Passageiros relatam queda no sistema do TOP na manhã desta sexta (03)

FOTO ARQUIVO - ILUSTRATIVA

Segundo relatos em redes sociais e recebidos pelo Diário do Transporte, usuários não conseguem usar o QR Code

ADAMO BAZANI/WILLIAN MOREIRA

O sistema de leitura do QR Code do TOP, a nova bilhetagem dos transportes metropolitanos, ficou inoperante em diversas estações de trens da CPTM, Metrô e nos ônibus do sistema EMTU na manhã desta sexta-feira, 03 de dezembro de 2021.

Pelo menos é o que apontam diversos relatos em redes sociais, grupos de transportes no WhatsApp e recebidos diretamente pelo Diário do Transporte.

Os usuários dizem que os validadores não fizeram a leitura dos bilhetes em papel ou virtuais no celular do QR Code do TOP.

Entre as estações relatadas então Piqueri, Jabaquara, Mauá, Santana, São Bento, Santo André, Brás, Tietê, entre Metrô e CPTM.

O Diário do Transporte procurou a STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) que informou que houve uma instabilidade momentânea pela manhã e que o problema foi resolvido.

FALTA DE PAPEL:

A reportagem mostrou que nos últimos dias, o problema foi a falta de papel nos totens que imprimem o QRCode.

Entre as estações apontadas pelos passageiros, estão Sapopemba, Itaquera, Tietê e Osasco.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/12/02/passageiros-voltam-a-relatar-falta-de-papel-para-imprimir-o-qr-code-do-top-em-estacoes-de-trem-metro-e-monotrilho/

SALDO DO BOM COM O GOVERNO E EMPRESAS DE TRANSPORTES

Ministério Público que questionou a STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) sobre os saldos residuais que vão sobrar no Cartão BOM, que será descontinuado, e não poderão ser transferidos para o TOP, novo cartão dos ônibus do sistema EMTU e nos trilhos: CPTM e Metrô.

O promotor da Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital Paulista, Luiz Ambra Neto, instaurou um PPIC (Procedimento Preparatório de Inquérito Civil) com uma série de questionamentos sobre a mudança de cartões, em especial sobre o saldo residual que cada BOM pode ter e não será transferido para o TOP e nem será usado nos ônibus e trens, apesar de serem valores já pagos pelos passageiros.

A partir de janeiro de 2022, o Cartão BOM não poderá ser mais carregado, o saldo pode ser usado até o final. Entretanto, como não haverá transferência de saldo do BOM para o TOP, as sobras que ficarem no BOM e não forem suficientes para pagar uma passagem inteira poderão ser perdidas pelos passageiros, ficando nos bolsos do Governo do Estado de São Paulo e com as operadoras dos sistemas de trilhos e de ônibus. Na prática, é quase impossível zerar o Cartão BOM em muitos casos.

Em cada cartão, devem sobrar valores baixos, entre alguns centavos e R$ 4, R$ 5. Mas somados todos os milhões de cartões BOM que existem, os valores serão milionários.

Tudo dinheiro já pago diretamente pelo passageiro na modalidade Comum do BOM ou pelo empregador que comprou o Vale-Transporte do funcionário.

Ouça e entrevista em:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/26/entrevista-mp-entra-no-caso-da-mudanca-do-bom-para-o-top-e-cobra-da-gestao-doria-explicacoes-sobre-residual-que-pode-ser-perdido-por-passageiros/

Entidades de defesa do consumidor criticaram o fato de o Governo do Estado ficar com estes residuais por não haver transferência de saldo entre cartões, ainda mais porque tanto o BOM como o TOP são administrados pela mesma empresa, a Autopass.

O coordenador de mobilidade do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), Rafael Calábria, disse em entrevista ao Diário do Transporte que o ato é uma prática abusiva que que o passageiro não deve pagar por uma escolha do Governo do Estado em trocar o Cartão.

“O usuário não pode ter um ônus para continuar tendo acesso à bilhetagem porque o Governo do Estado decidiu mudar o bilhete. O que se espera é que o Governo do Estado dê transparência a este ponto da mudança, atenda a cada uma das pessoas e proceda eletronicamente uma transferência. O acesso ao dinheiro que é da pessoa é garantido por lei. “ – disse Calábria.

“É uma questão relevante sim. Podem ser valores pequenos por cartões, mas somando, no total é um valor grande” – complementou

Já o Procon, em nota ao Diário do Transporte, voltou a defender que o passageiro do transporte metropolitano não pode perder um centavo sequer no processo de descontinuidade do Cartão BOM e entrada de um novo bilhete, o TOP, a ser usado no Metrô, CPTM e ônibus do sistema EMTU.

Os créditos existentes no cartão BOM terão que ser esgotados, não pode haver cancelamento sem que eles sejam utilizados qualquer que seja o pretexto.

Sendo criado um novo cartão os créditos devem ser passados para o novo cartão ou o cartão anterior deve ser mantido com o usuário até o esgotamento dos créditos existentes.

Um abaixo-assinado virtual endereçado ao governador de São Paulo, João Doria, pede que a gestão estadual encontre uma forma para que sejam transferidos os créditos do Cartão BOM para o Cartão TOP nos transportes metropolitanos: ônibus do sistema EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), Metrô e CPTM.

O endereço da petição é:  https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR121457

FRAUDES:

Em 30 de novembro de 2021, uma operadora de telemarketing de 24 anos, foi presa em flagrante por estelionato na Avenida Brasil, no Parque das Américas, em Mauá. Policiais civis atenderam a ocorrência e localizaram a autora – ela havia acabado de imprimir 40 bilhetes de transporte sem ter efetuado o pagamento de nenhum deles. Os tickets e um cartão bancário foram apreendidos. O caso foi registrado pelo 1º Distrito Policial do município, que requisitou perícia aos institutos Médico Legal (IML) e de Criminalística (IC).

Foi o segundo caso de investigação de fraude da nova bilhetagem eletrônica lançada pelo governador João Doria para os transportes metropolitanos: ônibus EMTU, Metrô e CPTM.

Como mostrou o Diário do Transporte, um suspeito foi detido em 21 de novembro de 2021 nas proximidades da estação Mauá da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

A Polícia Civil obteve informações de que golpistas estariam nas máquinas de QR Code do TOP nas estações de CPTM e Metrô e terminais de ônibus fazendo um procedimento que permite a impressão dos códigos com o cancelamento da compra posteriormente, ou seja, conseguem imprimir, mas não pagam nada.

Segundo a Polícia, diversos destes bilhetes passaram normalmente nas catracas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/11/25/policia-identifica-esquema-de-fraude-com-o-qr-code-do-top-dos-transportes-metropolitanos-de-sao-paulo/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. rebU disse:

    Top é só o nome!
    Outro problema envolve quem necessita se cadastrar para receber o vale-transporte, o aplicativo não completa o cadastro e volta ao início do cadastramento, enquanto a empresa não resolve o problema o fim do prazo para a mudança do cartão vale-transporte se aproxima, 31/12/2021.

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