C40 inicia nova etapa do Mutirão Brasil com Salvador planejando 100 ônibus elétricos; programa prepara cidades para eletrificação e melhorias no transporte coletivo
Publicado em: 14 de outubro de 2026
ADAMO BAZANI
A rede internacional de cidades C40 e o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM) iniciaram uma nova etapa do programa Mutirão Brasil, voltado à preparação de projetos de mobilidade sustentável, eletrificação de ônibus e infraestrutura urbana. Uma das cidades participantes é Salvador (BA), que abriu nesta terça-feira, 13 de outubro de 2026, uma programação de atividades com representantes de organizações internacionais e do poder público municipal. A capital baiana pretende incorporar 100 ônibus elétricos em 2027, ampliando a experiência iniciada em 2022 no BRT, e contará com apoio técnico para estudar novas faixas exclusivas e preparar a expansão do transporte coletivo de baixa emissão.
O programa, desenvolvido com apoio da Bloomberg Philanthropies e participação de parceiros técnicos, procura enfrentar dificuldades que se tornaram evidentes à medida que cidades brasileiras passaram a substituir ônibus a diesel por elétricos. Entre os desafios estão a disponibilidade de energia nas garagens, a implantação de carregadores, o financiamento dos veículos, a adaptação dos corredores, a estruturação de contratos e a capacidade das prefeituras de transformar metas ambientais em operações regulares de transporte. A experiência de São Paulo, que chegou a 2.009 ônibus elétricos em setembro, mas reconheceu dificuldades para manter o ritmo de implantação por limitações na distribuição de energia, mostra a importância de preparar a infraestrutura juntamente com a aquisição das frotas.
O Mutirão Brasil também contempla projetos de mobilidade ativa, requalificação viária, segurança no trânsito, adaptação climática, gestão de resíduos e instrumentos de planejamento e financiamento ambiental.
O programa foi estruturado no contexto da mobilização climática brasileira e da articulação entre administrações municipais, governos estaduais, Governo Federal e organizações internacionais. A Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) participa da iniciativa, que utiliza assistência técnica especializada para ajudar as cidades a desenvolver projetos e buscar condições para sua execução.
Na frente de eletromobilidade, os trabalhos estão inseridos em um ciclo de projetos de 2025 a 2027. A C40 prevê apoio à modelagem técnica e econômica, preparação de licitações e acesso a financiamento. O Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT) atua como parceiro técnico, contribuindo com estudos para os projetos selecionados.
Salvador quer 100 ônibus elétricos em 2027 e inicia programação com a C40
A Prefeitura de Salvador iniciou na terça-feira (13) as atividades locais do Mutirão Brasil, com programação prevista até sexta-feira (16).
O encontro envolve representantes da administração municipal e das organizações internacionais em discussões sobre transporte coletivo, mobilidade ativa, ações climáticas e gestão de resíduos.
Na abertura, foi instalado o Comitê de Governança Climática de Salvador, instituído por decreto municipal para coordenar a atuação das diferentes secretarias e acompanhar as políticas ambientais da cidade.
O secretário municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal, Ivan Euler, afirmou que o transporte é o principal responsável pelas emissões de gases de efeito estufa em Salvador, segundo o inventário municipal.
A expansão dos ônibus elétricos está entre as medidas propostas pela administração municipal para reduzir essas emissões.
O secretário afirmou que a Prefeitura trabalha com a perspectiva de chegar a 100 ônibus elétricos em 2027.
A meta está relacionada ao projeto de ampliação da eletrificação do BRT, acompanhado pelo Diário do Transporte desde os primeiros veículos e das negociações com instituições de financiamento.
O município também está revisando o Plano Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas, elaborado em 2020. A expectativa apresentada por Ivan Euler é concluir uma versão revisada em dezembro de 2026, antes da realização de audiência pública.
O planejamento climático estabelece como objetivo alcançar a neutralidade de carbono até 2049.
Outra frente do Mutirão Brasil em Salvador envolve o aproveitamento de resíduos orgânicos da Feira de São Joaquim. A programação inclui visitas e estudos para organizar a coleta e a compostagem desses materiais, reduzindo seu encaminhamento aos aterros sanitários.
