Sindicato dos Metroviários estuda processar responsáveis por implantação de monotrilho

Sindicato dos Metroviários de São Paulo em coletiva. Foto: Adamo Bazani.

Entidade pede transparência do Governo do Estado e sugere redução de velocidade operacional

ADAMO BAZANI
Colaborou Jessica Marques

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo estuda acionar juridicamente os responsáveis pela implantação do monotrilho em São Paulo.

Em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira, 03 de março de 2020, a entidade trabalhista aprontou uma série de erros na escolha do modal.

“O monotrilho é uma aventura mal planejada para esta demanda. Além da escolha do modal, não concordamos com o modelo de licitação do Metrô. O Estado compra produtos e não tecnologia. Não se pode fazer nada. Até para apurar um problema como este do estouro do pneu, não dá nem pra investigar de forma autônoma. Sempre tem de depender do fornecedor”, disse o coordenador-geral do Sindicato dos Metroviários, Wagner Fajardo.

Também diretor do sindicato, Altino dos Prazeres afirmou que umas das recomendações da entidade é que, mesmo com impactos para os passageiros, por segurança, a velocidade das composições na operação comercial deve ser reduzida.

“Essa ligação tinha de ser metrô, sempre defendemos isso. Mas agora não tem como demolir as vigas, é necessário respeitar as limitações do monotrilho. Não pode circular com alto carregamento e velocidade nas condições atuais. Não temos garantia que todos os problemas da linha 15 serão sanados“, disse.

Devido às incertezas sobre a segurança do monotrilho, o sindicato pede que as composições tenham cabine de operador, como ocorre com o Metrô. Outra crítica é em relação a quantidade de funcionários nas estações.

De acordo com o sindicato, na linha 15 Prata de monotrilho atualmente são entre dois ou três funcionários por estação a cada turno. Nas linhas estatais de Metrô 1, 2 e 3, são de três a quatro funcionários em estações pequenas por turno e entre 10 e 15 nas estações de grande demanda.

O sindicato disse também que é necessário mais transparência ao Governo do Estado.

“O Metrô mentiu para a população dizendo que no final de semana a linha 15 foi interrompida por teste no sistema de controle de trens. E não era por isso, era por causa do estouro do pneu. As imagens que o Diário do Transporte divulgou sobre o pedaço do runflat (pedaço da roda) deveriam ser divulgadas abertamente pelo Metrô. Para explicar a população porque a linha foi interrompida. Não é criar medo, mas jogar claro com a população”.

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Leia mais: Monotrilho ainda parado. Pedaço da roda caiu em Avenida. PAESE maior

O Sindicato ainda disse que acompanha, na medida do possível, as verificações nos trens e na linha do monotrilho, mas não há prazo ainda para retomar a operação porque, segundo o que foi passado para a entidade, não foi achada a causa do problema.

Ainda segundo o sindicato, por noite é possível verificar dois carros. A apuração na via até agora não apontou nenhum problema, o que indica que a causa do estouro seja mesmo relacionada à empresa Bombardier, responsável pela fabricação dos trens.

O sindicato quer ainda convocar uma audiência pública na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo).

HISTÓRICO DE PROBLEMAS:

O monotrilho da linha 15-Prata coleciona uma série de problemas, além do atraso na conclusão das obras, que deveriam ter sido entregues em 2014, ainda para a Copa do Mundo.

27 de fevereiro de 2020: Um jogo de pneus da composição M20 estorou nno dia 27 de fevereiro de 2020, uma quinta-feira. O Metrô paralisou a linha no fim de semsna e“a incidência de danos em outros pneus dos trens do monotrilho”, suspendendo assim as operações por tempo indeterminado. O Metrô disse quwe cobrou da Bombardier e do Consórcio CEML – que construiu a via – providências urgentes para a identificação da causa da ocorrência, a sua correção e que eles arquem com todos os prejuízos decorrentes desta paralisação junto ao Metrô de São Paulo.  A Bombardier disse, por sua vez, que recomendou a paralisação de toda a linha por execesso de cautela para as análises.  Ônibus atenderam aos passageiros do monotrilho.

1º de janeiro de 2020: Um problema em equipamento de via nas proximidades da Estação São Lucas causou transtornos para os passageiros por, pelo menos, cinco dias consecutivos. O Metrô explicou que o problema foi ocasionado pelo “desgaste natural” de parafusos perto de um equipamento de mudança de via na região da Estação São Lucas .A estação foi inaugurada em 6 de abril de 2018. Em nota, a Companhia de Metrô disse que os parafusos precisaram ser trocados e que pela fixação ser em concreto, sendo necessário aguardar.

