Até 2040, planeta teve ter 1,3 milhão de ônibus elétricos, diz Bloomberg

Ônibus elétrico em Londres, uma das capitais que estão ampliado frota deste tipo de propulsão

Total equivale a 50% da frota mundial. Em 2025, frota deve se aproximar de 650 mil unidades

ADAMO BAZANI

O futuro é promissor para os ônibus elétricos no Planeta, mas a América Latina parece estar ainda “fora da curva”.

De acordo com relatório da Bloomberg, fornecido pela empresa de consultoria Arthur D. Little às agências internacionais, até 2040, deverão compor a frota mundial de ônibus 1,3 milhão de unidades, o equivalente a 50% de todos os coletivos em circulação.

Até 2025, já devem ser em torno de 650 mil unidades.

O trabalho tem como base o ritmo de crescimento do setor e também leva em conta os investimentos anunciados por governos e fabricantes.

O relatório mostra ainda que apesar de ser um avanço tecnológico e ecológico, esta frota de ônibus elétricos sozinha não será capaz de fazer com que o mundo cumpra as metas do acordo de Paris para redução de poluição até 2030.

Mais uma vez a América Latina deve ficar para trás. No Brasil, por exemplo, a indústria ainda pressiona para a postergação do prazo da troca de tecnologia menos poluente de diesel, passando do atual padrão Euro V para o Euro VI (já considerado “velho” no mundo desenvolvido). A troca de padrão está prevista inicialmente para 2022/2023, mas pode ocorrer depois disso dependendo da articulação de fabricantes e frotistas de ônibus e caminhões.

O destaque na região tem sido o Chile. Na mais recente licitação do principal sistema de transportes local, em Santiago e cidades vizinhas, foram contratados  para este ano, 2.219 ônibus, dos quais 776 elétricos e 1.443 diesel padrão Euro VI, que atendem a quase quatro milhões de pessoas por dia.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/06/28/chile-inicia-operacao-de-mais-onibus-eletricos-e-euro-vi/

As mudanças maiores de frota estão ocorrendo na América do Norte, Europa e com destaque para a Ásia.

A China é considerada a grande detentora da frota de ônibus elétricos, com 99% dos coletivos que rodam no mundo, com 421 mil de 425 mil ônibus elétricos, de acordo com relatório da Bloomberg NEF em dado fechado de 2019.

O relatório mostra ainda os planos dos países para ônibus elétricos:

  • A Índia tem um plano governamental de 10.000 ônibus elétricos inicialmente.
  • O Chile planeja aumentar seu número de ônibus elétricos de aproximadamente 400 em 2019 para 2.000 em 2022. Além disso, o Chile tem uma meta nacional de 100% de transporte público elétrico até 2050.
  • Moscou pretende abandonar a compra de ônibus a diesel após 2021 e adquirir de 600 a 800 ônibus elétricos anualmente.
  • Paris planeja comprar mais de 800 ônibus elétricos nos próximos anos.
  • A Colômbia totalizará mais de 550 ônibus elétricos, com um recente contrato concedido à BYD para 379 ônibus elétricos em Bogotá.
  • Na Suécia, em novembro de 2019, a Volvo anunciou um pedido recorde de 157 ônibus elétricos da Transdev para servir a Gotemburgo.
  • Os EUA têm uma meta de fazer 33% de todos os ônibus de trânsito elétricos até 2045.

O estudo revela também que para cada 1.000 ônibus elétricos, a demanda por diesel pode ser reduzida em até 500 barris por dia.

O levantamento traz outro destaque para a China: a troca de ônibus a diesel por elétricos não vem de agora e recebe subsídios governamentais. O exemplo passou a ser seguido por outros países.

“Embora houvesse apenas cerca de 3.000 ônibus elétricos na Europa e nos Estados Unidos em 2019 (aproximadamente 1% dos ônibus nas estradas nessas regiões), esse número crescerá rapidamente nos próximos anos. A China teve subsídios na última década, e agora muitos outros países, como Rússia, Suécia e Índia, também os oferecem para apoiar o crescimento dos ônibus elétricos. Simultaneamente, uma série de outras grandes cidades, incluindo Londres e Los Angeles, se comprometeram a adquirir apenas ônibus com emissão zero a partir de 2025. Em 2040, os ônibus elétricos poderiam exceder 1,3 milhão globalmente e formar mais de 50 por cento da frota total de ônibus” – diz parte da conclusão.

