Rio de Janeiro anuncia licitação para bilhetagem eletrônica dos transportes públicos e prevê fim do uso de dinheiro

Secretária de Transportes, Maína Celidônio, em apresentação

Edital será lançado em agosto; Uma das exigências é que empresa possibilite pagamento das passagens com celulares, pix, QR code e a aquisição mensal antecipada

ADAMO BAZANI

A prefeitura do Rio de Janeiro apresentou nesta quarta-feira, 21 de julho de 2021, o novo modelo de bilhetagem eletrônica que deve ser implantada no sistema de transportes da cidade após uma licitação.

Serão realizadas duas audiências públicas, uma na Câmara Municipal em 12 de agosto de 2021, e outra de forma virtual no dia 16 de agosto.

A estimativa é que o edital seja lançado em 30 de agosto de 2021.

O contrato será de dez anos e vencerá a empresa que oferecer a maior outorga.

Uma das exigências é que empresa possibilite pagamento das passagens com celulares, pix, QR code e a aquisição mensal antecipada.

Segundo a secretária de Transportes, Maína Celidônio, o objetivo é que a prefeitura seja uma espécie de “Banco Central” da bilhetagem, recebendo e repassando os recursos às empresas de ônibus e VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), com controle em tempo real da entrada das receitas.

O Metrô e a SuperVia também poderão acompanhar estes dados por causa das integrações.

O dinheiro dos créditos não usados poderá ser resgatado a qualquer momento pelos passageiros.

O primeiro validador em cada veículo será de graça, sejam nos cabritinhos, vans, ônibus e VLTs.

A manutenção dos equipamentos será de responsabilidade da empresa de tecnologia.

O modelo de naming rights e publicidade no aplicativo de bilhetagem eletrônica também será usado.

Naming rights permite que o nome do patrocinador “batize” por um tempo determinado bens, equipamentos e serviços públicos.

A taxa de administração do sistema será a mesma para todos os operadores.

Haverá uma Câmara de Compensação Tarifária, com o dinheiro indo para a prefeitura que fará a distribuição aos operadores.

Será estipulado um prazo de três meses para transição do sistema após a assinatura do contrato.

O número de postos de atendimento presencial vai subir dos atuais um posto para cada 7,5 mil habitantes, para um posto a cada 5 mil e, posteriormente, um posto para cada 2,5 mil moradores.

Outro ponto é o fim do uso do dinheiro nos ônibus, acabando com a dupla função e a atividade do cobrador, o que, pela proposta da prefeitura, deve ocorrer em um ano e meio após a implantação do nosso sistema.

A bilhetagem será usada nos ônibus, vans, metrô, BRT e trens e, posteriormente, no Bike Rio e Táxi Rio.

Por meio de nota, a Riocard, atual operadora do sistema de bilhetagem eletrônica dos transportes, disse que todas as informações do sistema são transparentes e os pontos anunciados como novidades pela prefeitura já integram a tecnologia de cobrança de passagens.

A Riocard esclarece que as propostas apresentadas pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) para a licitação do sistema de bilhetagem eletrônica já são realidade para os clientes que utilizam o transporte público na cidade do Rio. Diferentemente do que foi exposto, a Riocard mantém um fluxo transparente de informações sobre a operação das empresas de transporte, que são enviadas diariamente para análise da Prefeitura. Com esses dados, o governo municipal tem todas as condições de planejar a mobilidade da cidade do Rio.

A Riocard também foi surpreendida pelo desconhecimento da SMTR sobre as regras vigentes em relação aos créditos de transportes não utilizados pelos passageiros. Por decisão judicial, desde maio de 2019, o saldo remanescente permanece com os usuários e não se deve falar na sua utilização para financiar a mobilidade urbana.

É importante lembrar que o sistema de bilhetagem eletrônica é operado de modo legítimo, transparente e eficiente pela empresa Riocard, que realiza diariamente, mesmo na pandemia, mais de quatro milhões de viagens, assegurando a qualidade da mobilidade urbana da população que utiliza o transporte público em todo o Estado. O cartão Riocard Mais é o único aceito em todos os meios de transporte, estando disponível para uso em 43 municípios, sem que haja repasse dos custos de operação aos clientes. Um modelo de operação multimodal que torna única a experiência dos passageiros no Rio de Janeiro.

Desde 2004, quando foi instituída a bilhetagem eletrônica pela Lei Estadual 4.291, a Riocard tem evoluído constantemente para o melhor atendimento dos seus clientes, desenvolvendo soluções técnicas inovadoras e alinhadas às novas tendências de pagamento eletrônico. Nos últimos 17 anos, a empresa vem demonstrando extrema competência na implantação e no gerenciamento da bilhetagem eletrônica, criando um sistema com a participação de todos os concessionários e permissionários de transporte.

De lá para cá, a Riocard se tornou cada vez mais relevante para o desenvolvimento da mobilidade urbana. Pelo menos 60% das viagens em transporte público são realizadas diariamente com o cartão Riocard Mais. Os avanços na forma de pagamento foram significativos.  É possível utilizar o próprio celular para comprar e validar créditos de transporte com o Cartão Digital. Ou fazer recargas com cartões de débito e crédito ou via Pix. Ou mesmo optar por chaveiros e pulseiras como dispositivos de pagamento. Em caso de dúvidas, basta falar com o Tomais, o assistente virtual da Riocard Mais, que atende também por Whatsapp. Se estiver em deslocamento, pode utilizar um dos 500 equipamentos de recarga instalados no transporte público, um dos 920 pontos de recarga em bancas de jornal, farmácias, supermercados e comércio em geral ou procurar uma das 23 lojas em todo o Estado.

Vale ressaltar ainda que o cartão Riocard Mais é o único que permite a adoção de políticas públicas associadas à tarifa de transporte, como o Bilhete Único Intermunicipal, que beneficia mais de um milhão de passageiros.

Veja parte da apresentação da prefeitura:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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