Artesp autoriza incorporação prévia da Breda pela Viação Piracicabana

Com isso, um dos nomes mais tradicionais dos transportes pode deixar de ser usado; Grupo Comporte tem usado estratégia de incorporações, como ocorreu com a Manoel Rodrigues e São Paulo-São Pedro

ADAMO BAZANI

Colaborou Alexandre Pelegi

A Artesp, agência que regula os transportes no Estado de São Paulo, autorizou a incorporação da Breda Transportes e Serviços S/A pela Viação Piracicabana S.A.

O ato foi publicado nesta quinta-feira, 03 de junho de 2021.

Segundo a publicação oficial, trata-se de uma aprovação prévia. A aprovação definitiva depende da “inteira formalização da incorporação, perante a Jucesp, bem como à apresentação de outros documentos que porventura vierem a ser solicitados por essa Agência.”

Com isso, gradativamente o nome Breda, um dos mais tradicionais dos transportes pode deixar de ser usado.

Também deve haver enxugamento de estruturas, em especial administrativas.

Ambas as empresas pertencem ao Grupo Comporte, liderada pela família de Constantino Oliveira, fundador da Gol Linhas Aéreas.

A Breda foi fundada nos anos 1950 por Ítalo Breda, que na ocasião era sócio e chefe de tráfego na Viação Cometa.

Paralelamente ao trabalho na Cometa, Ítalo Breda realizava o transporte de alunos do Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, onde se formou em Economia.

Como o negócio crescia, Breda decidiu deixar a Viação Cometa e, em 1955, teve um marco decisivo na sua carreira empresarial: assumiu o transporte de funcionários da empresa Volkswagen e de outras grandes indústrias do ramo.

A Breda passou a integrar os negócios da família Constantino nos anos 1990.

“Jardineira” da Breda na Rua Ipojuca (hoje rua Nossa Senhora de Fátima), no Bairro Paraíso, em Santo André (SP) nos anos 1950

Monobloco O-321 da Breda em uma de suas primeiras pinturas no museu que a família Constantino mantém na garagem em São Bernardo do Campo

Marcopolo Paradiso da Geração V numa das pinturas que mais marcaram a Breda

Já a Viação Piracicabana, hoje uma das maiores empresas do Grupo Comporte, nasceu como Expresso Piracicabano, fundada por Atílio Raimundo Giannetti que fazia o trajeto diário de Piracicaba a São Paulo com oito automóveis da marca Ford.

O nome Viação Piracicabana foi adotado somente em 1962, quando a empresa já cumpria um total de 15 horários diários, na ligação São Paulo – São Pedro.

OUTRAS INCORPORAÇÕES:

Como tem mostrado o Diário do Transporte, as incorporações de empresas dentro do Grupo Comporte têm sido uma estratégia de redução de custos e melhor aproveitamento de estruturas.

Em 9 de fevereiro de 2021 a Artesp aprovou que a Empresa Auto Ônibus Manoel Rodrigues S.A. seja incorporada pela Empresa Princesa do Norte S.A, ambas do Grupo Comporte.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/02/09/artesp-aprova-incorporacao-da-manoel-rodrigues-pela-princesa-do-norte/

Também em fevereiro de 2020, o Grupo anunciou a incorporação da Viação São Paulo-São Pedro pela Viação Piracicabana

UM POUCO DA TRAJETÓRIA DE ÍTALO BREDA:

Luiz Breda era vendedor de ônibus importado da Volvo em 1938. Em 1939, entrou como acionista da Auto Viação São Paulo-Santos, que, nos anos 1940 se tornou parte da Viação Cometa, esta, por sua vez, que se originou da Auto Viação Jabaquara.

Em 1938, Ítalo Breda foi trabalhar com o pai no negócio de transportes.  Logo depois, com apenas 22 anos, tinha 5% de participação na Auto Viação São Paulo-Santos.

Ítalo foi crescendo na Viação Cometa e se desenvolvendo com a companhia. Ele foi um dos responsáveis por importar para a Cometa, em 1948, mais de 30 unidades da fabricante Twin Coach. O modelo foi um avanço para a época.

Paralelamente ao seu trabalho na Cometa, Ítalo Breda estudava economia no Dante Alighieri, em São Paulo, e, com ônibus próprios, transportava alunos da instituição de ensino.

O negócio crescia e, na década dos anos 1950, Ítalo decide deixar a Viação Cometa e funda a Breda.

Em 1955, com o crescimento da indústria automotiva no ABC Paulista, Ítalo consegue um grande impulso para a sua empresa. Sua frota passa de 30 ônibus para 100. Com isso foi possível assumir o transporte de funcionários da empresa Volkswagen e de outras grandes indústrias do ramo, segundo a página de memória da própria Breda.

A indústria automotiva nos anos 1950/1960 e, a de autopeças, nos anos 1960/1970, no ABC Paulista, abriram oportunidades para diversos outros ramos de atuação, entre os quais, os ônibus de fretamento. Foi neste contexto que surgiram outras tradicionais empresas de fretados na região, como Bozzato, Planetatur, Galo de Ouro, Santa Maria, Bonini, e tantas outras.

Em 1965, dez anos depois, a Breda tinha 300 veículos e já operava também rotas regulares como entre São Paulo-Itanhaém- Peruíbe.

Em 1967, a Breda comprou os confortáveis Flxible VL (Vista Liner) 100, importados pela empresa Expresso Brasileiro Viação Ltda, em 1956.

Os veículos então foram pintados nas cores da Breda, azul e vermelho, mas mantinham o fundo de tom alumínio, preservando o requinte especial da época da Expresso Brasileiro, que adquiriu os veículos para competir com a Cometa na rota Rio-São Paulo. Desde 1954, a Cometa usava os norte-americanos GM-PD 4104, os Choachs, chamado pela empesa de “Morubixaba”. Aliás, foram estes ônibus que inspiraram o projeto dos famosos “Dinossauros” da Cometa.

O apelido Diplomata que era usado pela Expresso Brasileiro passou a ser Bandeirante, algo de São Paulo mesmo.

Os ônibus faziam serviços que ligavam os aeroportos de Congonhas, na capital paulista, e o de Viracopos, em Campinas, no interior de São Paulo.

Relembre matéria em:

https://diariodotransporte.com.br/2016/10/23/historia-os-flxible-tambem-brilharam-na-breda-e-na-telonas-de-diplomata-para-bandeirante-ate-ser-estrela-de-cinema/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Fábio disse:

    A Breda também deve mudar de endereço. Na sede na Av. Doma Jaime de Barros Câmara, em São Bernardo, existe uma placa anunciando um empreendimento imobiliário.

  2. oscar henrique vasconcelos dos santos disse:

    Uma das piores empresas. que existe na baixada santista principalmente no Litoral Sul,pois reina sozinha sem concorrente,mas até quando?

    1. Márcio Gonçalves disse:

      Umas das melhores empresas!!

  3. Amaury Macário disse:

    Tenho fascínio por está página todos os dias abro para ver às novidades do transporte no geral.

  4. Jorge Luiz de Britto disse:

    É triste a situação das empresas que não podem se manter no mercado, são adquiridas por grandes grupos que monopolizam o mercado e no final os usuários são prejudicados por falta de concorrência a qualidade dos serviços só diminui porque os empresários só pensam neles

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