EXCLUSIVO: Parte do pneu de monotrilho que estourou caiu em Avenida na zona Leste e quase atingiu loja

Peça Monotrilho
Peça quase atingiu fachada de loja

Funcionário  encontrou peças em frente ao estabelecimento na quinta-feira pela manhã. Bombardier não negou, mas não quis se manifestar  Metrô diz que acionou departamento jurídico para estudar como os responsáveis pelo consórcio que construiu a Linha 15-Prata podem ser penalizados pela paralisação da Linha. Os prejuízos decorrentes dessa paralisação também serão cobrados, tão logo seja identificada a natureza do problema.

ADAMO BAZANI

Uma parte do pneu da composição M20 do monotrilho da linha 15-Prata, que estourou por volta das 6h40 da quinta-feira, 27 de fevereiro, caiu na Avenida Sapobemba, na região do Jardim Planalto, zona Leste da capital paulista.

Por meio de nota, o Metrô confirmou oficialmente ao Diário do Transporte que trata-se de parte da peça runflat que integra o pneu e que acionou o departamento jurídico para estudar como os responsáveis pelo consórcio que construiu a Linha 15-Prata podem ser penalizados pela paralisação da Linha. Os prejuízos decorrentes dessa paralisação também serão cobrados, tão logo seja identificada a natureza do problema, segundo o Metrô.

Veja nota na íntegra:

Identificamos que a peça em questão é parte do runflat do pneu rompido do trem M20.
Apesar de o sistema Monotrilho ter sido projetado e concebido com uma tela que recobre toda via, para evitar ocorrências deste tipo, houve este caso pontual.

Estamos cobrando que a Bombardier, que faz parte do Consórcio CMEL – responsável pela da Linha 15, identifique os problemas que são de sua responsabilidade.

O Metrô acionou o seu departamento jurídico para estudar como os responsáveis pelo consórcio que construiu a Linha 15-Prata podem ser penalizados pela paralisação da Linha. Os prejuízos decorrentes dessa paralisação também serão cobrados, tão logo seja identificada a natureza do problema.

O Metrô está acompanhando os trabalhos, além de cobrar urgência na solução do problema, para que a linha volte a funcionar.

A peça da parte interna da estrutura do pneu foi achada pelo ajudante-geral Luciano Fabrício, que é funcionário de uma loja de Ferro e Aço em frente ao estabelecimento.

Ao Diário do Transporte, o trabalhador disse que além do dispositivo, havia no chão peças menores que, conforme relatou, também eram do monotrilho segundo o que ouviu de um funcionário da companhia de trens.

“A gente abriu a loja , ‘aí’ eu vi a peça de manhã e ‘aí’ eu deduzi que era do monotrilho. Na parte da tarde, veio um cara que ‘tava’ mexendo bem na frente aqui. Chamei um deles, que era coordenador, e perguntei se era mesmo a peça. Realmente a peça era do monotrilho, ele confirmou. ‘Caiu’ umas pecinhas pequenas também” – disse Luciano.

“Era tipo um plástico maciço, duro ‘prá’ caramba e pesado. Se cai na cabeça de alguém, mata” – complementou.

Não houve relatos de feridos.

Ouça na íntegra:

Peça era pesada e rígida, segundo funcionário de loja

Por causa do estouro do pneu e da possibilidade de mais ocorrências semelhantes, por medida de segurança, a Companhia do Metrô de São Paulo, responsável pelo monotrilho, e a Bombardier, que fabricou os trens, suspenderam por tempo indeterminado todas as operações da linha 15-Prata. Os passageiros do monotrilho voltaram a contar somente com ônibus como meio de transporte coletivo.

Sobre a peça encontrada em frente à loja, a assessoria de imprensa da Bombardier disse que a empresa não vai se pronunciar e que, por enquanto, a comunicação da canadense vai se restringir a uma nota à imprensa da tarde do último domingo, 01º de março de 2020, e divulgada também pelo Diário do Transporte.

A Bombardier, entretanto, não negou que a peça seja do trem que fabricou para a linha 15-Prata.

Nesta terça-feira, 03 de março de 2020, a linha continua suspensa, e o Metrô diz que a frota de ônibus da Operação PAESE será aumentada de 50 para 60 ônibus,”que juntos têm capacidade de atendimento similar aos 12 trens que prestavam serviço regularmente na Linha 15.”, segundo a nota.

HISTÓRICO DE PROBLEMAS:

O monotrilho da linha 15-Prata coleciona uma série de problemas, além do atraso na conclusão das obras, que deveriam ter sido entregues em 2014, ainda para a Copa do Mundo.

