Consórcio VemABC já gastou mais de R$ 5 milhões em Linha 18 e diz que pode entregar monotrilho seis meses antes do projeto original

Presidente do Consórcio VemABC, Maciel Paiva, afirma que “não tem como o monotrilho do ABC não sair” - Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) /Clique para ampliar

Para presidente do consórcio, Maciel Paiva, maior entrave é financeiro; executivo defendeu viabilidade do modal. Linha pode abrigar estabelecimentos como hospitais e faculdades

ADAMO BAZANI

Colaborou Jessica Marques

O projeto do monotrilho da Linha 18-Bronze, previsto para ligar parte do ABC à estação Tamanduateí, na capital paulista, já teve etapas “adiantadas” mesmo antes do início da vigência do contrato de implantação do modal.

Quem garante é o presidente do Consórcio VemABC – Vidas em Movimento, Maciel Paiva. O executivo recebeu nesta segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019, portais especializados em mobilidade, entre os quais o Diário do Transporte.

Maciel Paiva comentou que por iniciativa própria, antes mesmo do início da vigência do contrato da PPP – Parceria Público Privada de construção e operação do modal, o consórcio já adiantou algumas ações como o levantamento das áreas a serem desapropriadas e os procedimentos necessários para posteriormente obter a licença ambiental.

De acordo com o executivo, estas ações já custaram ao consórcio mais de R$ 5 milhões.

“Isso tínhamos que fazer de todo jeito, já está no contrato. Adiantamos esta parte, o que nos possibilita ter um prazo de vantagem na ordem de seis meses. Assim, em vez de quatro anos, tudo poderá ser concluído em três anos e meio, não havendo imprevistos e, mesmo se houver, é um prazo importante que ganhamos”, disse Maciel Paiva.

O contrato entre o Governo do Estado e o consórcio foi assinado em 22 de agosto de 2014 e já passou por cinco aditivos. O último venceu em 22 de novembro do ano passado.

De acordo com o presidente do consórcio VemABC, hoje o maior problema em relação ao projeto é a questão financeira, muito mais do que “vontade política”. No entanto, Maciel Paiva acredita que há perspectiva, já que o Governo do Estado conseguiu aprovar o projeto de lei que flexibiliza a captação de recursos para as desapropriações e porque, segundo Maciel, o consórcio entrou em contato com entidades financeiras privadas que teriam demonstrado interesse no projeto.

Segundo o consórcio, está na fase final o processo de assinatura do sexto aditivo.

TROCA DE MODAIS E DESAPROPRIAÇÃO:

A respeito dos decretos de declaração de área de utilidade pública para desapropriação que tiveram o prazo vencido em novembro do ano passado, o consórcio defende que a caducidade terá poucos impactos na etapa inicial da obra. Isso porque, de acordo com Paiva, 91% do traçado da linha e 69% das estações estão em áreas públicas já liberadas.

“Dá para perfeitamente iniciar as obras sem nenhum impedimento, enquanto novos decretos são assinados e equacionados. Grande parte do traçado está à beira do [córrego] Ribeirão dos Meninos, sem a necessidade até mesmo de desapropriações”, disse.

As dificuldades para financiamentos e desapropriações fizeram com que o Governo do Estado considerasse outras possibilidades de modais para a ligação prevista para a Linha 18, a exemplo de um BRT (Bus Rapid Transit), corredor de ônibus de trânsito rápido e maior capacidade que os ônibus comuns.

O secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, falou sobre a possibilidade de troca de modais de transporte em entrevista ao Diário do Transporte e ao portal ViaTrólebus.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/02/04/entrevista-inicio-da-construcao-da-linha-18-bronze-do-abc-deve-ficar-para-2020-e-governo-considera-outros-modais-que-nao-sejam-monotrilho/

Entretanto, de acordo com Maciel, a troca de modal não é tão simples assim. Todas as questões que, segundo ele, foram adiantadas pelo consórcio VemABC terão de ser feitas do zero para o novo meio de transporte, como a Manifestação de Interesse Público e o procedimento para o licenciamento ambiental, que poderiam demorar ao todo aproximadamente dois anos.

