Ônibus intermunicipais metropolitanos têm pior avaliação que os municipais nas regiões metropolitanas de São Paulo e BH, diz pesquisa do Idec

Falta de conforto está entre as principais reclamações dos passageiros sobre os ônibus metropolitanos de São Paulo. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte)/Clique para ampliar

Em relação às linhas de trens e metrô, quanto mais distante do centro das cidades, as notas ficam menores

ADAMO BAZANI

As linhas de ônibus intermunicipais das regiões metropolitanas de São Paulo e de Belo Horizonte são mais mal avaliadas pelos passageiros do que os serviços municipais nestas duas capitais. Já no Rio de Janeiro é o contrário, e os ônibus municipais recebem nota inferior à dos metropolitanos.

É o que revela pesquisa do Idec – Instituto de Defesa do Consumidor com base nas respostas de cerca de três mil passageiros por meio do aplicativo de celular MoveCidade, nos últimos 12 meses.

O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira, 13 de setembro de 2018.

Em São Paulo, a nota média de zero a 10 dos ônibus municipais gerenciados pela SPTrans foi de 5,65,  segundo a pesquisa. Já os ônibus das linhas gerenciadas pela EMTU na região metropolitana de São Paulo receberam nota de 4,37.

Os serviços dos ônibus municipais de Belo Horizonte, gerenciados pela BHTrans, receberam notas de 3,69 e os intermunicipais de gestão do DER/MG só alcançaram nota de 3,32.

Já no Rio de Janeiro, a nota dos municipais foi de 4,23, gerenciados pela Secretaria Municipal de Transportes e, entre os intermunicipais gerenciados pelo Detro/RJ, a nota foi de 4,92.

SÃO PAULO:

Em São Paulo, de acordo com o levantamento, o item com pior avaliação entre os ônibus municipais foi limpeza e manutenção dos veículos, com nota de 4,88. Já o item com melhor avaliação foi segurança (condição geral dos ônibus) com 5,88.

Quanto aos ônibus do sistema EMTU, segundo o levantamento, o item lotação e conforto recebeu a menor nota, 3,86. O item com melhor nota foi o comportamento dos motoristas; 5,34.

Duas licitações prometem melhorar os serviços municipais e metropolitanos de São Paulo, mas ambas estão atrasadas.

Na capital paulista, o novo sistema deveria estar em vigor desde 2013, mas a prefeitura não tem conseguido realizar a concorrência, que atualmente está barrada pela segunda vez pelo TCM – Tribunal de Contas do Município.

O TCM recebeu nesta semana mais representações contra a concorrência e concluiu no início do mês que de 51 irregularidades que apontou nos editais, 36 não foram resolvidas pela gestão do prefeito Bruno Covas. Das 20 improbidades, 12 persistem e de 19 recomendações, oito ainda não foram seguidas. A prefeitura tem 15 dias para dar novas respostas ao órgão de contas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/09/13/licitacao-dos-onibus-de-sao-paulo-recebe-mais-representacoes-contrarias-e-tcm-pede-outros-esclarecimentos-da-prefeitura/

Já quanto à licitação da EMTU, o certame deveria ter sido concluído em 2016, mas foi barrado pelo TCE – Tribunal de Contas do Estado após mais de 100 questionamentos de eventuais participantes. Há cerca de dois meses a concorrência foi liberada depois de ajustes e o secretário de transportes metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, disse ao Diário do Transporte no final do mês passado, que a audiência pública para a retomada da licitação será realizada até o final deste ano.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/08/31/licitacao-da-emtu-sera-retomada-ainda-neste-ano-com-audiencia-publica-diz-pelissioni/

A situação na Grande São Paulo dos ônibus intermunicipais é pior no ABC Paulista, onde nunca foi realizada uma licitação. As demais áreas foram licitadas em 2006 e os contratos venceram em 2016.

No ABC, foram seis tentativas de licitação, sendo cinco esvaziadas pelos empresários da região que não concordaram com as exigências dos editais e uma barrada por ordem judicial no âmbito de uma recuperação judicial em favor do empresário Baltazar José de Sousa. A ordem foi derrubada por outra decisão judicial.