15 de maio de 2019: A composição M 11 do monotrilho da linha 15-Prata, da zona Leste, se deslocou de uma viga no pátio Oratório no início das operações. O incidente ocorreu num equipamento de mudança de via. Ninguém se feriu.

29 de janeiro de 2019: No final da noite do dia 29 de janeiro de 2019, duas composições M22 e M23 bateram na região da estação Jardim Planalto, na zona leste da capital paulista. Ninguém se feriu gravemente. A estação não recebia passageiros. Um laudo do Metrô, divulgado em 05 de fevereiro de 2019, trouxe a conclusão de que “não houve qualquer falha do sistema de sinalização e sim erro humano” .

Mas o resultado foi contestado pelo Sindicato dos Metroviários que sustenta que há uma lacuna no sistema que controla os trens do monotrilho.

Segundo a entidade sindical, o sistema de controle da Linha 15-Prata não permite que um trem identifique o outro quando um deles está desligado. “Ao se desligar o trem, ele desaparece para o sistema” – sustentou o sindicato.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/02/07/sindicato-dos-metroviarios-diz-que-acidente-com-monotrilho-foi-causado-por-ausencia-de-sistema-de-comunicacao/

Também no dia 29, uma peça do sistema elétrico do monotrilho da Linha 15-Prata se soltou da via no trecho entre as estações São Lucas e Vila União, mas por haver grades que retém quedas de objetos, a avenida professor Luís Inácio de Anhaia Melo, que passa embaixo, não foi atingida.

https://diariodotransporte.com.br/2019/01/29/metro-confirma-que-peca-de-sistema-eletrico-de-monotrilho-se-soltou-mas-diz-que-linha-15-possui-telas-que-evitam-queda-de-objetos-na-rua/

10 de outubro de 2016: No dia 10 de outubro de 2016, uma composição do monotrilho, que trafega em vias elevadas com cerca de 15 metros de altura, partiu da estação Oratório com as portas abertas, conforme mostram as imagens do circuito do Metrô:

Especialistas criticam modelo de monotrilho para São Paulo e cidades vizinhas

Especialistas em mobilidade criticam o monotrilho como meio de transporte para São Paulo e cidades vizinhas na região Metropolitana.

Segundo os técnicos e acadêmicos consultados pela reportagem do Diário do Transporte, linhas como 15-Prata (São Mateus/Vila Prudente) e 17-Ouro (Congonhas/Morumbi) deveriam ser atendidas por um modal de alta capacidade, como metrô e trens e não por um meio de média capacidade, como monotrilho.

A linha 18-Bronze (São Bernardo do Campo/Tamanduateí) vai ser substituída por um sistema chamado BRT – Bus Rapid Transit, que consiste em corredores de ônibus com mais capacidade e velocidade maior que os corredores de ônibus comuns, mas com atendimento menor que de um metrô.

As promessas de que as linhas de monotrilho deveriam ser bem mais baratas que do Metrô e de implantação mais rápida não se concretizaram. Todas as linhas deveriam estar funcionando desde 2014, pelo menos, e com preço bem inferior ao Metrô, mas somente a linha 15-Prata opera e constantemente tem registrado falhas graves que comprometem a operação e a rotina dos passageiros. O custo de implantação vai superar R$ 5 bilhões.

Desde o final de semana, mais uma vez os passageiros do monotrilho só contam com ônibus como transporte coletivo porque o monotrilho não funciona.

O problema agora é com os pneus dos trens.

Diferentemente dos trens de alta capacidade do Metrô e da CPTM, que têm rodas de ferro, os trens de média capacidade do monotrilho têm pneus.

Como mostrou o Diário do Transporte, o estouro do pneu do trem M20, quando saía da estação Jardim Planalto, por volta de 6h30 da quinta-feira passada, 27 de fevereiro, colocou em alerta o Metrô e a empresa Bombardier, que suspenderam as operações de 23 composições.

O consultou de transporte, Peter Alouche, disse que monotrilho é sujeito a este tipo de problema e que alertava para as limitações do modal.

“Já alertava para este tipo de problema desde o início da escolha. Registrei meu descontentamento através de muitos artigos técnicos. A possibilidade de estouro de pneus é real neste meio de transporte” – disse o especialista Peter Alouche, que participou ativamente da implantação do Metrô de São Paulo

Já nos anos 1960, o monotrilho tinha sido descartado para a capital e cidades vizinhas.

