CCR e Grupo Ruas ganham concessão das linhas 5 de metrô e 17 de monotrilho

Estação da linha 5 Lilás. Custos das obras são de responsabilidade do Governo do Estado.

Repasse das operações à iniciativa privada foi motivo de greve dos metroviários

ADAMO BAZANI

O ConsórcioViaMobilidade apresentou nesta sexta-feira, 19, o maior lance de outorga para assumir as operações da linha 5 Lilás de metrô de São Paulo e 17 Ouro de monotrilho, ambas que atendem majoritariamente a zona Sul da Capital Paulista.

Segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos, o lance foi de R$ 553,88 milhões. O ágio foi de 185% em relação ao valor inicial de outorga.

Participaram da concorrência o Consórcio MetrôSP (da CS Brasil, do Grupo JSL -Júlio Simões Logística, com sede em Mogi das Cruzes, e que opera ônibus urbanos na Grande São Paulo e Interior Paulista e da coreana SeulMetrô) e o Consórcio ViaMobilidade (da CCR, que tem participação majoritária na linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo e em outros empreendimentos ligados a transporte público e rodovias por todo o País e da RuasInvest, ligado a empresas de ônibus da Capital Paulista).

O Consórcio MetrôSP apresentou proposta de R$ 388,5 milhões de outorga fixa.

A concessão das linhas à iniciativa privada foi o principal motivo da greve dos metroviários ontem, que parou parcialmente as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha, 5-Lilás de metrô e, totalmente, as duas estações do monotrilho da linha 15-Prata. A linha 4-Amarela , que é de operação da iniciativa privada, foi a única que operou normalmente.

O Sindicato dos Metroviários sustentou em ações judiciais e em comunicados à imprensa, que o edital beneficiaria o Grupo CCR, que negou direcionamento.

Em entrevista logo após o leilão, o governador Geraldo Alckmin, classificou a acusação do Sindicato dos Metroviários de “irresponsável”

“Foi um leilão transparente, teve a participação do Grupo Júlio Simões, é uma acusação irresponsável”

Alckmin citou a concessão dos ônibus da Artesp (rodoviários e suburbanos), da EMTU (metropolitanos) e da linha 15 de monotrilho, na área de transportes coletivos de passageiros, como próximos passos das concessões, às quais classificou como “reforma de Estado”

O Governador também disse que o Consórcio vencedor vai receber R$ 1,73 por passageiro transportado, mas com a atualização, o valor será de R$ 1,77 para as duas linhas, 5 e 17.

Entre julho e agosto as operações na Linha 5 devem ser iniciadas, de acordo com o Secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Peleissioni. Os funcionários públicos da linha 5 serão deslocados para outras linhas da rede.

O secretário ainda disse que o edital da linha 15 de monotrilho deve ser lançado no final de fevereiro.

O valor mínimo de outorga exigido pelo Governo do Estado de São Paulo que era de R$ 189,6 milhões foi corrigido em janeiro para R$ 194,34 milhões, além de  uma outorga variável de 1% à Companhia do Metrô sobre a receita bruta.

O contrato de concessão é de 20 anos e deve render neste período, entre receitas tarifárias e não tarifárias, R$ 10,8 bilhões. A exigência de investimentos é em torno de R$ 3 bilhões, entre trens, equipamentos e modernizações de estações, por exemplo.

As obras de expansão da linha 5 Lilás e de construção da linha 17 Ouro continuam sendo tocadas com recursos públicos.

Ontem durante a greve, foram proferidas duas decisões judiciais.

Na tarde, o juiz Adriano Marcos Laroca, da 12ª Vara da Fazenda Pública da Capital do TJ -Tribunal de Justiça, atendeu ação do PSOL e da Fenametro, federação dos metroviários, para suspender o leilão.

Mas já na parte da noite, o presidente do TJ, desembargador Manoel de Queiroz Pereira Calças, acatou pedido de suspensão de liminar feito pelo Governo do Estado de São Paulo e pela Companhia do Metropolitano, e reestabeleceu a realização do leilão.

Na manhã desta sexta-feira, 19, diversos grupos protestaram contra a concessão na entrada da B3, antiga sede da Bolsa de Valores de São Paulo, no centro da capital, onde ocorreu o leilão.

