CCR e Grupo Ruas ganham concessão das linhas 5 de metrô e 17 de monotrilho

Publicado em: 19 de janeiro de 2018

Estação da linha 5 Lilás. Custos das obras são de responsabilidade do Governo do Estado.

Repasse das operações à iniciativa privada foi motivo de greve dos metroviários

ADAMO BAZANI

O ConsórcioViaMobilidade apresentou nesta sexta-feira, 19, o maior lance de outorga para assumir as operações da linha 5 Lilás de metrô de São Paulo e 17 Ouro de monotrilho, ambas que atendem majoritariamente a zona Sul da Capital Paulista.

Segundo a Secretaria de Transportes Metropolitanos, o lance foi de R$ 553,88 milhões. O ágio foi de 185% em relação ao valor inicial de outorga.

Participaram da concorrência o Consórcio MetrôSP (da CS Brasil, do Grupo JSL -Júlio Simões Logística, com sede em Mogi das Cruzes, e que opera ônibus urbanos na Grande São Paulo e Interior Paulista e da coreana SeulMetrô) e o Consórcio ViaMobilidade (da CCR, que tem participação majoritária na linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo e em outros empreendimentos ligados a transporte público e rodovias por todo o País e da RuasInvest, ligado a empresas de ônibus da Capital Paulista).

O Consórcio MetrôSP apresentou proposta de R$ 388,5 milhões de outorga fixa.

A concessão das linhas à iniciativa privada foi o principal motivo da greve dos metroviários ontem, que parou parcialmente as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha, 5-Lilás de metrô e, totalmente, as duas estações do monotrilho da linha 15-Prata. A linha 4-Amarela , que é de operação da iniciativa privada, foi a única que operou normalmente.

O Sindicato dos Metroviários sustentou em ações judiciais e em comunicados à imprensa, que o edital beneficiaria o Grupo CCR, que negou direcionamento.

Em entrevista logo após o leilão, o governador Geraldo Alckmin, classificou a acusação do Sindicato dos Metroviários de “irresponsável”

“Foi um leilão transparente, teve a participação do Grupo Júlio Simões, é uma acusação irresponsável”

Alckmin citou a concessão dos ônibus da Artesp (rodoviários e suburbanos), da EMTU (metropolitanos) e da linha 15 de monotrilho, na área de transportes coletivos de passageiros, como próximos passos das concessões, às quais classificou como “reforma de Estado”

O Governador também disse que o Consórcio vencedor vai receber R$ 1,73 por passageiro transportado, mas com a atualização, o valor será de R$ 1,77 para as duas linhas, 5 e 17.

Entre julho e agosto as operações na Linha 5 devem ser iniciadas, de acordo com o Secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Peleissioni. Os funcionários públicos da linha 5 serão deslocados para outras linhas da rede.

O secretário ainda disse que o edital da linha 15 de monotrilho deve ser lançado no final de fevereiro.

O valor mínimo de outorga exigido pelo Governo do Estado de São Paulo que era de R$ 189,6 milhões foi corrigido em janeiro para R$ 194,34 milhões, além de  uma outorga variável de 1% à Companhia do Metrô sobre a receita bruta.

O contrato de concessão é de 20 anos e deve render neste período, entre receitas tarifárias e não tarifárias, R$ 10,8 bilhões. A exigência de investimentos é em torno de R$ 3 bilhões, entre trens, equipamentos e modernizações de estações, por exemplo.

As obras de expansão da linha 5 Lilás e de construção da linha 17 Ouro continuam sendo tocadas com recursos públicos.

Ontem durante a greve, foram proferidas duas decisões judiciais.

Na tarde, o juiz Adriano Marcos Laroca, da 12ª Vara da Fazenda Pública da Capital do TJ -Tribunal de Justiça, atendeu ação do PSOL e da Fenametro, federação dos metroviários, para suspender o leilão.

Mas já na parte da noite, o presidente do TJ, desembargador Manoel de Queiroz Pereira Calças, acatou pedido de suspensão de liminar feito pelo Governo do Estado de São Paulo e pela Companhia do Metropolitano, e reestabeleceu a realização do leilão.

Na manhã desta sexta-feira, 19, diversos grupos protestaram contra a concessão na entrada da B3, antiga sede da Bolsa de Valores de São Paulo, no centro da capital, onde ocorreu o leilão.

