Aliança ZEBRA divulga compromisso com fabricantes e investidores para facilitar compra de ônibus elétricos na América Latina

Os primeiros 15 ônibus 100% elétricos da empresa Transwolff entraram em operação em novembro de 2019 em São Paulo.

Proposta visa expandir as frotas de transporte público com emissão zero reduzindo os riscos financeiros da operação em cidades do Brasil, Chile, Colômbia e México

ALEXANDRE PELEGI

Em coletiva internacional de imprensa, da qual participou o Diário do Transporte, a Aliança ZEBRA apresentou nesta quarta-feira, 10 de dezembro de 2020 a coalizão de 17 novos investidores e fabricantes de ônibus que se propõem a trazer novos produtos e financiamento para a expansão da frota de ônibus zero emissões na América Latina.

Nesta primeira fase, o compromisso vale para os próximos 12 meses.

O objetivo da aliança internacional é atuar conjuntamente para conquistar US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) em investimentos para viabilizar a inclusão de mais de 3.000 ônibus elétricos nas cidades latino-americanas.

Os fabricantes irão neste prazo expandir seu fornecimento de ônibus elétricos para a América Latina, com foco específico em cidades do Brasil, Chile, Colômbia e México. De seu lado, os financiadores disponibilizarão fundos de investimento para esses projetos.

Parceria liderada pela rede C40 Cities e o Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT), a Aliança ZEBRA atua com financiamento da P4G.

Entre os fabricantes e distribuidoras de veículos estão: Andes Motor, BYD, CreattiEV SAS, Foton, Higer, Sunwin, Vivipra e Yutong.

Já entre os investidores assinaram o compromisso as instituições AMP Capital, ARC Global Fund, Ascendal, Ashmore Management Company, EDP Brasil, Enel X, John Laing, NEoT, além do financiador BNDES, o banco de desenvolvimento brasileiro.

No caso da EDP, no Espírito Santo a Companhia vem tocando um projeto-piloto de mobilidade em parceria com a VIX Logística, empresa do Grupo Águia Branca, para desenvolver um sistema de recarga para frotas de ônibus elétricos no estado.

O projeto recebe um investimento da R$ 6,6 milhões e foi contemplado na Chamada Pública da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para o tema Mobilidade Elétrica Eficiente, via fundo de Pesquisa e Desenvolvimento. Os primeiros testes com o ônibus elétrico foram iniciados ao final de outubro de 2020. Relembre: VIX Logística e EDP operam ônibus rodoviário 100% elétrico da BYD no Espírito Santo

No momento, a América Latina ostenta mais de 1.900 ônibus elétricos, número que representa menos de 1% do total da frota de ônibus da região.

Por este dado, a Aliança justifica a urgência da transição e a importância dos compromissos assumidos por fabricantes e investidores.

A substituição de veículos movidos a combustíveis fósseis por ônibus zero emissões leva a um ar mais limpo e menos emissões de gases de efeito estufa, especialmente se os ônibus forem abastecidos com eletricidade vinda de fontes de energia sustentáveis.

As quatro cidades-chave elencadas pelos sócios ZEBRA são Cidade do México; Medellin na Colômbia; Santiago do Chile e São Paulo, no Brasil, locais em que o transporte é responsável por uma grande porcentagem das emissões de gases de efeito estufa.

Segundo a instituição, o transporte da Cidade do México contribui com 71% das emissões, 43% em Medellín, 79% em Santiago, e 61% em São Paulo. Nestas localidades o sistema de transporte público depende fortemente da tecnologia ultrapassada dos ônibus movidos a diesel.

Thomas Maltese, porta-voz da C40, acredita que as cidades estão determinadas a fazer com que as suas frotas de transporte público sejam zero emissões. “Os compromissos anunciados hoje irão ajudar a atender à demanda das autoridades e operadores de ônibus, superando duas das principais barreiras para a implantação de ônibus com zero emissões: a oferta limitada de veículos e a falta de investimentos. A Aliança ZEBRA irá garantir que a região tenha cidades mais limpas e saudáveis, sejam gerados novos empregos sustentáveis e que seja acelerada a adoção de soluções equilibradas para a crise climática”.

Repetindo o mantra de que a longo prazo os custos operacionais e de manutenção de ônibus elétricos são significativamente mais baixos do que os de veículos movidos a combustíveis fósseis, a Aliança ZEBRA destacou o caso de Santiago, onde o operador privado Metbus constatou que os custos operacionais e de manutenção de sua frota de mais de 400 ônibus elétricos são, respectivamente, 70% e 37% mais baixos do que os custos equivalentes aos de um veículo movido a diesel.

CUSTO DO INVESTIMENTO

O segredo dessa expansão da eletromobilidade na América Latina, no entanto, está em equacionar a questão do custo de investimento.

Segundo a Aliança, modelos de negócio inovadores e mecanismos financeiros estão sendo desenvolvidos e aplicados para tornar a implantação dos ônibus elétricos em grande escala possíveis.

São citados como exemplos até aqui a separação entre propriedade e operação dos ônibus em Santiago; o financiamento concessional em Medellín; ou a separação entre a posse do chassis do ônibus e a posse da bateria, vista em São Paulo no caso da Transwolff. Relembre: Quinze ônibus elétricos da Transwolff começam a operar nesta terça-feira, 19

A EDP também realiza uma experiência de ônibus elétrico movido a energia solar. Idealizado na UTE Pecém, o modelo conta com um banco de baterias capaz de garantir autonomia de 300 quilômetros ao veículo, que já está sendo utilizado para fazer o transporte de colaboradores entre Fortaleza e São Gonçalo do Amarante, onde fica a unidade da EDP. Relembre: Ônibus elétrico movido a energia solar começa a rodar na Termelétrica Pecém, no Ceará

Ainda segundo anunciado na coletiva, são modelos de negócios onde fabricantes e investidores têm um papel chave, e podem ajudar municípios e operadores privados a superar a falta de capital e a dificuldade em acessar crédito, reduzindo os riscos financeiros.

Ao longo do tempo, estes investimentos continuarão a expandir a implantação de ônibus elétricos em toda a região, acredita a Alainça.

“Os compromissos de hoje representam uma nova direção para o transporte público na América Latina. A partir do momento em que se estabelece esta nova confiança de que o mercado está pronto para fornecer ônibus zero emissões, eu acredito que as autoridades públicas irão achar mais simples seguir esta via para todos os futuros programas de renovação de frotas”, explica Ray Minjares, do ICCT.


RESUMO DO COMPROMISSO DE FABRICANTES E INVESTIDORES


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. JOSÉ LUIZ VILLAR COEDO disse:

    As TEXACOS da vida vão pirar! 😂😂😂😂😂

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