É no ABC que estão as empresas com as piores notas do IQT – Índice de Qualidade do Transporte, da EMTU. A frota é a mais velha da região metropolitana, com média de 8,9 anos, e com menor índice de acessibilidade.

Também no ABC está o serviço com maior satisfação por parte dos passageiros da região metropolitana de São Paulo, com a empresa Metra operando o Corredor ABD, de ônibus e trólebus, entre as zonas Sul e Leste de São Paulo passando pelas cidades de Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema.

O IQC – Índice de Qualidade do Cliente, pelo qual a EMTU apura a satisfação dos passageiros, para a Metra foi de 86,7%.

Entretanto, a concessão do sistema operado pela Metra é diferente do regime de permissão das demais linhas intermunicipais que não foram licitadas ainda pela EMTU.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/08/02/transpublico-2018-metra-conquista-a-maior-satisfacao-dos-passageiros-da-historia-e-apresenta-operacao-na-lat-bus/

RESPOSTA EMTU:

Em nota, a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, que gerencia os ônibus intermunicipais, diz que pelo mais recente IQC – Índice de Qualidade da Satisfação do Cliente, do ano de 2017, cujos resultados são obtidos por meio de pesquisas de campo, a nota média dada pelos passageiros para atributos semelhantes aos divulgados pelo Idec foi 7,06; superior, portanto, às notas apuradas pelo Instituto de Defesa do Consumidor.

A gerenciadora estadual de transportes diz ainda que pesquisas feitas por aplicativos podem gerar distorções nos resultados e cita também a Pesquisa de Imagem da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), realizada até o ano de 2014, na qual, segundo a EMTU, as linhas metropolitanas aparecem com maior aprovação que as municipais da capital paulista.

A EMTU/SP informa que realiza anualmente pesquisa de avaliação de qualidade do transporte metropolitano na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), na qual é analisada a opinião dos usuários do serviço por meio do Índice de Qualidade da Satisfação do Cliente (IQC).

Trata-se de pesquisa estruturada de avaliação de serviço junto a uma amostra probabilística e representativa dos usuários. É aplicada pessoalmente por pesquisadores profissionais credenciados e treinados, em três períodos típicos ao longo do dia nas linhas com maior representatividade.

No levantamento mais recente realizado em 2017 em todos os atributos do IQC, “similares” ao aplicativo do Idec, a média é de 7,06, portanto superior à pesquisa.

Outra pesquisa realizada por entidade representativa do setor de transporte público é a Pesquisa de Imagem aplicada anualmente pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) até o ano de 2014 (menos 2013), que pesquisava vários meios de transporte de São Paulo, inclusive os ônibus municipais da capital e os ônibus intermunicipais metropolitanos.

Os gráficos abaixo apresentam a série histórica dos últimos nove anos de pesquisa em que apenas em 2010 (59%) os ônibus da capital obtiveram aprovação (excelente + bom) igual ao dos ônibus metropolitanos. Nos demais anos, os índices são inferiores aos dos ônibus metropolitanos.

É importante ressaltar que pesquisas feitas por aplicativos se fundamentam em dados obtidos sem um pesquisador treinado que esclareça o teor de cada aspecto pesquisado. Os usuários podem avaliar vários modais, mesmo que não os utilize e ainda há a possibilidade de uma mesma pessoa acessar várias vezes o aplicativo, o que pode distorcer a amostra.

CORREDORES METROPOLITANOS:
A EMTU ainda explicou, na resposta, que o sistema de ônibus metropolitanos conta com dois corredores em plena operação, Corredor ABD (São Mateus – Jabaquara), que recebe boa avaliação dos passageiros, e o Corredor Guarulhos – São Paulo (Vila Galvão) que possui 12 km de extensão.

A gerenciadora também citou as obras do corredor Itapevi – São Paulo.

