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ESPECIAL: Em “extinção” na cidade de São Paulo, biarticulados somam 97 unidades na frota da capital

Biarticulado, ainda com pintura de teste, para a Viação Campo Belo, em São Paulo, no final nos anos de 1990

De acordo com a SPTrans, frota poderá operar até 2022. “Superarticulados” somam 1.425 veículos cadastrados

ADAMO BAZANI

Quando eles surgiram na capital paulista na segunda metade dos anos 1990, chamaram a atenção: os biarticulados, gigantes de 25 metros a 28 metros de comprimento, marcaram uma nova fase nos transportes do maior sistema de ônibus da América Latina.

Podendo transportar até 250 pessoas (o número pode variar de acordo com a configuração de cada veículo), os biarticulados foram uma resposta à necessidade de transportar uma grande quantidade de passageiros numa cidade onde os sistemas de trilhos não avançam como as necessidades de deslocamentos.

Mas os gigantes com “duas sanfonas” (nome popular para a articulação) estão aos poucos dando adeus no sistema da capital paulista.

De acordo com a SPTans – São Paulo Transporte, gerenciadora do sistema da cidade, em resposta ao Diário do Transporte na última semana, há neste momento para operação na capital paulista, 97 ônibus biarticulados. Os veículos poderão prestar serviços somente até 2022, mas, se quiserem, as companhias de ônibus poderão retirá-los antes:

Atualmente, 97 veículos biarticulados operam na frota da cidade, distribuídos da seguinte forma:  47 veículos ano modelo 2010 que podem operar até 30/04/2022, conforme Portaria SMT nº 81 de 24 de março de 2020; e  50 veículos ano modelo 2012 que podem operar até 31/12/2022, conforme Portaria SMT nº 81 de 24 de março de 2020.

Biarticulados de São Paulo sendo desmontados.

Por causa da pandemia da Covid-19, a portaria ampliou o tempo para substituição de frota.

Se os biarticulados estão cada vez mais “raros de se ver”, um modelo “rival” virou figura comum nas ruas da cidade: o superarticulado.

O modelo é menor. Enquanto o biarticulado tem, atualmente 27 m ou 28 m (os de 25 m eram os mais antigos), o superaticulado possuiu 23 metros. A capacidade é para de 190 a 210 passageiros, também com o número variando de acordo com a configuração.

 

Ônibus biarticulado no Terminal Praça da Bandeira

Superarticulado também no Terminal da Praça da Bandeira

Aliás, superarticulado é o nome comercial da marca para o articulado de 23 metros.

Diferentemente do biarticulado, o superartiulado tem apenas uma “sanfona”  articulação), mas ele é maior que o articulado, que tem também uma articulação, porém mede de 17 m a 20,55 m.

No segundo carro ou vagão, designações para a parte do ônibus correspondente a depois da articulação, o modelo superarticulado possui dois eixos, sendo que o último é direcional, ou seja, ele “esterça” para as curvas e manobras. Os articulados possuem apenas um eixo no “vagão”.

Ainda de acordo com a SPTrans, em resposta ao Diário do Transporte, até o fechamento desta reportagem, em 20 de agosto de 2020, o sistema tinha em seu cadastro 1.425 veículos.

A gerenciadora ainda informou que desde 2012 não entram biarticulados novos nas linhas da cidade e não houve homologação de novos modelos deste tipo na capital paulista.

“Não houve homologação de novos modelos de biarticulados e os últimos que entraram em operação foi em 2012. No entanto, começaram a ser incluídos no sistema os articulados de 23 metros, conhecidos como superarticulados que iniciaram a operação em 2013 e atualmente são 1.425 veículos cadastrados na frota.”

A SPTrans ressaltou ainda que desde 2017, contando todos os tipos de ônibus, dos micros aos “superarticulados”, a renovação da frota representou 40% do total da cidade.

“Desde o início de 2017, 5.718 ônibus novos (representando 40,79% da frota paulistana) foram substituídos por veículos mais sustentáveis e menos poluentes.”

Os biarticulados possuem chassis da Volvo e são comercializados para diversos sistemas, inclusive fora do Brasil. No país, um dos destaques no uso atual deste veículo, com unidades novas adquiridas em 2019, é Curitiba, cuja uma das características são os corredores. A Volvo é a pioneira no Brasil em fabricação de biarticulado, com o lançamento em 1991, justamente para Curitiba.

A Scania também produz biarticulados e comercializa para o Brasil e exterior, mas o modelo que nunca rodou na capital paulista, possui motor na frente, enquanto que o da Volvo tem o motor “no meio” do primeiro carro. Há veículos da Scania operando em Curitiba também.

Os superarticulados são de chassis Mercedes-Benz, sendo comercializados também em diversos sistemas. Apesar de serem muito conhecidos por causa da cidade de São Paulo, onde operam desde 2013, os primeiros superarticulados do Brasil foram vendidos em 2012 para a Metra, empresa que opera o Corredor Metropolitano ABD, a ligação entre as zonas Leste e Sul da cidade de São Paulo, passando por municípios do ABC Paulista. Há também um superarticulado no Corredor ABD do tipo Dual Bus, único no Brasil. Trata-se de um modelo  que reúne em um só veículo as tecnologias trólebus, ônibus à bateria e ônibus híbrido (com um motor a diesel e motores elétricos).

HISTÓRIA:

Em 1995, era testado o primeiro biarticulado da cidade de São Paulo. O modelo foi um Marcopolo Torino LS com chassi Volvo, de 25 metros. Mas, de acordo com a SPTrans, comercialmente, o  primeiro ônibus biarticulado da cidade de São Paulo operou a partir de agosto de 1998.

Ainda segundo a SPTrans, em resposta ao Diário do Transporte, a maior frota em operação ao mesmo tempo de biarticulados foi com 122 veículos que permaneceram cadastrados até o período de julho de 2008 à novembro de 2008.

O modelo ganhou tanto destaque que, numa reportagem da Revista Isto É – Dinheiro, de 01º de dezembro de 2009, intitulada “O papa das catracas”, em alusão ao empresário José Ruas Vaz, que já teve a maior frota em circulação na capital paulista, foi ressaltada a compra de  100 unidades do biarticulado.

 Responsável por metade da frota de ônibus paulistana, Ruas diz que continuará investindo em novos veículos, buscando cada vez expandir seus negócios. “Enquanto eles insistem com os ‘cacarecos’, eu compro tudo novinho”, diz. Mantendo a tradição, Ruas acaba de pagar cerca de R$ 120 milhões por 100 unidades do modelo biarticulado da Volvo – todos os veículos serão encarroçados pela própria empresa de Ruas, a Caio Induscar. dizia trecho da reportagem à época.

CURIOSIDADES SOBRE OS BIARTICULADOS:

HISTÓRIA DOS ÔNIBUS BIARTICULADOS:

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2024/05/28/onibus-biarticulado-eletrico-vai-ser-testado-no-inicio-do-segundo-semestre-em-curitiba-e-urbs-prorroga-por-dois-anos-chamamento-a-empresas-para-avaliar-mais-modelos/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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