27 de fevereiro de 2020: Um jogo de pneus da composição M20 estorou nno dia 27 de fevereiro de 2020, uma quinta-feira. O Metrô paralisou a linha no fim de semsna e“a incidência de danos em outros pneus dos trens do monotrilho”, suspendendo assim as operações por tempo indeterminado. O Metrô disse quwe cobrou da Bombardier e do Consórcio CEML – que construiu a via – providências urgentes para a identificação da causa da ocorrência, a sua correção e que eles arquem com todos os prejuízos decorrentes desta paralisação junto ao Metrô de São Paulo.  A Bombardier disse, por sua vez, que recomendou a paralisação de toda a linha por execesso de cautela para as análises.  Ônibus atenderam aos passageiros do monotrilho.

1º de janeiro de 2020: Um problema em equipamento de via nas proximidades da Estação São Lucas causou transtornos para os passageiros por, pelo menos, cinco dias consecutivos. O Metrô explicou que o problema foi ocasionado pelo “desgaste natural” de parafusos perto de um equipamento de mudança de via na região da Estação São Lucas .A estação foi inaugurada em 6 de abril de 2018. Em nota, a Companhia de Metrô disse que os parafusos precisaram ser trocados e que pela fixação ser em concreto, sendo necessário aguardar.

15 de maio de 2019: A composição M 11 do monotrilho da linha 15-Prata, da zona Leste, se deslocou de uma viga no pátio Oratório no início das operações. O incidente ocorreu num equipamento de mudança de via. Ninguém se feriu.

29 de janeiro de 2019: No final da noite do dia 29 de janeiro de 2019, duas composições M22 e M23 bateram na região da estação Jardim Planalto, na zona leste da capital paulista. Ninguém se feriu gravemente. A estação não recebia passageiros. Um laudo do Metrô, divulgado em 05 de fevereiro de 2019, trouxe a conclusão de que “não houve qualquer falha do sistema de sinalização e sim erro humano” .

Mas o resultado foi contestado pelo Sindicato dos Metroviários que sustenta que há uma lacuna no sistema que controla os trens do monotrilho.

Segundo a entidade sindical, o sistema de controle da Linha 15-Prata não permite que um trem identifique o outro quando um deles está desligado. “Ao se desligar o trem, ele desaparece para o sistema” – sustentou o sindicato.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/02/07/sindicato-dos-metroviarios-diz-que-acidente-com-monotrilho-foi-causado-por-ausencia-de-sistema-de-comunicacao/

Também no dia 29, uma peça do sistema elétrico do monotrilho da Linha 15-Prata se soltou da via no trecho entre as estações São Lucas e Vila União, mas por haver grades que retém quedas de objetos, a avenida professor Luís Inácio de Anhaia Melo, que passa embaixo, não foi atingida.

https://diariodotransporte.com.br/2019/01/29/metro-confirma-que-peca-de-sistema-eletrico-de-monotrilho-se-soltou-mas-diz-que-linha-15-possui-telas-que-evitam-queda-de-objetos-na-rua/

10 de outubro de 2016: No dia 10 de outubro de 2016, uma composição do monotrilho, que trafega em vias elevadas com cerca de 15 metros de altura, partiu da estação Oratório com as portas abertas, conforme mostram as imagens do circuito do Metrô:

Especialistas criticam modelo de monotrilho para São Paulo e cidades vizinhas

Alto custo, capacidade limitada e maior necessidade de procedimentos de segurança estão entre os problemas deste tipo de transporte. Nos anos 1960, trabalho internacional contratado pela prefeitura já descartava monotrilho pelo atendimento limitado do modal

ADAMO BAZANI

Especialistas em mobilidade criticam o monotrilho como meio de transporte para São Paulo e cidades vizinhas na região Metropolitana.

Segundo os técnicos e acadêmicos consultados pela reportagem do Diário do Transporte, linhas como 15-Prata (São Mateus/Vila Prudente) e 17-Ouro (Congonhas/Morumbi) deveriam ser atendidas por um modal de alta capacidade, como metrô e trens e não por um meio de média capacidade, como monotrilho.

A linha 18-Bronze (São Bernardo do Campo/Tamanduateí) vai ser substituída por um sistema chamado BRT – Bus Rapid Transit, que consiste em corredores de ônibus com mais capacidade e velocidade maior que os corredores de ônibus comuns, mas com atendimento menor que de um metrô.

As promessas de que as linhas de monotrilho deveriam ser bem mais baratas que do Metrô e de implantação mais rápida não se concretizaram. Todas as linhas deveriam estar funcionando desde 2014, pelo menos, e com preço bem inferior ao Metrô, mas somente a linha 15-Prata opera e constantemente tem registrado falhas graves que comprometem a operação e a rotina dos passageiros. O custo de implantação vai superar R$ 5 bilhões.