Em relação à observação do pesquisador em mobilidade do Idec, Rafael Calabria, cabe esclarecer que a RMSP conta com dois corredores de ônibus metropolitanos estruturados: o Corredor ABD (São Mateus – Jabaquara), que além da capital atende mais quatro cidades daquela região e é muito bem avaliado pelos seus usuários, e o Guarulhos – São Paulo (Vila Galvão) que possui 12 km de extensão.

Está em fase final de construção o corredor Itapevi – São Paulo, onde já estão em operação 5 km de viário entre as cidades de Itapevi e Jandira. O trecho Jandira – Carapicuíba, de 8,8 km, que inclui a construção do Terminal Carapicuíba, uma estação de transferência e nove estações de embarque e desembarque, está previsto para ser entregue no primeiro trimestre de 2019.

As obras do trecho Carapicuíba – Terminal Osasco km 21, com 2,2 km de extensão, serão iniciadas neste ano. O trecho já conta com o moderno Terminal Metropolitano Luiz Bortolosso, em Osasco. 

 No trecho Terminal Osasco km 21 – Vila Yara, com 7,6 km de extensão, o terminal Vila Yara está em obras para reforma e ampliação que serão concluídas  em 2019. Já foi emitida a licença prévia ambiental para a construção do viário.

 Feitas todas essas considerações, cabe ratificar que a EMTU/SP trabalha continuamente para aprimorar a prestação de serviços aos usuários do transporte de ônibus intermunicipais.

RIO DE JANEIRO:

No Rio de Janeiro, o maior problema quanto aos ônibus municipais, de acordo com as respostas, é a limpeza e manutenção dos veículos, com nota de 3,51, e a melhor avaliação é quanto à fluidez do sistema, mas com nota bem baixa também; 4,15.

Os ônibus intermunicipais no Rio de Janeiro receberam a pior avaliação no quesito segurança e conservação dos veículos, com nota de 4,54. A melhor avalição foi sobre o comportamento dos motoristas, com nota 6,05

O prefeito Marcelo Crivella, juntamente com o Rio Ônibus, que é o sindicato que representa as viações, após o reajuste da tarifa para R$ 3,95 em junho, anunciou uma série de medidas para tentar melhorar os serviços de ônibus.

No dia 03 de agosto, o prefeito e as viações prometeram renovação de frota com todos os veículos dotados de ar-condicionado na cidade até 2020, aplicativo de celular para o passageiro saber dos horários e conexões, função crédito pré-pago no RioCard para compras em comércio, despadronização das pinturas, segurança maior nas estações de BRT e transparência nas contas das empresas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/08/03/rio-onibus/

Já quanto aos ônibus intermunicipais, o Detro/RJ pretende lançar ainda neste ano o edital de licitação para remodelar os serviços.

A licitação dos ônibus intermunicipais do Rio de Janeiro, além de ser de interesse da população para ter uma rede de transporte mais adequada, também é preocupação do Governo Federal.

A concessão faz parte do Plano de Recuperação Fiscal do Rio de Janeiro firmado no ano passado com a União.

No âmbito do acordo, o governo estadual conseguiu do federal empréstimo de R$ 2,9 bilhões. Em troca, o governo de Luiz Fernando Pezão se comprometeu a adotar medidas para redução de despesas e aumento de receitas, entre as quais, a concessão dos serviços de ônibus.

Mas, como mostrou o Diário do Transporte em abril, o fato de a licitação não ter sido sequer iniciada de fato, preocupa o governo federal.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/09/09/governo-do-rio-confirma-audiencia-publica-de-licitacao-de-onibus-intermunicipais-para-terca-11/

BELO HORIZONTE:

Os ônibus municipais de Belo Horizonte são os que receberam pior avaliação por parte dos 3 mil passageiros entre as três capitais, segundo o levantamento do Idec com base no MoveCidade.

A nota mais baixa foi para o quesito lotação e conforto, de 2,79. A mais alta foi para respeito por parte do motorista, com 4,58.