O local teve reforço da Polícia Militar.

Outras entidades, além do Sindicato dos Metroviários, se mostraram contra o modelo do edital

O Idec – Instituto de Defesa do Consumidor e a Rede Nossa São Paulo, por meio de nota, disseram que “a suspensão [do leilão]  era necessária devido à uma série de problemas encontrados no edital, sobretudo o prejuízo financeiro que a concessão trará ao Estado.”

“As linhas estão quase prontas. O edital prevê apenas que a empresa ganhadora opere e administre as vias, ou seja, o principal gasto que é a obra já não existe. A concessionária lucrará muito com essa compra”, avalia, na nota, pesquisador em mobilidade do Idec, Rafael Calabria.

As entidades também criticam o fato de os maiores investimentos (a ampliação e construção das linhas) serem com recursos públicos e o modelo de remuneração que garante ao concessionário equilíbrio financeiro em caso de demanda de passagerios abaixo do projetado.

“A gestão do governador Geraldo Alckmin também garante que a concessionária não irá perder dinheiro com a compra. Isso porque, caso a demanda de passageiros fique abaixo da estimada, o governo estadual se compromete a compensar a empresa pelos passageiros não transportados. “

QUEM SÃO AS VENCEDORAS:

A CCR hoje tem participação na linha 4 Amarela do Metrô de São Paulo; na construção e operação do Corredor de ônibus BRT Transolímpica pela participação na Concessionária ViaRio S.A, do Rio de Janeiro; CCR Barcas Rio de Janeiro; no Metrô da Bahia pelo sistema metroviário de Salvador e Lauro de Freitas; além de ter participação na concessão do VLT Carioca (Veículo Leve sobre Trilhos).  Também possui o BH Airport, responsável pela gestão do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

No setor de rodovias, a CCR é responsável pela Nova Dutra (concessionária da Rodovia Presidente Dutra); Autoban (Anhanguera e Bandeirantes), ViaOeste (Castelo Branco e Raposo Tavares), SPVias (administra trechos das Rodovias Castello Branco (SP-280), Raposo Tavares (SP-270), João Mellão (SP-255), Francisco Alves Negrão (SP-258), Antonio Romano Schincariol e Francisco da Silva Pontes (SP-127) – num total de 516 quilômetros),  Rodoanel (trechos em operação do Rodoanel Mário Covas); Vialagos (RJ-124, a Rodovia dos Lagos), RodoNorte (567,78 quilômetros de rodovias entre as quais: BR-277 (entre Curitiba e São Luiz do Puranã) , BR-376 (São Luiz do Puranã até Apucarana) e PR-151 (ligação de Ponta Grossa, Jaguariaíva, Sengés e divisão com o Estado de São Paulo) e a BR-373 (entre Ponta Grossa e o Trevo do Caetano) ) ; Renovias (participação na empresa que administra 345,6 km de rodovias ligando a região de Campinas ao Circuito das Águas Paulista e sul de Minas Gerais); MSVia (a BR-163/MS, com 845,4 quilômetros de extensão, a rodovia cruza o Estado de Mato Grosso do Sul entre as divisas do Mato Grosso e do Paraná).

O Grupo RuasInvest é ligado ao Grupo Ruas, que tem participação na Linha 4 Amarela do Metrô, possui participação em mais da metade das empresas de ônibus do subsistema estrutural e a encarroçadora de ônibus Caio, além da Otima, que cuida dos pontos e abrigos de ônibus de São Paulo. O Grupo Ruas também é dono do Banco Luso Brasileiro, que financia ônibus.

Ontem o RuasInvest também anunciou a compra de 15% da Concessão de linha 6-Laranja do Metrô.

Relembre:

RUASInvest vai se associar a empresas asiáticas na compra da concessão da linha 6-Laranja

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. João Luís Garcia disse:

    Parabéns aos investidores
    Por acreditarem no País e irão gerar muitos empregos e o que é melhor.
    A privatização vem acabar com verdadeiros feudos sindicais que só oneram o sistema e nada produzem

    1. andre disse:

      “As obras de expansão da linha 5 Lilás e de construção da linha 17 Ouro continuam sendo tocadas com recursos públicos. ” – investidores? aonde?

      gerar empregos? ou desempregos?

      sindicato onera o sistema? quem é que vai receber 10,8 bilhoes de lucro garantido durante 20 anos? o sindicato ou a CCR?

      esse gado brasileiro é de primeira!