Desde o final de semana, mais uma vez os passageiros do monotrilho só contam com ônibus como transporte coletivo porque o monotrilho não funciona.

O problema agora é com os pneus dos trens.

Diferentemente dos trens de alta capacidade do Metrô e da CPTM, que têm rodas de ferro, os trens de média capacidade do monotrilho têm pneus.

Como mostrou o Diário do Transporte, o estouro do pneu do trem M20, quando saía da estação Jardim Planalto, por volta de 6h30 da quinta-feira passada, 27 de fevereiro, colocou em alerta o Metrô e a empresa Bombardier, que suspenderam as operações de 23 composições.

O consultou de transporte, Peter Alouche, disse que monotrilho é sujeito a este tipo de problema e que alertava para as limitações do modal.

“Já alertava para este tipo de problema desde o início da escolha. Registrei meu descontentamento através de muitos artigos técnicos. A possibilidade de estouro de pneus é real neste meio de transporte” – disse o especialista Peter Alouche, que participou ativamente da implantação do Metrô de São Paulo

Já nos anos 1960, o monotrilho tinha sido descartado para a capital e cidades vizinhas.

Em 1966, o então prefeito de São Paulo, Faria Lima, criou o Grupo Executivo Metropolitano – GEM que antecedeu a fundação da Companhia do Metropolitano. Segundo nota na área de Governança Corporativa no site do Metrô, esse grupo contratou um consórcio de duas empresas alemãs (Hochtief e Deconsult), que se fundiu com a brasileira Montreal, formando uma nova empresa, a HMD.

Foi a HMD que realizou a primeira “Pesquisa Origem e Destino”, em 1967, por meio da qual foram projetadas as linhas básicas do Metrô para a cidade de São Paulo, elaborados os primeiros estudos econômicos e o pré-projeto de engenharia, segundo a explicação no site do Metrô.

Assim, o consórcio internacional projetou demandas, que agora se realizaram, para as quais o monotrilho não tem capacidade de atender.

Segundo o arquiteto e urbanista, consultor de transporte, Flaminio Fichmann, em conversa com o Diário do Transporte nesta segunda-feira, 02 de março de 2020, a linha 15-Prata paga por ser laboratório de um monotrilho que a fabricante não possuía.

“Investimos na tecnologia da Bombardier, empresa canadense, que não tinha o “produto” para implantar e atender a demanda da Linha 15 do monotrilho. Ou seja, estamos pagando o desenvolvimento de um novo tipo de monotrilho para uma empresa estrangeira, que está falhando na operação e colocando as pessoas em risco. Hoje podemos afirmar com segurança que eles não cumprirão as especificações do projeto para atender a demanda prevista.”

Fichmann também cita problemas na linha 17-Ouro, que ainda está em construção, em relação a fabricante de trem.

“A Linha 17 Ouro não concluiu o primeiro trecho e não entrou em operação porque a Scomi, outra empresa estrangeira, faliu e não existe previsão para a implantação da linha até o Morumbi, prometida para o início da Copa em 2014. Já gastamos bilhões de reais de modo irresponsável com essa tecnologia.” – disse

Após o rompimento do contrato com o antigo consórcio, o Metrô abriu um novo processo de licitação para o fornecimento de trens de média capacidade e equipamentos e habilitou a chinesa BYD  (Consórcio BYD SKYRAIL São Paulo, formado pelas chinesas BYD do Brasil Ltda; BYD Auto Industry Company Limited e BYD Signal & Communication Company Limited.) para a linha 17, muito embora, o Consórcio Signalling, composto por duas empresas nacionais – Ttrans e Bom Sinal – e uma empresa suíça, a Molinari, tenha oferecido o menor preço.

Na decisão que é alvo de recurso, o Metrô entendeu que o Consórcio Signalling não atendeu o critério de “Patrimônio Líquido”.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/02/01/metro-habilita-chinesa-byd-para-fornecer-trens-do-monotrilho-da-linha-17/

Mesmo sem fazer uma defesa do BRT, o arquiteto e urbanista, consultor de transporte, Flaminio Fichmann, diz que foi uma boa decisão do Governo do Estado em descartar o monotrilho para a ligação entre o ABC Paulista e a capital na linha 18.

“Muitos irresponsáveis e mentirosos os que estavam apresentando o Monotrilho do ABC como Metrô, tentando enganar a população. Felizmente esse processo foi sepultado e o ABC poderá se abrir para soluções de transporte mais eficientes, seguras e confiáveis.” – completou Flaminio.