O local teve reforço da Polícia Militar.

Outras entidades, além do Sindicato dos Metroviários, se mostraram contra o modelo do edital

O Idec – Instituto de Defesa do Consumidor e a Rede Nossa São Paulo, por meio de nota, disseram que “a suspensão [do leilão]  era necessária devido à uma série de problemas encontrados no edital, sobretudo o prejuízo financeiro que a concessão trará ao Estado.”

“As linhas estão quase prontas. O edital prevê apenas que a empresa ganhadora opere e administre as vias, ou seja, o principal gasto que é a obra já não existe. A concessionária lucrará muito com essa compra”, avalia, na nota, pesquisador em mobilidade do Idec, Rafael Calabria.

As entidades também criticam o fato de os maiores investimentos (a ampliação e construção das linhas) serem com recursos públicos e o modelo de remuneração que garante ao concessionário equilíbrio financeiro em caso de demanda de passagerios abaixo do projetado.

“A gestão do governador Geraldo Alckmin também garante que a concessionária não irá perder dinheiro com a compra. Isso porque, caso a demanda de passageiros fique abaixo da estimada, o governo estadual se compromete a compensar a empresa pelos passageiros não transportados. “

QUEM SÃO AS VENCEDORAS:

A CCR hoje tem participação na linha 4 Amarela do Metrô de São Paulo; na construção e operação do Corredor de ônibus BRT Transolímpica pela participação na Concessionária ViaRio S.A, do Rio de Janeiro; CCR Barcas Rio de Janeiro; no Metrô da Bahia pelo sistema metroviário de Salvador e Lauro de Freitas; além de ter participação na concessão do VLT Carioca (Veículo Leve sobre Trilhos).  Também possui o BH Airport, responsável pela gestão do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

No setor de rodovias, a CCR é responsável pela Nova Dutra (concessionária da Rodovia Presidente Dutra); Autoban (Anhanguera e Bandeirantes), ViaOeste (Castelo Branco e Raposo Tavares), SPVias (administra trechos das Rodovias Castello Branco (SP-280), Raposo Tavares (SP-270), João Mellão (SP-255), Francisco Alves Negrão (SP-258), Antonio Romano Schincariol e Francisco da Silva Pontes (SP-127) – num total de 516 quilômetros),  Rodoanel (trechos em operação do Rodoanel Mário Covas); Vialagos (RJ-124, a Rodovia dos Lagos), RodoNorte (567,78 quilômetros de rodovias entre as quais: BR-277 (entre Curitiba e São Luiz do Puranã) , BR-376 (São Luiz do Puranã até Apucarana) e PR-151 (ligação de Ponta Grossa, Jaguariaíva, Sengés e divisão com o Estado de São Paulo) e a BR-373 (entre Ponta Grossa e o Trevo do Caetano) ) ; Renovias (participação na empresa que administra 345,6 km de rodovias ligando a região de Campinas ao Circuito das Águas Paulista e sul de Minas Gerais); MSVia (a BR-163/MS, com 845,4 quilômetros de extensão, a rodovia cruza o Estado de Mato Grosso do Sul entre as divisas do Mato Grosso e do Paraná).

O Grupo RuasInvest é ligado ao Grupo Ruas, que tem participação na Linha 4 Amarela do Metrô, possui participação em mais da metade das empresas de ônibus do subsistema estrutural e a encarroçadora de ônibus Caio, além da Otima, que cuida dos pontos e abrigos de ônibus de São Paulo. O Grupo Ruas também é dono do Banco Luso Brasileiro, que financia ônibus.

Ontem o RuasInvest também anunciou a compra de 15% da Concessão de linha 6-Laranja do Metrô.

Relembre:

RUASInvest vai se associar a empresas asiáticas na compra da concessão da linha 6-Laranja

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

16 comentários em CCR e Grupo Ruas ganham concessão das linhas 5 de metrô e 17 de monotrilho

  1. João Luís Garcia // 19 de Janeiro de 2018 às 12:19 // Responder

    Parabéns aos investidores
    Por acreditarem no País e irão gerar muitos empregos e o que é melhor.
    A privatização vem acabar com verdadeiros feudos sindicais que só oneram o sistema e nada produzem

  2. Eh pra glorificar de Pe!!!!!

  3. ´Boa notícia enfim!!