  2. eliabelp disse:

    Eh pra glorificar de Pe!!!!!

  3. CINTHIA LUIZA disse:

    ´Boa notícia enfim!!

  4. Celso Moreira da Costa disse:

    Tudo que o grupo Ruas quiser em SP eles conseguem…#MAISDOMESMO

  5. Carlos nunes disse:

    Gostei tomara em breve aconteça o msm com a linha vermelha, está um caos tds dias tem problemas ,vive lotado e as estações estão sucateadas um lixo,e aí de quem reclamar leva um carão dos funcionários do metrô,denunciar nem vem resposta…

  6. Sergio Pinheiro disse:

    E uma MAFIA do cacete. Estas empresas tem a ver com muitos políticos, donos delas, é desde jeito, qualquer leilão do governo vão ganhar também. E tudo combinado. Que a LAVA JATO, de uma olhada nisso. Vamos limpar nosso BRASIL.

  7. Alexandre disse:

    O valor da passagem da Linha 4 Amarela (privada) apesar de pagarem menores salários custava antes do aumento R$4,18, o usuário pagava R$3,80 e o resto saia do Metrô público (R$0,38 por passageiro). No contrato também existe um piso de arrecadação diária, ou seja se não arrecadar este mínimo, o Metrô público tem que cobrir. Imagine pra quanto iria a tarifa se o Metrô inteiro fosse privado.

  8. Alexandre disse:

    Pagarão R$500 mi. O Governo comprou 26 trens novos para a linha 5 por R$48 mi cada, total R$1,25 bi existem mais 8 trens da frota F, equipamentos de via e estação comprados recentemente. A CCR pegará a linha 5 interligada com a linha 1 imagine só como a arrecadação subirá. Saiu muito barato!!! Roubo do patrimônio público!!!

  9. Francisco disse:

    Eu creio que sou de outro planeta, ou sou muito ignorante! Pois como posso gastar 10 bilhões, vender por 500 milhões, garantir lucro certo pra esses abutres e vc me falar que é um bom negócio? Faça me o favor, e povo manipulado acorda. Quando a linha 5 só tinha 6 estações e quase não tinha usuários, ninguém queria comprar. Porque será hein? Você que acha que deve levar a linha 3 vermelha também, acorda! Eles querem só o filé, não querem investir em nada. De onde você acha que vai sair o quinhentos milhões? Lamentável.

    1. Paulo Gil disse:

      Francisco, boa noite.

      É que os 10 bilhões é dinheiro do contribuinte.

      E o puuuuuuuuuuuuuder é especialista em desperdiçar o dinheiro do contribuinte.

      Pena que o Filet é pra poucos…

      Assim qualquer terráqueo tem lucro.

      Abçs,

      Paulo Gil

  10. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Mas o metro acertou o vencedor …

    O próximo passo é a Induscar Barra Bonita ou a Carbuss Joinville, fabricando carros para metro e Aerotrem.

    PREVISÍVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Aguardem, até porque o Aerotrem trepida tanto que quando começar a operar os carros vão gastar rapidinho.

    Att,

    Paulo Gil

  11. Gláucio oliveira disse:

    E quando privatizar tudo quem vai cobrir a diferença e as integrações com bus. Isso de um governo estadual alckmin que se orgulha de não ter subsídio. Aí a conta fica como na emtu para o usuário e a qualidade privada das empresas com + de 90% bus com motor dianteiro e chassis de caminhão. Tão bom que as pessoas da rmsp andam kms para usar o municipal de sp e deixar a conta do subsídio para os munícipes paulistanos.

  12. JADSON disse:

    Parabéns ao Grupo Ruas, tenho muito orgulho de fazer parte do quadro de funcionários *Via Sul* parabéns mais uma vez a esse grande e competente empresário chamado Ruas!

  13. andre disse:

    vou criar uma empresa. quero que o estado construa ela para mim, e depois quando tiver pronta, me venda por cerca de 3% do valor investido. e que esta venda seja financiada pelo BNDES, afinal de contas nao vou colocar dinheiro do meu bolso. e que o governo cubra o valor do lucro estipulado, caso o mesmo nao seja atingido normalmente. mereço isso, afinal, sou investidor e estarei contribuindo para o crescimento do pais, mesmo que seja apenas engenheiro de obra pronta.

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