Licitação de ônibus da Vila Luzita, em Santo André, vai levar em conta Estação Pirelli e Monotrilho

Secretário de mobilidade de Santo André, Edilson Facotri, e secretária adjunta, Andrea Brisida, dizem que licitação da Vila Luzita só sai depois de estudo

Suzantur permanece operando por mais um ano, pelo menos. Em entrevista ao Diário do Transporte, secretário de mobilidade de Santo André, Edilson Factori, e secretária-adjunta, Andrea Brisida, dizem que estudo para rede de transportes da cidade deve ter duas fases com licitação concluída até a primeira quinzena de maio

ADAMO BAZANI

A Suzantur pode continuar operando as 15 linhas entre troncais alimentadoras do sistema de Vilas Luzita, em Santo André, por aproximadamente mais um ano.

O secretário de mobilidade de Santo André, Edilson Factori, em entrevista exclusiva ao Diário do Transporte informou que a licitação definitiva do sistema só vai ser realizada após a conclusão de um estudo aprofundado sobre toda malha de transportes da cidade.

“Não adianta licitar um sistema tão importante antes de se ter um diagnóstico de toda a rede. A licitação que ia ser feita é baseada num modelo de rede de mais de 20 anos, totalmente defasado. Já está em andamento a licitação para classificar a empresa que vai realizar este estudo. Contando todo prazo entre concluir a licitação para esse estudo, contratar a empresa e concluir os trabalhos, demoraria o tempo suficiente de mais dois ou três contratos emergenciais novos, o que seria muito arriscado para o passageiro. Vai que haja mudança de empresa e aí teria de adaptar tudo de novo, a bilhetagem, os ônibus com porta à esquerda [para o corredor da Mario Toledo de Camargo] e GPS” – disse o secretário.

Cada contrato emergencial pode ter duração de até 180 dias.

O contrato de 180 dias com a Suzantur, assinado em outubro do ano passado, termina em 4 de abril. Inicialmente, a administração chegou a propor a possibilidade de um novo contrato emergencial, mas acabou mudando de postura. A Suzantur substitui a Expresso Guarará, que no ano passado deixou de operar por problemas financeiros.

As empresas interessadas em participar da licitação para realização do estudo técnico da rede de transportes de Santo André devem apresentar as propostas no dia 07 de abril. Os resultados devem ser conhecidos até a primeira quinzena de maio. O prazo para a entrega do estudo é julho. O cronograma, porém, pode ser mais longo, já que pode haver pedidos de impugnações por parte de concorrentes que perderam, por exemplo.

O estudo vai levar em consideração para a confecção do edital definitivo do sistema de Vila Luzita, projetos metroferroviários de longo prazo para a região, como a Estação ABC Pirelli, da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, e a linha 18 do monotrilho do ABC.

“Por mais distantes que possam parecer esses projetos, para uma concessão de transporte público municipal também temos de pensar no longo prazo e nos impactos que tanto monotrilho quanto a Estação Pirelli terão, principalmente no corredor de ônibus da Vila Luzita.” – disse o secretário.

O contrato com a vencedora da licitação do sistema de Vila Luzita também será de longa duração. A estimativa é de que seja de 15 anos, prorrogáveis por mais 15, ou seja, a empresa de ônibus ou consórcio que ganhar, pode ficar por 30 anos na região e, na visão da prefeitura, dentro desse prazo deve haver mudanças nas redes de transportes. Daí, a necessidade de um estudo que traga perspectivas também de longo prazo.

A prefeitura de Santo André propõe a realização de uma PPP – Parceria Público-Privada como alternativa para reabrir a estação Pirelli, com uma estrutura mais enxuta, em curto prazo.

Em longo prazo, porém, a estrutura deve ser ainda maior, recebendo outras ligações como a linha 14 Onix da CPTM, que faria ligação entre Santo André e a região do Aeroporto em Guarulhos, e um serviço de trem expresso, o dia todo, paralelo à linha 10 Turquesa, também da CPTM.

A estimativa é que mesmo com uma estrutura menor, a reabertura da estação Pirelli pode reduzir em até 50% a demanda da estação central de Santo André, a Estação Prefeito Celso Daniel. Isso porque, muitas pessoas da região onde ficava a estação antiga Estação Pirelli se deslocam até o Centro para seguirem viagem de trem.

Caso a estação Pirelli volte alterar na vigência do contrato de 15 anos com a empresa de ônibus que assumir as operações da Vila Luzita, poderia haver profundas alterações nas linhas municipais da região, no entendimento da prefeitura. Isso porque o corredor da Capitão Mário Toledo de Camargo sai da centralidade da Vila Luzita e vai até as proximidades da estação Pirelli. Muitas pessoas que hoje utilizam corredor com destino ao centro da cidade optariam por parar na nova estação. Assim, o desenho da rede de ônibus deveria ser alterado, o que também implicaria na remuneração e no equilíbrio econômico com a empresa de ônibus.

“Para que não haja problemas com as empresas de ônibus operadoras da Vila Luzita e se desenhe uma perspectiva de uma oferta melhor de transportes, temos de prever essa mudança ao longo do contrato” – defendeu.

O monotrilho da linha 18 bronze, que também não tem previsão certa de começar a ser construído, pode influenciar no comportamento da demanda da região da Vila Luzita.

O estudo vai analisar, por exemplo, a quantidade de viagens entre Vila Luzita e São Bernardo do Campo e vice-versa. Dependendo desse comportamento da demanda, a licitação dos ônibus da Vila Luzita pode prever um sistema de transportes entre o terminal e a linha de monotrilho pela Avenida São Bernardo.

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Ônibus da Suzantur em Santo André. Não dá para fazer grandes exigências, mas frota atual é relativamente nova.

A secretária-adjunta de mobilidade urbana, Andrea Brisida, disse que o estudo dos transportes de Santo André deve ser dividido em duas fases: uma vai focar apenas o projeto de Vila Luzita e outra toda a rede. Andrea também informou que durante o prazo da autorização a título precário da Suzantur, que é indeterminado, não será possível exigir grandes investimentos da empresa, mas haverá fiscalização por parte do poder público

“É uma autorização a título precário. O termo vezes é mal compreendido. Não significa que o serviço pode ser precário ou que não haverá uma fiscalização. Obviamente que não poderemos exigir grandes investimentos por parte da Suzantur, como a compra de ônibus novos, mesmo porque a média de idade dos ônibus hoje da empresa é baixa. Mas também não significa que não vamos estar atuantes. Há requisitos mínimos de operação a serem observados, com as mesmas exigências do contrato emergencial. Se for necessário mudar linhas, horários, colocar mais ônibus, isso será pedido. A empresa também está fazendo investimentos de acessibilidade nas estações do corredor e na manutenção do sistema” – disse Andrea.

Sobre as demais linhas de transportes da cidade, tanto o secretário de mobilidade, Edilson Factori, e a secretária-adjunta, Andrea Brisida, falaram que estão em tratativas com as empresas de ônibus do Consórcio União Santo André para a redução da idade média da frota, que já extrapolou a prevista no contrato. Os ônibus poderiam ter idade média de cinco anos, mas atualmente se aproxima de seis e há veículos com quase dez anos.

As companhias devem em 10 dias apresentarem um cronograma para renovação dos veículos.

A entrevista na íntegra você ouve aqui:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes