Teste de trem usado da CPTM (série 7.500) em trecho da linha 8 faz parte de projeto de melhoria, diz ViaMobilidade

Extensão entre Amador Bueno e Itapevi era atendida por modelo mais antigo (5400) dos anos 1970

ADAMO BAZANI/WILLIAN MOREIRA

Começou a operar no fim desta semana a título de testes no trecho entre as estações Amador Bueno-Itapevi, da linha 8-Diamante, um trem com quatro carros (nome correto para vagões) usado da CPTM série 7500.

Já entre Itapevi e Júlio Prestes, o trecho maior e com mais demanda, o serviço é feito com trens de oito carros.

O trecho Amador Bueno-Itapevi, que faz parte de um dos extremos da linha, tem 6,3 km da extensão, e não há cobrança de tarifa nele.

A CPTM operava no serviço a série 5400, que é resultado da modernização da serie 5000, cujos trens foram produzidos entre 1970 e 1980.

Já a série 7500 foi produzida entre os anos de 2010 e 2011.

Como faz parte do contrato de concessão, os trens atualmente usados pela ViaMobilidade são da CPTM e deverão ser devolvidos na medida em que forem chegando os trens zero quilômetro comprados pela concessionária. As entregas devem começar em 2023.

Por meio de nota ao Diário do Transporte, a ViaMobilidade informou que os testes da série 7500 neste trecho da linha 8-Diamante fazem parte dos planos de melhorias do atendimento.

A ViaMobilidade tem investido continuamente em melhorias para prestar um serviço cada vez mais eficiente aos seus passageiros. Isso inclui, entre outras ações, testes em todos os sistemas e nos trens – como o que está sendo realizado em um trem da série 7.500 na Linha 8-Diamante (trecho entre as estações Amador Bueno-Itapevi) -, manutenção no sistema de energia, sinalização, telecom, estações. Com base nesses dados e resultados, a concessionária tem planejado as melhorias a serem feitas nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda ao longo dos próximos 30 anos de concessão

Como vem mostrado o Diário do Transporte, as linhas 8 e 9 desde que a ViaMobilidade assumiu de forma única as operações, têm apresentando uma série de problemas.

Houve até mesmo a batida de um trem contra a plataforma na Estação Júlio Prestes da linha 8 e a morte de um funcionário de manutenção eletrocutado na linha 9, ambos casos ocorridos em 10 de março de 2022.

O MP (Ministério Público) investiga os maus serviços e a falta de informações aos passageiros em tempo real em caso de problemas.

Os promotores apuram também uma ajuda, prevista em um acordo emergencial mediado pela STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos), da CPTM para a ViaMobilidade que prevê uso de materiais e conhecimento da estatal, além da utilização para a linha 8 das plataformas 3 e 4 da Estação Barra Funda.

Este aluguel das plataformas também é alvo das apurações.

O valor é de R$ 40,7 mil (R$ 40.779,09) por mês pelas plataformas e mais R$ 14 mil (R$ 14.001,57) por um mezanino da Estação Barra Funda.

Os promotores querem saber se este valor é compatível com a realidade do mercado ou se “a bondade” do Estado para com a ViaMobilidade foi demais.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/07/15/mp-vai-investigar-se-aluguel-de-r-407-mil-pago-pela-viamobilidade-a-cptm-por-plataforma-e-compativel-com-valores-reais-de-mercado/

O cronograma da ajuda foi:

– 26 de maio de 2022: A STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) anuncia o acordo para a CPTM ajudar a ViaMobilidade. Na ocasião, o Governo do Estado de São Paulo não falou de valores, de prazos e nem detalhou os equipamentos. Também foi anunciado que a ViaMobilidade, para a operação da linha 8 poderia usar mais duas plataformas na estação Barra Funda (as de número 3 e 4)

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/05/26/governo-de-sp-e-viamobilidade-definem-acoes-para-melhorar-linhas-8-e-9-cptm-cede-plataformas-3-e-4-da-estacao-barra-funda/

– 27 de maio de 2022: O Diário do Transporte questionou se esta ajuda teria custo imediato zero para a ViaMobilidade e se a concessionária teria de devolver estas peças. No dia, foi informado somente por telefone pela STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) que o custo seria zero. A pasta somente informou que a ViaMobilidade teria de devolver as peças.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/05/27/pecas-e-equipamentos-da-cptm-terao-custo-zero-agora-para-a-viamobilidade-confirma-stm/

Somente neste sábado, 04 de junho de 2022, com a repercussão da matéria do convênio é que a pasta informou ao Diário do Transporte que haveria cobrança.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/06/04/em-primeira-mao-viamobilidade-pagara-r-5-milhoes-a-cptm-por-ajuda-e-mais-r-25-mil-pelo-uso-de-mais-duas-plataformas-na-barra-funda-por-cinco-anos/

– 30 de maio de 2022: Após ouvir o membro da Comissão de Monitoramento de Concessões e Permissões da Secretaria dos Transportes Metropolitanos, Paulo Shibuya, o promotor Silvio Antônio Marques declarou que o Ministério Público queira saber dos detalhes dessa ajuda. Mesmo interrogando Shibuya e, anteriormente, representantes da CPTM e da ViaMobilidade, nenhuma explicação foi dada aos promotores.

