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Gigante chinês anuncia investimentos em aplicativo de carga brasileiro TruckPad

TruckPad diz que possui mais de um milhão de downloads

Apetite de asiáticos por mercado brasileiro de transportes tem extrapolado o fornecimento de veículos. Recentemente, banco japonês anunciou R$ 300 milhões na Buser, de transportes de passageiros. Operações de trens e metrô e projetos de mobilidade limpa também devem ter mais capital do oriente

ADAMO BAZANI

Cada vez mais o mercado brasileiro de tecnologia voltada à mobilidade, seja de cargas ou passageiros, tem despertado a atenção de investidores asiáticos.

Nesta segunda-feira, 11 de novembro de 2019, a FTA (Full Truck Alliance), considerada a maior plataforma de digital do transporte da China, anunciou investimentos na brasileira TruckPad Tecnologia e Logística S.A, que detém um aplicativo que conecta a oferta de fretes a caminhoneiros.

Em nota, ambas as empresas dizem que o investimento dará à plataforma nacional  “o capital para o crescimento da plataforma e, simultaneamente, acesso a um acordo de cooperação tecnológica, com a participação do suporte operacional e técnico da FTA nas operações brasileiras.”

Ambas marcas devem trocar tecnologia e experiência

Na mesma nota, o CEO e fundador da TruckPad, Carlos Mira, afirmou que a parceria deve trazer inovações ao setor.

“Estamos felizes e honrados com o investimento da FTA. Estamos fortemente comprometidos com o crescimento da plataforma com qualidade e em trazer soluções inovadoras para os nossos parceiros e clientes no Brasil, e nossa tradicional indústria logística” – informou Mira, que criou a plataforma em 2013.

O  TruckPad  diz que possui mais de um milhão de downloads e já conta com investimentos de empresas como Movile, Grupo LBS, Mercedes-Benz e Estrela.

Os valores dos investimentos ainda serão divulgados.

ÔNIBUS:

Buser deve expandir com capital japonês

Recentemente, no setor de passageiros, o grupo japonês SoftBank, conhecido por injetar bilhões de dólares em startups brasileiras, anunciou investimentos na Buser, uma empresa mineira que detém um aplicativo que possibilita viagens rodoviárias.

Com o aporte, a Buser promete investir R$ 300 milhões nos próximos 12 meses em ações de marketing, desenvolvimento de tecnologia e expansão pelo País.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/10/07/buser-anuncia-que-investira-r-300-milhoes-apos-aporte-de-banco-japones/

Desde o início, a atuação da empresa tem dividido opiniões e ainda não é consenso na justiça.

De um lado, a empresa diz que oferece uma nova opção de transporte fazendo a intermediação entre passageiros e companhias de ônibus de fretamento.

De outro lado, as viações de linhas regulares dizem que, na prática, a Buser faz as linhas rodoviárias mais lucrativas por intermédio de empresas de fretamento travando uma concorrência desleal, isso porque, diferentemente das viações, a Buser não é obrigada a transportar gratuidades, pagar taxas de terminais e de agências de regulação (como ANTT, Artesp, Detro, Agerba, etc) e não realiza a viagem se não tiver lotação mínima.

Segundo as empresas, sem todas essas obrigações, fica fácil para a Buser oferecer preços menores.

Em maio o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou liminar para barrar o serviço, e enquanto o mérito não é julgado a empresa segue operando até definição final. No entanto, a Buser está proibida de operar em Santa Catarina e no Paraná.

No primeiro caso, no início de outubro, por decisão da 3ª Vara Federal de Florianópolis, que concedeu liminar atendendo a pedido do Setpes (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Santa Catarina). Relembre: Justiça Federal proíbe Buser de fazer viagens interestaduais em Santa Catarina

No segundo caso, em 20 de setembro, por decisão liminar da 5ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba. A suspensão das atividades da Buser no Estado do Paraná foi uma resposta ao processo movido pelas empresas Viação Garcia e Princesa do Ivaí, responsáveis pelas linhas entre Londrina e Curitiba e Maringá e Curitiba, representadas na ação pela Federação das Empresas de Transporte de Passageiros dos Estados do Paraná e Santa Catarina (Fepasc). Relembre: Liminar da justiça estadual do Paraná proíbe operação da Buser

MOBILIDADE LIMPA:

Modelo de ônibus elétrico rodoviário já tem unidades encomendadas

Outra asiática que promete mais investimentos na área de transportes no Brasil é a chinesa BYD, que possui desde 2015 uma planta em Campinas, interior de São Paulo, onde fabrica placas de energia solar e ônibus e caminhões elétricos.

Na última edição do evento de fretamento da Fresp e da ANTTUR, entidades do setor de transportes de passageiros, a empresa apresentou o primeiro ônibus rodoviário elétrico do Brasil.

O anúncio teve cobertura do Diário do Transporte neste final de semana.

https://diariodotransporte.com.br/2019/11/09/onibus-rodoviario-eletrico-da-byd-ja-tem-as-primeiras-encomendas-realizadas/

Ônibus da BYD para São Paulo e projeto de energia solar

A BYD também tem participado de projetos de geração de energia limpa para transporte público, como  na capital paulista.

