em 06 de abril de 2018: São Lucas, Camilo Haddad, Vila Tolstói e Vila União. O governo do estado promete atendimento a uma demanda de 550 mil passageiros por dia

A linha 17 Ouro do monotrilho deveria ter 17,7 quilômetros de extensão, com 18 estações entre Jabaquara, Aeroporto de Congonhas e região do Estádio do Morumbi ao custo de R$ 3,9 bilhões com previsão de entrega total em 2012. Em 2015, o orçamento ficou 41% mais caro somando R$ 5,5 bilhões e a previsão para a entrega de 8 estações até 2018. Em 2010, o custo do quilômetro era de R$ 177 milhões. Em 2015, o custo por quilômetro seria de R$ 310 milhões e no primeiro semestre de 2016 foi para R$ 325 milhões. O monotrilho, se ficar pronto, não deve num primeiro momento servir as regiões mais periféricas.  Assim, os trechos entre Jabaquara e a Aeroporto de Congonhas e entre depois da Marginal do Rio Pinheiros até a região do Estádio São Paulo-Morumbi, passando por Paraisópolis, estão com as obras congeladas. Com este congelamento, não haverá as conexões prometidas com a linha 4 Amarela do Metrô na futura estação São Paulo – Morumbi, e nem com estação Jabaquara e da Linha 1 Azul do Metrô e Terminal Metropolitano de Ônibus e Trólebus Jabaquara, do Corredor ABD. Segundo o site do próprio Metrô, quando estiver totalmente pronto, este sistema de monotrilho atenderá 417 mil e 500 passageiros por dia.  Para piorar ainda mais a situação do modal, em 14 de junho de 2018, a juíza Carmen Oliveira, 5ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, determinou a suspensão a execução de um dos contratos de construção da linha 17-Ouro do monotrilho, da zona Sul da capital paulista. A decisão atende ação movida pelo consórcio Monotrilho Integração, formado pelas empresas Andrade Gutierrez, CR Almeida, Scomi Engineering e MPE, que pedem o pagamento das atualizações monetárias de faturas emitidas pelo consórcio no valor de R$ 11,5 milhões (R$ R$11.493.093,25,) a respeito de obras já realizadas. O valor foi calculado em março deste ano. Trata-se do principal contrato da linha que engloba a instalação das vigas para os elevados, os trens e os sistemas de sinalização.

A linha 18 Bronze deveria ter 15,7 quilômetros de extensão, com 13 estações entre a região do Alvarenga, em São Bernardo do Campo, até a estação Tamanduateí, na Capital Paulista ao custo de R$ 4,5 bilhões com previsão de entrega total em 2015. Em 2015, orçamento estava 14% mais caro, chegando a R$ 4,8 bilhões, sem previsão de entrega. A previsão de demanda é de até 340 mil passageiros por dia, quando completo. O custo hoje por quilômetro em 2015 seria de R$ 305 milhões. Como as obras não começaram, especialistas defendem outro meio de transporte para a ligação, como um corredor de ônibus BRT, que pode ser até cinco vezes mais barato com capacidade de demanda semelhante. O maior obstáculo atualmente é o fato de o Governo do Estado não conseguir aprovação do Governo Federal para buscar financiamentos externos para desapropriações.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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