“Nós também queremos chamar a CPTM, porque a CPTM disponibilizou na semana passada para a empresa uma plataforma na estação Barra-Funda e ainda equipamentos sem aparentemente, nenhuma contrapartida para a CPTM. Uma empresa que não estava cumprindo as obrigações, ainda recebeu ajuda do Estado sem contraprestação.” – disse o promotor Silvio Marques no dia 30 de junho de 2022.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/06/04/em-primeira-mao-viamobilidade-pagara-r-5-milhoes-a-cptm-por-ajuda-e-mais-r-25-mil-pelo-uso-de-mais-duas-plataformas-na-barra-funda-por-cinco-anos/

– 04 de junho de 2022: Somente depois de dias do anúncio da ajuda (26/05/22), de a STM ter informado por telefone custo zero imediato desse apoio da CPTM à ViaMobilidade (27/05/22), de o promotor Silvio Antônio Marques ter declarado que pediria esclarecimentos sobre este acordo (30/05/22) é que a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) publicou em Diário Oficial o valor de R$ 5 milhões pelos equipamentos e apoio técnico. O valor pelo uso das plataformas não foi publicado, apenas a quantia de R$ 25,7 mil por espaços já usados pela concessionária na Estação Barra Funda, sem especificar estes espaços.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/06/04/em-primeira-mao-viamobilidade-pagara-r-5-milhoes-a-cptm-por-ajuda-e-mais-r-25-mil-pelo-uso-de-mais-duas-plataformas-na-barra-funda-por-cinco-anos/

Diário do Transporte fez cinco questões básicas para a STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos), CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e a concessionária ViaMobilidade, que pertence ao gigante de concessões Grupo CCR e ao Grupo RuasInvest, da família Ruas, que controla parte do transporte coletivo por ônibus na capital paulista.

1) Por que só agora, 4 de junho de 2022, que publicam esse extrato de convênio? O anúncio foi em 24 de maio e ele entrou em vigor no dia 30 com o uso das plataformas da Barra-Funda

2) Por que a Secretaria dos Transportes Metropolitanos fala no dia 27 que não teria cobrança, não menciona valores, só fala apenas em reposição e agora sai este valor?

3) No dia 04 de junho sai um extrato que traz a data de 27 de janeiro?

4) R$ 5 milhões em cinco anos não é um valor baixo? Peças, mão de obra, serviços relacionados a ferrovias são caros demais. Estes R$ 5 milhões englobam o que?

5) É “coincidência” esse extrato sair justamente depois de o MP ter declarado que quer mais explicações sobre essa ajuda da CPTM à ViaMobilidade?

A ViaMobilidade não respondeu.

A STM respondeu apenas o seguinte:

A Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) preza pela transparência ao cidadão de todos os atos e ações necessárias para a melhoria do transporte público no Estado. Por isso, divulgou recentemente à imprensa e aos cidadãos paulistas todas as medidas que julgou necessárias tomar a fim de aumentar a qualidade do serviço prestado nas Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, concedidas à iniciativa privada. Naturalmente, os trâmites subsequentes foram realizados o mais rápido possível.

Em nenhum momento, a STM afirmou que não haveria custo para as peças, equipamentos e infraestrutura da CPTM para a ViaMobilidade. O convênio publicado no Diário Oficial do Estado deste sábado (4) permite eventuais planos de trabalho e prestações de serviço pela CPTM em toda a operação, com valor de até R$ 5 milhões por prazo de 5 anos e pode ser aditado. O item relativo à estação Barra Funda se refere a espaços já usados pela concessionária. Para as plataformas 3 e 4, há previsão de um termo de permissão de uso pela ViaMobilidade mediante aluguel em valor a definir.

Diário do Transporte lamenta que desde sábado passado a ViaMobilidade (CCR/RuasInvest) não respondeu, mas deixa o espaço aberto, como sempre.

– 12 de julho de 2022: O Ministério Público do Estado de São Paulo declarou que quer saber se é compatível com os valores de mercado o aluguel mensal pago pela ViaMobilidade à CPTM no valor R$ 40,7 mil (R$ 40.779,09) para o uso as plataformas 3 e 4 da estação Barra Funda para a linha 8-Diamante, uma das medidas para tentar reduzir os problemas que os passageiros enfrentam diariamente com os serviços da concessionária.

A empresa privada ainda tem de pagar R$ 14 mil (R$ 14.001,57) para a estatal pelo uso de um mezanino no local. O valor também é investigado pelo MP.

Os dados fazem parte da resposta da estatal aos questionamentos feitos pelos promotores Silvio Antônio Marques e Luiz Ambra Neto, do Ministério Público de São Paulo, que investigam os maus serviços prestados pela concessionária dos grupos Ruas e CCR.

O Diário do Transporte teve acesso ao ofício de resposta.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2022/07/15/mp-vai-investigar-se-aluguel-de-r-407-mil-pago-pela-viamobilidade-a-cptm-por-plataforma-e-compativel-com-valores-reais-de-mercado/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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