Quanto aos ônibus intermunicipais, a pior avaliação foi para o quesito segurança do veículo, com nota de 2,25 de 0 a 10 possíveis, e, ainda de acordo com a pesquisa, a maior nota foi para o comportamento dos motoristas, com 4,51.

TREM E METRÔ:

A pesquisa também avaliou a percepção dos passageiros quanto aos serviços de trens e metrô nas três capitais (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte) e nas suas regiões metropolitanas.

Quanto mais afastados do centro das capitais, pior são avaliados os serviços.

Para o pesquisador em Mobilidade Urbana do Idec, Rafael Calabria, em nota, a situação é grave e mostra que não há oferta e qualidade uniformes em todas as regiões das cidades.

“Esta constatação é grave e demonstra que os governos tratam os sistemas sem a padronização e qualidade necessária. Para o usuário, o sistema deveria ser integrado e ter a mesma qualidade, mas infelizmente fica claro para ele a diferença de atenção que cada sistema recebe”

Os metrôs recebem melhores avaliações que os trens, que habitualmente atendem a regiões mais periféricas.

Entretanto, quando o quesito é lotação, as notas dos metrôs caem.

Segundo o Idec, as notas para este quesito são resultados da falta de ampliações suficientes das redes.

 “Apesar de terem melhores notas em relação aos trens, os metrôs registram uma forte queda na avaliação quando o quesito é lotação. O problema que já é conhecido por quem usa esse meio de transporte foi evidenciado na pesquisa, sendo resultado da lenta ampliação da rede.”

SISTEMAS:

Nos três sistemas, segundo a pesquisa, as notas variam de acordo com as linhas.

No caso da CPTM, dos trens da região metropolitana de São Paulo, a nota mais baixa vai para a linha 12 Safira (Brás/Calmon Viana), com 2,58. A nota maior foi para a linha 09 Esmeralda (Osasco/Grajaú), com 5,43.

O Metrô de São Paulo tem a Linha 5 Lilás (Capão Redondo – AACD Servidor) com a menor nota, 5,71. A linha ainda está em expansão e deveria ter sido concluída em 2014.

O secretário de transportes metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, disse que até o dia 20 deste mês devem ser entregues as estações Hospital São Paulo, Santa Cruz (que será integrada à Linha 1 – Azul) e Chácara Klabin (que será integrada à Linha 2 – Verde).

Já estação Campo Belo, por sua vez, será entregue em dezembro, segundo o secretário, completando assim toda a linha.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/08/31/pelissioni-diz-que-mais-tres-estacoes-da-linha-5-lilas-serao-entregues-ate-20-de-setembro/

A pesquisa foi feita quando algumas das estações que hoje operam ainda estavam fechadas.

A melhor nota do Metrô de São Paulo é para a linha 2-Verde (Vila Prudente/Vila Madalena), com 7,67. A linha atende à região da Avenida Paulista, uma das mais nobres da cidade.

No Rio de Janeiro, a pior avaliação quanto aos trens da Supervia foi para o ramal Belford Roxo, com nota de 1,56. A nota maior foi para o ramal Deodoro, com 4,53.

A linha 2 (Pavuna/Botafogo-Estácio) é a pior nota do Metrô Rio, com 4,55. A nota maior, de acordo com o levantamento do Idec, foi para a linha 4 (Ipanema – General Osório/Jardim Oceânico), com 7,85.

Em BH, a linha 1 (Eldorado/Vilarinho) da CBTU recebeu nota 5,47.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Ônibus intermunicipais metropolitanos têm pior avaliação que os municipais nas regiões metropolitanas de São Paulo e BH, diz pesquisa do Idec

  1. WILLIAM DE JESUS SANTOS // 14 de setembro de 2018 às 14:17 // Responder

    O motivo disso e muito simples: enquanto as prefeituras das grandes cidades melhoraram a situação viária e a frota, o governo dos estados só servem para trazer vantagem para esses empresários que só pensam no lucro.

    Não bastasse essa frota ridícula para linhas de alta demanda os horário são péssimos e o valor carissimo.

    Onde está o ministério público nessas horas??

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