ÁUDIO: Paes diz que não fará aportes financeiros a empresas de ônibus, mas reconhece que viações estão em crise

Eduardo Paes em apresentação sobre bilhetagem eletrônica

Prefeito também descartou intervenção no sistema de ônibus comuns igual fez com BRT

ADAMO BAZANI

Colaborou Willian Moreira

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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse nesta quarta-feira, 21 de julho de 2021, que reconhece que as empresas de ônibus na cidade estão “quebrando”, mas que não fará aportes financeiros para socorrê-las.

O motivo, de acordo com Paes, é que hoje não há transparência nos dados das receitas do sistema de transportes.

A declaração foi feita durante a apresentação das linhas gerais do novo modelo de bilhetagem eletrônica que deve ser implantada no sistema de transportes da cidade após uma licitação.

Como mostrou o Diário do Transporte, uma das exigências é que empresa possibilite pagamento das passagens com celulares, pix, QR code e a aquisição mensal antecipada. É previsto também o fim do uso do dinheiro nos ônibus em cerca de um ano e meio após a assinatura do contrato.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/07/21/rio-de-janeiro-anuncia-licitacao-para-bilhetagem-eletronica-dos-transportes-publicos-e-preve-fim-do-uso-de-dinheiro/

Segundo Paes, a situação dos transportes no Rio de Janeiro não vai ter uma melhora significativa em curto prazo

“Hoje está claro que as empresas estão deficitárias, várias delas quebrando, pedindo recuperação judicial. Adoraria ter um sistema transparente que permitisse a prefeitura hoje aportar recursos nas empresas, obviamente não farei.  Isto faz com que o sistema continue deficiente. Assumimos o BRT, mas você não compra BRT na prateleira, não sai comprando BRT, não tem BRT para alugar. Então é um esforço grande, mas que de novo, no seu ponto de vista jurídico, sob o ponto de vista legal, processos complexos de modelagem, depois de modelagem, processos licitatórios, contratos a serem assinados, implementação desse serviço, portanto infelizmente a gente ainda vai ver por um tempo, cenas na nossa cidade que são cenas que nenhum de nós quer continuar vendo. Ter ônibus superlotados ou simplesmente sem encontrar ônibus nas ruas.” – disse.

O prefeito também descartou que vai fazer uma intervenção em todo o sistema de ônibus comuns como fez com o BRT (Bus Rapid Transit).

O Diário do Transporte vem mostrando que recorrentemente empresas de ônibus do Rio de Janeiro tem fechado as portas ou pedido recuperação judicial.

Duas empresas pararam de operar e outras nove tentam escapar da falência.

A situação das empresas de ônibus no momento é:

FECHADAS SEM CONSEGUIR TENTAR RECUPERAÇÃO JUDICIAL:

RIO DE JANEIRO (CAPITAL):

Acari;

Estrela;

 

EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL;

 

RIO DE JANEIRO (CAPITAL)

Penha-Rio;

Campo Grande;

Real;

Expresso Pégaso;

VG;

Palmares;

Pavunense;

Paranapuan;

Transportes Vila Isabel;

Em nota, o Rio Ônibus, que reúne as viações, reafirmou a necessidade do que chamou de “suporte econômico” ao sistema de transportes.

Todas as iniciativas para retomar a qualidade do setor de ônibus, afetado em cheio pela pandemia, são importantes e urgentes . Porém, a apresentação da SMTR não sinaliza prazos ou cronogramas para, de fato, dar suporte econômico necessário aos consórcios para que tenham condições de oferecer um serviço de qualidade, como o próprio Prefeito informou.
Apenas durante a pandemia, duas empresas fecharam, nove passaram a operar em regime de recuperação judicial e sete mil rodoviários foram demitidos, além de perda de arrecadação de R$1,5 bilhão.
Sobre modificações no sistema de bilhetagem eletrônica, o Rio Ônibus esclarece que a apresentação abordou apenas aspectos conceituais e precisa receber detalhamentos mais técnicos acerca da proposta do Município, para poder se manifestar, ressaltando, porém, que não há uma caixa preta, já que os dados são disponibilizados na forma contratual à Secretaria.
“Como dito por Eduardo Paes, o sistema é deficitário e demanda investimento de recursos públicos. O que reafirmamos é a urgência do setor em receber esse apoio. Não há como aguardar mais 12 meses sem que nada seja feito. O auxílio ao setor não pode depender da Bilhetagem. São assuntos diferentes” afirmou Paulo Valente, porta-voz do Rio Ônibus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. José disse:

    Porque não faz uma licitação aberta pra grandes e pequenas empresas
    Por linhas não por essa palhaçada de consórcio.

  2. brunorodrigues90 disse:

    Muito mimimi da Rio Ônibus e empresários. Passaram todo o período da licitação chorando miséria. Se não desse lucro todos eles teriam entregue as linhas. Vale lembrar que essa licitação foi feita pelo Paes assim como o BRT.

    O cara que desmantelou tudo vai ser o cara que vai arrumar a lambança que fez?

    Todo o sistema deveria ser encapado até acertarem a modelagem. Depois abria pra licitação por produtividade/qualidade e não mais por passageiro.

  3. Alfredo disse:

    Paes, volte com a CTC, quem sabe o prefeito de São Paulo faz o mesmo e volta com a CMTC

  4. carlos souza disse:

    Ele fez a cagada e quer posar de salvador da pátria?O problema do RJ é 100% de ordem ética e moral.Ou seja não tem legitimidade nenhuma.Extingue tudo e fica só um eterníssimo buraco.Vão pra froothy@ kee p@rew.

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