  4. Celso Moreira da Costa // 19 de Janeiro de 2018 às 13:50 // Responder

    Tudo que o grupo Ruas quiser em SP eles conseguem…#MAISDOMESMO

  5. Gostei tomara em breve aconteça o msm com a linha vermelha, está um caos tds dias tem problemas ,vive lotado e as estações estão sucateadas um lixo,e aí de quem reclamar leva um carão dos funcionários do metrô,denunciar nem vem resposta…

  6. E uma MAFIA do cacete. Estas empresas tem a ver com muitos políticos, donos delas, é desde jeito, qualquer leilão do governo vão ganhar também. E tudo combinado. Que a LAVA JATO, de uma olhada nisso. Vamos limpar nosso BRASIL.

  7. O valor da passagem da Linha 4 Amarela (privada) apesar de pagarem menores salários custava antes do aumento R$4,18, o usuário pagava R$3,80 e o resto saia do Metrô público (R$0,38 por passageiro). No contrato também existe um piso de arrecadação diária, ou seja se não arrecadar este mínimo, o Metrô público tem que cobrir. Imagine pra quanto iria a tarifa se o Metrô inteiro fosse privado.

  8. Pagarão R$500 mi. O Governo comprou 26 trens novos para a linha 5 por R$48 mi cada, total R$1,25 bi existem mais 8 trens da frota F, equipamentos de via e estação comprados recentemente. A CCR pegará a linha 5 interligada com a linha 1 imagine só como a arrecadação subirá. Saiu muito barato!!! Roubo do patrimônio público!!!

  9. Eu creio que sou de outro planeta, ou sou muito ignorante! Pois como posso gastar 10 bilhões, vender por 500 milhões, garantir lucro certo pra esses abutres e vc me falar que é um bom negócio? Faça me o favor, e povo manipulado acorda. Quando a linha 5 só tinha 6 estações e quase não tinha usuários, ninguém queria comprar. Porque será hein? Você que acha que deve levar a linha 3 vermelha também, acorda! Eles querem só o filé, não querem investir em nada. De onde você acha que vai sair o quinhentos milhões? Lamentável.

    • Francisco, boa noite.

      É que os 10 bilhões é dinheiro do contribuinte.

      E o puuuuuuuuuuuuuder é especialista em desperdiçar o dinheiro do contribuinte.

      Pena que o Filet é pra poucos…

      Assim qualquer terráqueo tem lucro.

      Abçs,

      Paulo Gil

  10. Amigos, boa noite.

    Mas o metro acertou o vencedor …

    O próximo passo é a Induscar Barra Bonita ou a Carbuss Joinville, fabricando carros para metro e Aerotrem.

    PREVISÍVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Aguardem, até porque o Aerotrem trepida tanto que quando começar a operar os carros vão gastar rapidinho.

    Att,

    Paulo Gil

  11. Gláucio oliveira // 20 de Janeiro de 2018 às 14:41 // Responder

    E quando privatizar tudo quem vai cobrir a diferença e as integrações com bus. Isso de um governo estadual alckmin que se orgulha de não ter subsídio. Aí a conta fica como na emtu para o usuário e a qualidade privada das empresas com + de 90% bus com motor dianteiro e chassis de caminhão. Tão bom que as pessoas da rmsp andam kms para usar o municipal de sp e deixar a conta do subsídio para os munícipes paulistanos.

  12. Parabéns ao Grupo Ruas, tenho muito orgulho de fazer parte do quadro de funcionários *Via Sul* parabéns mais uma vez a esse grande e competente empresário chamado Ruas!

  13. vou criar uma empresa. quero que o estado construa ela para mim, e depois quando tiver pronta, me venda por cerca de 3% do valor investido. e que esta venda seja financiada pelo BNDES, afinal de contas nao vou colocar dinheiro do meu bolso. e que o governo cubra o valor do lucro estipulado, caso o mesmo nao seja atingido normalmente. mereço isso, afinal, sou investidor e estarei contribuindo para o crescimento do pais, mesmo que seja apenas engenheiro de obra pronta.

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