Além disso, o consórcio VemABC diz que para o BRT, por causa da largura das pistas dos ônibus, seriam necessárias mais desapropriações e o modal não teria a mesma capacidade do monotrilho.

O executivo disse que o monotrilho terá velocidade média comercial de 35 km/h, com capacidade para 25 mil passageiros hora/sentido no horário de pico, em média.

O consórcio projeta crescimento de demanda e de trens ao longo do contrato.

TROCA DE FORNECEDOR DE TRENS

O presidente do consórcio VemABC também confirmou negociações com fabricantes internacionais para o fornecimento dos trens. A empresa da Malásia, Scomi, alegando problemas financeiros, desistiu do projeto, como ocorreu com a Linha 17-Ouro do monotrilho da zona Sul de São Paulo para a qual também deveria fornecer o material rodante.

“Há várias possibilidades de fornecedores que possam atender aos nossos projetos. Já estamos conversando com alguns deles. Podem ser empresas de forma isolada como também a formação joint ventures. Essa é a flexibilidade da PPP. Se uma das partes não pode cumprir o que está estabelecido no contrato, nós da iniciativa privada podemos providenciar com muito mais facilidade um substituto”.

Entre as empresas que podem substituir a Scomi no projeto estão BYD, Bombardier, Hitachi, CRC.

GALERIAS DA FARIA LIMA

Outra discussão em torno do projeto de monotrilho foi o obstáculo gerado por galerias de águas pluviais sob a avenida Brigadeiro Faria Lima, na região central de São Bernardo do Campo, cujo trecho já é atendido pelo Corredor Metropolitano ABD de ônibus e trólebus.

Os pilares do elevado por onde é projetado circularem os monotrilhos coincidiam com estas galerias. Entretanto, de acordo com o gerente de implantação de obras civis do consórcio VemABC, Fábio Zahr, o problema foi resolvido.

“Foi uma solução de engenharia. O que ocorreu foi que um eixo do monotrilho na avenida foi deslcado para uma área onde não afetaria a galeria. A solução foi negociada e aprovada junto à Prefeitura, portanto, essa questão não é nenhum impedimento mais”, disse.

De acordo com dados obtidos pelo Diário do Transporte por meio da Lei de Acesso à Informação, atualmente, o monotrilho do ABC estaria hoje 22% mais caro que na época que foi apresentado, em 2014.

Em 2014, o monotrilho da linha 18-Bronze tinha uma previsão de consumir R$ 4,69 bilhões (R$ 4.699.274.000,00) para ficar pronto. O valor, de acordo com a atualização do orçamento pelo Governo do Estado, pulou para R$ 5,74 bilhões (R$ 5.741.542.942,61), elevação de 22,18%.

Entretanto, o presidente do consórcio Vem ABC disse que não está previsto nenhum gasto maior que o que consta no contrato.

O que ocorre, segundo ele, é uma atualização com base em uma cesta de índices de correção, que levam em consideração a inflação, e índices oficiais sobre obras públicas.

“Posso considerar que não tem como o monotrilho do ABC não sair. É um projeto que cabe dentro de um mandato e, até mesmo politicamente, é interessante, já que a população tem aguardado há muito tempo um sistema como este para o ABC. Acreditamos que um BRT não teria aprovação popular. O projeto do monotrilho da Linha 18 é o que está mais maduro entre os outros projetos de mobilidade do Governo do Estado”, disse Maciel Paiva.

LINHA PODE TER ATÉ HOSPITAL E FACULDADE:

A linha 18 Bronze pode ter também junto às estações empreendimentos, como escolas e hospitais privados por exemplo.

De acordo com o presidente do consórcio, Maciel Paiva, o contrato prevê exploração comercial com a contrapartida para o estado.

“A exploração comercial é permitida e é parte da renda que a gente vai ter. A gente tem três rendas neste contrato, a contraprestação pecuniária, a renda da tarifa e da exploração comercial” – disse Maciel.

