Ernest & Young vai fazer auditoria no sistema e licitação de corredores deve ser retomada em março, diz Tatto

ônibus
Ônibus em São Paulo. Ernest & Young vai fazer a auditoria nas planilhas de custos e tarifas da Capital Paulista. Secretário de Transportes, Jilamar Tatto, disse que licitação de 150 km de corredores de ônibus deve ser retomada em março. Foto: Adamo Bazani

Ernest & Young vence licitação para auditoria nos transportes na cidade de São Paulo
Licitação de corredores que estava parada deve ser retomada em março. Tatto comemora redução de 15% no número de reclamações dos ônibus na Capital Paulista
ADAMO BAZANI – CBN
A licitação para a construção de 150 quilômetros de corredores de ônibus na cidade de São Paulo deve ser retomada no início de março.
A previsão foi feita nesta quinta-feira, dia 13 de fevereiro de 2014, pelo secretário municipal de transportes de São Paulo, Jilmar Tatto.
A licitação, no valor de R$ 4,7 bilhões, foi suspensa em 08 de janeiro de 2014 pelo TCM – Tribunal de Contas do Município de São Paulo. Na ocasião, o presidente do Tribunal, Edson Simões, alegou que faltavam os projetos básicos e especificações técnicas como “ausência de comprovação de recursos orçamentários suficientes para arcar com os custos das obras; falta de justificativa para a realização de concorrências individualizadas para cada uma das intervenções previstas no Plano de Mobilidade Urbana; procedimento de julgamento previsto no edital restringe a competitividade de participantes do certame; ausência de justificativa para o custo unitário adotado (CPU-148), que representa 11,7 por cento do total geral dos custos do empreendimento; falta de justificativa dos coeficientes dos materiais adotados para a CPU-133 e 184”
O secretário de transportes disse que toda a documentação foi entregue na última sexta-feira, dia 07 de fevereiro de 2014.
Tatto acredita que em uma semana, se não houver impedimentos, a licitação deve ser liberada pelo TCM, sendo retomada pela prefeitura em março.
A previsão de Jilmar Tatto é que as obras devam começar até junho. Uma das principais promessas de campanha do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, é a entrega de 150 quilômetros de corredores de ônibus até 2016.
O plano, porém, contempla um total de 234 quilômetros de corredores de ônibus.
Anteriormente, a prefeitura havia anunciado que os primeiros 64 quilômetros começariam a ser construídos em março.
Entre as obras está o corredor BRT Norte-Sul que vai utilizar o canteiro central da Avenida Tiradentes, Avenida 23 de Maio, Avenida Rubem Berta, Avenida Moreira Guimarães, com uma passagem subterrânea pela Praça Campo de Bagatelle, na zona Norte, e três viadutos na região do Parque do Ibirapuera, na zona Sul de São Paulo.
Cada quilômetro do corredor que terá estações com embarque à esquerda do ônibus no mesmo nível do assoalho do veículo e sistema de pagamento de passagem antes da chegada do coletivo deve custar R$ 29 milhões.
No total devem ser gastos R$ 735 milhões para o corredor que vai ligar a região do Grajaú, na zona Sul da Capital Paulista, a Santana, na zona Norte de São Paulo, que vai receber um novo terminal de ônibus.
Serão 25,4 km de extensão com 34 estações. As obras devem ficar prontas no início de 2016.
Outro corredor que deve receber prioridade, segundo a prefeitura de São Paulo, é o que deve ligar a região de Itaquera, na zona Leste da cidade, até o centro, tendo como eixo a Radial Leste.
A previsão de término é também para 2016.
ESCOLHIDA EMPRESA QUE VAI AUDITAR PLANILHA DE CUSTOS DOS TRANSPORTES EM SÃO PAULO:
O secretário municipal de transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, também disse na manhã desta quinta-feira, dia 13 de fevereiro de 2014, que a empresa vencedora da licitação para auditoria internacional nas planilhas do sistema de ônibus e lotações na cidade, é a Ernest & Young.
Participaram da licitação também a FGV – Fundação Getúlio Vargas, Deloitte, KPMG.
Segundo Tatto, a primeira reunião entre a prefeitura e a Ernest & Young deve ser realizada já na próxima semana.
No entanto, ainda não há um prazo para o início dos trabalhos.
A conclusão da auditoria deve definir a nova licitação do sistema de transportes de São Paulo.
O certame deveria ter sido realizado no ano passado, quando venceu o prazo de dez anos dos contratos com cooperativas e empresas de ônibus assinados em 2003 depois de uma licitação do sistema. A prefeitura chegou a apresentar um modelo que determinava a divisão dos serviços operados pelas empresas em apenas três SPEs – Sociedades de Propósito Específico – e a divisão dos serviços prestados pelas cooperativas aumentaria de oito para onze ou treze lotes, de acordo com o número de garagens.
Mas depois da série de protestos em junho contra o aumento no valor das tarifas de ônibus e por melhorias nos transportes coletivos, a prefeitura voltou atrás e cancelou a licitação.
Prevista para este ano, a concorrência pública deve atrasar e pode ser concluída apenas em 2015, conforme admitiram o prefeito Fernando Haddad e o secretário Jilmar Tatto.
RECLAMAÇÕES SOBRE OS SERVIÇOS DE ÔNIBUS NA CIDADE CAEM 15%
Tatto também avaliou nesta quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014, como “altamente positiva” a queda de 15% no número de reclamações que o sistema de ônibus em São Paulo recebeu em 2013 em relação a 2012.
A SPTrans registrou em 2013, 120 mil e 058 queixas contra 141 mil 200 no ano anterior.
No entanto, as reclamações por causa da superlotação dos ônibus subiram 13%.
O secretário disse que por GPS os ônibus são fiscalizados desde quando saem das garagens e aproveitou para “cutucar” a postura da administração anterior, de Gilberto Kassab, em relação aos transportes. “Os concessionários ficaram meio largados nos últimos anos. A prefeitura pagava e eles operavam como quisessem. Não pode ser assim. Nós estamos em cima.”
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes