Greve do Metrô de São Paulo é adiada e nesta quinta (1º) todas as linhas funcionarão

Categoria quer que Companhia do Metropolitano cumpra decisão do TRT que determinou reajuste de 7,79% nos salários e benefícios

ADAMO BAZANI

Todas as linhas do Metrô de São Paulo e o monotrilho da linha 15-Prata vão funcionar nesta quinta-feira, 1º de julho de 2021.

Em assembleia virtual encerrada após às 21h desta quarta-feira, 30 de junho de 2021, os metroviários decidiram adiar a greve que tinha sido anunciada para este dia 1º.

Os metroviários reclamam que o Metrô ainda não aplicou o reajuste de 7,79% nos salários e benefícios determinados pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho) em dissídio coletivo no dia 02 de junho de 2021.

O Sindicato divulgou nota da decisão.

A categoria, em assembleia on-line na noite de 30/6, suspendeu a greve marcada para 1º/7. E decidiu retomar o Estado de Greve. O Metrô ainda não cumpriu tudo o que foi prometido. E não há motivos para acreditar em tudo que a empresa afirma. Continuaremos mobilizados.

Em audiência realizada hoje (30/6) no TRT, o Sindicato cobrou a devolução dos valores descontados dos trabalhadores da Manutenção. O Sindicato enviará uma carta e a empresa terá cinco dias para responder ao questionamento. Os descontos significaram o rompimento de Cláusula de Paz firmado entre Sindicato e Metrô em audiência no TRT.

O uso dos coletes será suspenso. Vamos todos usar adesivos. Temos de permanecer alertas. Doria e direção do Metrô já deram provas de que não são confiáveis.

A assembleia também aprovou a continuidade da luta pela sede do Sindicato. Várias atividades estão confirmadas na sede. E no dia 3/7 os metroviários participarão de um grande ato pelo Fora, Bolsonaro, na avenida Paulista. Fora, canalha!

Como mostrou o Diário do Transporte, a Companhia do Metrô de São Paulo no dia 21 de junho de 2021, comunicou que vai cumprir em julho a decisão.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/06/21/metro-de-sp-avisa-a-funcionarios-que-vai-cumprir-determinacao-do-trt-de-reajuste-de-779/

Os metroviários querem ainda que não sejam descontados os salários dos trabalhadores da manutenção.

O Metrô tentou no TST (Tribunal Superior do Trabalho) suspender a decisão do TRT Paulista, mas em 17 de junho de 2021, a ministra-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, extinguiu a ação sem resolução de mérito por entender que o Metrô usou via judicial inadequada.

É flagrante a inadequação da via eleita, já que a medida de suspensão não é o instrumento processual adequado para obter a suspensão dos efeitos de decisão normativa (Dissídio Coletivo), sobretudo diante da constatação de que não houve sequer a interposição do respectivo Recurso Ordinário. A pretensão de obter efeito suspensivo a Recurso Ordinário que sequer foi interposto no Dissídio Coletivo principal não se coaduna com a via estreita das medidas de segurança. Ante o exposto, diante da flagrante inadequação da via eleita, julgo extinto o processo sem resolução de mérito, com fundamento no art. 485, VI, do CPC/2015. – diz trecho da decisão

Como mostrou o Diário do Transporte, o julgamento ocorreu no dia 02 de junho de 2021.

A categoria fez uma greve no dia 19 de maio de 2021, o que causou transtornos nos deslocamentos na capital paulista, provocando superlotação em ônibus, mesmo durante a pandemia de covid-19 quando uma das principais recomendações das autoridades de saúde é não criar condições para aglomerações.

No julgamento, por decisão unânime, com 11 votos a zero, o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) determinou os seguintes pontos:

– Reajuste de 7,79% sobre todas as cláusulas econômicas, incluindo salários e tickets (vale reeleição e vale alimentação)

– Redução Temporária do Adicional Noturno para 40% por seis meses

– Redução Temporária do Adicional de Férias para 60% por seis meses

– Congelamento por um ano da gratificação por tempo de serviço

– Abono salarial de R$ 2295 a ser pago em 31 de janeiro de 2022

– Pagamento da Segunda Parcela da PR (Participação nos Resultados) sem a especificação de valor

– Não abusividade da greve que ocorreu no dia 19 de maio de 2021, o que na prática garante que os trabalhadores não sejam demitidos e nem tenham descontos pelas horas de greve.