Compra de 100 ônibus e investimento de US$ 94 milhões já estavam nos planos de Salvador
Em 18 de agosto de 2026, o Diário do Transporte mostrou que a Prefeitura de Salvador havia intensificado as negociações com o Banco Mundial para uma operação de crédito de US$ 94 milhões, destinada à aquisição de aproximadamente 100 ônibus elétricos e à preparação da infraestrutura necessária à ampliação do BRT.
O projeto contempla a compra de veículos, inclusive articulados, intervenções na infraestrutura de recarga e melhorias nas condições de acesso às estações.
Na ocasião, representantes da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) e do Banco Mundial discutiram cronogramas, aspectos técnicos, questões orçamentárias e as etapas da contratação.
A operação dependia da autorização do Senado Federal para a assinatura do contrato de financiamento.
Os novos ônibus são planejados tanto para substituir parte da frota existente quanto para atender à ampliação do BRT em regiões ainda não alcançadas pelo sistema.
Entre as ligações previstas está a conexão entre a Estação Pirajá e a Orla, utilizando corredores e avenidas importantes para os deslocamentos da população.
O planejamento também envolve os eixos das avenidas Gal Costa, Pinto de Aguiar, Anita Garibaldi e Milton Santos, com possibilidades de atendimento a regiões como Itapuã, São Cristóvão, São Marcos, Pau da Lima, Sussuarana, Novo Horizonte, Aeroporto e Barra.
Os ônibus articulados são importantes nesse planejamento porque permitem transportar mais passageiros por viagem, característica especialmente relevante em corredores de maior demanda.
A articulação com o Mutirão Brasil pode contribuir para o desenvolvimento das condições operacionais necessárias a essa expansão.
Em documento técnico publicado em junho de 2026, a própria C40 já havia incluído Salvador em um processo de contratação de estudos para implantação de novas faixas exclusivas destinadas ao transporte coletivo, considerando a operação de ônibus elétricos.
Esse trabalho prevê pesquisas de tráfego, simulações da circulação dos veículos e capacitação de profissionais municipais, de maneira a apoiar a definição dos corredores que receberão o transporte coletivo eletrificado.
Relembre a reportagem de 18 de agosto de 2026:
Eletrificação de Salvador começou em 2022 com ônibus de tecnologia brasileira
A ampliação pretendida pela capital baiana tem como ponto de partida a experiência dos oito ônibus elétricos que começaram a ser incorporados ao BRT em 2022.
Os veículos utilizam tecnologia de integração elétrica desenvolvida pela Eletra Industrial, fabricante brasileira localizada em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
São ônibus de 12,5 metros, com carroceria Caio eMillennium, plataforma Mercedes-Benz O500 U de piso baixo e sistemas elétricos com componentes da WEG.
A primeira unidade foi apresentada em 30 de setembro de 2022, pouco antes do início da operação assistida dos trechos 1 e 3 do BRT.
Com capacidade para 72 passageiros, os ônibus possuem portas dos dois lados, ar-condicionado e recursos de acessibilidade.
O projeto também envolveu a preparação de um eletroterminal nas proximidades da Estação Rodoviária, inicialmente planejado com 20 pontos de recarga e investimento estimado em pouco mais de R$ 9 milhões.
Essa estrutura permitiu que Salvador começasse a acumular experiência na operação diária dos elétricos, incluindo consumo de energia, recarga, autonomia, manutenção e disponibilidade dos veículos.
A cidade também realizou testes com outras configurações e fabricantes.
Em setembro de 2024, por exemplo, foi testado um articulado elétrico com capacidade superior a 150 passageiros.
Em 2025, um Mercedes-Benz eO500 U elétrico passou aproximadamente 30 dias em avaliação na linha B1 do BRT, entre a Rodoviária e a Pituba.
Uma pesquisa QualiÔnibus, desenvolvida pelo WRI Brasil, identificou que 80% dos passageiros consultados apoiavam a ampliação da frota elétrica de Salvador.
A experiência ajuda a explicar por que o programa da C40 trata a eletrificação como parte de uma transformação mais ampla do transporte coletivo. Além da escolha dos veículos, são necessários estudos de demanda, definição dos itinerários, planejamento das recargas, preparação dos terminais e compatibilidade entre a infraestrutura disponível e as exigências da operação.
C40 prepara estudos para aproximadamente 30 quilômetros de corredores em Salvador
Os documentos técnicos do Mutirão Brasil detalham como a assistência internacional poderá contribuir para a expansão dos ônibus elétricos da capital baiana.