O gerente de implantação de obras civis do Consórcio VEM ABC, Fábio Zahr, cita algumas possibilidades de investimentos comerciais.

“As áreas remanescentes para reintegração, por exemplo, podem abrigar estabelecimentos. Também para as estações podemos erguer prédios, de quatro andares, por exemplo, mas dentro da legislação. Podemos locar os andares que não serão usadas para a operação do monotrilho” – explicou.

Maciel Paiva ainda disse que a estação Tamanduateí poderá, no futuro, se tornar um “HUB” (para conexão) de modais de transportes metropolitanos.

Além das atuais linhas 2-Verde (metrô), 10-Turquesa (CPTM) e dos ônibus municipais de São Paulo e metropolitanos (em especial vindos do ABC), o local deve receber a linha 18-Bronze (monotrilho).

A linha 20-Rosa de Metrô, ainda sem previsão para sair do papel, também deve se comunicar com o monotrilho da linha 18.  Incialmente, a linha 20 foi pensada para ligar Moema (capital paulista) a Rudge Ramos (São Bernardo do Campo).

APETITE ITALIANO

Atualmente, o Consórcio VemABC tem a seguinte estrutura acionária: 55% Primav Construções e Comércio S/A (sendo que o grupo italiano Gavio tem 69% e o Grupo CCR responde por 31%), 22% da Construtora Cowan S.A., 22% do Grupo Encalso Damha e 1% do Grupo Roggio, argentino.

Mas de acordo com o presidente do consórcio, Maciel Paiva, a estrutura acionária deve mudar, com a Primav comprando toda a parte da Cowan, que deve sair do monotrilho da linha 18, e com a possibilidade também de comprar parte da parcela da Encalso.

“Os italianos estão com muito apetite e enxergam oportunidades no setor de mobilidade urbana no Brasil, que é vista com bons olhos por eles. Há poucos ‘players’ neste mercado e a linha 18 é o caminho inicial de mais investimentos que são de interesse do grupo” – explicou.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Jessica Marques

6 comentários em Consórcio VemABC já gastou mais de R$ 5 milhões em Linha 18 e diz que pode entregar monotrilho seis meses antes do projeto original

  1. Amigos, bom dia.

    Como consta na matéria acima:

    “Grande parte do traçado está à beira do [córrego] Ribeirão dos Meninos,…”

    Sem contar a Faria Lima e o Paço Municipal de S. B. Campo

    Quando chover os passageiros não terão como embarcar´elá segue o Aerotrem vazio.

    Depois vem a ladainha do aumento de tarifa, pois a chuva fez diminuir o faturamento.

    PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Em tempo: Nem começou e já tem 5 aditivos; imagina depois que começar a operação.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Vai la mano, faz acontecer. Mas se não acontecer tem que devolver todo dinheiro.

  3. euquanto isso a vemabc poderia comprar ônibus e fazer a ligação diretas de tamanduatei para ferrazopolis parando no centro de sbc!

  4. Maciel Paiva dizendo que o povo não aceitaria BRT ??? Aí tem ! Gente, com essa demora toda, somente mesmo um BRT no modal da linha Pq Dom Pedro II-Sacomã, para acelerar o processo de realização DA LINHA 18. Sabe por que ? 1- Uma única empresa poderá administrar. 2- incentivará a industria brasileira de carrocerias (Marcopolo-CAIO com bi-articulados nacionais), mais empregos, ao invés de buscar parcerias estrangeiras. Essa parceria que o Marcelo Paiva diz, é engôdo pra comer mais dinheiro e encarecer a s passagens. Já está provado como que aconteceu com a Bombardier e outra na construção e reformas de vagões da CPTM, que agora estão sendo processadas no governo Alckmin….SERÁ QUE NINGUÉM VÊ ISSO. ??

  5. Quer dizer que quando chover ninguém embarca no monotrilho, mas no BRT/VLT seria possivel ?? Como esses outros modais passariam pelas enchentes ??

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