Em 1966, o então prefeito de São Paulo, Faria Lima, criou o Grupo Executivo Metropolitano – GEM que antecedeu a fundação da Companhia do Metropolitano. Segundo nota na área de Governança Corporativa no site do Metrô, esse grupo contratou um consórcio de duas empresas alemãs (Hochtief e Deconsult), que se fundiu com a brasileira Montreal, formando uma nova empresa, a HMD.

Foi a HMD que realizou a primeira “Pesquisa Origem e Destino”, em 1967, por meio da qual foram projetadas as linhas básicas do Metrô para a cidade de São Paulo, elaborados os primeiros estudos econômicos e o pré-projeto de engenharia, segundo a explicação no site do Metrô.

Assim, o consórcio internacional projetou demandas, que agora se realizaram, para as quais o monotrilho não tem capacidade de atender.

Segundo o arquiteto e urbanista, consultor de transporte, Flaminio Fichmann, em conversa com o Diário do Transporte nesta segunda-feira, 02 de março de 2020, a linha 15-Prata paga por ser laboratório de um monotrilho que a fabricante não possuía.

“Investimos na tecnologia da Bombardier, empresa canadense, que não tinha o “produto” para implantar e atender a demanda da Linha 15 do monotrilho. Ou seja, estamos pagando o desenvolvimento de um novo tipo de monotrilho para uma empresa estrangeira, que está falhando na operação e colocando as pessoas em risco. Hoje podemos afirmar com segurança que eles não cumprirão as especificações do projeto para atender a demanda prevista.”

Fichmann também cita problemas na linha 17-Ouro, que ainda está em construção, em relação a fabricante de trem.

“A Linha 17 Ouro não concluiu o primeiro trecho e não entrou em operação porque a Scomi, outra empresa estrangeira, faliu e não existe previsão para a implantação da linha até o Morumbi, prometida para o início da Copa em 2014. Já gastamos bilhões de reais de modo irresponsável com essa tecnologia.” – disse

Após o rompimento do contrato com o antigo consórcio, o Metrô abriu um novo processo de licitação para o fornecimento de trens de média capacidade e equipamentos e habilitou a chinesa BYD  (Consórcio BYD SKYRAIL São Paulo, formado pelas chinesas BYD do Brasil Ltda; BYD Auto Industry Company Limited e BYD Signal & Communication Company Limited.) para a linha 17, muito embora, o Consórcio Signalling, composto por duas empresas nacionais – Ttrans e Bom Sinal – e uma empresa suíça, a Molinari, tenha oferecido o menor preço.

Na decisão que é alvo de recurso, o Metrô entendeu que o Consórcio Signalling não atendeu o critério de “Patrimônio Líquido”.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/02/01/metro-habilita-chinesa-byd-para-fornecer-trens-do-monotrilho-da-linha-17/

Mesmo sem fazer uma defesa do BRT, o arquiteto e urbanista, consultor de transporte, Flaminio Fichmann, diz que foi uma boa decisão do Governo do Estado em descartar o monotrilho para a ligação entre o ABC Paulista e a capital na linha 18.

“Muitos irresponsáveis e mentirosos os que estavam apresentando o Monotrilho do ABC como Metrô, tentando enganar a população. Felizmente esse processo foi sepultado e o ABC poderá se abrir para soluções de transporte mais eficientes, seguras e confiáveis.” – completou Flaminio.

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo foi a primeira entidade a divulgar que a interrupção do funcionamento do monotrilho ocorreu por causa de estouro em pneu.

O coordenador-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Fajardo, explicou ao Diário do Transporte que a entidade sustenta que monotrilho é um meio de transporte de média capacidade, para trajetos curtos, limitado, com características de estrutura e operação sem domínio brasileiro e mais sujeito a falhas crônicas.

“Isso já confirma as opiniões que o sindicato vem expondo desde o início da inauguração desse sistema. O sistema de monotrilho é inseguro, tem muitas falhas e, na realidade, fizeram os trabalhadores e usuários de cobaias num sistema que não deveria ser este, mas metrô para garantir um transporte de alta capacidade” – disse

Os especialistas ainda foram unânimes em defender que a prioridade dos investimentos deve ser a ferrovia de alta capacidade conjugada com uma rede de alimentação por ônibus qualificada, formado por BRTs, corredores comuns e faixas, de acordo com a demanda e as condições de infraestrutura de cada região.

Em nota oficial emitida neste domingo sobre o problema de estouro de pneu, a empresa Bombardier diz que técnicos do Canadá foram enviados para o Brasil com o objetivo de verificar o problema e que quer “tranquilizar os passageiros de que os trens do monotrilho do Metrô de São Paulo têm transportado passageiros com segurança e confiabilidade desde que o sistema foi inaugurado em 2014.”