Em junho de 2026, a C40 publicou uma solicitação de propostas para contratar estudos de implantação de faixas exclusivas, incluindo a operação de ônibus elétricos em novos trechos do sistema BRS.
O planejamento envolve aproximadamente 30 quilômetros de vias, considerando as futuras linhas B6 e B7.
A proposta prevê comparar as condições atuais do trânsito com diferentes configurações de circulação dos ônibus, incluindo operação mista de veículos elétricos e a diesel e implantação de faixas exclusivas.
Para isso, o trabalho técnico estabelece a realização de contagens de veículos, levantamento das características do tráfego e simulações que permitam estimar os efeitos das mudanças.
Uma das exigências é utilizar imagens de 12 câmeras da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) e realizar contagens em pelo menos 27 pontos estratégicos.
As pesquisas presenciais devem abranger seis horas por dia, durante três dias típicos, com registros dos movimentos de veículos a cada 15 minutos.
Os resultados serão utilizados em simulações pelo programa PTV Vissim, uma ferramenta empregada no planejamento de sistemas viários.
Entre os indicadores que deverão ser avaliados estão o tempo das viagens, as velocidades médias, a formação de filas, o consumo de combustível e as emissões atmosféricas.
O trabalho também prevê capacitação de 20 horas para até seis profissionais indicados pela Secretaria Municipal de Mobilidade.
A previsão original do edital é entregar o relatório consolidado até 15 de dezembro de 2026.
A proposta demonstra uma preocupação que vai além da troca de tecnologia dos motores. Um ônibus elétrico permanece sujeito aos congestionamentos quando circula nas mesmas condições de um coletivo convencional.
A implantação de faixas exclusivas pode melhorar a regularidade das viagens, reduzir o tempo de percurso e permitir maior utilização de cada veículo ao longo do dia. Para os operadores, essas condições também influenciam o consumo energético, a autonomia necessária e a programação das recargas.
São Paulo ultrapassou 2 mil ônibus elétricos, mas dificuldades na rede de energia mostram importância do planejamento
Uma das principais referências brasileiras para a ampliação da eletromobilidade é São Paulo, que possui a maior frota de ônibus elétricos do País e acumulou experiências técnicas, operacionais e financeiras ao longo da implantação dessa tecnologia.
Em 30 de setembro de 2026, a Prefeitura apresentou mais 250 ônibus elétricos, elevando a frota municipal para 2.009 veículos dessa modalidade, incluindo trólebus.
A quantidade representa aproximadamente 15% dos mais de 13 mil ônibus do sistema municipal.
Mesmo com essa expansão, o processo enfrenta dificuldades.
Nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, o Diário do Transporte mostrou que a própria administração municipal reconheceu uma redução temporária no ritmo de implantação de novos ônibus elétricos, relacionada principalmente às condições de fornecimento de energia e à infraestrutura de recarga.
A informação consta de registro de reunião sobre políticas climáticas publicado no Diário Oficial da Cidade de São Paulo.
Durante a apresentação, o coordenador-geral das políticas de mudanças climáticas, Alessandro Bender, da Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas, explicou que a necessidade de adequações na rede de energia representa um dos principais obstáculos para ampliar a frota.
O problema aparece especialmente nas garagens.
A substituição de dezenas ou centenas de ônibus a diesel por elétricos altera as necessidades de abastecimento de energia das instalações.
Além dos carregadores, podem ser necessários transformadores, subestações, adequações na distribuição interna de eletricidade e obras na rede externa.
Essas intervenções dependem de investimentos, prazos técnicos, projetos de engenharia e coordenação com a concessionária responsável pela distribuição de energia.
A disponibilidade de potência também precisa considerar os horários de retorno dos ônibus às garagens.
Se muitos veículos precisarem ser carregados simultaneamente, a demanda elétrica pode superar a capacidade disponível naquele ponto da rede.
As consequências operacionais podem atingir a programação das viagens, a quantidade de ônibus disponíveis para circular e o cumprimento das obrigações das concessionárias.
São aspectos que precisam ser considerados ainda na preparação dos investimentos.
A experiência paulista também demonstra a necessidade de compatibilizar os cronogramas de fabricação e entrega dos veículos com os prazos de preparação das garagens.
A capacidade de produção da indústria, a disponibilidade de financiamento e as obras de infraestrutura precisam acompanhar o mesmo planejamento.
