Eletromobilidade

Transwolff testa novos modelos de ônibus elétricos a zona Sul da cidade de São Paulo

Veículos fazem trajeto entre a Unisa e o Terminal Santo Amaro; um dos modelos é de 15 metros de comprimento

ADAMO BAZANI

A empresa Transwolff, que atende a parte das linhas municipais na zona Sul da capital paulista, testa nesta semana três novos modelos de ônibus elétricos com vistas a ampliação da frota de veículos não poluentes, exigida pela atual versão da Lei de Mudanças Climáticas e prevista nos contratos das viações com a prefeitura, assinados em setembro de 2019.

Uma das unidades, rodando há mais tempo, opera com passageiros, é do tipo padron com chassi Mercedes-Benz O 500 U, de biso baixo, carroceria Caio Millennium Geração IV, e tecnologia de integração Eletra.

Os outros dois veículos, que começaram nesta semana, são um Mercedes-Benz e-O500 U padron de piso baixo, e um Scania de 15 metros de comprimento e três eixos, sendo, portanto, maior que os demais que variam entre 12 metros e 13 metros, com tecnologia Eletra. Ambos também possuem carroceria Caio Millennium da quarta geração.

Os modelos do tipo padron podem transportar 80 pessoas e o padron 15 metros, cerca de 100 pessoas.

Estes dois veículos circulam sem passageiros, com galões para simular o peso de uma lotação de pessoas.

Todos os ônibus, tanto a unidade que roda com passageiros como os outros dois, circulam no trajeto da linha 6030-10 UNISA-Campus 1 / Terminal Santo Amaro.

A Transwolff é a única empresa que opera com passageiros na cidade ônibus, elétricos com baterias até o momento.

São 18 unidades com tecnologia e chassis BYD, fabricadas em Campinas, no interior de São Paulo.

Tanto Scania, como Mercedes-Benz e Eletra possuem plantas na cidade de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

A encarroçadora Caio está localizada em Botucatu, também no interior de São Paulo.

A escolha da linha 6030-10 teve como um dos motivos comparar o desempenho destes novos modelos com os ônibus elétricos que já estão em circulação.

Os três ônibus seguem os padrões exigidos pela SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora das linhas municipais da capital paulista, e possuem itens como ar-condicionado, vidros colados, wi-fi para internet grátis aos passageiros, tomadas USB para carregadores de celulares e acessibilidade por meio de rampas móveis.

Os demais ônibus elétricos da BYD em circulação também possuem estes itens.

PROIBIÇÃO DE ÔNIBUS A DIESEL:

No dia 14 de outubro de 2022, a SPTrans encaminhou uma circular às empresas de ônibus proibindo a inclusão de modelos a óleo diesel na cidade a partir de 17 de outubro de 2022, ou seja, apenas três dias depois do envio do documento.

O Diário do Transporte trouxe o documento em primeira-mão no dia 15 de outubro de 2022.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/10/16/sptrans-proibe-inclusao-de-onibus-novos-a-diesel-na-cidade-de-sao-paulo-a-partir-de-segunda-17-veja-o-documento-confirmado-oficialmente/

O Ministério Público de São Paulo instaurou uma investigação para entender melhor por que a proibição se deu por uma “mera” circular que sequer tinha o nome de um responsável, apenas de um departamento da SPTrans.

O promotor Paulo Destro também quis saber o motivo de a prefeitura proibir a inclusão de ônibus a diesel já que os contratos com as empresas e a Lei de Mudanças Climáticas não fala em proibição de diesel, apenas em metas gradativas de redução de poluição até que em 2038 nenhum ônibus emita CO2. Não há exigência quanto à tecnologia.

Outra dúvida é por que a circular foi tão repentina, dando três dias apenas para as empresas desistirem das compras de ônibus novos a diesel, além do fato de esta circular nem ter sido de conhecimento do COMFROTA – Comitê Gestor do Programa de Acompanhamento da Substituição de Frota por Alternativas Mais Limpas, da Secretaria de Mudanças Climáticas.

O COMFROTA que deve monitorar a alteração dos ônibus e o cumprimento de metas de redução de poluição.

Entretanto, a gestão do prefeito Ricardo Nunes conseguiu ao menos temporariamente suspender a investigação ao recorrer para o Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) contra as apurações.

O recurso ainda está em análise.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/11/18/gestao-ricardo-nunes-entra-com-recurso-e-e-suspensa-investigacao-do-mp-sobre-proibicao-de-onibus-a-diesel-e-subsidios-na-cidade-de-sao-paulo/

PROMESSA DE 2,6 MIL ÔNIBUS ELÉTRICOS ATÉ O FIM DE 2024

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes tem citado em várias oportunidades a promessa de que até o fim de 2024, a capital paulista terá ao menos 2,6 mil ônibus elétricos operando nas linhas municipais.