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo foi a primeira entidade a divulgar que a interrupção do funcionamento do monotrilho ocorreu por causa de estouro em pneu.

O coordenador-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Fajardo, explicou ao Diário do Transporte que a entidade sustenta que monotrilho é um meio de transporte de média capacidade, para trajetos curtos, limitado, com características de estrutura e operação sem domínio brasileiro e mais sujeito a falhas crônicas.

“Isso já confirma as opiniões que o sindicato vem expondo desde o início da inauguração desse sistema. O sistema de monotrilho é inseguro, tem muitas falhas e, na realidade, fizeram os trabalhadores e usuários de cobaias num sistema que não deveria ser este, mas metrô para garantir um transporte de alta capacidade” – disse

Os especialistas ainda foram unânimes em defender que a prioridade dos investimentos deve ser a ferrovia de alta capacidade conjugada com uma rede de alimentação por ônibus qualificada, formado por BRTs, corredores comuns e faixas, de acordo com a demanda e as condições de infraestrutura de cada região.

Em nota oficial emitida neste domingo sobre o problema de estouro de pneu, a empresa Bombardier diz que técnicos do Canadá foram enviados para o Brasil com o objetivo de verificar o problema e que quer “tranquilizar os passageiros de que os trens do monotrilho do Metrô de São Paulo têm transportado passageiros com segurança e confiabilidade desde que o sistema foi inaugurado em 2014.”

A empresa ainda pediu “desculpas pelo inconveniente necessário.”, ou seja, a retirada de 23 trens de circulação para a análise.

INTERRUPÇÃO DA LINHA 15-PRATA NÃO ERA TESTE DE CONTROLE DE TRENS

Inicialmente, o Metrô dizia que a suspensão da operação se deu por causa de “testes do sistema de controle de trens”, mas o verdadeiro motivo da paralisação da linha 15-Prata, trazido à tona pelo Diário do Transporte e pelo Sindicato dos Metroviários foi o problema com os pneus dos trens.

Segundo o Metrô, ao longo dos testes realizados na linha neste fim de semana, foi constatada “a incidência de danos em outros pneus dos trens do monotrilho”

O Metrô relatou ainda que partes dos pneus chamadas “Run Flat” estão causando essa alteração. Esses dispositivos ficam nas rodas e garantem a movimentação do trem em casos de anormalidades, como pneus furados ou murchos.

A estatal disse, por meio de nota, que está cobrando da Bombardier e do Consórcio CEML – que construiu a via – providências urgentes para a identificação da causa da ocorrência, a sua correção e que eles arquem com todos os prejuízos decorrentes desta paralisação junto ao Metrô de São Paulo.

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

 

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Acordem, mudem de rota, INOVEM.

    Juridiamente esta questão não será resolvida nem daqui 20 anos; quiça será recebido os valores, FORA O TEMPÃO QUE PASSARÃO NOS CÁLCULOS.

    Previsíiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiivel!

    Anotem ai nas suas agendas
    ,
    Att,

    Paulo Gil

  2. Rodrigo Zika! disse:

    Nunca que o monotrilho servirá pra um sistema igual SP, que e uma cidade muito populosa em várias regiões, e sendo do tamanho de muito país europeu, apenas ira sobrecarregar a linha e dar muitos problemas por ser um transporte pra carregar um porte de baixo pra médio, culpa do picolé de chuchu que inventou isso além da linha 17 que tenho certeza que ira dar os mesmos problemas, e ambas as linhas irão causar um prejuízo pro estado e no nosso bolso como contribuinte, vergonha.

  3. vintedoisblog disse:

    Pessoal precisa se acalmar: o Monotrilho vai se estabilizar e prestar bons serviços!!!!

  4. claudio disse:

    Isso que dá, corrupção sistêmica do PSDB em SP, que governa por 24 anos. Ninguém tem coragem ou possibilidade de investigar. MP, TJ todos adestrados pelos governadores. Nenhuma CPI contra os atos corruptos do executivo paulista.

  5. Cláudio da Cunha disse:

    Essa obra é uma invenção do incompetente governador que tivemos. Tão desnecessária quanto ele.

  6. Roberson disse:

    Cláudio
    Tudo é arquivado quando envolve o governo de SP/PSDB,temos ainda o problema do rodoanel, o famoso trensalao, entre outros casos.

  7. Talita disse:

    Se vc não precisa utilizar o transporte público, recolha-se a insignificância da sua opinião no que diz respeito a utilidade de bem social que vc não tem ideia do valor e opina com total ignorância a respeito

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