O aprendizado é especialmente relevante para municípios que pretendem sair de projetos iniciais com poucos ônibus elétricos e alcançar frotas com dezenas ou centenas de unidades.
Em São Paulo, mesmo com os resultados alcançados, a administração municipal estabeleceu como meta chegar a 3.300 ônibus elétricos até o encerramento da atual gestão, em 2028.
Considerando o balanço de setembro de 2026, faltam 1.291 veículos para alcançar esse objetivo.
Outro aspecto da experiência paulista é o financiamento das operadoras.
A compra de ônibus elétricos envolve valores superiores aos de veículos convencionais a diesel e depende de mecanismos financeiros capazes de distribuir os investimentos ao longo do período de operação.
As condições de crédito, a remuneração contratual, a segurança jurídica e a situação econômico-financeira das empresas também influenciam a velocidade da renovação.
O Diário do Transporte acompanha as preocupações do setor financeiro decorrentes das investigações sobre possível infiltração do crime organizado em empresas de ônibus da capital paulista, envolvendo suspeitas relacionadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Esse cenário acrescenta uma questão de integridade e segurança financeira ao processo de renovação da frota.
O conjunto de experiências de São Paulo pode servir de referência para outras administrações municipais, tanto pelas soluções implantadas quanto pelas dificuldades encontradas durante o crescimento da operação.
Relembre a reportagem publicada nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026:
Ricardo Nunes foi homenageado pela C40 durante entrega de 250 ônibus elétricos
A participação de São Paulo na agenda internacional de eletromobilidade também foi reconhecida pela própria C40.
Durante a entrega dos 250 ônibus elétricos, realizada em 30 de setembro de 2026, na Zona Norte da capital paulista, o prefeito Ricardo Nunes recebeu uma homenagem da organização internacional.
O reconhecimento destacou a atuação municipal em políticas climáticas, incluindo eletrificação de veículos, orçamento climático e iniciativas voltadas à redução de emissões.
A homenagem ocorreu no evento que marcou a superação de 2 mil ônibus elétricos na cidade.
Na ocasião, a Prefeitura também mencionou a participação da C40 na estruturação de iniciativas de eletromobilidade, incluindo o programa ZEBRA, voltado à aceleração da adoção de ônibus de emissão zero na América Latina.
A experiência de São Paulo ocupa posição relevante no cenário internacional. Em agosto de 2026, a C40 e o Conselho Internacional de Transporte Limpo anunciaram que a América Latina havia alcançado 10 mil ônibus elétricos em operação, considerando mais de 80 cidades de 13 países.
São Paulo figurava como a segunda maior operação de ônibus elétricos da região, atrás do conjunto das cidades chilenas.
A dimensão da frota paulista também contribui para o desenvolvimento de fornecedores e fabricantes, com efeitos sobre a produção nacional de ônibus, componentes elétricos, carregadores e serviços especializados.
Ao mesmo tempo, as limitações identificadas ao longo do processo fornecem informações que podem ser utilizadas por municípios em fases anteriores de eletrificação.
O planejamento antecipado da rede elétrica, por exemplo, pode evitar que ônibus já adquiridos tenham sua entrada em operação condicionada a intervenções ainda pendentes nas instalações.
Belo Horizonte também participa do Mutirão Brasil com projeto voltado à recarga
A capital mineira é outro exemplo de como o programa pode apoiar a preparação da infraestrutura necessária para ampliar o número de ônibus elétricos.
Em março de 2026, a Prefeitura de Belo Horizonte anunciou que havia sido selecionada para o Mutirão Brasil com o projeto de assessoria técnica para fiscalização da implantação da infraestrutura de recarga da frota.
A seleção foi anunciada durante uma reunião da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos, realizada em Curitiba (PR).
O trabalho está relacionado à preparação e ao acompanhamento técnico da infraestrutura necessária para operar os veículos.
Belo Horizonte possui um projeto de aquisição de 100 ônibus elétricos, com investimento contratado de aproximadamente R$ 307,68 milhões e previsão de fornecimento ao longo de 20 meses.
A preparação da recarga constitui parte importante dessa transição, especialmente para que a disponibilidade de energia e dos equipamentos acompanhe a entrada dos veículos na operação.
O projeto de Belo Horizonte e a experiência de São Paulo mostram duas etapas complementares da eletrificação: o planejamento da infraestrutura antes da ampliação e a necessidade de resolver problemas técnicos que aparecem quando a frota cresce.