Empresas de ônibus apontam algumas dificuldades, como infraestrutura nas garagens, tempo de recarga e autonomia das baterias, além do custo de aquisição que pode ser até o triplo em comparação a um modelo do mesmo porte a diesel.

O diretor de Operações da SPTrans, Wagner Chagas Alves, disse em novembro de 2021, durante a apresentação de um novo modelo de ônibus elétrico, que a gestão estuda alternativas para as viações atenderem a meta e o leasing é uma delas.

“Questão do leasing está aventada como outras opções. Por enquanto, não risco de atraso de ter os 2600, pois a meta contratual não pode ser desconsiderada”

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/11/sptrans-estuda-leasing-para-onibus-eletricos-testes-com-modelo-higer-vao-durar-seis-meses/

Segundo a prefeitura, o programa de metas prevê que 20% da frota seja composta por ônibus elétricos até o fim de 2024, como parte das ações municipais para cumprimento da Lei de Mudanças Climáticas, que prevê a redução da emissão de gás carbônico fóssil em 50% até 2028 e a erradicação deste tipo de poluente até 2038.

Os contratos com as empresas de ônibus, assinados em setembro de 2019, também preveem uma frota menos poluente, mas não estipula a tecnologia que os coletivos devem ter, trazendo metas anuais de redução de poluição.

Estas metas, inclusive, foram suspensas entre 2020 e 2022 por causa da pandemia de covid-19, que afetou a demanda de passageiros e o ritmo de atividades das indústrias de veículos.

MENOS DE 2% DE ÔNIBUS ELÉTRICOS:

Atualmente, de acordo com os indicadores da SPTrans, a cidade de São Paulo tem uma frota contratada de 13.806 ônibus de diferentes portes.

Apenas 219 são não poluentes na operação, ou seja, menos de 2%; sendo 19 elétricos à bateria, operados pela Transwolff na zona Sul; e 201 trólebus (conectados à rede área), da Ambiental Transportes (Consórcio TransVida), que ligam a zona leste ao centro e parte das zonas Oeste e Sudeste.

CORREDORES:

Como mostrou o Diário do Transporte, em 05 de novembro de 2021, durante anúncio de parceria do Estado de São Paulo e da Prefeitura em investimentos em mobilidade, o prefeito Ricardo Nunes e o então governador João Doria disseram que os novos corredores de ônibus da cidade serão servidos apenas por modelos elétricos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/06/ouca-novos-corredores-de-onibus-de-sao-paulo-serao-operados-com-onibus-eletricos-diz-doria/

O Plano de Mobilidade Urbana da Cidade prevê 27 obras que totalizam mais de R$ 5,5 bilhões, entre a implantação de 11 novos corredores de ônibus, o que representa mais de 95 km de novas vias, 30 km de requalificação de corredores já existentes, além da construção de quatro novos terminais.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/05/prefeitura-de-sao-paulo-anuncia-brts-e-corredores-de-onibus-dentro-de-pacote-de-mobilidade-que-soma-r-55-bilhoes/

CENÁRIO DA INDÚSTRIA:

Apesar de os veículos elétricos também serem impactados pela falta de insumos e equipamentos, como também ocorre com automóveis a combustão, a demanda pelos modelos não poluentes tem aumentado.

No Brasil, já existem opções de produtos em plena atividade, algumas que apresentarão modelos e outras que estão se estabelecendo (por ordem alfabética):

BYD: Indústria de origem chinesa, com planta em Campinas (SP), que fabrica ônibus elétricos de diversos portes: micros, padrons e articulados, além de rodoviários, produzindo as baterias, tecnologia e chassis. Está entre as maiores produtoras mundiais na área de mobilidade elétrica e produz também no Brasil placas de energia solar. Existem diversas cidades que operam com ônibus BYD no Brasil, inclusive São Paulo.

CaetanoBus: A empresa portuguesa CaetanoBus trouxe para testes no sistema de transportes da cidade de São Paulo o chassi e.CC 100 C5845 E.E, 100% elétrico. O modelo recebeu carroceria Caio, de produção brasileira. O e.CC 100 pode ser receber carrocerias de comprimento mínimo de 9.5 metros e máximo de 12.7metros.

Eletra: Indústria 100% nacional, do Grupo ABC/Next Mobilidade, com planta em São Bernardo do Campo (SP). A empresa foi inaugurada oficialmente no dia 22 de agosto de 2000. Faz toda a integração e tecnologia para ônibus elétricos à bateria, trólebus, híbridos (motores elétricos e à combustão no mesmo veículo), Dual Bus (mais de um tipo de tração elétrica em mesmo ônibus, por exemplo: trólebus+baterias ou baterias+híbridos). Não produz os chassis e baterias. O BRT-ABC, entre São Bernardo do Campo e São Paulo, é uma concessão à Next Mobilidade terá ônibus 100% elétricos de 22 metros cada com tecnologia Eletra, chassis Mercedes-Benz e carroceria Caio. A Eletra anunciou para 2022 cinco tipos de ônibus elétricos para carrocerias com 10 m, 12,5 m, 12, 8 m ,15 m e 21,5 m. Ainda em 2022, para o BRT-ABC, a Eletra anunciou também o E-Trol, um veículo de 21,5 metros, com chassi Mercedes-Benz, que em parte do trajeto vai operar como trolébus e em outra parte, como ônibus elétrico a bateria. De acordo com presidente da Eletra, Milena Braga Romano, o corredor terá trechos com rede aérea como a dos trolébus. Enquanto estiver operando nesses trechos, o veículo carrega as baterias. Nos trechos sem a rede aérea, o funcionamento é com o banco de baterias já carregado.

