Breda é a primeira empresa do País a usar nova tecnologia de resfriamento de motores em ônibus rodoviário

Tecnologia com ventiladores elétricos SPAL foi desenvolvida em parceria com a MODINE, e rodará em veículo que faz a rota São Paulo a Peruíbe. Nas próximas semanas sistema será instalado em ônibus articulados das empresas Cidade Dutra, Sambaíba e VIP

ALEXANDRE PELEGI

Um ônibus Mercedes-Benz, O500R Euro 5, com motor de 310 CV, ano 2016.

Esse é o perfil do primeiro ônibus rodoviário no país a rodar com EEC – Electric Engine Cooling.

O novo sistema de resfriamento de motores já roda em 6 ônibus de diferentes operadoras do sistema de transporte coletivo urbano de São Paulo. A Breda será a primeira empresa a ter um ônibus que vai pegar estrada trazendo a bordo um retrofit do inovador sistema de resfriamento elétrico do motor.

Para Fernando Rodrigues, gerente sênior de engenharia da Modine, líder mundial em gerenciamento térmico, a rotina será bem diferente daquela cumprida todos os dias pelos ônibus urbanos.

A SPAL é a líder mundial em design e fabricação de ventiladores elétricos de alta qualidade para todos os tipos de veículos e equipamentos. Desde outubro de 2016, em projeto com a Modine, a parceria já equipou com o EEC veículos que circulam na cidade de São Paulo nas empresas Santa Brígida (o primeiro, em outubro de 2016); Sambaíba e Cidade Dutra (em dezembro de 2017); Vip, no dia 30 de janeiro de 2018, na Express Transportes Urbanos, em fevereiro de 2018, e o último, em março, na Via Sul, empresa que atua no Subsistema Estrutural da Cidade de São Paulo na área cinco (5).

O que o engenheiro da Modine chama de “rotina diferente”, configura um desafio para o projeto. “Além de ser uma aplicação rodoviária, tem a questão da subida da serra que é uma condição que exige bastante do sistema de arrefecimento; estamos com ótimas expectativas quanto aos resultados devido aos testes preliminares que já fizemos”, diz Fernando.

Quando perguntamos ao engenheiro se o equipamento de EEC é o mesmo utilizado em ônibus urbanos, Fernando esclareceu que basicamente sim, “só tivemos que redimensionar o radiador devido à potência do motor, que é maior. Enquanto o ônibus urbano tem 260 cv, o rodoviário tem 310 cv”, explicou.

Realmente a subida de serra diária será um grande teste para o nosso sistema”, completou Fernando.

 

O ônibus da Breda, que já roda com o EEC desde ontem, quinta-feira, dia 19 de julho de 2018, faz uma linha diária de fretamento entre São Paulo até Peruíbe, percorrendo uma distância de quase 140 quilômetros a cada viagem.

Os testes de rua do EEC são necessários para avaliar o novo sistema de resfriamento elétrico do motor na aplicação real. Como explica Fernando Rodrigues, gerente sênior de engenharia da Modine, “ao colocar o retrofit do EEC em empresas que atuam em diferentes locais da capital buscamos cobrir todos as regiões e assim as diversas condições de uso na cidade”.

Agora, com o equipamento instalado num ônibus rodoviário, o teste de estrada com o veículo da Breda visa avaliar outras situações de pressão que os circuitos urbanos não oferecem.

O QUE É O EEC – ELECTRIC ENGINE COOLING

Manter o motor de um ônibus funcionando na temperatura ideal tem objetivos muito claros: afora dissipar o calor, o sistema auxilia na redução do consumo de combustível e das emissões de poluentes.

Imagine agora uma alternativa para o sistema de resfriamento do motor desse ônibus, que além de manter a temperatura ideal de funcionamento, ainda produza de imediato os seguintes efeitos: redução de 5 a 8% no consumo de combustível; menor ruído para o ambiente externo; baixo custo de manutenção; direção mais suave e, como consequência de tudo isso, uma solução ambientalmente correta.

Pois bem: já existe uma alternativa ecológica para o sistema de resfriamento dos motores de ônibus, que substitui a maneira tradicional, à base de ventiladores hidráulicos caros.

Conhecida como sistema EEC (Electric Engine Coolingsistema de Resfriamento elétrico do motor), esta nova alternativa tem como diferencial a utilização de ventiladores elétricos, que trabalham independentemente do motor, ao contrário do sistema tradicional.

A vantagem deste sistema permite que o motor do ônibus funcione na temperatura correta, resultando em ganhos já comprovados em testes: melhor eficiência de combustível, custos operacionais mais baratos e uma vida prolongada para o motor.

De uma maneira resumida estas são as principais vantagens do EEC:

= Redução do consumo de combustível entre 5% e 8% (Motor trabalha mais leve);

= Uso mais eficiente da energia graças ao melhor controle da velocidade do ventilador;

= Níveis menores de ruído;

= Possibilidade de integrar os ventiladores com o sistema CAN ou PWM, para que possam otimizar as operações antecipando situações de maior demanda de resfriamento;

= Motores 30 kg mais leves;

= Dispensa de refrigerador de óleo – necessitando de 20% menos fluxo de ar;

= Uso de ventiladores múltiplos, o que permite que o fluxo de ar seja distribuído de maneira mais uniforme em todo o radiador, aumentando o tempo de vida do equipamento.

TESTES SEGUEM – ÔNIBUS ARTICULADO SERÁ O PRÓXIMO DESAFIO

Os testes até agora já produziram resultados importantes, observados pela equipe técnica da Modine e SPAL, como também pelos frotistas, quanto ao desempenho e à economia de combustível. No caso do primeiro equipamento de EEC instalado “a economia de diesel gira em torno de 5%”, conta Fernando Rodrigues.

O mercado americano atesta o sucesso do sistema de resfriamento de motores desenvolvido pela Modine e pela SPAL. “Apesar de inédito no Brasil, já temos mais de 5 mil carros rodando no mercado dos EUA, entre ônibus comuns e articulados”, afirma o engenheiro Fernando.

Ele relata ainda que para o frotista, “além da economia de combustível, tem a questão de manutenção do sistema que é praticamente zero, pois só precisa fazer a limpeza, o que é bem simples: basta apertar um botão que reverte a rotação das hélices”.

“Outro ponto importante é o nível de ruído, que atinge em torno de 70 dB. Este diferencial está sendo um grande atrativo para as empresas, haja vista que o ruído hoje é um problema. No sistema tradicional, quando a hélice acopla, o nível de ruído pode superar os níveis regulamentados pela CETESB/SPTrans, e quando isso acontece o carro é reprovado na vistoria. Esta informação nos foi repassada pelos próprios frotistas”, relata o engenheiro da Modine.

Na questão custo/benefício, o engenheiro Fernando relata: “Para nós, até aqui, tem ficado claro que após instalar o sistema de resfriamento de motores EEC o frotista terá um payback entre 1 e 2 anos, graças à redução do consumo. Isso depende muito da aplicação, evidente, mas há ainda as outras vantagens que citamos”.

A novidade, prevista para as próximas semanas, será a instalação do sistema Electric Engine Cooling em ônibus articulados de três diferentes empresas: Cidade Dutra, Sambaíba e VIP.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Breda é a primeira empresa do País a usar nova tecnologia de resfriamento de motores em ônibus rodoviário

  1. Alguns eletrecistas já tiveram essa mesma idéia, mas nenhum patenteou a invensão. Inclusive tem alguns ônibus já a anos rodando com esse sistema de ventoinhas eletrônicas. Essa idéia foi copiada, melhorada e patenteada.

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