Mutirão Brasil também contempla Belém, Contagem, Maranguape e Serra
O termo de referência da C40, datado de 13 de outubro de 2026, detalha outra frente do programa, dedicada à mobilidade sustentável e à adaptação climática.
Nessa modalidade estão contempladas cinco cidades: Belém (PA), Contagem (MG), Maranguape (CE), Salvador (BA) e Serra (ES).
Os municípios receberão apoio para desenvolver intervenções em áreas prioritárias, com projetos de melhoria dos deslocamentos a pé e de bicicleta, acesso ao transporte coletivo, segurança viária e adaptação dos espaços urbanos às mudanças climáticas.
O documento estabelece que o WRI Brasil atua como parceiro técnico, participando da capacitação das equipes municipais, da elaboração das soluções viárias e do acompanhamento dos projetos.
O termo de referência apresentado nesta semana trata especificamente da contratação de consultoria para preparar projetos básicos e orçamentos de intervenções em Maranguape e Serra.
São iniciativas diferentes da aquisição de ônibus elétricos, mas que integram a mesma estratégia de preparação das cidades para a mobilidade sustentável.
Maranguape terá projeto para 2,7 quilômetros de vias ligando parques e equipamentos públicos
Em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza (CE), a iniciativa recebeu o nome de Entre Parques.
O projeto prevê a criação de corredores de mobilidade ativa para conectar parques, áreas verdes e equipamentos públicos por meio de trajetos com infraestrutura para pedestres e ciclistas.
O trecho piloto possui 2,7 quilômetros e compreende a Avenida Doutor Stênio Gomes e as ruas Chico Anísio e Capitão Jeová Colares.
A intervenção foi selecionada pela conexão entre o centro urbano e os parques municipais, além da proximidade de unidades de saúde, escolas e da rodoviária.
Entre as melhorias previstas estão requalificação das vias, implantação de infraestrutura cicloviária, padronização de calçadas, arborização e soluções para adaptação às condições climáticas.
Também está planejada uma intervenção experimental no entorno da Escola Francisca Gomes Fernandes Vieira, com modificações temporárias no espaço urbano para avaliar soluções antes da implantação definitiva.
Esse tipo de experiência permite observar o comportamento de pedestres, ciclistas e motoristas e verificar a adequação das mudanças propostas.
Serra terá melhorias em avenida de 2,1 quilômetros e acesso ao transporte coletivo
Em Serra, no Espírito Santo, o projeto recebeu o nome de Corredores Climáticos do Cotidiano.
A intervenção contempla uma área dos bairros Feu Rosa e Vila Nova de Colares, caracterizada pela presença de comunidades que dependem dos deslocamentos a pé, de bicicleta e de transporte coletivo.
O trecho selecionado é a Avenida Colares Júnior, principal via de Vila Nova de Colares, com aproximadamente 2,1 quilômetros de extensão.
O projeto pretende melhorar as condições de circulação e acesso a escolas, praças e outros equipamentos públicos.
Também estão previstas infraestrutura cicloviária, soluções de arborização e adaptação climática e a transformação da circulação viária em um sistema binário com a Rua Iguatemi.
O termo de referência estabelece que o projeto deverá considerar as exigências do Fundo Cidades, do Governo do Espírito Santo.
Além da segurança no trânsito, o planejamento deverá levar em conta problemas associados a chuvas intensas, altas temperaturas e condições de acessibilidade.
Projetos de Maranguape e Serra poderão receber até US$ 90 mil para elaboração técnica
A C40 abriu a seleção de uma consultoria especializada para preparar os projetos básicos das intervenções em Maranguape e Serra.
O orçamento máximo estabelecido é de US$ 90 mil para o conjunto dos serviços nas duas cidades.
O valor corresponde à contratação de estudos, desenhos técnicos, especificações e orçamentos, e não ao custo previsto para a execução das obras.
A consultoria deverá desenvolver projetos geométricos, sinalização, calçadas, ciclovias, soluções de drenagem e arborização, além de identificar interferências com redes de energia e outros elementos da infraestrutura urbana.
As soluções deverão observar as normas brasileiras de acessibilidade e segurança viária.
O contrato terá duração inicial até abril de 2027, com prazo de 165 dias após a assinatura para entrega das últimas representações gráficas dos projetos.