Ao menos para o mundo desenvolvido, a indústria está de olho no que deixou de ser uma tendência e se tornou realidade.

Nesta quarta-feira, 20 de outubro de 2020, o Diário do Transporte noticiou que duas gigantes asiáticas produtoras de veículos, em especial pesados como ônibus e caminhões, assinaram um acordo de joint venture para estabelecer uma nova empresa com o objetivo de desenvolver novos modelos de veículos elétricos a bateria.

O acordo é entre a chinesa BYD Auto Industry Co., Ltd (BYD) e a japonesa Hino Motors, Ltd. (Hino) e, segundo comunicado das fabricantes, a nova empresa vai contar com 50% de participação de cada uma delas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/10/21/chinesa-byd-e-japonesa-hino-assinam-acordo-de-criacao-de-nova-empresa-para-produzir-onibus-e-caminhoes-eletricos/

Para a Europa e América do Norte, gigantes como o Grupo Daimler (Mercedes-Benz), TRATON (MAN, Volkswagen e Scania) e Volvo já comercializam ônibus elétricos.

No Brasil, produzem ônibus elétricos a BYD (Campinas, SP) e a Eletra (São Bernardo do Campo, SP). A Volvo (Curitiba, PR) tem disponível a fabricação para encomendas um modelo híbrido, como motor elétrico e outro a combustão no mesmo veículo. A Eletra também tem capacidade de produção de híbridos e trólebus (elétricos conectados à rede aérea).

Para o país, a “esperança” da popularização dos ônibus elétricos é a cidade de São Paulo.

A troca de veículos a diesel por modelos menos poluentes é prevista em lei municipal, que teve uma nova redação em 2018, e pelos contratos com as viações assinados em setembro de 2019.

Em 17 de janeiro de 2018, o então prefeito João Doria (hoje governador) promulgou a lei 16.802 que altera a Lei 14.933, de 2009, chamada de Lei de Mudanças Climáticas.

A “nova lei” determinou reduções de emissões de poluição pelos ônibus de São Paulo devem ser de acordo com o tipo de poluente em prazos de 10 anos e 20 anos. Assim, não será exigido um tipo de ônibus, muito embora ao fim dos 20 anos, na prática, somente os modelos elétricos, trólebus a hidrogênio poderão atender algumas exigências.

Em 10 anos, as reduções de CO2 (gás carbônico) devem ser de 50% e de 100% em 20 anos. Já as reduções de MP (materiais particulados) devem ser de 90% em 10 anos e de 95% em 20 anos. As emissões de Óxidos de Nitrogênio devem ser de 80% em 10 anos e de 95% em 20 anos.

Entretanto, além destas exigências, os contratos trazem metas anuais.

Mas como noticiou o Diário do Transporte, por meio de portaria de 24 de março de 2020, a SMT – Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes mudou ou suspendeu uma série de exigências às empresas de ônibus, além de alterar multas às viações e pontos da remuneração.

A idade média dos ônibus na cidade foi elevada dos atuais cinco anos previstos em contrato para sete anos até 30 de abril de 2022.

Foi definido um novo cronograma de substituição de ônibus:

De forma excepcional, o cronograma de renovação dos veículos fica estendido para:

  1. a) até 31 de dezembro de 2020, para aqueles que deveriam ser baixados até 30 de junho de 2020;
  2. b) até 31 de agosto de 2021, para aqueles que deveriam ser baixados até 31 de dezembro de 2020;
  3. c) até 30 de abril de 2022, para aqueles que deveriam ser baixados até 31 de dezembro de 2021.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/09/03/estudos-para-implantacao-de-nova-rede-de-onibus-em-sao-paulo-serao-retomados-apos-pandemia-diz-sptrans/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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