A empresa ainda pediu “desculpas pelo inconveniente necessário.”, ou seja, a retirada de 23 trens de circulação para a análise.

INTERRUPÇÃO DA LINHA 15-PRATA NÃO ERA TESTE DE CONTROLE DE TRENS

Inicialmente, o Metrô dizia que a suspensão da operação se deu por causa de “testes do sistema de controle de trens”, mas o verdadeiro motivo da paralisação da linha 15-Prata, trazido à tona pelo Diário do Transporte e pelo Sindicato dos Metroviários foi o problema com os pneus dos trens.

Segundo o Metrô, ao longo dos testes realizados na linha neste fim de semana, foi constatada “a incidência de danos em outros pneus dos trens do monotrilho”

O Metrô relatou ainda que partes dos pneus chamadas “Run Flat” estão causando essa alteração. Esses dispositivos ficam nas rodas e garantem a movimentação do trem em casos de anormalidades, como pneus furados ou murchos.

A estatal disse, por meio de nota, que está cobrando da Bombardier e do Consórcio CEML – que construiu a via – providências urgentes para a identificação da causa da ocorrência, a sua correção e que eles arquem com todos os prejuízos decorrentes desta paralisação junto ao Metrô de São Paulo.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    Vão ter culhão pra processar o picolé de chuchu, secretários do seu governo, empreiteiros e técnicos da época? Eu pago pra ver.

  2. E os turrões andreenses e bernardenses ainda querem monotrilho?????

  3. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Reconhecer um erro é sinal de inteligência.

    Esse Aerotrem fala e ele mesmo já disse e provou que não presta; portanto implodir essa tranqueira será um sinal de inteligência.

    Com a palavra o MP.

    Tá dificil de entender se esse pedaço da foto é um pneu.

    Supondo que seja uma parte do que sobrou do estouro, ontem eu pensei numa hipótese.

    Muito provavelmente esse pneu não está tropicalizado o suficiente para suportar o calor do BarsiLei, mesmo Sampa não sendo uma das cidades mais quentes.

    Lembram do carro modelo Tipo que pegava fogo facinho???

    Mas é isso, espero que tenham a humildade e inteligência em implodir esse Aerotrem; pelo menos o prejuízo será menor, principalmente se considerarmos o maior bem que existe AS VIDAS HUMANAS.

    Lembrando que uma vida humana não tem preço e sua perda é irreparável.

    Mas vamos aguardar o que as inteligências de plantão vão fazer.

    Outra questão muito importante é que órgãos técnicos competentes emitam suas opiniões em apoio aos contribuintes.

    Os contribuintes merecem respeito nesta atual situação.

    Com a palavra o CREA, IPT, Universidades, ABNT enfim precisamos de uma palavra séria.

    Att,

    Paulo Gil

  4. Paulo Gil disse:

    Rodrigo Zika, bom dia.

    O problema não é processar, o problema que um troço dessa magnitude,com o zilhão de leis do BarsiLei, as perícias técnicas que serão solicitadas, o zilhão de recursos e o caudaloso e longo processo judicial, resultará em mais de um zilhão de páginas, depois com um Código Penal de 1941, vai dar PIZZA.

    Isso não vai dar em nada; veja o VLT de Cuiabá; nem sei se tem processo, mas deu no que até hoje?

    NADA.

    Portanto no BarsiLei enquanto houver um zilhão de Leis não haverá resultados práticos.

    Veja a Lava Jato, apesar de todo o mérito e esforços, tem muita gente que já está solta; portanto PIZZA.

    E fora isso, o dinheiro do contribuinte que foi desperdiçado, NUNCA será recuperado, pois a execução de dívida é outro longo parto.

    Sem contar se não houver necessidade de ações internacionais ai sairá mais caro o molho do que o frango.

    O resultado prático é um só:

    Essa despesa, essa conta e esse prejuízo é nosso, ou seja, dos contribuintes.

    Um parâmetro interessante é checar quanto custou o caso da refinaria de Passadina da Petrobrás.

    Esses valores ninguém divulga o balancete real.

    É isso, vamos embarcar no PAESE mesmo, porque esse Aerotrem ai já era.

    Quem já andou nele sabe, e quem andava todo dia, sabe mais ainda.

    E pra fechar com chave de outro esse Aerotrem bate até fazendo manobra, portanto …

    Att,

    Paulo Gil

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