Nissan admite que fraudou dados de emissões de poluentes em carros fabricados no Japão

Note, veículo mais vendido da Nissan no Japão, está entre os modelos afetados pela fraude ambiental, segundo agência France Presse

Em menos de um ano este é o segundo escândalo do tipo que afeta a imagem da fabricante japonesa

ALEXANDRE PELEGI

A japonesa Nissan admitiu esta semana ter falsificado dados de emissões e de consumo de combustíveis. Segundo a fabricante, os relatórios das inspeções foram elaborados deliberadamente para alterar valores de medições reais.

As informações rodaram o mundo graças às agências internacionais de notícias, e vários jornais repercutiram o novo escândalo envolvendo a gigante automotiva japonesa. Entre os modelos afetados estão o Note (carro mais vendido da marca no Japão) e o crossover Juke.

Após a notícia vir a público o valor das ações da fabricante na Bolsa de Tóquio despencou 5%.

Esta nova revelação é um duro golpe nos esforços que a gigante automobilística japonesa vinha fazendo para recuperar a confiança do mercado. Em outubro do ano passado um escândalo já havia afetado duramente a empresa. Na ocasião a Nissan foi forçada a recolher cerca de 1,2 milhão de veículos após funcionários terem admitido que haviam realizado inspeções sem a devida autorização antes dos modelos serem enviados para as revendas.

Por conta da revelação do ano passado a Nissan perdeu uma certificação internacionalmente reconhecida – que indica a gestão de produção de veículos de qualidade – em todas as suas seis fábricas no Japão.

A empresa não informou quantos carros foram afetados pelas falsificações desta vez. O fato foi descoberto durante testes voluntários realizados nas operações da Nissan, conduzidas após o escândalo de outubro de 2017.

A empresa disse apenas que os testes de emissões de gases e economia de combustível “se desviaram do ambiente de teste prescrito“.

O “dieselgate”, escândalo mundial que primeiro chamou a atenção do mundo para fraudes ambientais na indústria automotiva, marcou a imagem da Volkswagen, após a fabricante alemã ter manipulado o software que monitorava e controlava as emissões de seus carros a diesel nos Estados Unidos. O escândalo atingiu proporções mundiais e maculou a imagem da tradicional montadora alemã, mas na sequência descobriu-se que o fato repetiu-se em outras marcas.

Relembre alguns fatos recentes:

https://diariodotransporte.com.br/2018/05/04/escandalo-do-dieselgate-ex-presidente-da-volks-e-indiciado-pela-justica-dos-eua/

https://diariodotransporte.com.br/2017/09/28/executivo-da-audi-e-preso-na-alemanha-por-causa-do-escandalo-do-dieselgate-da-volkswagen/

https://diariodotransporte.com.br/2017/08/03/eua-condenam-volkswagen-a-instalar-postos-de-recarga-de-carros-eletricos-como-castigo-por-fraude-ambiental/

https://diariodotransporte.com.br/2018/01/29/montadoras-alemas-testaram-efeitos-do-diesel-em-macacos-e-humanos/

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Carlos Santana disse:

    … E no Brasil ? Como foram conduzidas as avaliações referentes à OPACIDADE ? Falamos muito de Europa , Asia e USA . Não há evidências em nosso pobre Brasil ? Ou aqui tudo pode ?

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