O acordo vale para os filiados ao Sindicato dos Metroviários.

Já para os empregados filiados ao Sindicato dos Engenheiros, que aceitou proposta do Metrô e não levou a campanha salarial ao dissídio coletivos, os reajustes serão:

– 2,61% sobre salários, vale-alimentação e vale-refeição a partir de janeiro de 2022, não retroativo.

– Pagamento do abono salarial em 31 de março de 2022, equivalente aos salários normativos atuais dos metroviários.

– 60% de adicional de férias, sendo R$ 2.295,06 como parcela fixa e mais 0,6 vezes a diferença entre o salário nominal e a parcela fixa.

– Adicional noturno de 35% sobre o salário base

– Pagamento da segunda parcela Participação de Resultados de 2019 em 31 de janeiro de 2022, mediante formalização de acordo.

– Pagamento da gratificação por tempo de serviço aos empregados que completaram o quinto ano de vigência do vínculo empregatício até 30 de abril de 2021. Para os que já receberam a gratificação, não haverá o acréscimo de 1% a cada ano que vier a ser completado. Já para os empregados com menos de cinco anos até 30 de abril de 2021 será paga a gratificação de acordo com os anos de vínculo empregatício de forma proporcional.

SEDE DO SINDICATO:

Outro ponto de desentendimento entre Sindicato dos Metroviários e a empresa é sobre o imóvel usado como sede da entidade trabalhista desde 1990.

Como mostrou o Diário do Transporte, em 24 de junho de 2021, atendendo a ação do Metrô, a juíza Luiza Barros Rozas Verotti, da 13ª Vara de Fazenda Pública determinou a reintegração de posse do imóvel.

A juíza determinou ainda que pode ser usada força policial.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/06/24/justica-atende-gestao-doria-e-determina-reintegracao-de-posse-de-imovel-utilizado-pelo-sindicato-dos-metroviarios-de-sao-paulo/

A Companhia de Metrô de São Paulo entregou ao Sindicato dos Metroviários uma espécie de “ultimato” para que a entidade trabalhista deixe o prédio que utiliza na Rua Serra do Japi, na região do Tatuapé, zona Leste da capital paulista, desde dezembro de 1990.

Um ofício assinado pelo gerente de Recursos e Infraestrutura do Metrô, Paulo Luiz Bafini, dá o prazo de até 23 de junho de 2021, às 10h para que a entidade trabalhista deixe o local.

No documento, datado de quinta-feira, 17 de junho de 2021, o Metrô diz ainda que todas as benfeitorias e melhorias no prédio que foram feiras pelo Sindicato não podem ser retiradas do imóvel.

O local pertence ao Metrô e tinha sido cedido ao sindicato, mas a gestão do governador João Doria decidiu se desfazer de imóveis do Metrô que não são ligados diretamente à operação ou à gestão das linhas e incluiu a sede do Sindicato.

A alegação é buscar recursos além das tarifas pagas pelos passageiros.

Como mostrou o Diário do Transporte, em 28 de maio de 2021, o terreno onde está o sindicato foi leiloado pela companhia, que recebeu proposta de R$ 14,4 milhões da UNI 28 SPE Ltda, representada por Juliana Gomes Rocha Bouvier, arquiteta Coordenadora de Ciência Urbana e Novos Negócios na Porte Engenharia e Urbanismo.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/05/28/terreno-da-sede-do-sindicato-dos-metroviarios-de-sp-e-arrematado-por-r-144-milhoes/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. Arnaldo Santana disse:

    Kkkkkķ, metroviarios brigam com DORIA, sai 03/07/21, contra BOLSONARO para fazer campanha para o DORIA, NÃO ENTENDI NADA, isso é coisa de SINDICATO usando funcionários do METRÔ!!!

  2. Rodrigo Sobral Lopes De Souza disse:

    Sei que já virou palhaçada essa porra, privatiza td aí quero ver nego pensar duas vezes antes de fala em greve… Privatização já.

Deixe uma resposta