Os 15 ônibus elétricos entregues recentemente para a Transwolff, empresa que atende a zona Sul de São Paulo, vão contar com geração solar.

Em uma fazenda da BYD, cuja localização ainda vai ser definida, placas de captação de energia solar vão gerar eletricidade e lançá-la no ONS – Operador Nacional do Sistema. Essa energia será convertida em créditos para ser usados no carregamento das baterias destes ônibus.

Como também mostrou o Diário do Transporte, os 15 ônibus já estão na garagem da Transwolff e devem começar a operar com passageiros ainda neste mês.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/11/06/transwolff-ja-esta-com-os-15-onibus-eletricos-da-byd/

OPERAÇÕES FERROVIÁRIAS:

Linhas 8 e 9 da CPTM despertam interesse

Os asiáticos já tinham uma tradição no mercado ferroviário no Brasil, mas com maior predominância no fornecimento de trens e sistemas.

Agora, com as PPPs – Parcerias Público Privadas, o capital asiático deve estar mais presente na operação de trens suburbanos e metrôs.

Nesta segunda-feira, 11 de novembro de 2019, o secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Alexandre Baldy, anunciou que a concessão da linha 6-Laranja do Metrô deve ficar com a espanhola Acciona.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/11/11/baldy-diz-que-apos-analise-de-compra-da-linha-6-por-espanhola-obras-ficam-prontas-em-quatro-anos/

Mas há outros projetos acompanhados de perto, em especial por japoneses e chineses, como o TIC – Trem Intercidades, que inclui a linha 7 Rubi (Jundiaí – Francisco Morato – Luz e Brás) da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos , e a concessão das linhas 8-Diamante (Júlio Prestes / Amador Bueno) e 9-Esmeralda (Osasco – Grajaú, com extensão prevista para Varginha, no extremo sul da capital). Ambas também integram a malha da estatal paulista.

Em entrevista ao Diário do Transporte, em 25 de outubro, o presidente da CPTM, Pedro Moro, disse que o processo de formulação do edital de concessão de ambas as linhas está bem adiantado e a audiência pública para a apresentação da concorrência e recebimento de sugestões deve ocorrer no início de 2020.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/10/28/edital-de-concessao-das-linhas-8-e-9-esta-bem-adiantado-e-audiencia-publica-ocorre-no-inicio-de-2020-diz-pedro-moro/

A linha 8-Diamante (Júlio Prestes / Amador Bueno) tem uma demanda aproximada de 480 mil passageiros por dia e uma estimativa de registar nos próximos anos um crescimento para 530 mil passageiros diários. A extensão da linha é de 41,6 km.

Já a linha 9-Esmeralda (Osasco – Grajaú, com extensão prevista para Varginha, no extremo sul da capital) tem 36 km, contando o trecho até Varginha. A demanda atual é próxima de 575 mil passageiros por dia útil, mas a estimativa é que cresça para 611 mil passageiros.

Um dos cenários estudados pelo Governo do Estado é que a concessão seja de 30 anos, com contraprestação máxima de R$ 397 milhões por ano da concessionária e de R$ 11,5 bilhões ao longo de todo este período.

A concessionária, ainda de acordo com a perspectiva inicial do Estado, deverá ainda ter de investir R$ 3 bilhões em via permanente (renovação dos trilhos), acessibilidade de estações, pátio de manutenção, construção de passarelas, em sistemas de drenagem, construção e reforma de muros, modernização dos sistemas de controles de trens e de energia e implantação de novos equipamentos de manutenção.

VISITAS:

Governador de São Paulo, João Doria, e secretários com diretores da chinesa CRCC – China Railway Construction Corporation, em agosto

As visitas de autoridades brasileiras à China, incluindo o tema transportes estão se tornando rotina.

Como mostrou o Diário do Transporte, em 05 de agosto, a comitiva com o governador de São Paulo, João Doria, e secretários, inclusive dos transportes metropolitanos, Alexandre Baldy, esteve na China oferecendo a investidores locais projetos de concessões previstos no programa de desestatização.

Doria e Baldy estiveram com o   presidente da CR20, empresa do grupo CRCC – China Railway Construction Corporation, Deng Yong.

Segundo uma postagem de Doria no mesmo dia, a gigante do setor metroferroviário demonstrou interesse nos projetos para CPTM, Metrô e ferrovias em geral.

Hoje, aqui em Beijing, almoçamos com o presidente da CR20, empresa do grupo CRCC – China Railway Construction Corporation, Mr. Deng Yong, que é líder mundial no setor ferroviário, com 350 mil funcionários e faturamento superior a US$ 110 bilhões. A empresa demonstrou forte interesse em investir no Estado de SP em projetos de mobilidade urbana com os trens da CPTM, Metrô e ferrovias.

A CCRC já tem negócios relacionados aos transportes metropolitanos em São Paulo.

Um dos principais e mais recentes, como noticiou o Diário do Transporte, é o fornecimento, em conjunto com a filial brasileira da empresa espanhola Temoinsa de oito composições para a linha 13-Jade, que serve a região do aeroporto em Guarulhos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/08/05/doria-inicia-conversas-com-gigante-ferroviario-chines-sobre-projetos-de-concessao/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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