A C40 prevê que a contratação seja formalizada na primeira quinzena de novembro de 2026.
As empresas interessadas deverão apresentar propostas até 23 de outubro de 2026.
O termo também prevê projetos com orçamento detalhado, de maneira que as prefeituras tenham condições de buscar recursos e preparar futuras contratações das obras.
Projetos devem considerar acessibilidade, segurança e mudanças climáticas
Outra característica do Mutirão Brasil é a exigência de integrar o planejamento de transportes às condições de segurança e acessibilidade.
Os projetos deverão considerar as necessidades de crianças, idosos, mulheres, pessoas com deficiência e usuários com mobilidade reduzida.
As intervenções também precisam observar as condições de circulação de pedestres e ciclistas, com atenção especial às proximidades de escolas, unidades de saúde e equipamentos públicos.
Na área ambiental, o termo de referência prevê a avaliação de soluções como jardins de chuva, biovaletas, canteiros pluviais, pavimentos permeáveis e arborização.
Esses recursos podem contribuir para o escoamento das águas, a redução das temperaturas e a melhoria das condições de circulação, especialmente em cidades expostas a períodos de chuvas intensas e calor.
As propostas serão analisadas pelas equipes municipais, pelo WRI Brasil e pela C40, com etapas de validação antes da conclusão dos projetos.
O programa estabelece ainda participação da população, com atividades de escuta e avaliação das necessidades locais.
Em Maranguape, as equipes já iniciaram atividades com crianças da região do projeto.
Em Serra, foram realizadas consultas em escolas e uma atividade em praça pública, incluindo fechamento temporário de uma via e coleta de opiniões dos moradores sobre as condições de circulação.
Planejamento da infraestrutura pode determinar a velocidade da eletrificação dos ônibus brasileiros
A ampliação dos projetos da C40 no Brasil ocorre em um momento no qual diferentes administrações municipais passaram a incorporar ônibus elétricos em maior quantidade.
O crescimento do mercado envolve fabricantes de ônibus, fornecedores de baterias, sistemas de tração e equipamentos de recarga, empresas operadoras, distribuidoras de energia, instituições financeiras e gestores públicos.
Para os fabricantes, a continuidade dos investimentos depende de encomendas e de cronogramas capazes de sustentar a produção.
Para as empresas de ônibus, a transição envolve a aquisição dos veículos, a preparação das garagens, a capacitação das equipes de manutenção e a organização das recargas.
Para as prefeituras, o desafio inclui a definição das metas, o financiamento, a estruturação dos contratos e a coordenação das intervenções necessárias à operação.
A disponibilidade de energia precisa ser avaliada de acordo com as características das linhas, a quantidade de ônibus, as distâncias percorridas, a autonomia dos veículos e os períodos reservados para carregamento.
A tecnologia também influencia o dimensionamento das operações. Ônibus convencionais, articulados e superarticulados podem apresentar diferentes necessidades de energia e capacidades de transporte.
A melhoria da infraestrutura viária constitui outra parte desse planejamento, porque a prioridade para o transporte coletivo permite transportar mais passageiros com maior regularidade e aproveitar melhor a frota disponível.
A experiência de São Paulo mostra que uma cidade pode alcançar resultados expressivos na substituição dos veículos e, ao mesmo tempo, enfrentar dificuldades para continuar ampliando a operação.
Salvador procura aumentar uma frota ainda pequena, aproveitando os testes e a infraestrutura preparados desde 2022, enquanto Belo Horizonte busca apoio especializado para acompanhar a implantação dos sistemas de recarga.
Os diferentes estágios dessas cidades mostram como a assistência técnica e a troca de experiências podem contribuir para evitar problemas, reduzir riscos e preparar investimentos.
O Mutirão Brasil reúne parte dessas atividades ao apoiar administrações municipais na elaboração de estudos, no planejamento da infraestrutura e na preparação de projetos que poderão receber financiamento.
A efetiva expansão dos ônibus elétricos dependerá da execução das intervenções, da contratação dos veículos, da disponibilidade dos recursos financeiros e da capacidade de colocar as novas frotas em circulação regular.
Para os passageiros, os resultados deverão ser percebidos na qualidade do serviço, na regularidade das viagens, na acessibilidade, na redução do ruído e das emissões locais e na melhoria das condições de deslocamento pelas cidades.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