Segundo a diretora comercial da Eletra, Ieda Oliveira, entre as vantagens é que não haverá necessidade de carregamento dos ônibus nas garagens, dispensando as caras estruturas de recarga.

Higer: Empresa de origem chinesa que apresentou um modelo elétrico de ônibus padron neste mês de novembro de 2021 na capital paulista. Um modelo de 12 metros de comprimento está sendo testado e passou por cidades como São Paulo, Rio de Janeiros, Curitiba e São José dos Campos. Diz que trará ao Brasil também vans, ônibus articulados elétricos. Apresentou também um ônibus de fretamento com baterias. Os modelos são monoblocos (chassi, motores e carroceria formando um bloco só).

Marcopolo: Tradicional fabricante de carrocerias de Caxias do Sul (RS), testou em parceria com a empresa Suzantur, operadora de transportes de Santo André (SP), um ônibus 100% elétrico, projeto integral da Marcopolo. O modelo é padron com piso baixo. O veículo circulou sem passageiros entre o Terminal Vila Luzita (bairro populoso de Santo André) e o terminal principal da cidade no centro (Terminal Santo André Oeste). Já homologado, o modelo está sendo comercializado.

Mercedes-Benz: A gigante alemã lançou em 25 de agosto de 2021 o chassi de ônibus elétricos eO500U, de piso baixo, para carrocerias de até 13,2 metros, justamente os padrões de São Paulo. O modelo será produzido em São Bernardo do Campo (SP) e em 2022 já serão vistas as primeiras unidades. Para a capital paulista, já há um mercado previsto para ser iniciado com cerca de 150 unidades com carroceria Caio.  A empresa planeja lançar em breve ônibus articulados e superarticulados.

Volvo: A gigante sueca produz em Curitiba (PR) um modelo de ônibus elétrico híbrido. O ônibus tem um motor a combustão, que gera energia, e o elétrico que atua na maior parte da tração. A tecnologia é híbrida paralela, quando o ônibus está parado, freia e até 20 km/h a atuação é do motor elétrico. A partir de 20 km/h, entra em operação o motor a combustão. Há unidades em circulação em Curitiba, Foz do Iguaçu e Santo André (Suzantur), por exemplo. Em agosto de 2022, a Volvo apresentou seu primeiro chassi de ônibus totalmente elétrico para exibição no Brasil, o BZL. Não havia até então previsão de o veículo ser comercializado no Brasil. Com zero emissões, o Volvo BZL pode ser equipado com 3 a 5 baterias de lítio níquel cobalto óxido de alumínio (NCA) de 94kWh cada, dependendo da aplicação a que for destinado

Scania: Não descarta a produção de elétricos, mas investe na tecnologia de ônibus a gás natural e biometano.

Volkswagen: Em 2018, a Volkswagen apresentou um modelo de médio porte elétrico, o e-Flex com um sistema pode aliar diferentes formas de recarga e abastecimento para ônibus elétricos. Um pequeno motor à combustão gera energia para o elétrico, sendo um propulsor 1.4 turbinado flex de 150 cv de potência. Em novembro de 2018, a montadora prometeu que o modelo já estaria nas ruas em seis meses, o que não aconteceu. Um ano antes, em 2017, a Volkswagen anunciou que a partir do chassi do caminhão 100% elétrico e-Delivery, desenvolveria um micro-ônibus de 11 toneladas elétrico, o que ainda não se concretizou.

Iveco: Em agosto de 2022, a Iveco apresentou um modelo a gás natural/biometano, o 17.210G, para carrocerias de até 12 metros. O ônibus possui seis cilindros a gás, 80 litros cada um, que oferece autonomia de 250 quilômetros. Foi mostrado, mas não para o mercado nacional, apenas como conceito, ônibus elétrico Iveco E WAY, de 20 toneladas.

O modelo, é um monobloco de 12 metros, piso baixo total, com oito packs de bateria. A autonomia é de 300 quilômetros, aproximadamente.

O elétrico não será comercializado, inicialmente, no Brasil e a Iveco pretende oferecer para o mercado brasileiro chassi elétrico para encarroçamento de fabricantes locais.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rinaldo Oliveira de Santana disse:

    A transwollf. Esta de parabéns

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